O Ofício do Dragão - Dramione
10 Mentiras Súbitas
Notas iniciais
HARRY
Havia amanhecido finalmente. Minha hora de partir finalmente chegara, e eu sentia um misto de felicidade com tristeza. Meus anos em Hogwarts foram maravilhosos, mas o retorno, a parte dois foi extremamente desastrosa. Eu não sabia nem o que pensar, e partir, na situação em que tudo estava parecia traição. Mas não podia adiar mais. Vesti minha capa de couro, com Potter bordado nos bolsos. Minha roupa de Auror, que me fazia importante, imponente.
Recolhi meus pertences na minha pequena maleta com feitiço indetectável de extensão e fui até a Sala Comunal, onde Gina estava sentada na poltrona de couro marrom, de frente para a lareira onde me comuniquei com Sirius inúmeras vezes. A lareira era um dos únicos locais mantidos após a grande reforma.
Sirius, como sentia sua falta. Sentia falta da sensação de paternidade, dos planos...
– Acordada logo cedo, Ginevra? – Sorri e ela me deu um soco no braço direito, reclamando por eu ter usado seu nome completo.
– Vou sentir sua falta, Harry. – Gina me abraçou, meu queixo se encaixando exatamente no topo de sua cabeça vermelha, que cheirava a xampu de abóbora.
– Eu também. Muito. – Meu coração estava acelerado, e Gina sentiu, sorrindo, e me beijou. Um beijo desesperado, profundo, como se nossa despedida fosse eterna. – Eu te escreverei sempre que puder.
– Sempre que puder, não, Harry Potter. Você me escreverá todos os dias. – Ela me abraçou mais uma vez, e então, nos beijamos pela última vez. Segui para o exterior da Sala Comunal, e vi Gina acenar para mim uma última vez antes do quadro da Mulher Gorda cobrir a passagem. Ela sorriu para mim e murmurou “boa sorte”.
Apenas agradeci, e fui para a saída, vazio, mas realizado.
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LUNA
– Callum, tem certeza que isso é certo? – Eu disse quando ele parou de me beijar, dentro do nosso banheiro compartilhado nos dormitórios da Corvinal. – Eu estou namorando com Neville agora, acho que não devíamos fazer isso.
– Não tem nada a ver, Lu! Nós estamos fazendo isso porque somos melhores amigos. É apenas uma maneira de selar nossa amizade para sempre, e mostrar o quão forte ela é. – Ele sorriu, me pressionando um pouco mais contra a parede de pedra, que a esta altura já estava quente pelo meu contato. Call era um ótimo amigo, o melhor, como ele mesmo havia dito, e eu não podia perder sua amizade.
– Se você diz... – Ele veio com seu rosto em direção ao meu, mais uma vez, e eu retribuí seu beijo, acariciando seus cabelos azuis macios. Se Call havia dito que era isso que melhores amigos faziam, não havia razão para eu me sentir mal. Não estava fazendo nada de errado.
Se bem que eu não gostaria de ver Neville beijando outra garota. Ah, mas isso seria diferente. O que Call e eu fazíamos todas as manhãs não era nada demais. Era apenas um ritual, tão comum quanto escovar os dentes. E ele era tão normal quanto eu.
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JEVV
Eu tinha noção do que era. E gostava de quebrar regras. Eu sabia que todas as garotas me desejavam, e que eu poderia ter qualquer uma que eu quisesse na palma das minhas mãos. Só não tinha conseguido a garota Weasley, ainda.
Não era fácil competir com O Eleito, mas eu sabia que tinha grandes chances. Potter tinha seus feitios, eu tinha meu corpo, tão forte e marcado quanto um tanque de guerra. Meus músculos eram os meus feitios.
Sabia que o garoto partiria pela manhã, então roubei a capa de invisibilidade falsificada que a sonsa da Bella Diggory mantinha em nosso banheiro e fiquei na espreita da Sala Comunal da Grifinória. Hoje, eu teria Gina Weasley. Logo, o quadro se abriu, revelando uma pequena abertura na parede, por onde o garoto que sobreviveu saía. Eu tinha uma fração de segundo para entrar, e soube aproveitá-la perfeitamente.
