O Olho do Fim

1 Capítulo 1: As Suposições de Marshall Andrews.


Notas iniciais
Primeiro capítulo, primeira impressão. Espero que gostem da nova fic. Boa leitura.

Um garoto alto sai de um vagão de trem. Muitas pessoas ansiosas para a chegada de seus entes estacionavam seus pés no ponto de espera. Mas nenhuma o aguardava. Aquela cidade era totalmente nova para ele. Seu terno social mostrava que estava ali para mostrar seriedade. Cabelo um pouco bagunçado e uma baixa barbicha enfeitavam sua cara entre uns óculos, que cabiam nele muito bem. Olhos castanho-escuros, próximos do mais escuro preto.

Descendo do trem, saiu de cara fechada do ponto e foi em direção à cidade. Sua maleta, protegida pela sua mão cerrada, escondia nada mais que alguns instrumentos para o seu trabalho. Para um trabalho complicado de se pegar, ele era bastante noviço. 22 anos mal estampados na cara jovial dele. Seus passos firmes firmavam sua postura, mas para onde aquele jovem iria?

Subiu as escadas de uma casa. Casa não, mansão! Era a mansão de um grande magnata da cidade, talvez do país. Recentemente, bem recentemente mesmo, sua casa foi invadida por uma gangue de bandidos. Mataram sua pobre mulher. Pobre coitada, mas absolutamente não era pobre. Ele entrou na cena do crime sem mais nem menos e procurou o delegado. Um homem magro, alto, usando um terno marrom. Bigode e cabelos castanhos. Anotava algo do lado de seu assistente, os dois em frente a algo em volta de faixas da polícia, para afastá-los. O jovem se aproxima do delegado distância suficiente para ele perceber seus sapatos marrom-escuros. Ao contrário de muitos delegados, este parecia não brincar em serviço.

– Este é o detetive que empregaram para este caso? – Aponta discretamente ao homem que acabou de chegar. Suspira, como um riso, mas fraco. – Só podem estar brincando. Um delegado digno como eu não deveria ter um detetive inexperiente. Eu mesmo consigo resolver este caso. – Seu sotaque não negava, ele nasceu na cidade em que eles estavam agora.

– Sem dúvidas, delegado. – O homem que disse agora não era seu assistente. Era o Policial Anthony Gordon. Um homem gordo com bigode grisalho. Tinha cara de ser rabugento, e era, mas por trás disso, era um ótimo e renomado policial.

– Pensei que soubesse que não pode julgar um livro pela capa, delegado Phillip Jones. – Puxou seu chapéu mais para perto de sua face. – E que fazer as coisas sozinho nunca é bom. Prazer, Marshall Andrews, detetive novo. E pelo visto já ouviu falar de mim.

– Você também, correto? Espero que seja experiente mesmo.

Marshall ignorou o comentário e se virou para a sacola. Abriu a maleta e tirou uma luva e uma lupa.

– Posso tirar esta coberta em cima do corpo?

– Claro que sim. – Caçoava o policial, precipitando-se da ordem do delegado.

Marshall colocou a luva na sua mão esquerda, ele era canhoto, e pegou a lupa com a direita, junto com a luva que faltava. Apertava partes diferentes do corpo da senhora, quase que todo estourado.

– Como um corpo decrépito, repugnante e implodido como este pode não deixar pistas?

– Curioso, não? Acontece que a perícia irá mexer com o corpo de modo mais profissional e achará coisas como...

– Como um fio de cabelo loiro nas entranhas da idosa?

A velocidade de Marshall espantou o delegado. Em poucos segundos que entrou fez um trabalho melhor que a perícia faria, provavelmente. Como?

– D-Detetive... Como...?

– Espere! Tem algo errado. – Levantou a luva ensangüentada com que apertou o corpo da idosa. – Há dois fios de cabelo, e pela espessura que enxergo com minha lupa, são de diferentes pessoas. O safado tentou incriminar pessoas sem saber. Mas quem são essas pessoas... Será tarefa para eu resolver depois.

– Eu já sabia. Você é um daqueles detetives que supõem e nada fazem. Você deduziria que os fios são para incriminar só porque estes estavam no mesmo lugar? Você só sabe supor?

Um silêncio se promove no ar por um tempo. Bem, não total, pois outros policiais estavam investigando algumas marcas de sangue pelo local.

– Eu não suponho delegado Jones. Nenhuma suposição se sustenta sem um pingo de verdade. E eu não trabalho com minorias.

Os três ignoraram o assunto e se voltaram para o corpo.

