O Olho do Fim

6 Capítulo 6: O Que Você Sabe Sobre Zack Williams?


Notas iniciais
Desculpem-me pelo atraso enorme. Boa leitura.

– O Olho do Fim! Dave! Zack Williams disse isso antes de morrer. Merry, por favor, nos conte tudo o que sabe sobre isso.

– Acalme-se, Senhor Marshall. Você diz coisas idiotas quando fica agitado. – Marshall mostra uma afeição de que não estava com paciência. – Mas caso queira levar essa conversa mais adiante, vamos para minha varanda. Será um ambiente melhor para isso.

– Ótimo, mas o Marshall não tem a mobilidade da perna dele.

– Não seja tolo, Senhor Dave. Ele pega um dos meus guarda-chuvas e usa como bengala.

– Um guarda-chuva não seria um pouco baixo para o Marshall?

– Os meus guarda-chuvas são bem longos. São feitos pra decoração, mas eu os fiz ser normais. Como são desnecessariamente enormes, eu uso minha sombrinha rosa por todo lado.

Ele pega o guarda-chuva. De todos, o com uma aparência melhor era um guarda-chuva preto, meio comum. Merry ri.

– O que foi, Merry?

– Nada, Senhor Marshall. Vocês são pessoas estranhas.

– Aliás, por que nos chama de Senhores? Parecemos tão velhos assim?

– Ao contrário de vocês, eu tenho educação. Agora vamos para a varanda. Está uma noite linda.

Eles vão até a varanda. Se sentam em uma das cadeiras, enquanto Merry se senta delicadamente em uma rosa, e prende sua sombrinha em um suporte para guarda-chuvas que a mesa tinha.

– Então... O que os senhores querem saber?

– O Olho do Fim. Nos conte o que é isso. Você disse que era um medalhão da improbabilidade, não é? O que quis dizer com isso?

– Parece meio óbvio, não? O medalhão Olho do Fim, enrustido em lindos tons de ouro e diamante, com um enorme olho maligno em sua frente, é um medalhão místico.

– Espera. Com Improbabilidade... Você diz...

– Inverossimilhança.

– Não, não. Eu quis dizer... Ele realiza coisas impossíveis?

– Bem... Sim e não. Ele realiza coisas... Como posso dizer... Que não vem ao convenho. Improváveis. Ele é basicamente onipotente. Como ele é um aparelho aleatório, ele pode fazer qualquer coisa possível.

– Espera aí. “Basicamente onipotente”? Isso é estranho. – Marshall toma lugar, com um sarcasmo leve em seu tom de voz.

– É o termo que alguns usam pra definir os poderes. “Semi-onipotência”. Chega a ser estranho o quanto ele é aceito.

– Então, o Olho do Fim é mais como uma caixinha de surpresas. Quando você o usa você não sabe o que ele fará, não é?

– Bem... Sim e não. Ele pode obedecer você, obedecer você de um jeito bastante improvável, ou não obedecer você. Essas são as três regras do Olho do Fim.

– Como você sabe tanto do Olho do Fim?

– Ele faz parte de uma lenda. Mas isso não importa agora. O que importa é que vocês estão tentando lutar com algo que vocês não tem ideia de quão forte é. O Olho do Fim é muito mais terrível do que eu disse. Ele pode fazer qualquer coisa e você não tem ideia do que ele fará. É a arma imperfeita de destruição em massa.

– Nós não podemos deixar esse crime continuar pelas cidades. Essas pessoas sofrendo... Elas não tem nada a ver com esses caras. Eu sinto que é meu dever acabar com isso.

– Como um homem com uma perna só e seu ajudante vão deter um mal tão maligno desses?

– Merry... Acredite em mim. Eu prometo que irei parar esse terror pelas ruas. Eu quero que isso tudo que aconteceu por todo esse tempo não passe de uma lenda.

