Os Kammen tocavam incessantemente.

Olhos, olhos roxos na escuridão. Ele conhece todos os detalhes dessa cena, pois tem vivido ela todos os dias desde que nasceu. Agora seria o momento no qual ele tentaria, às cegas, transpassar a cabeça de seu adversário com sua espada e o talismã que herdou de seu pai. Porém, ele já sabe que isso é em vão. Ele opta por colocar em prática as técnicas mentais que aprendeu, poupando-se, assim, de todo o sofrimento que viria a seguir. Deveria acordar em exatamente 7 segundos. […] Demoraram 19. Então, nesse momento, ele acorda.

Esse pesadelo era algo comum na sua rotina. Ele vinha todas as noites e sempre ia embora com o levantar do sol. Ao amanhecer, tudo o que lhe restava era um calafrio subindo pela espinha devido a extrema dor que seu psicológico havia sofrido.Havia uma explicação para esse pesadelo. E ele nunca esquecerá a explicação.

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Era o único Manni de Manni Kra Greenfields-a-Sturgis, uma pequena aldeia próxima de Manni Kra Redpaths-a-Sturgis, a não ter a figura paterna ao seu lado e sofreu muito com isso durante a infância, principalmente pelo fato de nunca ter visto seu pai e conhecer quase nada da história do mesmo. Para compensar e querendo agradar a sua tão amada mãe, sempre se esforçava ao máximo em tudo que fazia para que fosse notado e, talvez por isso ou pelo fato ter nascido assim, aos 12 já era considerado um génio em sua vila, e alguns ousavam dizer que ele era descendente direto do profeta Hnaegi. Aos 15, os anciões decidiram que era hora de lhe contarem a verdade sobre seu pai.

Segundo os anciões, a sua tribo era amaldiçoada por um demónio que se alimentava de emoções. Ele tinha um nome há muito esquecido. Sim, ele conhecia essa história. Só não entendia porque os anciões decidiram mencioná-la agora. Para ele, era somente uma lenda, afinal. Ainda segundo a lenda, essa besta precisava de sacrifícios. Ela aparecia na tribo a cada 19 anos e capturava um dos moradores, carregando-o para o espaço Todash onde o mantinha prisioneiro e o torturava por 19 longos anos, que era quando voltava em tempo de capturar sua próxima vítima. Toda o folken temia a criatura e não ousavam sequer falar sobre ele em situações normais. Até ai, tudo bem. Não haviam lhe contado nada de novo. Mas então veio o choque.

Havia exatamente 15 anos desde sua última aparição, ou seja, no dia de seu nascimento. Então, não era uma simples lenda, afinal. E o demónio simplesmente não resistiu à ideia de destruir toda a felicidade gerada por aquele nascimento e quis matar a criança. Seu pai, o antigo dihn de sua aldeia, decidiu intervir e pagou com sua vida. Naquele momento mesmo deveria estar em algum lugar sendo torturado pelo [Maldito, sim. Ele é maldito. E deve pagar com a sua vida. Ele e tudo relacionado a ele deve ser apagado dessa existência!] Demônio. Isso explicava os sonhos que ele tinha. Sonhos os quais nunca comentara com ninguém.

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Aquela história penetrou profundamente na mente do garoto. Seu pai dera sua vida para salvar ele e vinha sendo torturado por 15 longos anos simplesmente para que sua vida fosse poupada?! Ele se sentiu envergonhado por ter odiado a ausência de seu pai. Deveria ter sentido orgulho.