– Você também tem que aprender que uma hora tudo que você crê vai desabar. Enquanto falávamos, achei outra pista. Um caco de vidro, minúsculo que seja que caiu dos óculos da idosa. Sem muito esforço, percebi a diferença entre as impressões digitais com a minha lupa. Este caco não é da vítima, e tem uma marca de outra pessoa.

Colocou as provas em sacolas diferentes, guardou na maleta, fechou-a e deu de bruços.

– Onde encontro meu parceiro? – Marshall pergunta, com uma expressão facial semelhante a que esqueceu algo importante.

– Seu o que?

– Parceiro. A pessoa que me ajudará nisto. Meu assistente, fiel escudeiro. Onde encontro ele?

– O sindicato deixou um homem na entrada, esperando por você. Um pouco mais velho, mas esconde sua idade assim como você. Dave Wood, se não me engano. Segura uma maleta e já subiu para o segundo andar da casa. Podem se apresentar, mas antes, o que vai fazer com as amostras?

– As darei à perícia. Mas irei trabalhar com eles. Não quero que eles não percebam nada de anormal.

Jones ficou sem palavras ao ver o quão eficiente era Marshall. Não tanto, em sua opinião, mas dava para o gasto. Gordon também “travou” sobre isso. Ignoraram o resto de seus frívolos pensamentos e voltaram-se para diferentes policiais.

No andar de cima da casa, igualmente espaçoso, havia um homem perto da escada, vestindo um terno marrom e segurando uma maleta. Estava sentado, mexendo em suas ferramentas. Levantou-se assim que viu quem ele iria acompanhar.

– Você é o detetive?

– Marshall Andrews. É o Dave Wood?

– Sim, senhor. Será uma honra trabalhar com você. Ouvi murmúrios do andar de baixo. Descobriu algo?

– Possível sabotagem e provas quebradas... Pode me acompanhar até onde o pessoal que faz a perícia está? – Marshall interrompeu a si mesmo para fazer a pergunta.

– Eles estão no terceiro andar da casa, se preparando. É só subir a escada no final do segundo corredor.

Haja quartos nesta mansão! Eles andaram por um tempo e finalmente acharam a tal escada. Rústica, demonstrando sua beleza de qualquer ângulo. Subiram-na e acharam vários homens de branco separando diversos materiais.

– O senhor não está autorizado a subir aqui.

– Seja individual em outro lugar. Marshall Andrews, detetive. Você já sabe. Trouxe coisas que achei no corpo da vítima.

– É assim? Acha que é só trazer as coisas que nós achamos que é do corpo da vítima?

Marshall sorriu e o sorriso sarcástico que se pusera no rosto do homem da perícia desapareceu.

– Se quiser, eu mesmo resolvo este caso sozinho. Embaralhe pedaços da vítima pela casa. Eu irei achá-los. – Marshall se atreveu a pegar na gola do homem da perícia para uma semi-ameaça. Dave ficou preocupado com esta ação, mas nada pode fazer, já que ninguém estava olhando. – Você não consegue enxergar o peso que este caso tem? Sem a minha humilde ajuda, este caso vai se enterrar na lama, vocês não sairão do lugar enquanto esta pessoa mata mais e mais.

– Suposições não acham lugar em minha esperta mente detetive Marshall.

– Se vocês todos não confiarem em mim, este caso não se resolverá. Ou aceita estas provas, ou não resolve droga de caso nenhum!

Os dois se encararam por um tempo. O homem tinha um olhar mais de raiva que Marshall. O delegado subiu na mesma hora e colocou a mão no ombro de Marshall.

– Pode confiar, Ray. Este homem diz a verdade. Aceite logo as provas dele.

O homem hesita, mas pega as provas de mal humor. Volta-se para homens da perícia e os dois, depois de um debate, descem as escadas para procurar mais coisas no corpo.

– Já me encontrei com o Ray antes. Peço perdão ao meu desentendimento. Mas eu não tenho paciência com ele.

– Sem problemas, detetive. Quer esperá-los aqui ou já vai descer? – Um sorriso de respeito apareceu no velho delegado.

– Descerei. Quero acompanhar a busca por pistas.

– Então, Marshall, você é de criar brigas do nada desse jeito?

– Oh, não, Dave. Não muitas vezes, acho eu. Mas não ligue para isso. O caso é mais importante que o Ray...

– Como se conheceram?

– De grandes partes para se tornar detetive, você tem que passar pela polícia. Eu achei ele um mirim inexperiente na Academia, mas pelo pouco tempo que fiquei, nós já viramos inimigos. Mas não ligue para isso de novo. Não é necessário.

