O Nome Na Lista
31 Confissões no celeiro
Notas iniciais
Foi incrível como Cho voltou a falar com Harry logo após ficou sabendo da viagem.
— Amor! – ela o abraçou pelo pescoço logo no café da manha. Harry engasgou.
— O que você quer? – ele perguntou rudemente.
— Assim que você fala com a sua namorada? – ela ficou indignada.
— Você não tinha terminado comigo?
— Não... é claro que não! Eu só estava triste com você! – ela miou – Vamos nos divertir muito naquela viagem!
— Que viagem?
— Ué, da sua formatura...
— Quem disse que eu ia te chamar? – ele perguntou, com raiva.
— O que, você não vai convidar a sua namorada, Harry? – disse Gina, que estava passando.
— Não se intrometa, sua ruiva... – disse Cho – Você é que não vai, ninguém te convidou.
— Eu vou com o MEU namorado, querida. – ela sorriu, e Harry sentiu uma pontada no coração quando Gina disse aquilo, porque sabia que o namorado não era ele. E ele queria ser.
— E eu vou com o meu. – Cho abraçou Harry, que não retribuiu o abraço – Não vou, querido?
— Claro que vai, olhe nos olhos dele. O Potter te adora, vai te levar sim. – Gina desafiou.
Harry olhou para o teto e mandou Cho calar a boca.
— Então eu vou? – ela sorriu, antes mesmo dele responder algo – Obrigada, eu já sabia! Vou contar pras minhas amigas! – ela saiu correndo para contar para as amiguinhas.
Harry foi para a aula de cabeça quente. Quando viu Dino, que ofereceu comida para ele, ele recusou com um pouco de ódio demais na voz.
O pior de tudo é que não tinha ninguém para conversar sobre isso.
Com Rony nem pensar.
Só de imaginar a conversa ele sentia a dor de um soco no olho.
“- Rony, preciso conversar com você...
— Fala, cara. – Rony diria.
— Eu gosto da sua irmã. Acho-a uma menina muito sexy e meu Deus, eu preciso dela...
— VOCÊ O QUE?”
E era naquele momento que Harry levava o soco.
Era totalmente tenso o modo como Rony olhava para Dino. Ele parecia querer socá-lo tanto quanto Harry.
Como Rony e Harry eram amigos desde pequenos, Rony não via possibilidade de Harry e Gina terem alguma coisa. Então sempre levava na esportiva quando Harry tentava comentar sobre Gina.
Os dois já caçoaram bastante de Gina quando menores. E até os dias de hoje. Mas agora que Gina estava tão perfeita, Harry queria apenas ela para ele. E só pra ele.
Poderia conversar com Hermione certamente, mas como diria? Ele não tinha a mínima idéia sobre como falar sobre amor. Sobre sentimentos. Sobre essas coisas.
Via Rony e Hermione e os amigos pareciam tão felizes, tão juntos, e parecia tão fácil... mas então porque pra ele era tão difícil? Chegar para Gina e dizer: eu te amo. Era tão simples, três palavras, sete letras, mesmo assim não conseguia pronunciá-las. Chegou ate a pensar que não amava Gina então. Mas se aquilo que sentia pela garota não fosse amor, então o que seria?
No dia seguinte, ele fugiu de Cho como o diabo foge da cruz.
Sinceramente não gostava dela.
Tinha um papo chato e era tão irritante como uma patricinha mimada de cinco anos. E ela tinha dez anos a mais.
Foi no fim de semana que as coisas realmente ficaram tensas.
O que parecia uma visita comum a Hogsmeade virou o caos.
Harry pretendia ir sozinho.
Mas incrivelmente, Cho colou em seu braço. Rony e Hermione também e Gina e Dino também. E ainda por cima, Luna e Neville.
Luna e Neville sumiram assim que chegaram.
— Vem Harry, vamos tomar um chazinho... – disse Cho.
— Não curto chazinho...
— Você está mentindo! Você adora chá, minha mãe sempre te oferece quando você vai lá em casa... –disse Gina, sorrindo.
— O que você vai fazer NA CASA DELA? – Cho colocou as mãos na cintura, e olhou para Harry, brava.
Gina gargalhou.
