O Nome Na Lista
41 Costelas quebradas
Notas iniciais
Tudo parecia correr como um borrão à frente de Harry. Os Weasley chegaram, e foram para o hospital. Molly dizia algo, mas Harry não se lembra de nada. Sua mente estava entorpecida demais para prestar atenção em qualquer coisa.
Fora um acidente de carro, isso ele conseguiu captar. Estavam voltando pra casa, quando James se distraiu por um segundo, não viu um caminhão à sua frente, e bateram. Será que tinha doido muito? Harry pensou consigo mesmo. Ele não conseguia parar de pensar nos pais um segundo sequer.
O estado de Lily era mais grave. Precisaria de cirurgia. James estava desacordado, quebrara algumas costelas. Mas aparentemente estava bem.
Rony estava ao lado de Harry no hospital. Deu batidinhas nas costas de Harry, e ficaram em silêncio. Harry ficou grato pelo melhor amigo, a companhia dele, mesmo que silenciosa, ajudava. Um pouco mais tarde, Hermione chegou, chorando. Abraçou Harry, que gostaria que ela não chorasse, porque aquilo só o deixava mais apreensivo. Ele queria pedir para ela ficar em silêncio, engolisse aquelas lágrimas e não demonstrasse fraqueza. Ele precisava se manter forte naquele instante...
Então Gina chegou. Harry levantou-se num impulso, e olhou-a nos olhos. Quando pensou em se sentar novamente, Gina foi até ele e abraçou-o com força. Talvez não fosse tão errado assim deixar a armadura cair.
O perfume dela preencheu-o inteiro; sentira saudade e nem percebera. Respirou fundo, e antes que pudesse se controlar, começou a chorar, mais do que Hermione, como uma criancinha, os braços apertando aquela garota como se ela fosse a coisa mais preciosa que o mantinha preso ao chão.
— Sh… vai ficar tudo bem…- ela acariciou os cabelos dele. Harry sentiu uma certa calmaria passar por seu corpo, vindo da nuca até os pés. Era tão bom estar com ela. Eles se sentaram, ainda abraçados. Harry depositou-se naquele abraço de Gina, e parecia que estavam em um mundo particular. Ele esqueceu da presença de todo o resto. Gina era a pilastra que o mantinha em pé naquele momento. E permaneceu assim por boa parte da noite, recebendo aquele carinho que o fazia se sentir absolutamente melhor.
Após o que pareceu uma eternidade, os médicos vieram até eles. A cirurgia ocorrera bem. Eles ficariam ótimos. Harry conseguiu respirar aliviado enfim pela primeira vez, livrando-se do abraço de Gina, se afastando rapidamente sem querer. Ele repassou todos os últimos instantes com os pais pela milésima vez naquele dia, e, o que mais pesava em sua consciência erem as palavras rudes que havia tratado a mãe antes dela sair de casa. Não queria que as últimas palavras para a mãe fossem aquelas. Agora ele tinha a chance de fazer aquilo de novo. Seria o melhor filho do mundo…
Harry correu para ver os pais, ainda entorpecido, aliviado, confuso, um mix de sentimentos que ele mesmo não conseguia explicar. Não percebera que já sentia falta da presença de Gina ao seu lado.
A mãe ainda dormia, mas o pai estava desperto.
— Harry — ele disse, quando o filho o abraçou de leve, por conta das costelas quebradas.
— Está tudo bem, pai — Harry respondeu, mais para si mesmo do que para o pai.
— Foi só um susto! — James sorriu.
Quando Lily acordou, Harry não aguentou e chorou para a mãe. Se sentiu novamente com cinco anos, agarrado a barra da saia dela.
— Me desculpe por ter falado daquele jeito, mãe! — ele disse.
— Shh… está tudo bem… — ela disse, frágil, porém o abraçando. Harry sem querer lembrou-se de Gina. Será que ele um dia teria coragem de agradece-la pela força? Ele abraçou a mãe novamente, mas sua mente não conseguia parar de pensar em Gina, sentindo aquela raiva que já lhe era típica quando lembrava que havia perdido ela pra sempre.
