O Outono é a Cor dos seus Olhos
13 Doutor Donovan
Notas iniciais
Não foi muito difícil acordar cedo no dia seguinte, já que o sono se tornara uma atividade escassa na minha vida. Realizei o diário ritual de me analisar no espelho, porém naquela manhã eu senti que estava pior, se isso ainda era possível. As olheiras haviam se aprofundado mais, parecendo dois escorregadores que partiam do canto dos meus olhos. Contemplei a mim mesmo, imaginando qual seria a primeira palavra que viria à mente de alguém que me visse pela primeira vez e encarasse aquela íris cor cinza.
Decepção.
Vesti as mesmas calças e blusa que havia usado no dia anterior, considerando desnecessária a etapa de pentear os cabelos. Quando desci as escadarias e topei com Stella, ela me observou da cabeça aos pés, com expressão incrédula.
– E eu achei que você não podia piorar.
– Também.
Tomamos café da manhã em silêncio, até mamãe chegar à cozinha. Ela estava usando um vestido florido e um casaco de linho, com uma bolsa pendurada em um dos ombros. Presumi que ela iria para algum lugar, já que não era seu hábito sair de casa durante a semana. Minha mãe trabalhava em casa, fazendo Marketing Digital para pequenas e grandes empresas. E claro, o cliente número um dela era meu pai.
– Uooou! – Exclamou Stella, ao vê-la. – Necessito desse vestido emprestado para a festa que irei essa semana.
– E você necessita criar juízo também. Nós estamos prontos, James? – Ela perguntou, dirigindo o olhar autoritário costumeiro para mim.
– Nós? Creio que estamos, mas para ocasiões diferentes.
– Cruzes! Mas que cabelo é esse, meu filho? Eu achei que você já tinha passado da fase do Kurt Cugain. – Ela se aproximou de mim, começando a arrumar minha cabeleira com as mãos.
– Cobain, mãe. Cobain. – Corrigiu Stella, em uma pronúncia quase soletrada.
– Tanto faz. Vou levá-lo para as sessões de terapia, só por precaução.
Revirei os olhos, sentindo-me como uma criança de oito anos. De fato, a minha vontade de ir para uma sessão psicológica estava beirando ao nulo, mas não seria capaz de desperdiçar o dinheiro dos meus pais devido apenas a minha falta de interesse. Por outro lado, eu até que gostei da ideia de tê-la como motorista, já que minha atenção estava igual à de um esquilo.
Durante o caminho até o consultório, fingi que estava dormindo com o rosto encostado no vidro da porta, apenas para evitar alguma conversa desagradável com a minha mãe. Chegamos vinte minutos antes da consulta, e aguardamos na sala de espera. Mamãe lia a revista Cosmopolitan enquanto eu observava os outros pacientes que estavam aguardando na minha frente. Uma mulher com o olhar vidrado na televisão, que estava desligada. Um cara de fisionomia asiática que não parou de teclar no celular sequer um segundo. Uma criança que corria em círculos pela sala, finalizando a maratona com uma queda de bunda no chão e rindo escandalosamente, reiniciando o processo outra vez. Uma adolescente evidentemente aborrecida com a risada histérica da criança a fulminava com o olhar de braços cruzados.
O que eu estava fazendo ali?
Ajeitei-me no assento e senti uma crepitação no bolso traseiro da calça. Vasculhei-o, e encontrei um papel dobrado. Imediatamente reconheci o bordado florido e reli a mensagem, escondendo o recado entre as mãos para que minha mãe não pudesse ver.
Enquanto relia as letras arredondadas, lembrei-me do seu rápido abraço com perfume de melancia e do frescor de seu sorriso. Imaginei que enquanto Ava escrevia aquelas palavras, tinha o mesmo sorriso estampado no rosto, embora ela estivesse no carro comigo no momento que puxara o caderninho de sua bolsa.