Merry virou a cabeça confusa, encarando o homem olhar a cidade pela varanda, que ficava no topo da casa enorme de Merry. Ele olhava com um olhar penoso, vendo toda aquela calamidade se espalhar pela cidade. A cidade que já foi um cartão postal. Ele olhava como se sentisse o que cada um sentiu. A cara de raivosa de Merry se dissipou. Ela sorriu e olhou pra cidade.

– Então me mostre. Me mostre a revolução.

Um tempo se passou. Eles conversaram mais sobre a varanda. Merry estava bem mais alegre do que a aborrecida de antes. Dave observava os dois. Estavam se dando muito bem. De repente, um barulho de tiro foi ouvido pela rua.

– O que foi isso?

– Isso acontece as vezes, relaxe. Um daqueles malucos deve estar tocando o terror por aí.

– Eu preciso ir lá.

– Não, Senhor Marshall. Deixe eu e o Senhor Dave ir. Você ainda precisa aprimorar o jeito que anda com o guarda-chuva.

– Tudo bem, então... Espera. Você?

– Não se preocupe comigo. Apenas descanse aqui. Dave, tem uma arma?

– Sim, mas não tenho munição.

– Perfeito. – Ela tira algo dos bolsos do vestido dela. – Tome isso e use como munição. Acho que a rua fica bem perto daqui, mas vamos rápido antes que ele tenha sumido. Voltamos já, Senhor Marshall.

– Me chame só de Marshall. – Ele sorri.

********

Merry e Dave chegam no beco de onde veio o disparo. Uma risada maligna e um andar torto delatam precipitadamente quem estava no beco, se divertindo com uma mulher e seu bebê.

– Por favor, nos deixe ir.

– Hwahwahwahwahwa. O meu chefe disse que você estava zanzando pela rua... Hihihihi... Bem depois do Toque de Aviso, não é?

– O-O meu bebê. – Gagueja. – E-Ele estava tossindo muito então eu comprei...

Mason prensa a mulher na parede e o bebê cai da mão dela. E ele aproxima seu rosto bem próximo do rosto aflito e choroso dela.

– Acha que eu ligo pro seu bebê? Toque de Aviso. Desobedecer leva à morte. E como se não bastasse... – Um barulho altíssimo de um sino, aparentemente próximo, toca bem na frase incompleta dele. –... Outro toque de recolher e você está aqui? Huh? Algo a dizer?

– M-Minha casa é ali... Me deixe...

– Isso foi uma ordem?

– Mason Davis! – Dave grita. – O que você pensa que está fazendo?

Mason não se mexe. Sorri discretamente. Vira o rosto.

– Amigos. Merry e Dave. Quanto tempo não vejo-os. Acho que essa bagunça já acabou não é? Hwahwa. Sim. Vocês estão aqui fora também. Quer dizer que eu tenho permissão de matá-los agora.

– Como você sabe meu nome... Agora? O que quer dizer com agora?

– Hwahwahwahwahwa!

Mason abraça a mulher e vira o corpo dela para Dave. Mordisca seu pescoço. A mulher tenta se afastar, mas Mason, mesmo magrelo, era forte demais.

– Você ainda ousa usar uma refém?

– Refém? Hwahwahwahwa. Não, não, amiguinho. Eu não quero ficar na frente da bomba.

Ele joga uma pequena granada enquanto ri diabolicamente. Merry fecha a sombrinha e abre perto da granada. Solta rapidamente a granada pro outro lado do muro e a parede atrás de Mason some. O susto da explosão não fez Dave e Merry perceberem que Mason já havia sacado sua arma e atirou nos dois. Por sorte, pelo menos, era um tiro de impacto, reproduzindo uma pequena explosão. Tudo acompanhado pelo choro do bebê.

– Hwahwahwahwahwa. Não podem atingir o que não podem ver, amigos. – Mason abraça a mulher mais forte e coloca seus braços embaixo dos seios dela.

