O Olhar Do Destino
4 Capítulo 4: Inicio do Treinamento
Notas iniciais
Bem, boa leitura.
Ao entrar em sua casa, a dor de cabeça aumentou. Tudo estava bagunçado, mas tentaria não se importar com isso agora. Caminhou devagar em direção ao seu quarto, lá havia apenas uma cama e um armário vazio e empoeirado. Foi até uma porta que ficava ao lado esquerdo do armário, que dava acesso ao banheiro. Precisava relaxar, e nada melhor que um banho, certo? Além de tudo, a garota odiava dormir suja e, mesmo que não estivesse, ela sempre tinha que tomar um banho antes de dormir, sempre. Já no banheiro, ela encheu a banheira e despiu-se. Entrou na água morna e tentou ao máximo não pensar em nada relacionado aos recentes acontecimentos, mas tudo parecia levar até eles. Depois de um banho demorado e frustrante, ela decidiu dormir, já que precisava se livrar de toda aquela tensão que a rondava.
Acordou com os finos raios de sol que iluminavam sua face. Uma paz extremamente reconfortante e um pouco estranha tomou conta da garota. Fazia muito tempo que não se sentia assim, como se o mundo lá fora não existisse. Como se dor, sofrimento e perda não existissem. Um segundo depois as memórias do dia anterior voltaram a atormentá-la fazendo com que se odiasse por não ter fechado as cortinas antes de dormir. Seus planos consistiam em permenacer ali o máximo de tempo possível e, agora que acordara, não conseguiria voltar à tranquilidade temporária em que estava há pouco. Droga. Direcionou seu olhar para a janela e constatou que era cedo. Droga de novo. Levantou-se, fez sua higiene matinal e se irritou ainda mais quando lembrou de que teria que tomar café em algum lugar aleatório porque não tinha mais cozinha. Droga de mudança. Aliás, tudo estava uma droga. Vestiu uma roupa adequada para sair nas ruas já que até o momento estava com um pijama de verão.
Ao sair de casa notou como Konoha parecia estar mais alegre do que de costume. Todas as pessoas –até onde Sakura conseguiu perceber- estavam sorrindo e várias crianças brincavam. Quem sabe essa felicidade não a motivasse um pouco? A nostalgia a atingiu ao observar as crianças, sinceras e despreocupadas, sentia falta disso. A garota procurou pensar no lugar em que tomaria seu café da manhã para evitar que quaisquer lembranças, sendo elas boas ou ruins, invadissem sua mente. Suspirou, infelizmente o lugar mais próximo de sua casa era o Ichiraku e como ela não estava com muita paciência, iria comer lá mesmo. Ao se dirigir ao local notou uma figura extremamente chamativa berrando por mais ramen de porco. Ela ficou feliz por isso, precisava conversar com alguém, colocar todas as suas preocupações para fora, e quem melhor para ajudá-la do que Naruto? Aproximou-se do amigo que comia rapidamente.
– Olá Naruto-kun. – Sentou-se ao lado do garoto e pediu um ramen de porco, assim como ele.
– Yo Sakura-chan! – Disse surpreso, já que a amiga dificilmente aparecia no Ichiraku, ainda mais de manhã. Porém estava feliz, pode ver que a mesma estava melhor depois da pequena discussão que tiveram, ao menos era o que aparentava. Sakura, por sua vez, decidiu não atormentar o amigo com seus problemas logo cedo. – O que veio fazer aqui?
– Não é obvio Naruto? – Perguntou em tom brincalhão, com uma gota em sua cabeça. Como o amigo conseguia ser assim ainda era um mistério para ela. – Estou sem cozinha por causa da mudança. Acho que consigo terminar antes do fim da semana.
– Isso é ótimo Sakura-chan! – Dizia entre uma pausa e outra enquanto saboreava o seu sétimo ou oitavo prato de ramen. – Você vai amar morar perto de mim! Poderemos comer aqui todos os dias e... – Parou de falar para mastigar. Sakura não parava de sorrir, realmente encontrar com o amigo foi muito oportuno, apenas ele conseguia fazê-la esquecer das coisas. Escolhera o apartamento perto do de Naruto para não se sentir sozinha. No momento não pensou em como isso tiraria seu sossego, na realidade ela nem se importa muito com isso. Não no momento. E além de tudo, seria bom ficar perto do amigo, afinal o mesmo passou três anos treinando com o Jiraya-sama para aprimorar e aprender novas habilidades. Três anos nos quais sentira muito a falta do amigo. A garota passou a conversar mais com seus colegas, retomando sua amizade com Ino e se aproximando cadê vez mais de Hinata, Tenten e Temari – que eventualmente vinha a Konoha para tratar de assuntos relacionados à Suna. Também passou a conversar com um pouco com Shikamaru, ele possui uma interessante forma de ver as coisas.