Não, eu não iria me encontrar com ela. Não viveria uma outra decepção. As decepções são como tijolos, que são colocados um por um erguendo uma barreira impenetrável ao redor do coração. As pessoas dizem que quando você ergue essa barreira, está se tornando forte. Eu digo que quando você ergue essa barreira, está se tornando insensível.
E até que ponto é saudável ser insensível? E até que ponto é saudável se deixar afetar?
A recepcionista chamou meu nome, e minha mãe fez um sinal para que eu adentrasse a sala. Com passos arrastados fui até a porta, lançando um último olhar revoltado para minha mãe antes de fechá-la. O recinto era simples e escuro, porém causava uma leve impressão de desordem. Várias estantes e prateleiras recheadas de livros das mais diversas brochuras, uma mesa central de madeira que se assemelhava bastante a de um diretor de escola, com várias pastas e folhas esparramadas sobre a superfície, duas cadeiras de plástico para acomodar os pacientes, uma luminária com apoio de chão estilo seriado de investigação e uma janela coberta por persianas entortadas. Obviamente não era nada parecido com os filmes: uma sala com um enorme divã vermelho e uma mulher de óculos segurando uma prancheta nas mãos.
Por trás da mesa central havia uma grande poltrona de couro, que girou para minha direção revelando o doutor Donovan, conforme estava escrito na plaquinha em cima do móvel.
Comecei a achar que o sonho de criança do doutor Donovan era ser um diretor de escola.
Ele parecia estar na casa dos cinquenta anos, por causa dos cabelos grisalhos penteados desordenadamente e as rugas desenhadas em torno da boca e dos olhos de um azul frio que me penetravam até a alma.
– Por que ainda está de pé? – Ele perguntou, franzindo a testa.
Dirigi-me a cadeira e sentei, um tanto desconfortável sob o olhar crítico do psicólogo. Eu pensei que a função deles era deixar a gente mais à vontade.
– Então… vamos ao diagnóstico. – Ele puxou a pasta com meus dados pessoais e a analisou batendo os nós dos dedos na mesa, transparecendo impaciência. – Fale sobre os seus problemas, sentimentos, sonhos, medos e essas coisas que todo psicólogo quer saber. Ou não quer.
Permaneci mudo, achando que aquilo era alguma espécie de brincadeira. O doutor Donovan continuou me olhando enquanto o silêncio sobressaía, abrindo um sorriso forçado.
– Você sabe que cada minuto aqui é pago, não garoto? Acho melhor você aprender a racionar o seu tempo.
– Estou passando por algum tipo de teste? – Indaguei, incrédulo.
– Talvez você não esteja se sentindo em um ambiente apropriado para revelar as questões mais profundas do seu interior. Vamos com calma. Irei dar um toque para melhorar este ponto. – Disse Donovan, cada palavra sendo carregada por uma pitada de ironia e desprezo. Ele apanhou a luminária de investigação e a posicionou em direção ao meu rosto, acendendo a lâmpada.
A forte luz branca penetrou meus olhos e estes doeram até o fundo do meu cérebro. Coloquei a mão sobre o rosto, na tentativa de me desvencilhar da luz.
– Mas que merda! … — Exclamei, dando um tapa na luminária que virou para o outro lado e acabou se desmontando em duas partes.
– Palavras ofensivas não são permitidas neste ambiente neutro! Como você é novo por aqui, irei poupá-lo da punição. – Alertou o doutor, em tom sério.
– Cara, isso aqui só pode ser uma piada.
– Se isso aqui é uma piada, a vida é uma grande piada. Seus irmãos o sacaneiam, seus amigos o sacaneiam, seus professores o sacaneiam, depois seus chefes o sacanearão e no final virá a morte para te foder de vez. Então pare de guardar seu drama e compartilhe logo essa merda comigo.
– Você disse que palavras ofensivas eram proibidas aqui – Sussurrei.