Lily e James ficaram uma semana internados em observação. Enquanto isso, Harry ficara na casa dos Weasley, mas passava o dia todo no hospital com os pais. Procurava evitar Gina, que também o evitava completamente, ambos timidos demais para tomar qualquer palavra. Harry tinha medo de, caso a abraçasse, nunca mais conseguir solta-la.
No dia em que os pais voltaram pra casa, Gina olhou-o nos olhos, fazendo com que um silêncio constrangedor se pronunciasse. Naquele momento Harry congelou; era o cabelo dela, era o corpo, era a pele, era a presença, era a voz, tudo, que o fazia querer largar tudo e leva-la para longe.
— Vamos? — disse Lily.
— Tem algo que você queira me dizer, Harry? — disse Gina, os olhos praticamente implorando para que ele dissesse o certo. Ela poderia esquecer tudo e ser feliz com ele. Ela poderia ser tudo de melhor que ele já tivera na vida. Era só ele querer.
— Obrigada. — ele disse baixinho, com vergonha. Não conseguiria dizer outra coisa. Apesar de Gina ter o ajudado tanto quando ele mais precisara, ele percebeu que tinha que deixa-la livre para te alguém que a tratasse como ela merecia. Ele tinha medo de iludi-la e em algum momento, iria magoa-la novamente. Já tinha aceitado que era fraco, nunca conseguiria tomar qualquer atitude, Gina poderia ser feliz com outro…
Eles foram embora pra casa. Harry levou os pais de carrro, dirigindo. Se sentiu muito adulto por isso, e em casa, agradeceu em silencio por sua família estar reunida.
—___
No fim de semana seguinte, Harry ajudava a mãe a terminar o jantar; a mãe era teimosa, não deveria estar fazendo nada, muito menos dando festas, mas ninguém segurava Lily Potter.
A ceia cheirava deliciosamente. A casa dos Potter estava toda enfeitada. James, com a costela fraturada, estava sentado já à mesa, e tentava não se mexer muito.
A campainha tocou. Harry fora atender, e na porta, estavam Neville, Luna e Charles.
Charles mexeu os bracinhos para Harry, fazendo sons estranhos. Provavelmente os bebês faziam aquelas coisas, Hary pensou, e pegou-o no colo num impulso. Reparou então que era a primeira vez que segurava um bebe.
— Olhe só Harry, ele gosta de você! — Luna disse, entrando na casa.
E gostou mesmo. Não queria sair do colo de Harry. E ele gostou daquilo, ficou brincando com Charles por um tempo, até o restante dos convidados chegarem.
Convidaram Hermione e seus pais, e toda a família Weasley. Novamente, quando viu Gina, Harry teve que se controlar para não agarrar a menina na frente de todos. Nessa noite, ela usava uma saia de cintura alta e uma regata de seda preta. Os cabelos soltos, que ela fez questão de jogar assim que passou por Harry na entrada.
— Gina. — ele cumprimentou ela. Charles agitou novamente os braços, e em seguida fez silencio, como se sentisse o clima tenso que pairava no ar.
— Potter. — ela respondeu, ignorando-o logo em seguida, fazendo com que seu perfume o atingisse como uma brisa no fim da tarde.
— Você viu aquilo? — Harry perguntou para Charles, que balbulciou uma resposta que podia significar qualquer coisa, mas para Harry, talvez aquilo fosse um empurrão; o que o impedia de tomar Gina pela cintura e beija-la ali mesmo, na frente de todos?
— Eu sou um covarde. — ele sussurrou, e percebeu que estava sozinho no hall de entrada.
Se encaminhou para a sala de estar, deixando Charles com Luna para que ela pudesse amamenta-lo. De alguma forma, ao observar seus entes queridos ao redor da mesa, Harry percebeu que um ciclo havia se fechado em sua vida, e uma noja janela estava aberta para um novo Harry Potter adentrar; ter ali consigo seus melhores amigos, seus pais vivos e bem, e a garota que ele amava ali, em sua casa…. Talvez fosse mesmo a hora de mudar. Será que teria coragem para fazer isso?