Depois de terminar seu prato, despediu-se de Naruto e voltou para casa. Iria ler os pergaminhos e quem sabe treinar um pouco a tarde. Sentou-se em sua cama – ou era lá ou no chão –, pegou o baú que estava no chão e começou a ler os pergaminhos. Notou que havia anotações adicionais, como se fossem dicas que ajudavam a entender melhor os jutsus, provavelmente fora Akemi que quis certificar-se de que Sakura conseguisse dominar as técnicas do maldito clã. Mas a garota não precisaria disso, ou precisaria? Seriam essas técnicas tão difíceis de dominar? A teoria era fácil. Notou que a maioria dos jutsus exigia um controle de chakra praticamente perfeito. Será que seu ótimo controle de chakra era devido à sua linhagem de sangue? Trataria de pensar sobre isso mais tarde. Lá também havia jutsus de estilo suiton, Akemi instruía a tentar aprende-los também, pois os mesmos ajudavam na ‘evolução’ do Tsukigan.
Sakura riu, quem diria que ela, a garota que muitos consideravam fraca até pouco tempo seria a última sobrevivente – até onde se sabe – do clã mais poderoso da Névoa, e que ainda possuía um poderoso doujutsu. Pensou como se assemelhava a Sasuke, que também teve seu clã exterminado. A garota assustou-se com seus pensamentos, não devia e nem podia se comparar com Sasuke, o sofrimento dele é muito maior que o dela. Apesar de seus pais terem morrido recentemente, ela não conheceu seus ancestrais, não conviveu com seu clã, tão pouco conhece seus costumes. A pressão psicológica que seu companheiro de time sofrera deve ter sido muito pior. Deve não, com certeza foi. É. Estava se confundindo, e pensar no Uchiha mais novo não ajudaria em nada. Foco, Sakura, foco.
Decidiu então que sairia para treinar, mas não poderia ser em Konoha já que ninguém poderia vê-la. Lembrou-se de uma floresta que havia a apenas nove quilômetros dos portões da vila, ótimo. Pegou os pergaminhos e seu equipamento ninja e rumou em direção à saída da vila.
Depois de uma ‘curta’ caminhada, a garota chegou ao local desejado. Era um lugar aberto no meio da floresta, perfeito para treinar. Lá havia uma enorme pedra escondida em um canto, ao lado de uma grande árvore. Direcionou-se até o centro do campo e pegou o pergaminho que instruía como utilizar os jutsus mais simples do clã.
Segundo Akemi, os Tomoko eram diferentes porque, ao contrário dos outros clãs que possuíam doujutsu, eles podiam ‘escolher’ se despertariam o poder ocular. Geralmente quem desejava isso passava por uma preparação intensa, já que muitos não aguentavam. Se começasse não teria volta. Sakura sabia disso. Mas o que não sabia era se estava preparada para encarar o futuro, ou descobrir coisas que ela nem sequer sabe que existem. De qualquer maneira, querendo ou não, ela iria fazer isso, mesmo que acarretasse em grandes consequências. Imagine o que ela poderia fazer ‘controlando’ o tempo. Conseguiria descobrir quem exterminou seu clã e talvez pudesse se vingar.
Vingança.
No que estava pensando? Não poderia se tornar alguém como Sasuke, uma pessoa fria e com sede de sangue que não pararia até alcançar seus objetivos e talvez nem com isso. E lá estava ela se comparando com o maldito companheiro de time de novo.
Ótimo.
Iria começar agora sem se importar com o que quer que aconteça no futuro. Isso nem ao menos é real, temos liberdade de decidir o que queremos e/ou o que vamos fazer. Como poderiam prever nossas vontades? Claro que existem pessoas previsíveis, mas isto é diferente. Será que tudo está traçado e nem quando decidimos uma coisa, realmente decidimos? E se tudo estiver predestinado e só estivermos seguindo o nosso ‘roteiro’?
