O Número 51
4 Capítulo IV - O que se Passa com Clark?
Hayley arregalou os olhos. O que ela fez foi impulsivo, não foi com intensão. E ela só raparou nisso depois.
Como ela não podia simplesmente espancar uma miúda e depois, sem mais nem menos pedir desculpa, saiu dalí, com uma lágrima no olho, a escorrer-lhe pela cara e encostou-se a um canto, debruçada sobre as pernas, com a cabeça pendurada nos joelhos.
"Quero sair daqui! Quero ir para casa!" — Lamentava Hayley, mentalmente, enquanto fungava o nariz e limpava uma lágrima com a manga do casaco.
Clark, preocupado, vai ter com Hayley enquanto o resto vai ajudar a miúda estendida no chão, mas Kira agarra-lhe no braço para impedi-lo.
–Não váz. Se ela foi para ali é porque quer estar sozinha, não achas?
–Ela não quer estar sozinha! Quer estar comigo, em casa!!
–Mas não é assim tão mau estar aqui. Vão ver! -Responde Kira, de forma calma- Acredita em mim, se eles quisessem fazer-vos mal, já tinham feito. Tiveram muitas oportunidades para isso mas no entanto estão os dois vivos, não é? Então....
–Eles quem? — Interruga Clark, franzindo as sobrancelhas-
–Já te disse que NÃO posso dizer nada! NADA! -Reclama Kira, já enervada-
Nesse momento, apartir da coluna presa entre a parede e o teto, soa um gincho estridente que faz com que toda a gente tape os ouvidos. Quando o gincho pára, toda a gente desprotege os ouvidos e prepara-se para ouvir. (Pois normalmente quando esse barulho aparece, é quando alguém se prepara para falar)
"Toda a gente que vá para o seu quarto e se prepare para o almoço. O restaurante abre daqui a meia hora. No entanto, o sr e a sra Chadwick, acompanhados pela Sutherland vêm até a SC!"
Clark olha em volta e vê toda a gente a dispersar-se, menos Kira, que permanece a seu lado, e claro, Hayley, ainda enroscada no canto da sala, a chorar e a lamentar-se.
–Hayley, vamos! Chamaram-nos! Anda! -Avisa Clark, gritando-
Hayley permanece sem responder.
–Deixa! Eu vou lá tratar daquilo. Ela está mal. É normal. Todos ficam assim ao inicio. -Diz Kira- Só não sei é como e que não estás assim!
Kira anda até Hayley e mete-se de cócoras.
–Hayley, não é? -Pergunta retoricamente Kira, para começar uma conversa- Bem, não tens de ficar assim. Aqui ninguém te vai fazer mal!
Hayley houve tudo o que Kira diz e levanta a cabeça. A sua cara estava vermelha, olhos inchados e também encarnados e a maquilhagem escorria-lhe pela cara, criando riscos negros por onde as lágrimas passaram na sua cara.
–Vá, levanta-te lá, por favor! -Pede Kira, levantando-se e esticando o braço para fazer Hayley levantar-se- Vamos lavar a tua cara e depois vamos até a SC.
–O que é SC? -Pergunta Clark, do fundo da sala-
–Sala Central. -Responde Kira- É onde a gente importante está!
–Gente Importante? -Pergunta Clark, irritantemente-
Kira fecha os olhos e respira fundo. -Mas quantas vezes será que tenho de dizer que não posso falar NADA?!
–Pronto.. Pronto.. Não te enerves! -Goza Clark-
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Kira vai andando para a saída, esperando que os irmãos façam o mesmo. Ao virar de algumas esquinas, ao fundo de um corredor apertado, com muito pouca iluminação, Kira abre uma porta e entra para um lugar. Hayley vai atrás dela.
Clark, por último, empurra também a porta, para entrar, mas Kira vira-se e dá lhe uma chapada amigável, só para chamar a atenção.
–És uma rapariga? Porque pelo cheiro a perfume e pelo sinal da porta, podias ter reparado que é um balneário feminino.. E mesmo assim entras!
Depois Kira olha-o por coma do ombro, com um sorrisinho provocador e fecha a porta na cara de Clark.
"Uau" -Pensa ele, com um sorriso convencido estampado na cara-
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Clark ignora o facto de estar ali sozinho num corredor escuro e apertado e começa a andar em frente.