– Não utilize as regras contra o dono do jogo. Joana D’arc fez o mesmo e veja o que aconteceu com ela. Prosseguindo, onde estávamos? Ah, seu diagnóstico. Já que você não está muito disposto a sair do armário, permita-me dar meu palpite. – Donovan começou a esquadrinhar meu rosto, fazendo caretas analíticas. — Olheiras. Barba malfeita. Cabelo que não vê uma tesoura desde ano passado. Expressão de quem está com câncer terminal. – Ele fez uma pausa. – Depressão. Motivo: um pé na bunda.
– Sim. — Embora estivesse detestando o sujeito, eu tive de admitir que o palpite dele estava correto, deixando-me impressionado.
Donovan deixou a cabeça cair, fazendo uma expressão de desgosto e cansaço. Encostou o tronco na poltrona de couro, tamborilando os dedos no braço de apoio.
– Você é o quarto caso de depressão este mês, garoto! Por onde andam os bipolares e os esquizofrênicos? Estou começando a me enjoar desse ofício. A mesma baboseira de sempre: não consigo me levantar da cama, o mundo é tão feio e cruel, não tenho mais esperanças na humanidade, minha cacatua morreu. – Donovan começou a menear a cabeça, cabisbaixo. – Acho que eu preciso de um psicólogo.
– Com certeza você precisa de um mais do que eu. – Redargui rispidamente.
– A garota realmente arrasou você. O que ela tinha de especial? Airbags traseiros ou dianteiros?
Mantive-me boquiaberto, não acreditando que estava vivenciando aquela situação. Aquele cara efetivamente possuía um diploma de graduação? Ele seriamente conseguia resolver os problemas dos pacientes?
– Recuso me tratar com você. – Aleguei, após hesitar várias vezes.
Doutor Donovan fez bico, simulando um ar reflexivo.
– Então chegamos a um impasse. – Ele deduziu, fechando a minha pasta num golpe único.
Acomodei-me no assento, cruzando os braços e alongando o pescoço. Em seguida, encarei o profissional fixamente, não proferindo mais nenhuma palavra. Donovan olhou os arredores, e soltou uma exclamação ao encontrar um livreto de caça-palavras. Apanhou os óculos em cima da mesa e os colocou no nariz, pegando um lápis e começando a preencher um dos caça-palavras ignorando completamente a minha presença.
– Ramo da ciência que estuda a mente e os processos mentais, em relação ao comportamento do homem… esta é ridiculamente fácil. – Ele debochou para si mesmo. Após mais alguns momentos de silêncio constrangedor, Donovan prosseguiu com suas provocações. – Quero apenas tecer um comentário a respeito desta ocasião. Foi o dinheiro mais fácil que eu ganhei na minha vida. Obrigado.
Naqueles dias o meu pavio estava mais curto que o normal, e por fim a bomba explodiu.
– Como você pode ser tão repugnante? As pessoas vêm até aqui para falar dos seus problemas, na verdade elas pagam você para falar dos seus problemas, na esperança de que você os resolva e somos tratados dessa forma, como estivéssemos implorando por um favor… eu deveria denunciá-lo, você não possui a menor capacidade para estar sentado aí. É um babaca mais doente do que nós.
Donovan retirou lentamente seus óculos, soltando um arquejo.
– Mediante o seu discurso insolente, tenho algumas observações a fazer. A primeira se trata de que eu não estou aqui para resolver os problemas de ninguém, apenas sou um instrumento que irá induzi-los a encontrar uma solução. A segunda observação é quanto a minha pessoa, tenho uma personalidade irônica e gosto de utilizá-la no meu trabalho, muitos pacientes já entraram por esta porta com pensamentos suicidas e saíram querendo abraçar o mundo com as pernas, o que comprova que os fins justificam os meios. A terceira observação condiz ao fato de você admitir que esteja doente, fazendo com que alcancemos o objetivo da primeira sessão terapêutica: reconhecer que possui um distúrbio. Ah, parabéns. Quanto a quarta e última observação: sim, eu sou mais doente do que qualquer pessoa que já sentou no seu lugar. Apenas um louco é capaz de entender outro louco. Agora, se mesmo assim você ainda quiser me denunciar, saiba que terei como testemunhas Freud, Lacan e Nietzsche que ficarão muito felizes em me defender. – Articulou o psicólogo, apontando para a estante de livros com um sorrisinho libertino nos lábios.
