O Nome Na Lista
38 A volta
Notas iniciais
O dia seguinte amanheceu chuvoso. Gina não se importou, achou que aquilo refletia bem como ela se sentia por dentro. Estava na janela já fazia um bom tempo.
Hermione dormira com ela. Ficara até tarde chorando no colo da amiga, mas agora, sabia que não derrubaria mais nenhuma lágrima.
Arrumou suas coisas silenciosamente. Colocou uma regata branca e qualquer calça jeans, passou uma maquiagem leve no rosto. Sentou na cama e esperou ser chamada para ir embora. Nunca pensou que se sentiria bem em ir embora daquele lugar.
A volta pra casa fora extremamente silenciosa. Gina sentou-se sozinha, e assim que Harry passou pela poltrona dela, ela olhou-o firmemente. Se sentiu forte por aquilo. Ele desviou o olhar, e ela fechou os olhos, se sentindo repentinamente cansada.
Quando menos esperou havia chegado na escola. Foi mais rápido que a ida, aparentemente.
—__
Hermione e Rony ficaram de mãos dadas, e se separaram assim que chegaram na escola, para arrumarem suas coisas.
Então, ela levou um susto gritante ao ver o diretor e a professora Minerva em frente a porta de seu quarto.
— Meu deus! Que susto! — ela colocou a mão no coração — O que houve?
— Senhorita, aconteceu algo urgente. É melhor nos acompanhar. — o diretor disse.
Hermione sentiu a garganta se apertar em um nó gigantesco. Algo sério tinha acontecido. O que, naquela altura do campeonato, poderia estragar a viagem de formatura perfeita que ela tinha acabado de ter tido?
Quando entrou na sala do diretor, viu que lá se encontravam dois policiais. Subitamente sentiu uma vertigem e correu para se sentar.
— O que é? — ela ficou feliz pela voz não tremer — É ele, não é?
— Sim, querida… — a professora Minerva colocou as mãos em seus ombros — Acabamos de saber… Vitor Krum fugiu da cadeia. E achamos… achamos que ele está vindo atrás de você.
De repente Hermione voltou a sentir aquele mesmo medo que a acometeu por meses. Ela sentiu vontade de se encolher embaixo da mesa do diretor e ficar lá pra sempre, como fazia na embaixo da cama quando era uma garotinha. Krum estava a solta. Aquilo não podia ser real.
— Como? Como isso aconteceu? — ela perguntou.
— Houve uma grande rebelião… Conseguimos prender muitos, mas ainda temos alguns à solta. — respondeu o policial — Achamos que, de alguma forma, ele viria atrás da senhorita.
— Ah, então vocês querem me usar de isca para prende-lo novamente? — ela se levantou. Nunca pensou que passaria por aquilo novamente. Agora, cabia a ela decidir se agiria feito uma medrosa como antes ou seria fria e calculista como deveria ter sido desde o começo.
— Senhorita… não é bem assim… — o outro policial tentou dizer, mas Hermione o cortou.
— Como vamos pegar ele? — ela começou a andar pela sala — Temos que fazer isso em uma semana, pois eu ainda tenho as provas finais.
— Você não é obrigada a isso, Hemione — Dumbledore disse — Podemos te proteger.
— Não posso deixar esse cara solto por aí, diretor. Eu preciso ajudar. — ela estava decidida, apesar de sentir medo.
— Certo… Nós temos um plano… — o policial começou a explicar. Ele disse que, fazia um dia que Krum tinha sumido, e que ele faria contato com Hermione dentro de um dia ou dois.
— Ele provavelmente vai ligar na sua casa, ou dar um jeito de falar com você por telefone celular. E é isso que queremos que ele faça. — disse o outro.
— Então, ele vai me procurar e vocês querem que eu de trela pra ele? — ela ergueu sobrancelhas — E então…?
— E então você marca um encontro com ele, mas na verdade ele vai se encontrar conosco.
— Vamos deixar sempre policiais a paisana perto de você. — o policial completou — Ele não vai toca-la novamente, senhorita.
— Mas eu… eu não tenho um telefone celular… — ela dizia, mas o policial tirou um aparelho do bolso.
— Demos um jeito nisso. Se Krum te ligar, será nesse número. O ideal seria quando estivéssemos juntos quando ele entrasse em contato, mas, caso você esteja sozinha, se lembre de cada detalhe. Você é a peça chave para isso, senhorita.
Hermione tentou sorrir, mas ainda sentia o coração em brasa. Tinha que dar certo e ela tinha que ser forte. Não existia nenhuma outra opção.
— Eu posso fazer isso. — ela concluiu.
— Então leve isso. Vamos nos encontrar amanhã, e todos os dias, ok? — o policial disse, e ela assentiu.
—__
Conforme caminhava pelos corredores de volta para o seu dormitório, ela tremia de medo. Cada sombra fazia parecer que era Krum atrás dela. Ela estava a ponto de chorar quando chegou ao quarto.
Suas coisas ainda estavam bagunçadas.
— Já terminou de arrumar suas coisas? — Rony perguntou, na porta do dormitório.