Há medida que anda ouve muitos barulhos, vindos de imensas portas. Pareciam gritos. Gritos humanos!
Pensando que alguém pudesse estar em apuros, Clark abre de repente uma das portas, de onde vinham gritos mais sonoros do que o resto. Quando espreita lá para dentro.. Vê apenas uma pessoa com fato de macaco azul sentado numa cadeira a olhar para uma televisão pequena a rir-se.
"Deve ser o senhor das limpezas na sua hora de intervalo" -Pensou Clark-
Sem fazer barulho, Clark fecha a porta e continua a andar pelo corredor fora.
"Não percebo.... Eu ainda ouço gritos! Mas são de vários lugares ao mesmo tempo. O que se passa? Está alguém em apuros? Parem. Parem!! Parem de gritar!"
Clark tapa os ouvidos mas continua a ouvir estridentes berros. Ainda mais alto.
Era tudo na cabeça dele.
Mas porque é que estava Clark a alucinar e a ouvir gritos e risos, que, se fosse para os julgar, pareciam maléficos?!
Clark atira-se para o chão. Aqueles gritos na sua mente estavam a mete-lo doido. Esperneava-se, tremia, gritava para ver se não ouvia os outros gritos. Nada adiantou.
Hayley e Kira saíram a correr da casa de banho ter com Clark, pois ouviam os gritos dele. Encontraram-no deitado no chão com as mãos a tapar os ouvidos, a tremer e a espernear-se como se estivesse a ter uma convulsão.
–CLARK! -Grita Hayley, indo ter ao encontro do seu irmão-
Assim que Clark ouve o chamamento da irmã, as vozes cruéis na sua cabeça param, sem mais nem menos. Clark para, como se nada se tivesse passado .
–O que aconteceu?! -Perguntaram Hayley e Kira, em coro-
–N....Não Se...S...Sei! -Clark mal conseguia falar-
–Consegues levantar-te? -Pergunta Kira, num tom de voz alto, para ter a certeza que Clark ouvia. Afinal, ele podia estar surdo-
Clark coloca as mãos e os joelhos no chão, ficando de gatas. Depois apoia-se com uma mão na parede e apoia-se depois nos dois pés. Cambaleia um pouco para trás, mas claramente o equilíbrio já está restaurado.
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Devagar, os 3 vão andando pelo corredor até ele começar a alargar. Lá no fundo viam uma luz brilhante.
No estado em que Clark estava, ele pensava que tinha morrido e aquela era a luz que o levaria para o céu. Felizmente, ainda estava vivo.
Quando eles chegam finalmente até o fim do corredor, onde há luz solar, olham em frente com atenção. Um enorme pátio estende-se ao longo de muitos metros. Talvez chegue a um quilómetro ou mais.
Tem piscina, um enorme jardim com arvores de frutos, canteiros com pequenas flores azuis, vermelhas e amarelas, mas como tudo o resto era verde, dava um ar alegre... Se calhar até demais.
Esses canteiros, juntos, formavam um grande "C", de Centro.
Os 3 desceram as escadas para ir ter ao pátio. Hayley ofereceu a sua ajuda para Clark, mas este afirmou que já estava melhor. Então, Hayley foi ter com Kira, que já estava mais á frente.
–Bem-Vindos á Sala Central. O melhor lugar da ilha! -Diz Kira, com um sorriso aberto na cara-
–Sala Central? Pode estar no centro mas isto não é uma sala... -Murmura Hayley- Não tem paredes ou teto.... Isto é um jardim, ou um pátio de um castelo mesmo!
Clark, que ainda está a descer as escadas, degrau a degrau, muito devagar para não ficar tonto e cair, olha em volta para apreciar o céu limpo e o sol a brilhar. Era bom respirar ar puro sem ter um saco na cabeça ou sem estar a um ponto de ser lançado para o oceano em queda livre.
Embora Clark estivesse a fazer esforço para não cair, foi precisamente que aconteceu. Uma dor de cabeça "atacou-o" e fê-lo zonzo. Como consequência, tropeçou numa rocha pequenina no meio das escadas e foi a rebolar até lá a baixo. Parou quando finalmente estava no chão. Estendido. Inconsciente.
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