Com Harry fora do meu caminho, e Gina olhando fragilizada para o buraco que já se fechara, me revelei, sorrindo maliciosamente.
– Olá, Gina. – Ela retribuiu o meu sorriso com uma intensidade sobre-humana.
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HERMIONE
Dormir com Draco Malfoy era a melhor experiência que eu já tinha tido na minha vida inteira. Seu contato liberava torrentes de adrenalina na minha corrente sanguínea, e nem mesmo derrotar Lord Voldemort ou destruir uma Horcrux podia chegar perto da sensação de realização que eu sentia no meu íntimo.
Seu braço esquerdo estava sobre meu quadril, me abraçando contra seu corpo quente e pálido. A Marca Negra estava cintilante no braço que me protegia, mais imponente que nunca. Coloquei minha mão sobre a dele, entrelaçando nossos dedos, enquanto eu acariciava sua tatuagem com meu dedão. O contato liberou ondas de calafrio no meu corpo, uma sensação maravilhosa, que me fez fechar os olhos e deixar fluir a explosão de uma galáxia de prazeres distintos em cada fibra, nervo ou osso meu.
Quando acordei de novo, estava amanhecendo, e eu sabia que era a hora que Harry partiria. Não sei como, mas sabia. Minhas memórias iam e voltavam como flashes variados, eu não conseguia distinguir o que era sonho e o que era realidade. Ao menos, eu conseguia me lembrar de tudo (e até mesmo um pouco mais).
Saí da cama, deixando Malfoy, ainda adormecido, abraçado ao meu travesseiro preferido. Suas feições suavizavam enquanto ele dormia, mas ainda assim, parecia um anjo caído, uma escultura de pedra que devia pertencer a uma grande e cara coleção de arte francesa.
Vesti uma capa negra, com capuz e saí pelos corredores sinuosos e pelas escadas que mudavam, em direção a saída, aflita, com medo de perder a partida do meu melhor amigo. E foi por pouco.
Ele passava pelas grandes portas duplas em direção aos jardins, mas o interrompi, gritando e acenando:
– HARRY! – Ele se virou para mim, com o rosto rijo, pálido e com o olhar profundo, rodeado por olheiras fortíssimas. Sorri sugestivamente, mas Harry não retribuiu. Aquilo só podia significar uma coisa: preocupação.
Ele me abraçou fortemente, e eu retribuí. Ficamos uns bons minutos daquele jeito, nos comunicando silenciosamente.
– Hermione, depois do que aconteceu ontem, eu estou... – Ele quebrou nosso silêncio, mas eu o interrompi.
– Harry, me desculpa. Eu estava atordoada ontem, eu não queria dizer aquelas coisas. Eu não amo Draco Malfoy, nunca amei e nunca amarei, você sabe disso. E eu, mais que ninguém, sei o quanto ele me odeia. Ele sente nojo de mestiços como nós. Eu ainda estava atordoada pela perda de memória. – Engoli seco, rezando para ele não perceber que eu estava mentindo. Eu olhava no ponto entre seus dois olhos, torcendo para que ele também não percebesse que eu fugia pela culatra – Estou bem agora, e estou sã. Você sabe que é Rony que eu amo. – Meu estômago embrulhou quando eu disse a maior mentira da minha vida ao meu melhor amigo.
– Eu sei, Mione, acredito em você... Mas o fato da sua mudança pra Sonserina não dá credibilidade aos fatos, se é que me entende. – Não deixei de notar que seu vocabulário estava mais culto.
– Eu sou impulsiva, você sabe disso, Harry... Eu conheço todas as casas de perto, mas a Sonserina ainda me intriga, era minha única chance de aprender mais, eu não podia desperdiçar. – Olhei para os meus pés descalços, cobertos pela capa negra, e ele sorriu, acreditando em mim. Me aliviei, apesar de ainda sentir que quebrava alguma a regra de ouro da confiança que existia entre nós.