— Não… — ela começou. Ver Rony fez seu coração relaxar, e ele parecia tão feliz e lindo que ela não queria contar qualquer má notícia pra ele. Só queria que ele trouxesse um pouco de paz.
— Ótimo, depois você arruma... — ele a empurrou na cama e começou a beija-la. Ela sentiu seu corpo se arrepiar ao toque dele.
— Rony! — ela protestou, mas não o fez sair de cima. — Primeiro, as outras meninas podem chegar, segundo… — Vitor Krum estava de volta a cidade e ela estava morrendo de medo, mas, não disse isso em voz alta.
— Tudo bem, a gente se resolve aqui, e depois eu juro que nunca mais faço isso de novo com você e… — ela o calou com um beijo.
— Ta bom… eu faço esse esforço por você… — ela não conseguiria resistir de qualquer forma. E precisava dele pra ficar bem.
—___
Hermione passou a madrugada em claro, com medo daquele telefone tocar. Seria ele do outro lado da linha, e ela não ideia da reação que teria a ouvir aquela voz novamente, aquela voz que ela jurou que nunca mais ouviria novamente.
Mas o telefone não tocou. Ela conseguiu dormir um pouco, o suficiente para acordar com extrema dor de cabeça, e o coração sempre apertado de medo.
Ela não sentiu fome no café da manhã, e ao caminhar para a classe, tudo parecia estéril, e nem mesmo a presença alegre de Rony parecia surgir efeito. Ela estava perdendo pro medo novamente. Cada sombra podia ser Krum. O quão próximo ele estaria dela agora?
No almoço, como combinado, ela foi para a sala do diretor para se encontrar com os policiais.
O celular na mão, sempre em alerta, mas ela sabia que quando ele tocasse, ela não estaria pronta para ouvir aquela voz novamente.
A reunião com o diretor e os policias não trouxe nada de novo. Ela sabia que saberiam de algo quando Krum entrasse em contato.
Hermione jurou que não contaria para ninguém aquilo. Mas é claro que perceberam que havia algo errado.
— O que aconteceu? — perguntou Rony.
— Nada. — ela respondeu — Estou preocupada com as provas finais.
— Você não come desde que voltamos de viagem, Mione.
— Rony… eu só… — ela respirou fundo, sentindo as lágrimas nos olhos — Não é nada, ok?
Ela saiu correndo antes que ele a visse chorar. Subiu para o dormitório, que estava vazio.
Hermione sentou-se na cama e ficou fitando o celular na mão. Apesar de se considerar pronta, seu coração saltou do peito quando o telefone começou a tocar. Numero desconhecido. Só podia ser ele.
— Alo. — ela atendeu apos o quinto toque, tentando fazer com que a voz não transparecesse as lágrimas já caindo de seus olhos.
— Amor… — ela ouviu aquela voz asquerosa dizer — Preciso que fique calma e… — ela desligou. Não conseguiria ouvir aquela voz por muito mais tempo.
Então, ela teve uma ideia. Sabia que Krum ligaria novamente dentro de minutos, portanto, correu, correu muito, até chegar na sala do diretor. O telefone começou a tocar novamente assim que ela bateu na porta fechada.
— É ele. — ela declamou. — O que faremos?
— Atenda e coloque no viva-voz! — diretor parecia apreensivo. Hermione tremeu, e atendeu novamente a ligação.
— Me desculpe. A ligação caiu. — ela disse, surpresa por parecer calma. “Eu devia se atriz”, ela pensou.
— Tem certeza que não desligou na minha cara? — disse Krum.
— É claro que não! — ela olhou para o diretor, que permanecia em silencio. — Preciso saber onde você está. — ela fora direta.
— Não posso te dizer. — ele respondeu, e ruídos cortaram sua voz — Mas você pode vir me encontrar. E então, vamos fugir.
— Aonde eu te encontro? — ela perguntou. Aquilo estava fácil demais. Ela levaria a policia junto, e então, prenderiam ele novamente. Ela só tinha que ser forte.
— Me encontre na casa dos gritos. Agora. — ele disse.
— O que? — ela deixou mostrar o desespero. O diretor arregalou os olhos.
— É onde estou. Venha, e então fugiremos. Se você não vier, estou mais perto de você do que você imagina. Se lembre do que eu disse… Você é minha. — ele terminou, e então desligou o telefone.
Agora. Ela teria que fazer tudo isso agora. O diretor já estava chamando a polícia.
— Você não vai sair daqui, senhorita. Vamos cerca-lo e prende-lo.
— O senhor não entendeu. Eu posso ir lá, distrai-lo, e então a policia aparece. — ela argumentou.
— De forma alguma! — ele exclamou — Jamais vou permitir que a senhorita corra tal risco! A policia já fora acionada. Está tudo sob controle!
A mesma policia que deixara Krum fugir? Hermione pensou. Ela não deixaria Krum fugir novamente, então sorriu para o diretor.
— O senho tem razão. Vou para o meu dormitório. — ela disse, já virando as costas. Mas, ao invés de seguir para a sala comunal, seguiu em frente, em direção as portas do castelo. Ninguém a barrou, já que ela era monitora, afinal. Estava na hora de finalmente enfrentar Vitor Krum.
Fale com o autor