O Novo Hades
7 Six — Em perigo
Notas iniciais
VI
Horário Desconhecido
JACK ESTAVA NA IMENSIDÃO ESCURA DAQUELE ARMÁRIO. Não era tão apertado, mas ele sentia que o oxigênio dele ia acabar a qualquer momento. Não acreditava que morreria ali. A escuridão estava quase o cegando, ele não sabia distinguir o que era o marrom da madeira. Ele tinha certeza que muito tempo tinha se passado. Seu celular não estava conseguindo ligar para ninguém.
O único pensamento que corria pela sua mente era que iria morrer.
Por causa de Drake. Um babaca, idiota. Ciumento em um nível deus, com cíumes de algo que sequer chegou a existir.
— Ficar... Vivo. — Murmurou, com a respiração ofegante sob o ar rarefeito. Não iria ter como ele ficar respirando por mais tempo. Seu nariz estava esgotado e sua boca também.
"Não pode." Algo pareceu ter dito, no fundo da mente dele. "Não pode morrer."
A voz ficou mais alta, ecoando a mesma frase por mais tempo. Uma força imensurável se ergueu do corpo dele. Ele sentiu como se pudesse destruir um tanque de guerra em segundos. O armário rangeu, a madeira estava rachando e os pedaços velhos mórbidos do móvel estavam quebrando.
Ele não pode morrer.
Como uma explosão, o armário explodiu em pedaços. Quando ele viu os próprios braços mesmo sob as sombras do porão, uma pequena aura roxa estava em seus traços.
— Não posso morrer? — Repetiu a si mesmo. — Isso é incrível! — Exclamou, animado. Mas não contava com o que pudesse acontecer. A escuridão ficou mais densa e o corpo de Jack ficou gelado e quente, sofrendo várias temperaturas a cada segundo, tomando um choque térmico e caindo de joelhos no chão. Ele parecia tonto, estava zonzo. Mas conseguia enxergar o líquido azul cintilante abaixo de seus joelhos. Água.
Seu corpo estava trêmulo por causa dos vários e diversos choques térmicos que tinha tomado, mas conseguiu se levantar e examinou o local. Como se tivesse mudado de tempo e clima, o local ainda estava no período do entardecer. Não tinha nuvens acima e as estrelas pareciam extremamente pertos. A casa — a mansão a sua frente era surpreendente. Era alta e espaçosa, da cor lilás bem claro com vários detalhes brancos. Como se tivesse sido puxado, ele se viu em um enorme salão, que parecia ser de balé. Ele caiu gemendo de dor no chão, com uma vontade imensa de vomitar. Tinha tomado outro choque térmico gigantesco no corpo, seus cabelos estavam bagunçados. Tinha vários espelhos na parede e as janelas estavam no segundo andar, várias portas.
Ele virou para trás. Uma mulher alta estava na sua frente. Exageradamente alta, proporcionalmente alta. Tinha três metros, aquilo não era normal. Mas era tudo proporcional. Um vestido longo, parecendo de debutante, com babado branco. A parte de baixo caindo pelo chão, da mesma cor das paredes. Seus cabelos caíam até a cintura e eram loiros dourados, seus olhos, cinzentos. Um cinza brilhante e forte.
— O-oi. — Jack falou, atordoado. A mulher lhe ofereceu a mão para ajudar, e quando tiveram o contato entre as duas falanges, uma sensação de calmaria e maresia passou pelo corpo do loiro. E em um puxão ela levantou o garoto musculoso.
— Olá. — Ela disse. Sua voz era perfeitamente calma e suave, parecendo sincronizar na brisa fresca do local. — Você é esbelto. Me diga, qual é o seu nome?
— Jack. — Respondeu. — E-eu.. — Ele falou, agoniado. — Eu não sei o quê aconteceu. Me trancaram no porão do meu colégio e eu... Eu quebrei o armário do nada e depois eu parei aqui. Eu sei que parece loucura. — Ele falou tudo muito rápido, assustado e ainda tremendo com o quê aconteceu. — Mas é verdade. Eu não quis invadir sua casa, só apareci aqui do nada, e eu, eu..
— Não precisa explicar nada. Eu vi tudo o que aconteceu. — Ela falou, calma. Jack moveu um olhar de alívio e estranheza ao mesmo tempo.
— Viu? — Repetiu. — A senhora... Sabe como eu posso voltar para casa? E-eu, eu m-moro em Charlestown. — Disse, esperançoso.
— Na verdade, eu não sei. É que... Você não pode voltar para casa. Você não está em Charlestown, nem em Massachusetts. — Ela falou. Jack quase caiu desmaiado no chão, mas só foi tomado por mais susto.
— Mas eu... Eu... — Quis procurar palavras, mas seu desespero tomava conta de sua mente.
— Não tema, você poderá ir para casa quando eu eliminar a praga que existe em você. — Ela ditou. Quando ela disse isso, dos portões, várias pessoas saíram. Eram todas mulheres, e pareciam ter vinte anos de idade. A maioria tinha cabelo curto e algo grande se estendia pelas costas. Asas. Asas felpudas e brilhantes, brancas como o luar, estavam cintilando e batendo. Elas planavam centímetros acima do chão, com arcos e flechas apontados para a mulher. Todas trajando pequenos shorts jeans cortados e blusas de seda branco com mangas e algumas sem manga, com coletes de aço com desenhos de uma lua minguante.
Não. Era para ele.
— Senhora? O que... Está acontecendo? — Perguntou, desesperado.
— Você não pode voltar para casa. Porque você deve ser executado, Jack. Eu sinto muito. — Ela disse.
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