Desde aquele dia a sua vida ganhou uma nova meta: Caçar e destruir esse Demônio. Essa meta virou seu objetivo. Mais que isso, sua obsessão. A ideia era bastante simples, ele teria 4 anos para se preparar para a próxima aparição de Seypher, e, quando ele chegasse, era bom que estivesse preparado para o confronto. Por isso, isolou-se de seu povo, pois, de sua cultura, já havia absorvido tudo o que havia de útil. Decidiu viajar para terras longínquas, donde pretendia voltar apenas um mês antes da chegada de Seypher. Ouvira falar de um posto avançado abandonado a várias rodas dali. Seria um bom ponto para começar. Do imenso arsenal lá encontrado, não encontrou nenhuma arma de fogo que funcionasse. Das orizas encontradas, sempre as fazia encontrar seus respectivos alvos, porém à custa de várias cicatrizes em suas mãos, por isso abandonou a ideia. Foram nas armas brancas que ele encontrou seu maior aliado. Rapidamente tornou-se um mestre no manuseio das mais diversas lâminas. As espadas eram sua especialidade. E por ter aprendido a manusear armas das mais pesadas, adquiriu certa força e sua velocidade era quase sobre-humana. Quando estava descansando do treino, lia a literatura do povo antigo. A biblioteca ali era imensa, fato o qual não entendeu, pois só havia visto 2 livros antes em toda a sua vida e eles eram considerados extremamente raros. Um dos livros encontrados no dogan tornara-se muito útil, pois ensinava técnicas de visualização e o bloqueio mental, técnicas as quais ele não teve nenhum problema em aprender, afinal, mesmo que não soubesse e graças ao demônio que vem invadindo sua mente desde o seu nascimento, era muito forte no toque. Ao final de três anos já tinha lido toda a literatura ali disponível. Nos seus últimos 11 messes decidiu viajar pelo mundo e assim ganhou muita experiência. Conheceu os mais diversos tipos de raças. E ao final desses 11 messes voltou para casa.

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Agora aqui esta ele, acordando ofegante na poltrona de sua casa e preocupado com esse pesadelo. Foi só um sonho, diz ele. Embora comece a duvidar cada vez mais de tal afirmação. A cada dia que passa tem se tornado mais difícil escapar desse pesadelo. É como se ele sentisse que o assassino de seu pai se aproximava. Ele quase podia sentir sua presença. Não, não era quase, dessa vez ele podia realmente sentir a presença de seu inimigo. E era a coisa mais maligna que ele já sentira. Era mal puro. Não duvidaria se agora alguém lhe falasse que os portões de Discórdia tivessem acabado de ser abertos. Faz um mês desde que ele retornou pra casa e reencontrou sua amada mãe. Hoje é o seu aniversário de 19 anos.

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Ódio. Sim, ódio. Ele podia senti-lo e decidiu segui-lo até sua fonte. Era um ódio tão forte que ate a própria besta duvidava que outro alguém, se não ele, era a fonte de tal sentimento. Quando a achou, não se surpreendeu de estar diante do homem o qual ele deveria ter matado quando ainda era um bebê 19 anos atrás e o qual ele atormenta todas as noites desde então. Seu primeiro instinto foi matá-lo ali mesmo, pois já estava cansado de brincar com os seus sonhos. Não seria difícil. Sua vítima estava aturdida pelo seu poder. Afinal, todos ficavam, não é mesmo?! Desde que ele achara aquela incrível fonte de poder, todos que ousavam o enfrentar caíam diante dele. Com aquele homem não seria diferente. Sacou sua Mysteltain, a famosa espada conhecida não somente por dilacerar a carne de seus inimigos como também sua alma, motivo pelo qual era tão temido pelos seus. Controlá-la era um desafio constante, pois ela tinha vontade própria. Com ela ele poderia vencer absolutamente qualquer coisa. E com ela ele faria aquele homem agonizar uma morte eterna e dolorosa em um lugar bem pior que o inferno. Oh! Discórdia. Então investiu. Porém, parou abruptamente a milímetros da garganta de seu oponente. Tinha uma ideia melhor. Ia alimentar aquele ódio e deixar que ele corroesse seu inimigo por dentro. Sim, aquilo lhe daria muito mais prazer de assistir do que acabar com a vida daquele pobre infeliz agora. Esperaria só mais um pouco para matá-lo. Então foi o que fez.

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``Como..?! Como havia aquilo acontecido..?!``, era o que ele se perguntava. Ele nunca poderia se perdoar. Estava tudo acabado. Sua vingança havia acabado. Ele se descuidara na reta final. Como lera em algum livro do dogan cujo autor a raiva e vergonha não lhe permitem lembrar o nome, ele esqueceu a face de seu Pai.

