Notas iniciais
Iae pessoas como estão? Começando essa pós de O Outro Lado, simplesmente porque as ideias vieram e eu não consegui deixar de lado. A capa apesar de ser uma versão editada da primeira, traz umas diquinhas sobre a fic, então tentem descobrir.

Levantei com uma luz irritante do sol passando pelos vidros da janela e fui direto pro banheiro, ver se um banho gelado aliviaria os efeitos de uma péssima noite de sono. Não, é até meio hipócrita chamar de “noite de sono”, considerando que os únicos momentos que eu fechava os olhos eram quando era vencida pelo cansaço e meu medo fraquejava, e só para ser lançada em um mundo de sangue e terror e despertar novamente, abafando meus gritos num travesseiro. Não que pesadelos fossem uma novidade para mim. Desde que toda a situação com Milly terminou, há pouco mais de seis meses, eles eram companheiros noturnos constantes, sempre me lembrando do que tinha acontecido. E da pessoa que estava dentro de mim, pronta para surgir em qualquer mínimo descuido.

Peguei uma roupa já separada no armário, um short preto feito do mesmo couro macio da jaqueta, uma blusa branca e um par de botas. Quando ia pegar minha mochila, acabei esbarrando no fundo falso e por algum motivo abri. A visão de todas aquelas armas fazia minhas mãos tremerem. Apesar de eu sempre andar com o canivete que havia ganhado de um certo amigo idiota há algum tempo atrás (depois de ser jogada nesse mundo sangrento e cheio de violência, nada mais natural do que ser precavida), parecia ter séculos que eu não fazia alguém sentir dor, e sinceramente, não sei como aguento conter meus instintos.

Na verdade eu sei. Tenho meus amigos. W, o idiota que está na mesma situação que eu, e a ultima coisa que vou fazer é ceder primeiro que esse inútil. T-suki e Rangiku, que quase sempre estão comigo, seja para comprar alguma coisa ou ver um filme bobo. Ou me acalmar quando me acham gritando encolhida num canto durante uma de minhas crises. E também tem ele. Kurosaki Ichigo, meu atual e eterno amor. Alguém que não tinha nada a ver e acabou sujando as mãos no meio de nossas ciladas. Ele diz que está tudo bem, que fez aquilo para me proteger e é isso que importa, mas nada ira fazer a culpa sair das minhas costas.

E era com essas pessoas que hoje eu estava indo para uma nova escola. Não que houvesse algum problema com a antiga, mas ela estava tão cheia de lembranças ruins que decidimos mudar para uma mais afastada, como uma tentativa de recomeçar e deixar o passado para trás. Não que isso fosse totalmente possível.

Corri para a garagem e peguei minha moto. Tinha comprado ela há dois meses atrás com um pouco do dinheiro que tinha ficado no banco pra mim depois que meu irmão morreu. Eu quase nunca mexia nele por receber mesada de uma tia, e bem, a moto pareceu m bom investimento.

Nas ruas de Karakura, tudo parecia o mesmo de sempre. Depois da captura de Milly, fomos interrogados, mas como não haviam provas, nossos nomes nem mesmo foram descobertos pela mídia. Assim era melhor.

Logo cheguei na frente da nova escola, e fiquei parada na porta, pensando aonde diabos seria o estacionamento, quando senti alguém tocando no meu ombro.

“Está perdida gatinha.” Um cara loiro e alto falou com uma voz irritante.

“Só quero saber onde é o estacionamento.”

“Eu digo se sair comigo.” Antes que eu desse um murro na cara do idiota, alguém colocou o pé na minha moto.

“Quer uma dica amigo? Essa garota é totalmente pirada, e o namorado dela é um saco. Se não quiser levar uma surra dos dois, acho melhor parar.” esse idiota descabelado ia pagar por colocar o pé sujo de lama na moto que eu tinha passado horas deixando brilhando.

“Sabe W, eu não preciso que você defenda MINHA namorada” quando olhei para trás, um rapaz ruivo estava parado atrás de mim, sua mão em volta da minha cintura.

“Quem aqui tá defendendo a ruivinha, eu estou é defendendo esse pobre coitado que não sabe onde quer se meter.”

“O que quer dizer com isso?”

“Qual o problema, seu cabelo derreteu seus neurônios?”

“Melhor do que ter um cabelo desbotado.” antes que os dois continuassem a brigar, ambos levaram um murro e saíram voando.

“CHEGA DE VIOLENCIA VERBAL NO PRIMEIRO DIA DE AULA SEUS IDIOTAS!” T-suki tinha acabado de chegar, junto com Rangiku.

“Assustadores!” O tal cara loiro gritou e saiu correndo feito um bebezinho assustado.

“Droga, violência física não é muito pior, amorzinho?” W tentava se levantar, ainda tonto pelo murro.

“Isso doi, para que o exagero T-suki?” Ichigo e W estavam tão tontos que se seguraram um no outro para conseguirem ficar de pé.

“E pra que vocês dois estão sempre brigando? Sinceramente meninas, controlem melhor seus namorados.”

“Como se alguém conseguisse controlar esses idiotas Rangiku.” T-suki falou.

“Só sei que se os dois não pararem de sujar minha moto de sangue vão apanhar mais ainda.”

“Ei Kurosaki.”

“O que é descabelado?”

“Já percebeu que a ruivinha ama mais essa moto que você, não é?”

“CALADO IDIOTA!”

“É pessoal, vamos entrar antes que vocês quatro comecem um round de luta livre na porta do colégio.” Rangiku saiu nos puxando e me mostrou onde estacionar a moto.

Por onde passávamos, as pessoas olhavam, talvez não fosse comum ver um grupo “diferente” como o nosso todos os dias. O campus da escola era fantástico, com três prédios (salas, biblioteca e ginásio) e várias arvores espalhadas, sem falar na piscina e nos outros estabelecimentos. Graças a Rangiku, que tinha se dado o trabalho de visitar o lugar antes das aulas começarem, conseguimos chegar rapidamente a nossa sala, que esse ano seria a mesma, só para eu ficar surpresa com uma coisa que meus olhos não esperavam ver: Uma garota de baixa estatura e cabelos negros, usando roupas bastante caras. Tentando parecer tranquila enquanto lia um livro, mas sem conseguir disfarçar o tremor nervoso em suas mãos.

Notas finais
Até o proximo, espero reviews!