Abaixei a cabeça, passando a mão na nuca. Ali estava eu, explodindo novamente. Qualquer que fosse o método de Donovan, eu havia caído em sua armadilha: mostrar quem eu realmente era.
– Foi mal. Sou um pouco temperamental.
– Garoto, antes que a sessão termine, eu quero deixar bem clara uma condição. – Ele pigarreou, colocando a mão fechada em punho sobre a boca. – Considere este cubículo caótico como um lugar neutro. Aqui, neste lugar neutro, você pode guardar todas as suas máscaras na sala de espera e entrar de cara limpa. Seja o que você é quando ninguém está o observando. Seja o que você é quando está se encarando no espelho sozinho, transparecendo todos os defeitos que poucos têm a coragem para admitir. Lembre-se, antes de tudo somos seres humanos, e os seres humanos possuem mais semelhanças do que imaginam.
– Não sei se conseguirei fazer isto.
– Descubra o que você guarda dentro de si mesmo, e quando tomar conhecimento disto encontrará ao mesmo tempo a chave para a solução.
– E se eu não gostar do que irei descobrir? – Murmurei em um tom quase inaudível.
– Meu caro, se você fosse gostar já teria descoberto há muito tempo. – Disse Donovan, com um riso travesso.
Levantei-me e fui acompanhado pelo doutor até a porta. Descobri que ele era uns vinte centímetros maior do que eu, que já tenho um metro e oitenta. Antes de girar a maçaneta e partir, virei o rosto para ele e falei:
– Acho que esta será a primeira e a última vez que nos veremos.
Apesar de Donovan ser um completo pirado, no final da sessão eu acabei me convencendo de que ele poderia ser um bom profissional. Mesmo assim, eu não estava a fim de explorar os cantos mais obscuros do meu ser por causa de Margareth. Afinal, eu estava naquele consultório graças a ela, se não fosse pela depressão pós-término meus pais jamais pensariam em me colocar em algum tipo de terapia.
– Tudo bem. — Donovan abriu um meio sorriso de convencimento, abrindo a porta para mim.
Após eu ter dado alguns passos em direção a sala de espera, Donovan fez um assovio, chamando atenção de todos que estavam aguardando nos assentos, inclusive da criança que acabara de cair de bunda pela centésima vez.
– Quem é a mãe de James Carten? – Ele perguntou em voz alta, procurando-a com os olhos. Minha mãe ergueu a mão timidamente, deixando a revista de lado. – Eu gostaria de conversar com a senhora por alguns instantes, por favor.
Minha mãe atravessou a sala de espera, lançando um breve olhar ameaçador para mim. Os dois entraram no consultório, encostando a porta para que eu não pudesse ouvi-los. Continuei ali parado, enquanto os outros pacientes me examinavam disfarçadamente, exceto a adolescente estranha que me esquadrinhava de um modo desconfortável. Logo, o temor começou a tomar conta da minha imaginação, supondo o que aquele louco poderia estar falando para ela. A conversa entre eles foi rápida, e sem demora Holly já estava me puxando pelo braço indo para o carro da mesma forma que se arrasta uma criança da loja de brinquedos. Entramos no veículo e ela deu a partida, ainda sem articular nenhuma palavra. Seus lábios estavam tão comprimidos que se tornaram uma linha tortuosa voltada para baixo, enquanto saía da vaga do estacionamento. Escutei o ar sendo expelido de suas narinas dilatadas. Os dedos curvados sobre o volante com a mesma rigidez dos ramos envergados de um galho seco. Suas sobrancelhas corrugaram formando a típica ruga no centro do cenho que apenas surgia quando estava prestes a dar um ataque de nervos. Sua boca começou a se mover num tremelique nervoso, e eu também comecei a preparar a minha para a defesa do réu.