Tudo acontecera rápido demais. Seria mentira dizer que ele não esperava que o ataque acontecesse pela madrugada. Porém, na noite do dia anterior, ele foi tomado por uma vontade gigantesca, vinda de onde nem mesmo sua mente sabe, de dormir. [A escuridão é sábia.] E assim ele dormiu. Acordou aturdido somente em tempo de sentir o mal penetrar entrar em sua casa. Era como estar na presença do mal. Ele pôde sentir um olhar arrepiante em cima dele e então conseguiu visualizar a besta. Ficou horrorizado pelo que viu e mais tarde talvez se lembrasse que já vira uma criatura muito parecida. Se lhe perguntassem sua aparência, talvez ele a definisse como um dos filhos de Bafomé.

E o demônio ia matá-lo, ele podia sentir. O demônio estava parado a sua frente, e então, numa velocidade que seus olhos quase não poderão alcançar ele sacou sua espada e investiu. Pronto, estava tudo acabado. Porém, mais repentinamente do que começou, o ataque parou. O que ele pretendia?! Ele se sentia como no último encontro com Seypher. Como um bebe, completamente incapaz. Sim, estava intimidado. Porém, quando Seypher deu um sorriso maligno e rapidamente saiu de perto dele, conseguiu perceber o que estava para acontecer com a velocidade de um disparo. Ele sabia para onde o desgraçado estava indo. Tinha certeza. Em poucos segundos começou a escutar os gritos de sua mãe.

Levantou-se rapidamente, pegou sua espada e começou a perseguir seu inimigo. Encontrou-o já fora de casa, arrastando sua refém pelo cabelo. Ver sua mãe numa situação tão deplorável tirou toda a sua razão. Investiu feito um louco contra o pescoço de Seypher. Porém ele foi bloqueado quase como se estivesse andando em câmera lenta pelo seu adversário. Seu inimigo era impossivelmente veloz. A força do bloqueio foi brutal. Ele foi rebatido para trás e caiu de costas no chão. Então seu inimigo aproximou-se lentamente dele com sua espada em riste e os seus passos abafados pelos gritos agonizantes e desesperados de socorro proferidos por sua mãe. Ele estava completamente desesperado. Tudo o que conseguia ver agora era a espada de seu inimigo vindo em sua direção. Ele a acharia magnífica e a cobiçaria caso não estivesse prestes a morrer. Era isso, finalmente estava tudo acabado. Uma mistura de ódio e vergonha lhe subiram pela garganta. Então, no momento em que a lâmina da espada deveria atravessar sua garganta, uma misteriosa luz negra cobriu a cena e uma porta se materializou atrás do demônio, sugandoo imediatamente para seu interior junto de sua mãe. Os gritos de sua mãe reverberaram em sua mente junto com uma gargalhada de desprezo do seu adversário. E ali, caído de costas no meio do seu vilarejo, ele ficou admirando a porta com os dizeres ‘Seypher’.

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A sua mente estava em chamas. Quem sabe quanto tempo ele passou ali caído no chão. Caras assustadas o espreitavam das frestas de suas casas. No inicio, ficou em choque. Havia perdido seu pai há 19 anos, e agora perdera a sua mãe para o mesmo demônio maldito. Maldito ele seja e maldito seja a droga do KA. O ódio cresceu imensuravelmente dentro dele e seu primeiro impulso foi o de se levantar e gritar com seu folken. Como poderiam eles ficarem passíveis ao ataque daquele monstro?! Mas ele sabia que seu folken temia aquela besta e gritar com eles seria completamente inútil. Ele estava perdendo a cabeça, fazendo o jogo do seu inimigo. Então juntou toda a sua força de vontade para recobrar um mínimo de seu controle. Então pôs em prática suas técnicas de visualização e conseguiu se acalmar. Uma vez com a mente limpa uma chuva de pensamentos se apoderaram do espaço vazio e seu raciocínio correu tão rápido como nunca havia corrido antes. Seu próximo passo estava decidido.

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Quanto antes maiores eram as chances de sucesso. Ele tinha de ser rápido. Chegou na casa do ancião da vila e entrou sem se anunciar. Ele queria a herança que seu pai havia o deixado. O ancião ficou espantado por ele saber da existência de tal herança, porém era claro que ele sabia da existência dela, pois tem sonhado com ela desse que nasceu. Ele relutou um pouco no início porém teve de ceder, já que o talismã era dele por direito. O ancião ainda quis lhe explicar a utilidade de tal objeto porém não era necessário, ele já conhecia todos os rituais de seu povo. Então fez seu último pedido. Ajuda. Ele precisaria de mais três pessoas, esse era o mínimo que ele achava necessária para que a formação desse certo e o mínimo seria o suficiente, pois a passagem era muito recente, ele podia senti-la ainda aberta, podia sentir o Kaven pulsando.