A ceia estava posta em cima da mesa.
— Harry, se sente aqui! — disse a mãe, apontando para a cadeira vazia ao seu lado. Ele caminhou lentamente para o lado da mãe, lhe dando um beijo no rosto ao sentar-se — E Gina, pode se sentar… — ela sorriu. — Do lado de Harry!
— Posso sentar ali ao lado de Hermione. — ela respondeu, já se encaminhando para o lado da amiga.
— Ei! É o meu lugar! — Rony correu para se sentar primeiro, e conseguiu.
Sem opções, ela teve que tomar o lugar ao lado de Harry. Nem sequer olhou-o. Ela sentia raiva, queria voltar logo as aulas para poder ficar longe da mãe, que só falava em Harry, do irmão, melhor amigo de Harry, de tudo que lembrasse ele. Gina sentia raiva. Muita raiva. Seu coração tinha se enchido de esperanças quando ele a abraçou tantas vezes naquele hospital, pra que ele lhe desse um fora pela milésima vez. Já chega. Ela não queria mais saber de Harry Potter, e o esqueceria o quanto antes.
— Eu preferiria estar sentada na privada que ao seu lado. — ela disse, só para ele ouvir. Ele não respondeu. — Pois fique sabendo que eu só vim por causa dos seus pais… eles não tem culpa de ter um filho como você. — ela se serviu com uma porção do ensopado.
— Gina eu… — ele tentou dizer, mas ela parecia não escuta-lo. Ele não tinha certeza do que diria, mas a presença dela ao lado dele o deixava louco.
— Por tantos anos.. Tantos anos… eu tentei, eu esperei, e você nunca nem olhou pra mim… e que fique claro que não estou me lamentando, eu posso esquecer você extremamente rápido, na verdade eu já esqueci e… — Gina ia dizendo, e em cada palavra dela, o coração de Harry parecia inflar como um balão, e então ele soube: aquela era a hora, a hora de deixar seu coração falar mais alto, gritar.
— CALA A BOCA, GINA! — Harry gritou. Todos pararam e prestaram atenção. Gina se assustou, e Harry, vermelho, provavelmente havia se esquecido que tinha platéia. Foi tomado pela coragem, e não poderia deixar o momento passar. Todo o sentimento preso parecia esvaziar-se de seu peito, conforme ele gritava. — JA CHEGA! EU TE AMO, MEU DEUS! — e logo após, beijou-a, na frente de todos.
— Ah, finalmente! — Rony disse, surpreendendo a todos. Então, todos começaram a dar vivas, e Harry e Gina, envergonhados, coraram diante de todos. Harry estendeu a mão pra ela.
— É verdade? — ela perguntou, só pra ele ouvir. Ele acenou positivamente em resposta. Seu coração estava em chamas, o corpo leve, parecia flutuar. Sorriu, como a muito tempo não fazia.
— Então, vamos comer! — disse James, sorrindo para o filho.
— Eu já sabia fazia muito tempo… — disse Luna. — Quero dizer, que vocês ficariam juntos.
— Até mesmo eu estava ansioso para que isso acontecesse — Rony respondeu de boca aberta.
Gina não sabia nem o que pensar. Se sentia da mesma forma que Harry, completamente estupefata com tudo aquilo. Ela finalmente conseguira? Aquilo era real? Harry Potter a amava? Sorriu para ele, e ele correspondeu o sorriso com igual intensidade. Sim, sim, Harry Potter a partir daquele momento, seria dela pra sempre.
—____
Após muita insistência, Harry conseguiu convencer os pais de ir dormir na casa de Rony.
— Claro que não é por causa de Gina! — ele fingiu estar ofendido — Eu só estou cansado de ser babá de vocês…
— Eu não vou deixar ele tocar um dedo na minha irmã senhora Potter, pode ficar tranquila. — Rony respondeu. E parecia estar falando sério.
— Bom, sendo assim eu fico mais tranquila! — disse Lily. — E também precisamos de uma folga de você Harry, não sei como você aguenta tantos adolescentes,Molly…
— Eu simplesmente os ignoro! — Molly sorriu.
