O Nome Na Lista
28 Doce piquenique
Notas iniciais
E no dia seguinte, o sábado estava chuvoso e feio.
Hermione estava vivendo um dia desses. Só que via filme deitada em sua cama sozinha, comendo o terceiro chocolate. A ultima coisa que ela queria fazer era descer e olhar para Rony. Ela sabia que também devia desculpas pra ele por ter sido rude, mas ele fizera-a esquentar a cabeça e perder todo o fio da meada daquela redação que estava ficando perfeita. Namorar com Rony seria assim?
Gina entrou no quarto sem pedir, e se deitou com a amiga. Também vestia pijamas, mas esses também pareciam pijamas de mendigo, como os de Hermione.
— Por que meu irmão está todo emburrado lá em baixo? — ela perguntou, roubando o chocolate da mão da amiga — Ele pediu pra você descer e parar de besteira.
— Eu não vou descer. Diga pra ele que…
— Eu não sou um pombo correio e não ligo pras brigas de vocês.
— Grossa! Você e Rony são dois…
— Eu sei, eu sei, — Gina disse — Somos dois idiotas. — Gina concordou, pegou a bacia de pipoca e começou a comer. — Harry veio falar comigo. – ela disse de boca cheia.
— Falou o que? – perguntou Hermione, olhando para a pequena televisão, onde um homem corria na chuva.
— Ele disse que gostava de mim.
— Não era isso que você queria?
— Mas dei uma dura nele. Disse que o amo e que preciso que ele me ame também, e o porquê eu não sei. Harry é tudo aquilo que eu sempre quis na minha vida, mas o que meu deu na cabeça? Porque eu disse não pra ele? Você precisava ver a carinha dele...
— Acho que você foi certa.
— Por quê?
— Porque, veja bem, se você tivesse dito sim pra ele, ia ser muito fácil. Você não quer que seja verdadeiro o sentimento dele por você, assim como o seu por ele é? Se você se entregar tão rápido assim, vai ser fácil pra ele te usar, fazer o que quiser com você e te largar. Torture-o um pouquinho... – ela sorriu.
— Você tem toda razão. Quer saber, isso mesmo que eu sou fazer. Ele vai me amar. Vai dizer pra todo mundo que me ama e...
— Vai sim Gina, agora cale a boca que quero ver o filme. Mas, onde está Luna?
— Em algum lugar com Neville. Estão cada dia mais próximos.
— De quantos meses ela está?
— Um. E três dias. E o mais lindo é que Neville parece contente com isso, é lindo... – Gina sorriu.
Pelo menos Luna estava feliz, pensou ela. Ela já havia contado pra escola inteira.
Porque nem Hermione nem Gina estavam.
— Você não tem motivos pra ficar assim tão triste, Hermione. Meu irmão está lá em baixo jogando truco com os meninos. Porque não vai lá, ficar com ele? Foi uma briga estupida.
— Mas é que…
— Você é orgulhosa demais para pedir desculpas?
— Não sou orgulhosa, mas acho que o certo seria ele pedir desculpas primeiro e...
— Só acho que você está exagerando um pouco, só isso. – respondeu Gina.
E ela estava mesmo. De repente ela parou de se importar, e queria apenas Rony, naquele momento, pra ver filme com ela… E eles poderiam ter feito aquilo ontem, se eles não tivessem tido aquela briga idiota.
— Gina, eu tive um plano. – ela sorriu para a amiga.
— Que plano? – Gina se animou.
— Vá buscar seu pijama mais sexy, garota, nos vamos chamar todos pra ver um filme. Você pode atacar as escuras. E eu quero ficar com o Rony...
— Eu não quero detalhes sobre sua vida com nojento do meu irmão. Ele já comeu uma minhoca, eu não estou mentindo, só pra você ficar sabendo. Eu já entendi o seu plano... – ela sorriu maquiavélica e saiu correndo do quarto.
Hermione desceu correndo para a sala comunal e chamou alguns para assistir um filme. Rony revirou os olhos pra ela, e ela teve que se controlar para não brigar com ele novamente. O intuito era fazer as pazes.