Assim que mais 2 pessoas chegaram, as outras 2 mais fortes no toque da vila, correram imediatamente para o local onde o demônio havia desaparecido. Ele estava estranhando a grande disposição de ajudar dos anciões, pois ele nunca gostaram de se envolver com aquela besta. Suspeitava de 2 coisas: ou esperavam que ele seria realmente capaz de derrotar o demônio ou esperavam que com um sacrifício duplo, o demônio demoraria 38 anos para atacar novamente. Isso não lhe importava afinal. Ele só precisava da ajuda.

Chegaram ao local. A porta estava lá, claro que estaria. Entraram em formação de cruz, ele, por ser o mais forte de todos no toque, ficando imediatamente em frente a porta, com seu pêndulo Branni, herança de seu pai, último chefe de seu povo. Então começaram o ritual. Não durou muito para que sua mente começasse a latejar um pouco. Logo depois ele encontrou o gancho necessário para abrir a a porta e então ela começou a tremer. Não demoraria muito agora. Assuntos relacionados com a magia de seu folken era sua especialidade, afinal.

Ele começou a escutar um leve barulho de sinos e então ela abriu elevando o leve badalar dos sinos a um volume insuportável. Sua cabeça, já cansada do esforço para abrir a porta, agora latejava agonizante. Ele se viu jogado para dentro dela antes mesmo que pudesse esboçar alguma reação. E da escassa luz da madrugada ele se viu jogado para a escuridão total. Não, nem tudo estava escuro. Haveria uma luz, ele tinha certeza. Ele tentou se concentrar. Haviam coisas rastejando por ali. O mal estava a toda a sua volta. Pensou repentinamente que deveria agradecer pela ausência de luz, pois já havia escutado várias histórias do seu povo sobre aquele lugar [Como o chamavam mesmo?!] e achou que uma visão daquele lugar poderia levá-lo à loucura.

Então, de repente, sentiu o mal se aproximar e cerca-lo. Então ele viu aqueles olhos se abrindo. Tão roxos quando poderiam ser. Entretanto, dessa vez não era um sonho. Não poderia errar. Porém, ainda não sabia o que fazer. Queria perguntar sobre sua mãe mas tinha certeza que ela já estava morte. Podia-se sentir o cheiro da dama negra no ar. Seu ódio chegou ao limite. Mas não podia investir às cegas como no sonho, pois saberia que seria morto, mas precisava ganhar tempo. Em seguida veio o brilho. Sim, os olhos deveriam brilhar. Mas… é isso! Não somente os olhos brilharam mas alguma outra coisa brilhou naquele demônio maldito! Todos esses anos ele estava tão acostumado ao sonho que nunca pensou que poderiam existir outras coisas a serem vistas! Agora ele via claramente um brilho roxo emanado da espada de seu inimigo. Espere! Não somente isso! Havia também uma áurea negra cercava o ponto onde deveria estar seu coração! Havia um objeto ali! Aquilo deveria ser o seu calcanhar de Aquiles! Então investiu, mas em vez de mirar em seus olhos, onde sabia ser inútil ele mirou naquele quarto ponto.

O demônio não esperava por essa. Em 19 anos de luta, aquele bebê impetulante nunca havia visto aquele ponto. Ninguém nunca havia o visto. Inconcebível. A besta experiênciou o medo pela primeiro vez desde que obterá aquele objeto e isso tirou totalmente o seu controle. Ela estava vulnerável. Estaria tudo encerrado?! Não. O impacto foi grande, pôde-se escutar o som de sua espada envolvida com a corrente do talismã de seu pai indo de encontro a um objeto rígido, e a besta foi jogada para trás, mas milagrosamente inteira.