– Tudo bem, eu acredito em você, Mione, me desculpe. Eu preciso ir agora, de verdade. – Harry me abraçou mais uma vez, e eu o apertei também. – Eu te amo, Hermione. Se cuida tá? – Ele beijou minha cabeça, e começou a dar as costas, em direção a Hogsmeade, onde ele aparataria para o Ministério da Magia.
– Ei, Harry. – Ele se virou, já um tanto distante. Aumentei minha voz. – Prometa que vai me escrever? Todos os dias? — Ele ergueu a mão direita, rindo, e se lembrando dos nossos anos de ouro quando o final dos semestres e o contato entre nós era o maior dos problemas que enfrentávamos.
– Eu juro solenemente! – Ele acenou, e eu me virei, subindo mais uma vez as escadarias antes que o castelo despertasse ou que Filch aparecesse com sua gata nojenta distribuindo detenções baratas.
– HERMIONE GRANGER MENTIU PARA O MELHOR AMIGO HARRY POTTER! – Pirraça se materializou na minha frente, berrando a plenos pulmões. Não contive um palavrão. – HARRY SÓ TEM AMIGOS FALSOS, HARRY SÓ TEM AMIGOS FALSOS... – Ele começou a cantarolar, andando para longe de mim. Contive o meu impulso de pegar minha varinha e jogar um feitiço naquele monte de névoa inútil.
Ao menos, ninguém nunca o levava a sério.
Andei de volta a Sala Comunal da Sonserina, cabisbaixa enquanto passava pelo corredor dos dormitórios, não queria ser vista por ninguém. Quando entrei no meu quarto, Draco já estava desperto, com meus lençóis negros cobrindo seu corpo até a altura do seu peitoral. Ele lia O Morro dos Ventos Uivantes, literatura trouxa.
Quando me viu, sorriu de lado para mim, um sorriso metidinho e sedutor, com seus dentes perfeitamente brancos e alinhados. Suas sobrancelhas claras se ergueram simultaneamente, e eu me sentei ao seu lado, apoiando minha cabeça sobre seu ombro, tentando ler com ele.
– Literatura trouxa, Draco Malfoy? – Eu disse, provocativa.
– Essa é a influência que você tem sobre mim, vida.
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DRACO
Quando acordei sozinho na cama king size do quarto de Hermione, imediatamente soube onde ela tinha ido. Não entendia como, mas sabia que existia uma ligação forte entre nós. E quando você tem uma ligação com alguém, isso nunca se esvai. Não fiquei bravo, não senti ciúmes. Não era possessivo com ela, não era como o Weasley. Só tinha um sentimento de proteção fora do comum. Não suportaria que nada de ruim acontecesse com ela, nunca.
Fiquei um tempo parado, olhando para o nada, sentindo seu perfume adocicado que estava nos lençóis e em minha pele. Sua imagem vinha a minha cabeça, ao mesmo tempo em que a sensação de realidade caía como uma bigorna.
Com a minha varinha, convoquei meu exemplar de O Morro dos Ventos Uivantes até mim. Literatura escrita por trouxa, e este, não era nem de longe, o primeiro livro que eu lia, escrito por eles. Vinha lendo essas obras há algum tempo, tendo em mente que, Hermione lia bastante, e com isso, poderia conquista-la. Porém, a leitura havia me cativado, e virado um tremendo vício. Quando dei por mim, já tinha lido inúmeros clássicos trouxas, e tinha me divertido com eles.
Olhei para os arabescos da capa do meu livro, e me lembrei de uma passagem escrita por Charles Dickens, que fora um bruxo na sua época, apesar de nunca ter recebido uma carta para uma escola de bruxaria e, portanto, ter sido criado como trouxa. A passagem definia minha vida no momento. E minha vida, era resumida em duas palavras: Hermione Granger.
Eu a amava contra a razão. Contra a promessa. Contra a paz. Contra a esperança. Contra a felicidade. Eu a amava contra todo o desencorajamento que existe.
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