Em poucos instantes, Harry, Dino, Rony, Neville, Luna, Gina e Hermione estavam acomodados no dormitório de Hermione. Espalhavam diversos colchonetes no chão, e se sentaram para ver o tal filme. Neville se sentou na ponta encostado-se à parede perto da tv, e Luna se sentou confortavelmente em seus braços. Aquilo foi completamente lindo. Hermione ocupou o canto mais fundo, e olhou para Rony, e aquele olhar com certeza dizia: você, aqui, agora. Ele quase, quase revirou os olhos novamente.
Gina sentou-se com delicadeza na ponta do colchão, enquanto Harry estava sentado no chão. Dino continuou em pé.
— Porque não se senta, Dino? – Gina sorriu para ele, e ele estranhou.
— Hã? Ah ta, ok... –ele se sentou em um dos pufes do quarto.
— Esses pufes são muito frutuosos... – disse Neville para Harry, que sorriu. Mas o garoto logo tirou o sorriso do rosto quando viu Gina se levantar, puxar mais um pufe para o lado de Dino e engatar uma conversa animada.
Harry pulou para uma cama e deitou-se de barriga pra baixo, se cobriu até a cabeça e ficou espiando Gina escondido.
Mas Hermione, que estava em pé arrumando as coisas, trocou um olhar significativo com Gina.
A ruiva sorriu daquele jeito que Harry amava para Dino, e Harry queimou por dentro.
Estava com raiva.
Queria socar Dino, socar Dino muito mesmo.
— Vou colocar o filme, gente... – disse Hermione.
— Como se você fosse prestar a mínima atenção... – disse Harry, rindo.
— Cala a boca, é claro que eu vou, estou doida pra ver esse filme...- ela disse.
— Bom, eu sei que eu é que não vou prestar atenção mesmo. – disse Gina, com uma voz provocativa. – Vem, Dino, vamos deitar ali na ponta... – ela sorriu, e ela e Dino deitaram na ponta, perto de Harry, e se cobriram.
Hermione apagou as luzes, ainda de pé, e deu play no vídeo e aumentou o volume para o máximo. Ela pode ver Rony sorrindo no canto onde ela mandara, e tremeu um pouco ao caminhar lentamente até ele.
Ela se sentou tímida um pouco longe dele. Eles tinham brigado, mas a presença dele a fazia esquecer de qualquer briguinha idiota.
Neville fazia um carinho no cabelo de Luna, que era a única que parecia estar prestar atenção no filme.
Gina e Dino conversavam sobre como aquela almofada laranja era fofa.
— Tão fofa como você! – disse Dino para ela.
— Ah, pelo amor de deus... – disse Harry, e revirou os olhos. Hermione gargalhou alto.
Ela olhou para Rony, e ele abriu os braços pra ela. Ele estava sentado.
Ela sorriu timidamente, e engatinhou devagar até ele e sentou-se entre as pernas do garoto, que a abraçou.
Ele estava tão quentinho... ela fechou os olhos e inspirou o perfume tão delicioso daquele garoto que ela tanto amava.
— Você é um idiota. — ela disse sorrindo.
— Você é uma sabe-tudo irritante — ele respondeu — Desculpe por ontem.
— Me desculpe também. Não vamos mais brigar, ok?
— Você sabe que isso é impossível, Mione.
— Tudo bem, mas eu gosto de pensar que somos um casal pacífico.
— Estamos mais para um casal explosivo.
Os dois permaneceram abraçados nos braços um do outro, trocando carinhos. Onde a pele de ambos se tocava, parecia que um rastro de fogo era deixado. Queimava, de tão intenso. Ali, juntos, quentinhos e cobertos, estava mais do que perfeito para ambos. Hermione sentiu como se o seu coração fosse explodir. Rony era perfeito, e era incrível o poder que ele tinha sobre ela. E para Rony, ter Hermione em seus braços era como a realização de um sonho, só que mil vezes melhor. Ela era perfeita, perfeita demais, cada fio de cabelo daquela menina era amado por ele.
