O Noivo Cadáver

1 De acordo com os planos


Harry Styles. Novo rico.

Ora, o que podia ser pior do que a nerda de um novo rico?

Pessoas totalmente sem classe.
Sem berço.
Sem modos.

Uma vez pobre, sempre pobre. Todos sabem disso.

Harry vêm de uma família dona de uma peixaria. Ou os vendedores de peixe, tal como eram conhecidos em toda Homes Chapel.

O garoto cresceu e foi criado em um lar extremamente humilde, nunca teve a criação ou exemplos de boas maneiras em sua casa, então era comum ouvir-se arrotos ou peidos durante as refeições, nada que lhe assustasse.

Mas agora ele, e toda a sua família, tinha de se acostumar com uma nova realidade. Eles eram ricos agora. Faziam parte da elite. Tinham que se comportar como se pelo menos soubessem a diferença entre a colher de sopa e a de sobremesa.

Mas... era tudo tão complidado, tão cheio de frescura e tão... desnecessário.

— Harry! Estamos atrasados! — Sua mãe grita da escada.

Hoje ele teria um ensaio.

O ensaio de seu casório.

Nesse tempo, era super comum as famílias da elite casarem seus filhos com filhos de outras famílias. Fossem eles heteros, gays ou assexuados. Era tudo questão de uma aliança e expansão de seus dotes.

Não era difícil ver na rua um casal qual mal sabiam os nomes um dos outros.

Com Harry não seria diferente.

Todos sabiam o quão falidos a família Grimshaw estava. Mas isso não importava.

Os Styles tinham dinheiro. Os Grimshaw tinham grande importância em toda a elite. Isso era o que importava.

Uma família precisava de dinheiro e, a outra, de título. Não tinha jeito melhor de juntar os dois.

Harry ajeita a gravata de seu terno e guarda o caderno o qual continha seus desenhos. O cacheado adorava capturar borboletas e desenha-las. Achava tão interessante sua fisionomia e delicada aparência que poderia ficar observando-as por horas. Mas tinha que ser rápido senão os insetos perderiam o oxigênio e acabariam morrendo.

Morte era uma coisa que lhe assustava.

Ele fecha a janela e desce as escadas, encontrando seus pais sorrindo enquanto arrumavam suas roupas.

— Mas que bela manhã! — Anne diz alisando a saia de seu vestido. — Uma bela manhã para um glorioso casório!

Des sorri e a ajuda a descer as escadas já que a experiente cortadora de peixes não era tão acostumadas com vestimentas tão finas.

— Um ensaio, querida — Ele a corrige cautelosamente, sorrindo — Para ser mais exato.

— Um ensaio para um glorioso casório! — Ela empina o nariz e começa arrumar os detalhes de sua carruagem, como esconder os anúncios de peixe e ajeitar a gravata de seu serviçal. — Contanto que não haja um imprevisto qualquer. Ninguém para atrapalhar ou meter a colher. E todos os mínimos

— Microscópicos! — Des completa ajeitando seu paletó.

— Mínimos detalhes, microscópicos devem funcionar. De acordo com o plano! — Anne puxa Harry pela mão e começa a ajeitar seus cachos, de modo que eles ficassem perfeitamente alinhados e arrumados.

— Nosso filho se casará, de acordo com o plano! — Des coloca o pé na escadinha da carruagem e começa a limpar seus novos calçados. — De acordo com o plano, nossa família sera elevada à classe A.

Anne sorri só em ouvir a suposição do marido e ainda ajeita a gravata de seu filho que tinha a cara perfeita de tédio estampada há duas horas.

— Aos salões reais e às catedrais. Reuniões com a nobreza e chá das cinco com sua alteza — Des pega a mão de Anne e faz uma pequena reverência como brincadeira.

— Para sermos vistos e ver, maiorais vamos ser. Na elite viver e o passado esquecer. De acordo com os planos! — Anne solta a mão do marido, sobe os pequenos degraus da carruagem e coloca metade de seu corpo dentro dela. A armação enorme de seu vestido acaba prendendo e deixando a mulher com a bunda para fora da carruagem.

Harry não consegue evitar de rir antes que sua mãe brande, mandando o marido e seu empregado a ajudarem-lhe a entrar no transporte.

