O Outro Lado - A Verdade
4 Colocando as cartas na mesa
Notas iniciais
O resto das aulas se passou normalmente, mas eu não conseguia tirar os olhos de Nina. Tinha algo naquela garota que me fazia desconfiar de cada passo que ela desse. Mas por quê? Ela com certeza não parecia ser uma de nós, ou seja, sem risco de mais um assassino atrás de mim, então porque essa incerteza toda? Talvez pelo fato de que ela sempre parecia estar atenta a tudo, como se a vida fosse um quebra cabeça pronto para ser desvendado.
No portão de saída, eu parei por um momento para conversar sozinha com Ichigo, afinal, apesar das minhas preocupações, tinha que dar um pouco de atenção pro meu namorado.
“Então, você vai mesmo sair com o W e o tal Mark?” Perguntei passando meus braços em volta dele.
“Sim, não que eu goste de motos, mas o W disse que quer investigar uma coisa.” Então eu não estava errada, o W pensou a mesma coisa da Nina. “Tsc, você também está desconfiando de alguma coisa não é?”
“Pode ser só paranóia, mas algo na Nina me dá um sentimento ruim.”
“Sabe, eu sei que é idiotice, mas as vezes eu sinto ciúme de como você e o W pensam igual.” Ichigo falava tentando parecer casual, mas dava pra ver em seus olhos que aquilo o incomodava.
“Não seja bobo Ichigo-kun. Tudo bem que eu e o W somos bastante parecidos, mas eu gosto dele como se fossemos irmãos, e na realidade parecemos muito mais cúmplices do que amantes. Você é o único ser desse universo que eu amo.” depois disso, os lábios dele finalmente tocaram os meus, e ficamos por muito tempo nos beijando. Aquela era uma das poucas sensações que me fazia esquecer de tudo, de como minha vida era complicada, de como o futuro poderia trazer novos terrores, Kurosaki Ichigo com certeza era o melhor calmante para as minhas dores.
Quando finalmente nos soltamos percebi que as meninas já me esperavam na esquina, incluindo Nina e sua colega Jenni.
“Acho que tenho de ir.”
“Tudo bem. Tome cuidado tá. Qualquer coisa pode me ligar.”
“Obrigada.”
“Não agradeça. Eu amo você.”
“Eu também te amo.” Dei um beijo no rosto dele e sai correndo para onde as meninas estavam.
“Demorou hein.” T-suki cutucou meu braço enquanto andávamos.
“Deixa ela estava como namorado.” Nina falou, sorrindo tranquilamente. “E então, há quanto tempo vocês se conhecem?”
“Quase um ano.” Eu respondi rapidamente. Quanto mais enrolássemos nas respostas mais ela ficaria desconfiada. “Menos eu o Ichigo e a Rukia, nós nos conhecemos desde uns 12 anos.”
“Ah, eu a Jenni e o Mark também.”
“Escuta Nina, eu fiquei curiosa, porque você disse para procurarmos pela repórter detetive se quiséssemos falar com você?” Rangiku perguntou enquanto eu procurava as chaves.
“É um apelido que a galera da escola colocou nela, porque a Nina ama mistérios e essas coisas.”
“Pronto garotas, bem vindas a minha casa. T-suki vai colocando o filme que eu vou conseguir alguma coisa para comermos.”
“Eu te ajudo.” Tentei recusar a oferta de Nina, mas ela acabou me seguindo até a cozinha e me ajudando a por alguns salgadinhos e doces em pratos.
“Você parece curiosa Ori.”
“Hein, do que está falando?”
“O jeito que você olha pra mim, como se estivesse me estudando.”
“Você não pode falar de mim.” Agora recuar não adiantaria, era melhor mesmo deixar tudo em pratos limpos. “Eu só tenho uma duvida Nina. Porque se aproximou de nós? Sua amiga disse que você gosta de mistérios, então fiquei meio confusa.”
“Não leve a mal Ori. Eu só achei vocês interessantes. São novos na escola, usam roupas diferentes... Não é nada para se preocupar, apenas meu jeito de ser, se não tem nada ruim para esconder não tem motivos para se incomodar.” Porque justamente agora tinha de ter uma faca nas minhas mãos? elas tremiam desesperadamente enquanto eu tentava manter uma expressão calma no rosto. O tempo parecia ter parado quando meu telefone tocou.
“Quem é?”
“Sou eu ruivinha, não olha mais o nome de quem te liga não?”
“O que foi?”
“Nada, só queria saber se está tudo bem.” Traduzido da linguagem em código isso significava: Eu sei o que está acontecendo, não posso falar direito agora, tome cuidado.
“Tudo tranquilo, só um probleminha com essas drogas de sacos de biscoito que não abrem. Do que os fabricantes fazem essas embalagens de diamante?” Esse era meu jeito de responder que não estava acontecendo nada que eu não pudesse resolver.
“Ei Ori, eu vou indo para a sala, diz pro W não se estressar comigo.” Nessa hora o celular quase caiu no chão, quando eu finalmente cheguei a uma conclusão: Nina Sparks poderia ser um problema maior que Milly. Talvez a ausência do instinto assassino fosse uma vantagem para alguém ficar contra nós. Ela não tinha força nem falta de escrúpulos para fazer alguém sangrar, mas sua inteligência era mais afiada do que qualquer faca.
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