"Isso tudo é tão confuso."
A garota não conseguia controlar seus pensamentos e a confusão se apoderava dela aos poucos. Tornou a ler o pergaminho repetidas vezes na tentativa de livrar sua mente da confusão que criara e que aumentava cadê vez mais quando tornava a pensar no assunto.
– Ok, segundo Akemi, depois de dominar esse jutsu, serei capaz de despertar o Tsukigan e ter breves relances do futuro. – Ela também desenvolveu o desagradável – talvez nem tanto assim — hábito de falar sozinha. O jutsu em questão consistia em meditar e ‘refazer’ o dia que estava vivendo até o ponto em que ela própria estaria praticando o jutsu. Isso deveria se repetir até que tivesse alguma ‘visão’ que ainda não acontecera no dia. Havia selos específicos para entrar nesse transe e, ao mesmo tempo em que estava concentrada nos momentos passados, Sakura deveria controlar seu chakra, se em algum momento ele se alterasse ela teria que começar tudo de novo. Akemi deixou claro que isso seria mais fácil a noite. ‘’Não vou esperar até o anoitecer, isso já está me irritando. ’’ Ela também escrevera outras instruções, mas Sakura não se deu ao trabalho de lê-las.
Sentou-se no chão e fez os selos. Dragão, Cobra, Tigre, Cachorro, Tigre, Javali. Agora era só se concentrar. Hesitou. Não seria melhor falar com Naruto? Talvez ele lhe ajudasse a decidir se realmente deveria despertar o doujutsu.
“Não Sakura, pare com isso. Você está querendo se esconder atrás do Naruto. Se algo der errado, você poderá colocar toda a culpa nele, não é mesmo?”
O que era aquilo? Levantou-se rapidamente olhando ao redor. Podia jurar que escutou alguém falando com ela. Mas não havia ninguém, apenas ela e seus pensamentos.
"Tome suas próprias decisões e lide com as consequências você mesma. Parece que não deixou de ser a garotinha de três anos atrás que sempre precisava se apoiar em alguém por não conseguir fazer as coisas sozinhas.”
Seus pensamentos, era isso! Porque não conseguia controlar seus pensamentos? Porque tudo estava confuso?
“Oh, por favor.”
Porque de repente tudo parece ter se voltado contra ela? Porque ela tinha se voltado contra si própria?
“Qual o problema, querida? Não consegue acreditar na verdade? Ou achou mesmo que tinha mudado?”
Sakura balançava sua cabeça na tentativa de fazer esses pensamentos ruins pararem.
“Eu controlo o que penso.”
“Não seja estúpida.”
“Eu controlo o que penso.”
“Encare a verdade, você é e sempre vai ser uma perdedora.”
“Cala a boca! Porra! Eu não sou mais assim! Eu não sou assim!”
A garota gritava, seus joelhos se chocaram contra o chão, e por maior que fosse sua vontade de chorar, ela não iria fazê-lo, porque era isso que o quer que seja que estava na sua cabeça queria. Queria que ela chorasse como antes. Aquilo queria que ela voltasse a ser fraca. E ela não faria isso, sentiu a determinação invadir seu corpo. Lembrou-se então do jutsu. Era só se concentrar. Fechou os olhos.
“Concentre-se.”
A voz em sua mente foi cessando aos poucos.
“Concentre-se.”
A voz finalmente desapareceu, ela sentiu-se em paz. Do nada, ela viu-se em sua cama, dormindo. Então era isso que o jutsu fazia? Era tão estranho. Acompanhou sua ‘’eu do passado’’ ir em direção ao Ichiraku, conversar com Naruto, voltar para casa, e finalmente ir para a floresta. Ver-se si própria berrando com o nada foi agonizante. Tentou ignorar essa sensação e esperou. Agora deveria ver alguma coisa do futuro, já que estava parada vendo a si própria meditando.
Lentamente as coisas foram ficando confusas, as imagens estavam embaçadas e as coisas aconteciam demais. Uma xícara se partindo em vários pedaços, risadas abafadas, um quarto branco, sharingan, uma mesa farta com as mais deliciosas comidas. As imagens foram se tornando nítidas novamente e ela voltou a ver-se meditando. Viu si própria caindo na inconsciência, e depois não viu mais nada.
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