O Orgulho e a Soberba

1 Capítulo 1- O recomeço depois da tempestade


Notas iniciais
Gente,essa é a minha primeira fanfic! To nervosa ksksk
Nesse primeiro capítulo eu desenvolvi o personagem do Aurélio porque isso vai ser fundamental para os próximos capítulos. Então, não estranhem ❤

A tempestade havia isolado a família Cavalcante. Porém, o sol sempre brilha depois da chuva. Era só questão de tempo para tudo se acertar. Disso, Aurélio tinha certeza.
Ele encarava o velho chão do hotel enquanto seus pensamentos hora ou outra traziam a imagem de Julieta. Não sabia direito qual o poder que aquela mulher tinha em seu coração. Não conseguia nem ao menos sentir raiva pelo jeito frio com que ela o expulsou e consigo sua família. Sentia-se como um barco à deriva naquela tormenta que era a Rainha do Café.

Se levantou da cadeira. Não iria perder mais tempo. Era hora de reerguer a família, e não de chorar pelas derrotas da mesma. Se arrumou e colocou um chapéu. O dia ainda despontava do lado de fora da Janela do pequeno quarto.

— Posso saber aonde o senhor vai?_ perguntou o barão ao ver o filho calçando o sapato.

— Irei procurar um emprego.

O Barão riu. Era difícil imaginar o filho sair da mordomia da qual já estava acostumado.

—Gosto de ver que o senhor esta rindo papai! Pelo visto, não perdeu o senso de humor!

— Não, isso pelo menos me restou depois de perder tudo para a sua amante! _ respondeu acidamente o Barão.

Aurélio pensou em dizer que não, que Julieta não era sua amante. Mas, naquele momento, nem ele mesmo sabia a definição da relação de ambos.

Acenou com o chapéu e saiu. Não iria discutir assuntos tão triviais. No caminho pensou no que poderia fazer. Não lhe restavam muitas opções. Afinal, não era um homem de negócios como o pai e não possuía habilidade para o comércio. Decidiu, por fim, visitar a fazenda de um velho amigo da família. Com certeza teria algo que ele pudesse fazer lá.

Senhor Augusto era um senhor de cabelos brancos rasos. Carismático e bondoso. Sua família era umas das mais antigas no vale. Igual aos Cavalcante, a família Fagundes possuía status de honra. Porém, faziam questão de manter a descrição nas discussões da sociedade.

E lá sentado na cadeira de madeira da varanda, senhor Fagundes olhava para o vasto campo da fazenda. Mal viu Aurélio e já se colocou em pé para ir cumprimentá-lo.

—Aurélio, meu filho! O que faz aqui nessas horas da manhã? Venha, vou pedir para Firmina preparar um café para a gente.

Mal deu tempo para Aurélio responder e já estava sendo empurrado para dentro da casa.

A conversa na mesa do café rendeu muitos assuntos. Conversaram sobre o Barão, Ema, o motoqueiro vermelho... Discutiram o preço da safra do Café e algumas banalidades sociais. Acabaram por fim falando sobre Julieta. A mulher que vinha amontoando terras e mais terras. Criando um verdadeiro monopólio no Vale do Café.

— Aquela mulher- disse Fagundes gesticulando para Aurélio- há algo de errado nela... algo que me assusta.
Aurélio não entendeu.

—Ela é muito fria para os negócios... Sei que isso é necessário! Porém ás vezes me pergunto se existe realmente um coração batendo naquele peito. Fiquei sabendo que deserdou o próprio filho! – disse incrédulo o velho senhor.

— Talvez ela possui motivos para ser assim..._ respondeu Aurélio

Fagundes deu um grande gole no café. Olhou pensativo para o lustre. Confirmou com a cabeça.

—Sim, não tiro essa hipótese. Porém, você acredita que ela já veio negociar as minhas terras? E olha que nem trabalho no ramo do café!

E isso era verdade. A família Fagundes trabalhava com a plantação de pequenos grãos e a criação de alguns animais. A quantidade de café era pouca e apenas para o preparo do mesmo na manhã. Julieta tinha ido mais com a cobiça das terras do que pela plantação de café das mesmas.

—O senhor aceitou? – perguntou Aurélio ao ver a expressão de preocupação do amigo.

— Lógico que não! Posso não estar na fartura, porém ainda consigo segurar a fazenda. Mas creio que você tinha algo para me falar quando veio. Então, é o que meu filho?

—Vim pedir-lhe um emprego _ disse de forma direta.
Fagundes ficou surpreso.

—O que irei oferecer de emprego ao filho do Barão? Sei que não mexe com finanças...

—Sim, mesmo assim qualquer coisa que me oferecer estará de bom agrado.
O velho fazendeiro encarou Aurélio.

—Bem, tenho alguns cavalos que estão agindo estranho ultimamente, além de que, um ainda não foi totalmente domado. Sei que você entende muito sobre, se quiser ser o responsável por eles, eu lhe pago um salário. Não será grande coisa...

—Será o suficiente_ interrompeu Aurélio_ Pode me apresentar eles?
Fagundes sorriu.

—Sim, claro! Vamos?_ disse se levantando e apontando para a porta da casa.

Guiou Aurélio até o estábulo. 16 cavalos de alto porte estavam se alimentando. O velho senhor citou o nome de cada um, enquanto Aurélio acariciava o puro sangue marrom.

— Vejo que não terá dificuldade nenhuma para cuidar deles_ disse sorrindo o grande proprietário.

—Porém, me tire a curiosidade, por que quer trabalhar?

Aurélio se virou para responder.

—Minha família entrou na falência. A nós só restou o título do meu pai e algumas pequenas economias.
A expressão de surpresa e tristeza foram impossíveis de se conter no rosto do fazendeiro.

—Eu sabia que o momento era difícil, só não pensava que era para tanto. Não foi por falta de avisos ao senhor seu pai...

—Eu sei... _Aurélio suspirou enquanto olhou de novo para os cavalos.

—Mas irão se reerguer. Tenho fé!_disse Fagundes batendo no ombro do amigo.

Ambos riram. No fim da tarde, Aurélio recebeu como uma forma de ajudar na locomoção o cavalo Puro sangue. Não era propriamente dele, mas era um substituto ao cavalo que tinha perdido junto à fazenda.

Cavalgou até o morro que dava com vista a cachoeira. Pressentia que a fase boa logo iria recomeçar. Escutou um barulho de carro. Olhou para estrada abaixo e logo imaginou quem estaria dentro do mesmo. Julieta Bittencourt.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Criticas construtivas são muito bem-vindas.