O Outro Lado - A Verdade
18 Tensão antes da verdade
Notas iniciais
Sentei na mesa da cozinha colocando mais café na minha xícara e pegando um dos belos e delicados mini sanduíches que estavam num prato.
“Quem fez isso?” Tentei começar falando algo trivial para não parecer tão nervosa.
“Aoi, pra quem não sabe de onde veio ela cozinha muito bem.” W pegou um copo com de suco e sentou na minha frente, me dando um sorriso irônico. “Muito bonito dona ruivinha, você sai por ai para fazer coisas não recomendadas para menores de dezoito anos com seu namorado, e esse pobre garoto que acabou de se mudar tem de passar a noite acordado vigiando uma maluca dizendo que ia chamar a policia para prender o Ichigo por ter te sequestrado e a outra querendo sair para “brincar” com uma faca por ai. Ah se não fosse o grande W aqui, o que seria dessa cidade?”
“W, eu... precisamos conversar.”
“Se quer alguma dica sobre sacanagem, está perguntando a pessoa errada, ao contrario do que pensa eu sou um ser humano totalmente inocente. Mas posso conseguir umas revistas com uns amigos se qui...”
“JÁ CHEGA!!” Fiquei completamente vermelha e acanhada, mas me controlei. “Tem uma coisa que eu preciso te contar. É bem sério.”
“Nossa ruivinha, me deixou preocupado agora. O que aconteceu?”
“Eu... É... Nós vamos ter que contar...”
“Contar o que garota?”
“Você sabe... Aquilo... O tal “instinto assassino”, de onde Aoi, Chisei e Kei realmente vieram, tudo.”
“Como assim?”
“O Ichigo descobriu que estamos escondendo alguma coisa, ele sabe que eu sai com você naquele dia da crise. Parece que nosso segredo chegou a um ponto onde é impossível manter, então precisamos contar de uma vez para o Ichigo e a T-suki.” Eu sinceramente não sabia que reação esperar, mas quando o copo de vidro nas mãos de W se partiu em milhões de cacos fiquei realmente chocada. Ele praticamente triturou o objeto, era a única maneira de controlar a raiva que ele encontrou?
“W! SUA MÃO ESTÁ SANGRANDO!” Corri para pegar um pano, mas ele continuava parado olhando pro lado, seu rosto se contorcendo em caretas estranhas. Molhei o pano e tentei estancar o sangue, e ele continuava sem se mexer. Fiquei com medo de ter feito uma coisa imperdoável. Obviamente contar a verdade era a única opção, mas era um segredo muito horrível e que ele tinha guardado por tanto tempo... Não poderia ter sido falta de consideração minha colocar tudo a perder sem pedir a opinião dele?
“Você tá bravo não é? Eu não tiro sua razão.”
“Tudo bem.” Ele falou rapidamente.
“Não foi você mesmo que me ensinou a não fingir o que eu achava ou sentia?”
“Não estou fingindo. Obviamente ter que contar tudo a essa altura é complicado, mas eu não estou bravo com você, se o Ichigo desconfiou tanto assim foi a única opção.”
“E agora?”
“Como assim? Vamos contar tudo. Sabe, não é que eu achasse que íamos conseguir manter esse segredo pra sempre. Para pessoas como nós, ter ligações fortes com alguém é praticamente um atestado de que uma hora elas irão saber. DROGA MINHA MÃO TÁ DOENDO!”
“Você só percebeu agora? Quem manda fazer algo estúpido como destruir um copo com a mão seu retardado?”
“Se pelo menos você não estivesse piorando a situação né. Se fosse uma enfermeira morreria de fome ruivinha.”
“Eu sei machucar pessoas, não tratá-las.” Normalmente não brincávamos com nosso problema, mas sei lá, agora parecia uma hora adequada.
“Não adianta vir com desculpas esfarrapadas, se não souber fazer um curativo o Ichigo não vai querer casar com você. Se bem que depois do que aconteceu acho que ele vai ser meio que obrigado...”
“MORRA SEU MALDITO!!”
“Bem, essas suas duas malucas ai não me deixaram dormir, então eu vou pra casa. Trago a T-suki aqui de noite para resolvermos tudo.”
“Tem certeza que as coisas estão bem?”
“Isso só vou poder responder de noite ruivinha. Até depois.”
“Até.” W saiu e quando ouvi o barulho da moto indo embora, respirei fundo e tentei formular alguma coisa na minha mente... Nada. Tentei parecer tranquila, mas aquilo era completamente impossível. Como ficar calma quando toda minha vida seria decidida em poucas horas?
“De onde veio todo esse sangue?” Sem que eu percebesse, Aoi e Kei já tinham descido.
“Ah não é justo, Ori e W podem se divertir e eu não...” Kei falou com um tom manhoso.
“Não é isso, W machucou a mão com um copo de vidro. Aoi, você limpa tudo pra mim, por favor. Preciso tirar um cochilo.”
“Claro.” A garota de óculos respondeu, e eu subi as escadas, me jogando na cama. Peguei o celular e mandei uma mensagem para Ichigo que dizia: “Tudo confirmado. Venha para minha casa as sete horas.” Aquelas simples palavras que iriam mudar minha vida para sempre. Fechei os olhos com força, tentando obrigar meu corpo a dormir, e por sorte ele me obedeceu. Agora só o que restava era desejar dormir até a noite, para pelo menos não sofrer com a ansiedade.
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