Todos os três desceram pelas escadas e se encontraram no primeiro andar. Os homens da perícia encheram o lugar com ferramentas diversificadas e seus olhares atentos. Marshall e Dave se aproximaram para ajudar em alguma coisa.

– O rosto dela explodiu. A explosão vai da ponta da testa até uma parte da barriga. Que crueldade. – A cara de nojo de um policial que estava com um bisturi na mão direita era verdadeira. O cheiro ainda piorava.

– A explosão não foi muito profunda, mas foi longa. É um buraco perfeito, pelo que vejo. Então, o que houve está mais do que óbvio.

– Como assim, Marshall? – Dave se indagou.

– Ora, Dave, não vê. A explosão tem o formato perfeito para ser de frente. A única parte explodida do braço é o próprio braço. E não a mão. E a explosão foi na parte da frente, como já disse. Entendeu o que eu supus?

– Que a senhora...

– Dave, raciocine! Eles apagaram a idosa e estouraram seus miolos. Atrevo-me a supor que eles têm alguém que forneça alguma bomba para eles. Uma explosão desta magnitude, que explode e deixa algo tão fino sobrando... Estamos lidando com um assassino cruel.

– Que raciocínio experiente, detetive. Estou impressio...

– Não percebem que as suposições dele são muito fracas? Se tinha sido uma bomba que explodiu, então...

– Os alarmes de incêndio foram acionados na hora da explosão. A profundidade e a largura comprovam um formato circular. Marshall tem razão. Nós, da perícia, já sabíamos que havia sido uma explosão antes de examinar o corpo. Se você adora questionar a razão, acho melhor você sair do nosso grupo, Ray.

O superior de Ray atinge-o com estas frases afiadas. Os dois se encaram e Ray se desculpa. Todos voltam ao trabalho depois dessa discussão.

– Marshall, o chão está sem sinais de bomba.

– Isso quer dizer que eles não explodiram ela aqui. E tenho apenas três perguntas para fazer sobre isso. O magnata ouviu algum barulho de explosão?

– Seria bem mais fácil se eu dissesse que sim, mas não. Ele nos disse que nada ouviu. – O delegado interferiu nas respostas.

– Esta casa tem algum porão?

– Tem um cofre no subsolo, mas ele é impenetrável. Fora isso, só os andares e quartos da mansão.

– Ele andava fora de casa recentemente?

– O magnata? Ele nos disse que não.

– Então, tenho dois palpites. Ou o assassino matou a senhora fora da casa e a colocou espalhada por aqui, ou ele matou ela dentro da casa, em algum quarto, abafando o barulho da explosão. A pergunta é, por que deixá-la aqui? Ele poderia esconder o corpo, mas o deixou aqui na sala.

– Talvez ele quisesse nos dar pistas falsas espalhadas pelo corpo. – Dave, que estava comportado e quieto, responde o pensamento de Marshall.

– Ou... Não deu tempo, certo? De repente, o velho magnata acordou com um barulho indescritível, o ladrão percebeu e saiu. – Um policial opina.

– Nada disso. – Marshall mantém a mão no queixo. – Ele explodiu a droga do corpo da mulher. Quem tem medo de algum velho depois disso? Além do mais, esta aqui também é rica por si só. Se ele quisesse ter medo por causa do poder do magnata, ele nem mataria a idosa.

– Marshall, você está dando voltas demais neste caso. E se ele simplesmente deixou o corpo aqui porque quis? – Outro policial toma a vez.

– Não podemos contornar um círculo simples, policial. Em um caso comum ou não, nenhuma possibilidade pode escapar. O que eu acho é que Dave está certo. Ele queria incriminar alguém. Mas quem ele queria incriminar só será respondido depois de uma análise em um laboratório. Poderei acompanhá-los?

– Claro. A perícia acabará em 2 horas. Temos bastante homens no caso. Mandaremos a nossa van levar você e o seu assistente pra lá e ela retorna para buscar-nos. Ok?

– Tudo bem.

O delegado sai de cena e Anthony o segue. Ninguém estranha o comportamento do delegado.

– Tudo bem, delegado?

– Eu tenho um mau pressentimento sobre esse Marshall Andrews. Ele chega aqui e introduz informações e suposições com a maior certeza que sua cara pode expressar. – O delegado saca um charuto e o acende, sem ser interrompido por Anthony Gordon. – Anote minhas palavras se quiser Gordon, este jovem está infiltrado neste caso de algum modo.

O barulho do vento passa muito forte pela grama fora daquela mansão. Era melhor ficar fora dela mesmo. Quantos assassinatos e mortes esta trama ainda esconderá debaixo de seus lençóis?

Notas finais
Comentem sobre o que acharem, se puderem. Até o próximo capítulo.