— Nós vamos...brincar! Hermione também vai bastante lá, brincar, principalmente agora, ela vai brincar bastante lá... – disse Gina, sarcástica. Dino e Cho pareceram não entender. Hermione deu um tapa no braço de Gina e Rony riu.
— O que você quer dizer com isso? Olha aqui garota, sai de perto do meu namorado! – Cho gritou – Eu sei muito bem que você quer dar pra ele! Mas ele é meu! Todo meu! Vamos Harry, vamos embora! – ela puxou Harry pelo braço.
— Me solta, Cho! – ele gritou – Gina... Gina eu... –ele se sentiu pronto. Iria dizer finalmente.
— Fale. – ela olhou fundo nos olhos dele, e esperou com leve esperança em seu coração.
Mas Harry olhou para os lados e viu Dino. Rony e Hermione. E Cho. E mais mil pessoas a sua volta, e a coragem foi embora tão rápida quanto veio.
— Na-nada. – ele disse, sem coragem para olhar para a menina e saiu correndo.
Cho correu atrás dele.
— Espere Harry! O nosso chá!
— Vamos, Dino. – disse Gina fria, respirando fundo e saiu andando na frente, Dino a seguindo como um cachorrinho.
Quando Cho alcançou Harry, ele olhou para ela com um olhar tão penetrante, que ela sentiu medo e saiu correndo.
Harry queria ficar sozinho.
Absolutamente sozinho.
Estava dentro de um galpão velho e abandonado, cheio de poeira e feno no chão. Havia alguns caixotes e uma casinha de cachorro abandonada.
Ele se deitou no feno mesmo, que era fofo, e colocou o braço sob os olhos. Queria não pensar na vida, não pensar em nada...
Nem ouviu quando Gina entrou. Ela agora estava em pé, observando Harry deitado, parecendo ligeiramente perturbado.
Ela apenas o fitou. Porque amava tanto ele? É claro, o cabelo perfeito, os olhos perfeitos, o corpo perfeito, o senso de humor, a coragem, o sorriso, a personalidade...
Ela sentiu raiva. Quando estava pronta para ir embora, Harry tirou o braço do rosto e fitou Gina assustado.
Ele permaneceu deitado, e Gina apenas o fitando. Sem pensar e sem dizer nada, ela deitou-se ao lado dele, sem o tocar, e os dois ficaram apenas observando o teto cinzento do galpão.
— Por favor, Gina... – ele começou a implorar. Ele queria tanto ela.
— Não. – ela respondeu firme, os dois ainda olhando para o teto.
— Por quê?
— Você sabe. Eu não quero você pela metade. Quero por inteiro. Todo meu.
— Mas... – ele virou para o lado e observou o rosto sereno de Gina. Ela estava de olho fechados. Ele começou a acariciar o rosto da menina com carinho com os dedos – Eu prometo tentar... – ele se curvou para ela e começou a beijar o pescoço de Gina, que permaneceu de olhos fechados – Eu prometo tentar... te amar... –ele sussurrou no ouvido dela.
Ela se sentou bruscamente e afastou Harry com um tapa.
— Você ta achando que eu sou assim tão fácil? Eu já disse pra você, ou é do meu jeito, ou não é! – ela gritou.
— Mas Gina! – ele gritou para ela — por favor... por favor... – ele terminou sussurrando muito próximo aos lábios dela, e quando ela ia dizer algo, ele a beijou. Dessa vez com ternura, coloco uma das mãos no cabelo da menina, e aos poucos os dois foram se deitando novamente...
Harry montou em cima de Gina e continuou beijando-a com ternura. Gina retribuiu o beijo, e deixou que tudo fosse acontecendo em um ritmo mais lento.
Harry aproveitava cada centímetro da boca de Gina. Explorava o gosto delicioso daquela garota que estava prestes a se entregar para ele.
Ele passou a morder e chupar o pescoço de Gina com força, e ela passeava com as mãos no corpo do rapaz.
Quando ela puxou o zíper da calça de Harry, e enfiou as mãos nos bolsos traseiros da jeans dele, ele soltou um gemido sufocado.
Ela olhou para ele assustada, e de repente pareceu se dar conta do que estava fazendo.