Ele não desanimou, agora sabia onde deveria atacar. Frente a frente com aqueles olhos penetrantes, a batalha pela sua vingança finalmente começaria. Ele percebeu uma quietude no lugar. Nenhuma outra criatura ali presente parecia disposta a interrompe-los. O que seria aquela besta?! O rei dos demônios?! Não fazia diferença. Ele tinha que matá-la. Todos os seus reflexos estavam ao máximo. Ele pôde sentir a besta sacando sua somente a tempo de esquivar de um ataque mortal. A besta estava assustada. O vingador descobrira seu ponto fraco. Porém o inimigo estava na vantagem, pois ele tinha certeza que aqueles olhos roxos eram capazes de ver claramente na escuridão. Teria que se basear somente nas correntes de ar geradas pelo seu inimigo e no fraco brilho roxo emitido pesa sua espada.

Agora todo o treino e suas habilidades de luta corpo-a-corpo seriam postas a prova. E um duelo mortal travou a seguir. O inimigo era rápido, porém ele não se movimentava como antes. Talvez o medo estava lhe afetando. E, agora com uma mente limpa, o vingador podia utilizar sua velocidade ao máximo. Durante o combate ele teve várias oportunidades de atingir o ponto fraco de seu inimigo, e o fez, mas fora tudo em vão, o objeto simplesmente se recusava ser destruído, e a cada segundo que passava ele sentia que o objeto ganhava mais poder. Sim, isso ele já havia percebido. A besta em si não era forte, mas pelo fato de portar aquele seu talismã ela ganhava a sua força. Logo, ele tinha a melhor arma e o melhor escudo.

Era isso! Ele teve uma ideia. Com certeza ele nunca lembraria que quem havia pensado isto na história que ele havia lido no dogan fora o Seya, porém ele aprendera bem sua lição: somente a melhor arma pode vencer o melhor escudo. Então, o próximo passo era simples na teoria: teria de esperar por uma falha do seu inimigo e roubar a sua espada, a qual absorvera o poder daquele misterioso talismã, e com ela vencer seu inimigo. O feitiço teria de virar contra o feiticeiro. Mas teria de ser rápido, pois a cada segundo que passava ele ficava mais cansado e o inimigo mais forte. Quanto tempo já havia passado?! Ele achava impossível dizer, mas com certeza não chutaria nada menos do que umas 2 eternidade.

Então os ventos do KA decidiram soprar um pouco a seu favor. Sua cabeça começou a latejar. Então o demônio cometeu seu erro fatal, penetrou e tentou dominar sua mente. E esse foi seu erro. Sim, ele estava intimidado por todo aquele mal. Era uma força arrebatadora. Porém, todo o ódio gigantesco nutrido por aquele demônio o impediu de sucumbir àquele invasor. Aquela era a sua mente, afinal. E, ali, a besta jogaria o seu jogo.

Esforçando-se ao máximo visualizou o encarceramento da besta dentro de sua mente e seu consequente sofrimento, agora ela estava jogando pelas suas regras. A besta real à sua frente deu um rugido de dor e começou a agonizar. Era a oportunidade pela qual ele estava esperando. Avançou a toda para a espada e a agarrou. A besta agonizante não ofereceu nenhuma resistência.

Entretanto, no momento em que tomou a espada das mãos da besta, sua mão começou a arder. Era como se a espada resistisse a ser domada. A coisa mais estranha da sua vida aconteceu. A espada, provavelmente envolvida demais com o poder daquele objeto estranho, tentou dominar a sua mente. E um pequeno duelo mental foi travado entre os dois. A espada ofereceu bem mais resistência ao domínio do que a própria besta. Mas, no fim, ela também foi subjugada e o ardor em sua mão, embora ainda presente, diminuiu um pouco. O que ele não sabia é que agora ele e a espada eram um só. Ela ocuparia eternamente um lugar de sua mente e ele nunca perceberia isso, mas ele não a largaria em qualquer lugar, mesmo em situações estranhas. A espada, de certo modo, o possuía. E ela era só dele.

Então uma dor absurda atingiu seus olhos por milésimos de segundos e de repente ele era capaz de ver no escuro. Então era isso, aqueles olhos roxos eram um dom atribuído à espada, e não à besta. Agora ele podia enxergar um pouco naquela escuridão.

