O Mundo do Outro Lado

22 Finalmente algo


Notas iniciais
Oiiiiiieeeeeee! Quem é que queria capítulo novo? Conseguiu! Espero que gostem! Manatica

POV Jonatan

Maxon, de algum jeito surpreendente, fez seus melhores estrategistas ficarem quietos para eu explicar minha ideia. Todo o castelo já sabia que eu existia, mas houveram mais cochichos que confusões. Começaram me tratar como se eu fosse um príncipe também, mas eu não era. Não era mesmo. Era um rebelde passando um tempo lá, não era principe coisa nenhuma! Queria que parassem com aquela história.

Maxon e alguns guardas eram os únicos que me tratavam como o líder rebelde. Passei a gostar deles mais por isso, por que eles viam quem eu era, e não meu laço de sangue. Mas isso começou a ficar insuportavel, porque a notícia vazou. Metade de Illéa já sabia que o príncipe Maxon era gêmeo, e eu era um rebelde. Todos ficavam se perguntando se eu iria tomar o trono dele, se eu tinha pego America por também querer uma Seleção pra mim, se eu iria matar alguém a noite com uma faca... inventavam histórias cada vez piores.

Não, eu não queria tomar o trono de ninguém, nem esfaquearia ninguém a noite, nem de dia(NA: E a tarde? NJ: Você entendeu o que quis dizer). Não queria minha própria Seleção, eu amava Melly, não a deixaria nem se minha vida dependesse disso. E eu não queria ser mais um príncipe de Illéa, eu queria é que esse sistema de castas fosse destruído, que as pessoas tivessem mais direitos. Nada de dinheiro, joias ou poder, queria justiça. Era o que todo rebelde queria, e eu era um rebelde.

Voltando ao assunto, eu expliquei toda a estratégia que bolei nos últimos dois dias, e parece que eles gostaram muito. Claro, eu não era o maior expert, eles eram melhores. Tanto é que não conseguíamos invadir por muito tempo nem descobrir onde ficavam os esconderijos reias. Mas meu plano era tão bom que eles fizeram modificações minúsculas, Maxon ficou surpreso. Eu era bom numa coisa que ele era péssimo, isso fazia eu me sentir tão bem.

Chegou o dia de por tudo em prática. Mesmo com os soldados dizendo para eu ficar no castelo com Maxon, eu fui pro campo de batalha junto com os outros rebeldes. Como eu tentei explicar pra eles milhões de vezes, eu não era um príncipe idiota pra ficar me escondendo atrás de soldados! Tá, eu fazia isso no acampamento, mas era porque eu não podia aparecer no castelo, eu era igual ao Maxon! Mas eu treinava todo dia, e ia durante alguns ataques na chuva, assim podia esconder meu rosto no capuz e a chuva dificultava mais a visão.

Aquela era a única vez que eu não precisava esconder o rosto, fiquei bem feliz. Vou explicar agora como é nosso plano...

Eram dois grupos, o primeiro iria atacar pelo lado oeste do acampamento. Era o grupo com maior número de soldados, não mandamos mulheres pra lá, pois iriam saber que os Nortistas estavam ajudando já que o exército do governo só tinha homens, o que, na minha opinião, é muito idiota. Esse grupo iria atacar por um tempo curto, no máximo uma hora, isso se o sinal não fosse enviado.

O segundo iria para o lado sul. Eram somente 13 soldados, pois o lado sul era onde eles mantinham todos presos, e esse grupo iria para lá somente para o resgate, e acabar com quem estivesse na frente. Eu estava nesse grupo, Nick também estava. Nós dois queriamos ser os primeiros a acharem-nas, e nada iria ficar na nossa frente. Contando com nós dois, haviam 4 rebeldes, os outros eram soldados solicitados, já que não confiavam em nós para um resgate sem vigias.

Suas perguntas devem ser: Por que não atacaram o lado norte? Por que não tomaram o acampamento inteiro? Por que Maxon não estava aí? Por que ele não confiava em você?

Primeiro, se atacássemos pelo lado norte, iam ficar atentos ao lado sul, temendo um ataque por trás ou até podiam descobrir que era só distração para o resgate. Segundo, não iríamos conseguir tomar o acampamento deles, era enorme e eles tinham armas diferentes, dispostos a matar quem aparecesse. E eu nem falei no enorme número de gente que tem lá.

Terceiro, Maxon não estava porque ele era o príncipe. Estava sentado, em segurança, no castelo enquanto os soldados dele se arriscavam para salvar quem ele gostava. E quarto, ele não confiava em mim pois sabia que eu era um rebelde, que estava contra ele. Só unimos forças para salvar quem amávamos. Depois disso, estava acabado, voltaríamos a ser inimigos.