— Foi o meu vestido que prendeu! Empurrem com mais força! — Ela grita enquanto é empurrada e a carruagem balança incansavelmente. Anne nunca admitira que estava gorda ou com a bunda enorme. Mas estava. E aquilo foi o suficiente lara atrair a atenção de todos na rua.

Perto dali.

Os odiosos Vivian e George Grimshaw observavam os novos ricos da janela de sua mansão. Com um pequeno binóculo na mão. Cada um com sua cara azeda e quase vomitando por terem que casar seu bebê com um novo rico.

A idéia de ter que se envolver com pessoas tão sem classe quanto os Styles lhe davam ânsia de vômito. Mas o que podiam fazer? Estavam falidos. Era matar ou morrer.

— Mas que terrível manhã. — Vivian fala tirando o binóculo e encostando-se na parede e olhando seu marido.

Os dois nunca se amaram. Era apenas outra aliança entre famílias.

— Melhora esse humor! — George a repreende, descendo do banquinho que usava para ficar da altura de sua esposa. Ele era uma cabeça e meia menor que ela e tinha o triplo de maldade.

— Tão imprópria pra um casamento. — Vivian ainda reclama, andando pelo corredor de sua gloriosa mansão e sendo seguida por seu marido baixinho.

— Os negócios vão de mal a pior e agora esse grande tormento. Vamos ser forçados a pagar esse mico? Casar o nosso filho com um novo rico. -George fala enquanto passava pelos empregados que estavam de matando para tirar as manchas de vinho que tinham no carpete devido à última festa.

— Tão comuns, insossos — Vivian continua — é o fundo do poço.

George revira os olhos e a responde:

— Fundo do poço? Lamento discordar podiam ser falidos. Nobres de museu sem um centavo para gastar — George abre um dos cofres da família e o casal olha as teias de aranha que ja estavam crescendo. Teias e nenhum dinheiro. — Como você e eu — A voz grossa do homem ecoa pelo cofre vazio. Ele o fecha com um tapa e solta o quadro que o cobria, logo um dos empregados corre para ajeitar o quadro de um dos ancestrais do homem.

— Ai, querido. Por isso, cada um e todos os mínimos, mesmo microscópicos detalhes, devem funcionar. De acordo com o plano! — Vivian continua enquanto os dois começam a se dirigir para o quarto de Nicolas. O garoto estava sendo arrumado pela doméstica.

— Vai ter de casar, de acordo com o plano. Para nos levantar da pobreza e da ruína totais e poder honrar nossos ancestrais. Quem diria, então, como imaginar, nosso filho e seu carão de uma lontra sem ação, poderia ser a nossa salvação. -George comenta enquanto passam por um grande quadro pendurado na parede que tinha do rosto de Nicholas.

— Casamento é uma parceria. Um toma-lá-dá-cá. A vida inteira ela nos observou. E, como nós fará, como nós fará — O casal chega ao quarto do filho, que estava arrumando o seu terno.

— Harry vem hoje? — Nicholas pergunta enquanto a arrumadeira lhe ajudava com o discreto corpete já que o garoto não tinha nenhum corpo.

— Sim. E é bom que tudo saía perfeitamente.

— Mas, mamãe... e se eu não ama-lo? — Ele pergunta piscando seus enormes cílios e olhos piedosos encarando sua mãe. Vivian revira os olhos de sua cara amarga.

— Acha que eu amo o seu pai? — Nick os olha. Eles realmente não pareciam um casal feliz.

— Anh... um pouco... — Ele ainda olha a cara intimidadora de sua mãe. -Tolera?

Ela olha o baixinho e dá de ombros.

— Talvez. Se arrume logo. -Ela segura a maçaneta. -E feche esse corpete direito. Ainda está falando sem ofegar. -Vivian bate a porta e começa a descer com o seu marido pelas escadas.

Os Styles já estavam em frente a porta. Repassando todo o plano em suas cabeças e terinando para ver quem apertaria a campainha.

— Tudo deve ser perfeito! — Vivan fala descendo as escadas.

— E por isso, cada um, mesmo os microscópicos detalhes devem funcionar. — Des fala do outro lado da porta enquanto arruma o terno do filho.

— De acordo com os planos! — George e Vivian se posicionam diante a porta e logo escutam algo que fazem suas espinhas se eriçarem e seus corações pararem de bater por um instante.

A campainha.

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