A besta estava agonizando [No chão?!] à sua frente e no lugar do seu coração havia uma orbe negra. Agora era o momento. Ele sentia que aquela espada era tão mortífera quanto qualquer coisa que jamais existiu. Ele investiu contra o coração de seu oponente. Mas nem tudo estava acabado. Ainda faltava uma carta a ser jogada. No momento em que a espada ia atingir seu alvo, um olho sangrento se abriu dentro da orbe negra e uma dor lancinante atingiu seus miolos. Ele virou a cabeça imediatamente. Era impossível sustentar aquele olhar, mais um segundo e talvez ele teria ido à loucura. Aquele olho tentou entrar em sua mente e a dor latejante triplicou. Ele pensou que sua cabeça poderia explodir a qualquer momento. Então optou por bloquear completamente sua mente, pois caso aquele olho conseguisse entrar tudo estaria perdido. Isso era um impasse mental. Então ele fechou seus olhos e ignorou a dor em sua cabeça e investiu uma última vez contra a besta, a qual agora ele sabia que era um mero fantoche no jogo de manipulação daquele olho maldito. O olho sangrento sabia que aquele era o final do jogo para a besta da qual se apossara, mas não estava disposto a perder tão facilmente, era necessário sair dali. No momento em que a espada ia atingi-lo ele saltou daquele corpo agonizante e rolou pela escuridão. A espada cortou o corpo da besta e dilacerou sua alma. Com um último rugido de dor, a besta foi para a clareira no final do caminho. Mas ainda não estava acabado. Ele precisava encontrar aquele orbe maldito. Já ouvira falar dele. Estava no primeiro livro que leu em sua vida. Não se lembrava de muitas coisas mas julgando pelo brilho negro aquele só poderia ser o Treze Preto das lendas. Sim, ele era. E ele era o responsável pela morte de sua família. Ele deveria pagar, ele e tudo que estivesse relacionado ao mesmo. Com seus novos olhos, caçou pela escuridão e o encontrou. Correu atrás dele porém já era tarde demais. Havia algo atrás do orbe. De repente uma porta se abriu e a luminosidade invadiu a escuridão. Rapidamente aquele olho a atravessou e a porta se fechou rapidamente atrás dele, deixando o vingador com a imagem de seu olhar sangrento presa em sua retina.

A escuridão retomou conta do lugar. Seu sangue começou a esfriar. Ele tinha uma vista escassa do lugar. Não tinha certeza de em que estava pisando. Não havia certeza sequer de que havia um chão. Podia ver criaturas repugnantes rastejando pelas redondezas e podia também ver outras grandes e majestosas, emanando poder. Porém todas elas ignoravam a sua presença por algum motivo. Por medo, ele pensou. Medo pelo fato de que ele derrotou um dos Grandes. Ou então talvez medo pela aquela estranha espada de brilho arroxeado que ele portava. Céus, até ele tinha medo daquela espada. Era difícil admitir isso, mas ela estava viva! Embora sob seu comando dentro da sua mente, a maldita da espada estava viva! Agora ele tinha certeza de que a besta era um mero monstro qualquer que teve a sorte de ser usado por seres singulares.

Agora, ele está ali, preso naquela escuridão eterna do espaço [Sim, agora eu lembro, eles chamam isso aqui de] Todash enquanto o verdadeiro assassino de sua família estava à solta em algum outro mundo.

Agora que seu sangue esfriou, ele voltou a escutar o barulho dos sinos Todash. Sua cabeça estava doendo de todo o esforço mental. Aquele barulho estava querendo levá-lo à loucura. Ele acha que não suporte muito mais do que aquilo. Sua sanidade está esvaindo aos poucos por entre seus dedos. Ele prendeu o pêndulo Branni de seu pai à sua nova espada, a tão famosa Mysteltain, e sentou-se calmamente com ela em riste. Ainda não estava acabado. Ele precisava encontrar o Treze Preto, precisava encontrar Seypher. Então ele o destruiria. Essa era sua obsessão. Ele vingaria sua família.

Então juntou suas energias em um último esforço e decidiu alterar sua mente. A partir daquele momento, seria chamado de Seypher, para que nunca esquecesse seu real objetivo. Então bloqueou sua mente a fim de não sucumbir facilmente à loucura daquele lugar.

E ali ficou, sentado na escuridão Todash, esperando calmamente para que uma porta fosse aberta, enquanto aqueles sinos amaldiçoados tentavam levá-lo à loucura.

Seus olhos roxos fecharam-se na escuridão.

Vingança.

Seypher.

E os Kammen tocaram incessantemente.

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