Hermione também dormiria na casa dos Weasley, e o motivo principal era ficar no quarto de Gina para que nenhum Harry aparecesse lá no meio da noite.
Assim que chegaram, foram para a cama. Os pais tinham um sono pesado, então, nada os impediria. Quando Gina estava escovando os dentes, Harry encontrou-a.
— Preciso de você esta noite. — ele disse. Ele se sentia vivo novamente.
— Você sabe onde é o meu quarto. — ela respondeu com desdém.
— Mande Hermione fazer seu irmão esquecer um pouco da existência da irmãzinha dele…- Harry sorriu para ela.
— Te encontro daqui cinco minutos.
Gina voltou para o quarto. Hermione estava sentada na cama auxiliar, lendo um livro.
— Hermione — Gina disse, sorrindo.
— Nem vem, seus pais proibiram… e eu não quero desapontar meus sogros… — Hermione cruzou os braços.
— Todos precisamos de sexo, minha irmãzinha…- disse Gina, fazendo Hermione, se levantar — E tem um rapaz ali fora doido pra te dar isso… o nome dele é Ron…
— Não vai funcionar! — Hermione bateu o pé.
— Então tudo bem, mas eu e Harry vamos fazer você estando aqui ou não! Sabe quanto tempo eu espero por isso?
— Que nojo! — Hermione pulou da cama e saiu correndo. Gina sorriu. Sabia que iria conseguir mesmo…
No corredor, Hermione bufou de raiva. Sem opções de onde poderia ir, foi-se então para o quarto de Rony.
— Meu deus! — ele exclamou ao ve-la na porta. — O que diabos você está fazendo aqui?
— Quer que eu vá embora? — ela respondeu.
— Pois se aquele Potter acha que vai se aproveitar da minha irmã… — ele levantou da cama.
— Para de ser idiota, Rony, você não pode impedir os dois de transarem. Se você impedir hoje, pode ter certeza que vai rolar amanhã… — ela se aproximou dele, fazendo Rony se sentar na cama novamente.
— Isso me incomoda! — ele estava impassível.
— Rony. Já que estamos aqui, já passou da hora de você ser idiota e fazer o que tem de ser feito. — ela o beijou, enquanto subia em seu colo e o fazia inclinar-se para trás.
— Você abusa de mim. — ele respondeu, porém já a beijava. — Eu quero me casar com você um dia desses, Hermione. — ele sorriu, os dois já deitados na cama.
O coração dela deu um salto.
— Eu penso se devo aceitar ou não. — sorriu.
Harry entrou no quarto de Gina. Ela estava em pé, no centro do quarto, esperando-o.
Ele foi até ela simplesmente a abraçou. Havia tantas palavras não ditas naquele abraço.
— Nunca vou cansar de dizer o quanto eu te amo. — Harry disse. — Me desculpe. Eu te amo.
— Eu sei. — ela sorriu. — Eu sempre te amei.
— Estou falando sério. Eu te amo. — Harry disse novamente, sentindo um arrepio no corpo todo.
— Eu te amo — Gina sorriu, enlaçando os braços ao redor do pescoço dele, sentindo o cheiro que a deixava praticamente embriagada. Ela o tinha.
— Essa noite — Harry pegu-a no colo deitou Gina na cama — Eu quero te amar — beijou o pescoço de Gina — como nunca amei ninguém antes.
— Espero que você supere minhas expectativas então, Potter. — Gina sorriu. Harry sorriu de volta, e em meio a sorrisos e suspiros, os dois se amaram por uma noite inteira.
—___
O restante das férias foram dignas de Potter extremamente apaixonado. Parecia outra pessoa. Gina, que antes ansiava a volta para a escola, agora já não queria ir.
Ficou decidido que Harry iria para a faculdade com Rony e Hermione, sua mãe já havia cuidado de tudo, mesmo o filho não sabendo de nada. Ele e Gina se veriam quando possível, teriam que suportar o relacionamento a distancia por um ano.
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