– Idiota! Não vou deixar você humilhar quem é da cidade! – Dave atira em Davis, que joga a mulher no chão e dá um salto enorme por cima da cabeça de Dave e o atinge com a ponta contrária de seu machado, que apareceu do nada. – Essas pessoas não tem nada a ver com sua idiotice.

– Morra, amigo. Hwahwahwahwa!

Merry aparece por trás e joga algumas bolinhas na nuca de Davis. Elas começam a soltar fumaça e derretem a roupa de Davis, porém, ele não se mexe. Ele ri. Na hora que ela ia jogar outras e estende sua mão, ele vira violentamente a ponta contrária do machado na mão dela e puxa ela até Dave, e os dois ficam lado a lado.

– Hwahwahwahwa. Que bizarro. Já acabou? Pensei que iam durar mais. Enfim, adeus. Hwahwahwa.

Um tiro barulhento é ouvido. Davis fica imóvel. Sorri, com os olhos envoltos de escuridão. Sua mão se abre, e o machado cai no chão, junto com uma porção de sangue. Mason ignora o tiro, que atingiu certeiramente sua mão.

– Quem mais quer entrar pra festa?

Um barulho alto de leque abrindo ou coisa parecida surge dos céus, com alguém caindo em alta velocidade. Mason tenta socar com a mão sadia, mas ele escapa do soco e bate em Davis com um pé-de-cabra. Davis cai para o lado violentamente, e em segundos, seu corpo some em uma poeira esquisita.

– Chapman? É você? – Merry aperta a mão de Dave.

– Chapman... Peter Chapman, o mágico?

– Parece que o seu amiguinho me conhece, Merry. – Um homem aparece descendo dos céus, com uma cartola com uma faixa roxa e uma arma de cano longo nas mãos, que logo desaparece para dar lugar a um cetro negro com a ponta verde-esmeralda. – Me chame... De Pete!

*******

Marshall andava pela casa, tropeçando um pouco, treinando a força de seus braços, e sua nova caminhada. De repente, a porta se abre.

– Vocês demoraram muito.

– Davis estava lá, Senhor... Digo, Marshall. E o Dave disse que você conhece o meu amigo, é verdade?

– Amigo? – Marshall procura por alguém atrás de Merry e Dave. – Que amigo?

– Desculpa, ele gosta de brincar. – Ela dá um sorriso tímido.

Uma poeira estranha, negra e que brilhava, passou pela sala. Perto da lareira, ela aterrisa e um homem se apresenta.

– Marshall Andrews, não? Mas que honra. Meu nome é Peter Chapman.

– Sim, sim. Já ouvi falar de você. – Marshall cerra os punhos no guarda-chuva.

– Não se preocupe. Não vou machucar você. Eu não preciso. – Ele encosta o cetro perto da lareira e joga sua cartola longe, a tempo de se perder de vista. – Então... O que vocês querem?

– Você conhece... Zack Williams?

– Hm... Zack. Sim, um cara em uma loja não é? Ele era um conhecido meu. Nunca chegamos a nos falar muito, mas então, ele morreu.

– Como você sabe que ele morreu?

Pete sorri e franze a testa.

– Eu tenho meus métodos.

– Debatemos sobre isso depois. Agora, me conte tudo o que sabe sobre Zack.

– Isso não faz sentido.

Marshall levanta a sobrancelha.

– O que não faz sentido?

– A sua pergunta. Eu provavelmente sei quase tudo sobre Zack Williams.

Merry sorri. Dave e Merry se sentam em volta de Marshall e Peter.

– O que você quer dizer com isso?

– Estou dizendo que se você quer continuar com o que quer continuar, então eu serei de muita ajuda... – O cetro de Pete aparece em sua mão direita, coberto por uma névoa negra. Pete estende sua mão e uma taça de vinho aparece em sua mão direita. Ele a bebe. – ...A qualquer hora.

Notas finais
O que acharam? Comente se quiser falar o que achou do capítulo. Até mais!