Enquanto os dois permaneceram apenas abraçados, Gina já tinha atacado. O que ela fazia debaixo das cobertas com Dino ninguém sabia. Mas era evidente que estavam fazendo algo. Harry se sentou e ficou observando o montinho onde Gina e Dino estavam, totalmente ocultos pela coberta. Estavam sentados, era evidente.
Harry olhou para os lados. Viu Neville com Luna, eram os únicos que viam o filme. Havia certa inocência em volta deles. Um carinho especial e bonito. Viu Rony e Hermione, abraçados com ternura, Rony parecia ninar Hermione em seus braços de uma forma tão linda, que Harry sorriu ao observar os amigos. E finalmente, viu Gina e Dino, o montinho a sua frente, provavelmente se beijando calorosamente, e Harry sentiu vontade de socar Dino novamente.
Ele percebeu então que estava sobrando. Que ele estava definitivamente de vela. E que a culpa era toda dele, porque ele poderia estar ali com Gina, no lugar de Dino, se não fosse tão estúpido e tivesse feito o que devia ter feito naquele dia. Agora, era tarde demais pra puxar aquela coberta de cima dos dois, puxar Gina e dizer com todas as letras que a amava. Então ele se deitou novamente, cobriu-se por completo e fechou os olhos com força, contou até três e decidiu seguir sua vida, assim como Gina havia feito, mas era difícil quando tinha acabado de perceber o quanto a amava, o quanto queria estar com ela... “E depois o lerdo é Rony” ele pensou.
O volume da televisão foi posto alto justamente para abafar as conversas que com certeza aconteceriam.
Dino e Gina conversavam baixinho. Harry permanecia coberto da cabeça aos pés. Mas era possível ouvi-lo bufar diante de alguma cantada de Dino para Gina.
Rony e Hermione continuavam juntos.
— Sabe de uma coisa, Hermione? – Rony disse, como quem não quer nada, e apertou Hermione mais um pouquinho.
— O que? – ela sussurrou, enquanto brincava com as mãos de Rony.
— Por tudo isso que você é, — ele sorriu tímido – Do jeito que você é, por tudo que você faz... você, não é, ou eu preciso dizer?
— Dizer o que, Ronald? – ela ainda estava enfurecida.
Rony abraçou Hermione mais uma vez, mordeu de leve a orelha de Hermione e sussurrou:
— Que eu te amo.
Hermione arregalou os olhos, e um choque elétrico e prazeroso passou por todo o seu corpo.
— A, mas isso eu já sabia. — ela brincou.
— Chata.
Então ela o fitou nos olhos com carinho, segurou o rosto do menino com as mãos.
— Eu te amo, e você me tira do sério. E me surpreende a cada dia. – ela sorriu.
Rony sorriu e beijou Hermione terminantemente. Hermione sentia como se tivesse no espaço. Era maravilhoso o amor, realmente.
Depois que o filme acabou, eles arrumaram o quarto e a chuva ainda caia lá fora.
—___
No domingo ensolarado, Rony acordou mais cedo do que o comum e se vestiu.
Ele invadiu o dormitório de Hermione com passos cautelosos e observou a menina dormindo de uma forma engraçada. Estava deitada de barriga pra baixo, completamente descoberta.
Rony se aproximou e ajoelhou ao lado da cama.
— Hermione... – ele chamou, e rezou para ela não se assustar e gritar.
Mas ela não se mexeu.
Rony então resolveu acordá-la com beijos, e então começou a beijar as mãos de Hermione, foi subindo lentamente pelo braço, até chegar à parte do pescoço que era visível. Hermione parecia sorrir. O cheiro de Hermione para Rony era inebriante. Era profundo, e causava um vicio completamente enorme. Fazia o corpo de Rony tremer.
Quando Rony estava bem próximo dos lábios da menina, ela abriu os olhos.
— Hermione... – ele sorriu para ela.
