O Outro Lado do Livro
26 "Eu Esperava por Você, Dimitri"
Notas iniciais
– Emily, Emily! Emily! Acorde, olhe olhe!
Ouvia a voz de Ester de fundo, me dizendo pra acordar.
– Que foi Ester? – falei, colocando o travesseiro no meu rosto.
– Tiraram o seu gesso!!!
– O que?
Sentei na cama vendo meus belos pés novamente. Finalmente estava sem gesso, estava sem nada, apenas meus pés. Eu me lembro quando eles tiraram o gesso, foi um pouco dolorido, pois fiquei com medo de andar novamente, mas nada se compara a sensação de estar com o seu pé de volta. É ótima a sensação de meche-lo, de poder chutar, correr, e pular. Esta é a primeira manhã que eu acordo e vejo meus pés, ali, branquelos.
Já havia passado duas semanas depois do ocorrido, do acidente, do medo de perder tudo.
Descobri que antes do Miguel morrer (o ruivinho que foi o meu primeiro noivo ele) tinha falado para os médicos e cientistas dele examinarem a minha situação, de eu ter vindo para outra era.
Daquele dia que eu me declarei para o Dimitri, nós não falamos muito depois daquilo. Ele vive ocupado com a empresa. E ainda não sei se tenho realmente um noivo, ou apenas um ficante.
Eu contava os dias para tirar o gesso e as faixas, para ir no rio em que Patricia pediu para que eu fosse. Ah, e sobre ela? Ela foi embora, sem nem mesmo avisar. Depois que ela me pediu que eu fosse ao rio ela saiu do meu quarto e nenhum empregado a viu saindo da casa ou arrumando suas coisas.
– Emily.
– Sim, minha querida?
Eu penteava meu cabelo enquanto Ester estava sentada na cama, eu a observava pelo espelho.
– O que esta acontecendo com você e o meu irmão?
Parei no mesmo estante e me sentei ao seu lado.
– Não sei. Por quê?
– Por que naquele dia eu pensei que vocês iriam ficar juntos, fiquei muito feliz. Agora eu já não sei o que esta acontecendo com vocês dois.
– É que, o amor é complicado. Nem eu sei o que esta acontecendo com nós dois. Mas eu vou falar com ele hoje. Pelo menos vou tentar falar.
– Eu gostei de você, Emily. Eu gostei da forma em que você fala e age. Eu queria que vocês dois ficassem juntos.
– Obrigada meu amor. Eu vou ver o que faço.
Ester saiu do meu quarto e foi ver seu noivo, alias, o casamento dela é daqui a uma semana.
Minha cabeça doía, pois é complicado você gostar de uma pessoa, se declarar para ela, e não dar em nada o que você fez.
Então, eu tive uma Idea.
Chamei Agnes para tomar um chá fora de casa, em uma confeitaria que havia no centro.
– Mas esse plano é maluco. – disse ela ao ouvir o que eu tinha a falar.
– Eu sei, eu sei que pode ser maluco, pode ser ridículo, pode ser tudo. Mas, eu amo o seu filho, eu amo o Dimitri, e eu já falei com ele sobre isso, mas com a loucura da empresa eu nunca mais o vi.
– Já que você quer isto. Eu vou te ajudar.
– Obrigada Agnes.
– Espera ai? O que você falou?
– ”Obrigada Agnes”.
– Você mudou o seu vocabulário.
Eu apenas ri. Mas é verdade, eu não falo coisa como, “falou”, “valeu”, “meu cara”. É que convivendo com gente velha da nisso.
Agnes foi pra empresa, e antes de eu ir para casa, parei em uma loja linda. Para executar o plano de hoje á noite, tudo tinha que estar perfeito.
Depois passei no mercado e comprei tudo para hoje.
Quando voltei para casa, conversei com as meninas para elas me ajudarem, elas gostaram da idéia. Pedi para as cozinheiras fazerem comidas gostosas.
O relógio marcava sete e trinta quando eu comecei a me arrumar. Dimitri chegaria em casa as nove.
Fui para o meu quarto. Depois de me exagerar no banho fui para a minha cama e passei creme em todo o meu corpo. O creme de hoje em dia não é tão bom como em 2014, mas da para usar, e deixa a pele mais ou menos macia.
Vasculhei em uma das sacolas de roupas e peguei um vestido vermelho, que havia comprado hoje. Coloquei um espartilho, e vesti o belo vestido vermelho. Mesmo com a minha enorme vontade de comprar um vestido curto, comprei um comprido, com um leve tecido, e que formava belos trançados na parte do busto.
Fui para a penteadera e não coloquei nenhuma jóia, apenas um pequeno brinco de bolinha, e um anel de falange, que havia uma pequena coroa de strass.
Penteei meu cabelo levemente.
Na maquiagem, não quis fazer algo muito forte, nem nada muito extravagante, então, apenas passei muuuiiitooo rimel, e uma fina linha de delineador.
Minhas mãos não paravam de soar. Meu coração batia forte.
Quando já estava pronta, fui para a sala, ver como estava indo os preparativos de tudo. Todos vislumbraram-me.
– Nossa. Isso é um anjo, mamãe? – perguntou Emma boquiaberta.
– Você está realmente linda, maravilhosa, magnífica. – dizia Agnes.
– Obrigada gente. Mas, quantos minutos faltam para ele chegar?
– Agora faltam... Dês minutos. – respondeu Ester da cozinha.
– Estou meio que nervosa. Terei que fazer coisas que nunca tinha feito antes. Tranqüiliza-me pensar que fazendo isso eu posso ficar com Dimitri.
– Então, se foque nisto, meu bem.
– Onde será colocado o convite?
– No criado-mudo da sala. Tudo está escuro, e apenas uma luz ficará iluminando o convite.
– Ok, ok, ok, ok, ok. Estou tremendo.
– Relaxe. Eu e as meninas vamos subir. Você pode ficar a vontade, a casa é sua.
– Ta bom.
Quando as meninas foram pra cima, e as empregas deixaram tudo escuro, só apenas a pequena luminária perto do convite, fui para fora da casa, para o jardim de trás, onde tinha uma mesinha redonda, que tinha duas cadeiras, e em cima da mesa havia dois pratos, com uma comida estranha.
Desci as escada da varanda, vislumbrando a grande e redonda lua. Esta noite estava fria, como qualquer outra noite aqui.
Fui para o centro do jardim, olhando para o céu, deixei que meus cabelos se despendessem do coque e voassem no vento, e que a barra do meu vestido se mexesse levemente com a brisa.
– Emily?
Não sei o porque, mas a voz de Dimitri me trouxe leve arrepios, me fazendo virar assustada.
Dimitri estava a uns 15 passos de mim, e sua expressão era de assustado, e de surpreso.
Para o clima não ficar pesado apenas sorri.
– Eu esperava por você, Dimitri.
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