Ela olhou fundo nos olhos verdes de Harry, que retribuiu o olhar na mesma intensidade. Gina, de menina forte e sem medos, em um segundo parecia uma menina frágil, lagrimas rolavam pelo seu rosto. Foi quando Harry percebeu que não queria magoar aquela garota como havia feito com tantas outras. E ele não tinha certeza se o que sentia era forte o suficiente para Gina ser a ultima, para que não se cansasse dela como cansou de todas as outras.
Ela chorava silenciosamente, seu olhar penetrado no de Harry. Lentamente ele a abraçou com ternura, a aninhou em seus braços e os dois permaneceram se falar nada por um longo tempo. Gina era preciosa demais para ser magoada por um babaca como ele.
— Eu te amo demais. – ela sussurrou.
— Eu queria poder dizer o mesmo.
— Você pode... – ela quase implorou para ele dizer que a amava.
— Eu não posso. Eu não quero mentir para você... – ele respondeu muito baixinho, quase com vergonha. Ele sentia em seu coração coisas inimagináveis, mas não conseguia expressar aquilo. E não poderia magoar Gina ainda mais com promessas.
— Então eu não posso mais deixar você me usar. Você está brincando com os meus sentimentos. Eles existem e são reais. Tem um garoto ai fora, que está louco por mim. Ele pode me fazer feliz. Você está aqui dentro comigo, e eu só preciso que o que você sinta por mim seja recíproco. – ela disse com um nó na garganta, e se levantou com pressa.
— Eu não consigo! Você acha que eu já não tentei? — novamente as palavras fugiram de sua boca. Ele não tinha idéia de como se expressar — Eu sinto, Gina, eu sinto... Eu não quero te magoar. Acredite em mim, por favor, eu preciso de você. Mas eu...
— Você já me magoou. — Gina disse, olhando no fundo nos olhos de Harry. Ele sabia o que ela queria, três palavras, sete letras.
Harry sacudiu a cabeça negativamente.
Gina virou as costas e saiu andando calmamente. Mas havia lagrimas em seu rosto que Harry não podia ver.
— Gina! – ele gritou, e ela se virou rapidamente. Já estava perto da porta.
— Sim? – ela perguntou.
Harry respirou fundo.
—Eu... – ele começou. Ela sentiu o coração parar por longos dois segundos...
— O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO AQUI DENTRO COM ELA? – gritou a voz aguda e chata de Cho, entrando no galpão – PORQUE OS DOIS ESTÃO COBERTOS DE FENO? – ela gritou mais alto ainda.
— Você estava dizendo alguma coisa, Harry? – perguntou Gina, fazendo o máximo de esforço para ignorar a presença de Cho.
— JÁ CHEGA! HARRY, EU ESTOU DANDO UM TEMPO COM VOCÊ! – Cho gritou histérica e chorosa.
— Eu não posso. Eu não consigo. – ele respondeu olhando nos olhos de Gina. Cho tentava chamar atenção.
Gina saiu do galpão sem dizer nada. Harry ficou parado, um vazio dentro do peito.
— Oi? Harry? Estou aqui, ok, sua namorada! Eu estou dizendo que não quero mais você perto dessa menina nunca...
— Cala a boca! – ele gritou para Cho com tanta raiva, e ela ficou parada por longos minutos, olhando Harry se afastar.
Harry correu.
Correu como se não tivesse fim.
Correu até soar a ultima gota.
E não parou.
Era isso ou socar alguém... de preferência Dino. Ou qualquer outro garoto que seja mais corajoso que ele.
Porque não podia dizer aquilo?
Porque não podia tomar uma atitude descente pelo menos uma vez na vida?
Tudo bem, umas garotinhas ali, uma certa excitação... mas com Gina,as coisas eram diferentes.
Gina mexia com o coração de Harry, e era incrível. Não era nada físico, era totalmente amor.
Tudo que ele queria era voltar e dizer para Gina que a amava. A partir do momento que ela lhe virou as costas, tudo pareceu fazer sentido.
Mas ele sabia o covarde que era, e por isso socou uma arvore próxima. Soltou um grito alto e terrível, um desabafo enorme.
Então ele correu de volta.
Fingiria que nada tivesse acontecido.
Não era porque ele não confiava em ninguém. Ele só não conseguia expressar o que estava sentindo.
E era por isso que ele sofria sozinho.
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