Hermione sorriu abertamente, feliz.
— Eu estava sonhando com você... – ela de repente se cobriu, e se enrolou na cama como um gatinho. Os cabelos dela estavam emaranhados, a cara inchada, e vestia os típicos pijamas de mendigo de Hermione, mas mesmo assim, Rony achou-a linda e perfeita, e sorriu ao imaginar acordar todos os dias e ver Hermione daquele jeito ao seu lado na cama.
— Se arruma, e desce. Vou te esperar. Quero falar com você. – ele disse e saiu do quarto antes de Hermione ter chance de responder alguma coisa.
A menina se levantou parecendo um zumbi, e andou pelo quarto.
Quando desceu, avistou Rony sentado em uma poltrona virado de costas para ela. Ele segurava uma revista, mas não parecia estar lendo.
— Tô aqui, o que você quer? — ela perguntou nada delicada.
Rony se levantou, e no momento que viu Hermione sua boca se abriu com ar surpreso.
— Uau...Hermione... – ele sorriu tímido. — Posso te abraçar? – ele perguntou baixinho.
— E desde quando você precisa pedir... – ela mesma correu até ele e o abraçou com força. Era ali, nos braços de Rony, que ela se sentia segura.
Rony estendeu a mão para Hermione e os dois caminharam de mãos dadas para fora do castelo.
Rony a levou para perto do lago, a sombra de uma grande arvore. Estava tudo vazio, parecia que a escola toda era somente dos dois.
— Porque me trouxe aqui? – ela perguntou.
Rony tirou de trás da arvore uma cesta de piquenique e uma toalha xadrez. Forrou o chão e se sentou.
— Legal hein? – ele começou a retirar os alimentos da cesta – Tem pão, geléia, queijo, suco de uva, porque eu sei que você gosta, e uvas também, você adora, e trouxe chocolate, torradas, bolachas, biscoitos,bolinhos recheados, e brigadeiros... Senta. – ele pediu com carinho.
Hermione sorriu e sentou com delicadeza na toalha.
— Pra que tudo isso, Rony? – ela perguntou enquanto pegava uma torrada.
— Uma surpresa pra você. Um piquenique, logo de manha, assim ninguém atrapalha a gente... — ele disse enquanto comia.
— Mastigue de boca fechada, Ronald. – ela o repreendeu – Obrigada! – mas logo após, sorriu e colocou a mão na boca, meiga.
— Precisamos conversar. – foi ele quem disse, um tempo depois.
— Você tem certeza? Eu pensei que você nunca quisesse ter essa conversa... pensei que deixaríamos passar, sabe? — ela não deu tempo para ele responder, e prosseguiu. Ela respirou fundo e contou tudo que Krum tinha feito a ela, e tudo que ela teve que passar. Todos os detalhes que não havia contado a ninguém. Foi um alivio tirar aquele peso de cima dela pela ultima vez;
— Eu não sabia que tinha sido tão difícil – ele disse, segurando as mãos dela — As vezes eu me sinto culpado… Se eu não tivesse assinado aquela lista...– ele disse.
— Não se sinta culpado por eu te amar. Tudo que eu fiz, eu faria novamente…
— Não. Você nunca mais vai passar por isso porque eu não vou deixar. Se um dia, qualquer outra pessoa parecida com o Krum aparecer na nossa vida, eu mato ele com as minhas próprias mãos... eu te prometo, eu vou te proteger.
Hermione não disse nada, tinha lagrimas nos olhos. Ela sorriu para ele, e ele se aproximou e beijou as pálpebras fechadas da menina. Depois a abraçou com ternura.
— Pra sempre. – ela disse para ele baixinho. Ele sabia o que aquilo significava: ela iria amá-lo para sempre.
Os dois brincaram e conversaram e comeram, sorriram demais. Quando a comida acabou, Hermione comeu todas as uvas, ela se levantou, e ele logo em seguida.
— Vamos voltar então, todos já devem ter acordado... – ela disse e começou a andar.
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