– James, eu estou tão envergonhada. Tão envergonhada.
– Pelo o quê? Mãe, eu juro, aquele cara é maluco! Não acredite em nada do que ele tenha dito – Implorei.
– Foi exatamente o que ele disse que você iria fazer. Chamá-lo de louco. – Continuou Holly, os olhos se enchendo de lágrimas. – O doutor Donovan falou que você foi muito desrespeitoso e apresentou um comportamento que pressupõe um péssimo prognóstico. Além disso, recusa a se tratar. – As lágrimas começaram a escorrer pela sua face, e o ódio cresceu em mim como um parasita. – Pelo amor de Deus, James! Por que você torna tudo tão difícil para nós?
– Além de maluco é um mentiroso! Mãe, tudo o que ele disse é uma grande mentira. Eu não acredito que ele tenha sido capaz de fazer tal coisa! Você está chorando à toa, seja o que ele tenha dito, foi apenas uma armação para manipular você…
O choro de Holly aumentou, que agora estava soltando guinchos agudos de doer os tímpanos.
– Ele também disse que você falaria que era tudo uma manipulação! – Ela retorquiu com a mão sobre a boca, contendo os soluços sôfregos.
Afundei-me no banco, colocando as mãos no rosto. O ecstasy não tinha valido a pena nem um terço do que eu estava passando.
– O que é necessário fazer para vê-la parar de chorar?
– Prometa que continuará a terapia. – Ela respondeu, engolindo o choro e retomando seu habitual tom de autoridade maternal máxima.
– Prometo. – Enfim cedi, com ar de derrota.
Voltamos para casa e mamãe preparou um delicioso prato da minha comida predileta, que é basicamente constituído de batata frita, queijo e molho gravy, chamado de poutine. O motivo de tal agrado culinário era uma comemoração subliminar por eu ter aceito “o caminho correto”. Após comer até precisar abrir a braguilha da calça, subi para o meu quarto e dei uma olhadela no rádio-relógio em cima da mesa de cabeceira. O display digital indicava com grandes números vermelhos que era uma e meia da tarde.
Faltavam trinta minutos para o suposto encontro com Ava.
Fui até a janela e contemplei a paisagem do fim de inverno, imaginando a casa na Abbeville Road com seus tijolinhos laranjas a quilômetros de distância dali. Ainda era possível chegar a tempo no Clarion Hotel, se eu fosse de carro e pisasse um pouco mais forte na aceleração. Mas algo dentro de mim ainda dizia que não, eu não deveria ir. Deveria guardar Ava na memória de apenas um dia, e recordá-la apenas como uma garota que não realizou o seu desejo de encontrar uma casa parecida com seu lar.
E embora que a minha decisão de não ir já estivesse determinada, mesmo assim eu fui até Ava através da minha imaginação. Imaginei-me pegando as chaves do carro, dirigindo para o Clarion Hotel escutando as músicas dançantes do The Cities. Eu a esperaria na entrada como mandava o bilhete e ela me receberia com seu sorriso fresco e pueril, surpresa e ao mesmo tempo aliviada. O perfume de melancia preencheria o ar. Ela perguntaria por Maple, eu diria que o nome dele era Snoopy, e riríamos até esquecer porque nós estávamos rindo. Mais tarde, eu a levaria ao Scarborough Bluffs e escutaríamos a brisa sobre a água, esquentando nossos corpos com o próprio calor nascido de nossa pele. E ela diria que se sentia em casa.
O relógio apitou duas horas da tarde.
Agora tudo o que eu conseguia imaginar era Ava na entrada do hotel, com seus tênis de bolinhas amarelas e o sorriso esvaecendo de seu rosto como uma lembrança apagada, esperando por alguém que nunca chegaria.
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