Me despedi da rainha, sabia que ela se importava muito comigo. Ela me deu um abraço, chorando, com medo de que eu morresse. Ela só me soltou faltando alguns minutos para saírmos, mas ainda chorava. Dei um aceno com a cabeça para Maxon e saí junto com os outros. Andamos por horas, e já estava anoitecendo, íamos dormir. O acampamento era longe, e íamos atacar de manhã cedinho, pouco antes da troca de guardas deles, quando estão mais fracos.

Comemos e montamos pequenas barracas para dormir. Acordamos no dia seguinte de madrugada, perto de três da manhã. Tínhamos que chegar no acampamento em duas horas. Começamos a ir logo, os grupos já estavam se separando enquanto andávamos para discutirmos um pouco mais uma vez. Todos estávamos vestidos de guardas, menos Mahi e Sophie, as únicas mulheres, estavam no meu grupo, claro.

–Desculpe, não entendi direito, pode repetir?- Disse uma voz atrás de mim. Não era de nenhum guarda, tampouco era de Nick.

–O que está fazendo aqui?- Perguntei me virando –Não era pra o príncipe estar no seu castelo fumando charutos enquanto isso acontece?

Maxon se irritou. O reconheci pela voz, porque se fosse pela a aparencia, eu nunca teria notado que era ele. Estava com o uniforme de guarda, cabelos bem bagunçados com uma franja forçada pra frente para esconder um pouco do rosto, estava sujo de terra até os joelhos e segurava uma arma. Como eu disse, se não fosse pela voz, ele seria um dos guardas, ou até um dos nossos. Os outros não o viram, estavam mais a frente.

–Se quer saber, vim resgatar America. Senti que devia fazer parte do resgate da minha noiva.- Fiquei surpreso –Que foi? Não sou o idiota egocentrico que achou que eu fosse?

–É um dos motivos.- Respondi

–Vocês, andem mais rápido.- Gritou um dos guardas a nossa frente.

–Se descobrirem vão achar que trouxemos você para dar para os sulistas.- Falei andando

–Não vão descobrir.

–Certo. Mas se descobrirem, vou fingir que não sei de nada. E não vou levar a culpa se você morrer.

–Arcarei com as consequências.- Disse ele finalizando nossa conversa.

POV Narrador

Logo chegaram no acampamento sulista, os guardas e rebeldes se esconderam nas árvores momentos antes para não serem vistos. Pelo o que podiam perceber, os sulistas não se importavam em se mudar, as casas não eram tendas, e sim cabanas de madeira, feitas com alguns galhos. Eram organizadas de uma maneira bagunçada, algumas próximas demais e outras bem afastadas. E além disso, era imenso, Jonatan, Maxon, Nick, Sofie, Mahi e os guardas perderam os outros de vista enquanto iam aos seus postos no sul.

Havia algo de errado, eles podiam ver, mas não sabiam o que era. O tempo estava certo, o local estava certo, toda a estratégia estava perfeitamente memorizada... mas havia algo de errado. Não se viam guardas sulistas ali, não havia nenhum. Isso não fazia sentido já que lá era o local que sempre aprisionavam todas as mulheres.

–Já volto...- Falou Mahina

–Aonde vai?- Perguntou um dos guardas –O sinal já vai ser enviado.

–Vou tirar uma dúvida.- Respondeu entrando na mata atrás deles.

–O que ela vai fazer?- Perguntou Maxon a Jonatan

–Você não ouviu? Tirar uma dúvida.- Disse Nick

–Esses guardas do castelo são patéticos.- Falou Sofie

–O que disse?- Perguntou um dos verdadeiros guardas

–Nada...- Respondeu

Segundos se passaram lentamente, os sulistas ainda pareciam dispostos em seus turnos, mesmo sendo quase 5:30 da manhã. Eles não podiam esperar mais tempo, logo seria o sinal para o ataque.

–Confirmada.- Disse uma voz feminina assustando Maxon, era Mahina

–O que?- Perguntou um dos guardas

–Onde?- Perguntou Jonatan

–No centro.- Respondeu. Pela cara que o rebelde fez, Maxon e os guardas viram que era uma má notícia. Os rebeldes já entenderam.

–No centro? O que quer dizer?- Perguntou um dos guardas.

–Dessa vez, os sulistas saíram do seu costume. Os prisioneiros estão dispostos agora no centro ao invés do sul.- Respondeu Sofie

–O que?- Disse Maxon levantando a voz e tendo a boca tapada por Jonatan.

–Como sabem disso?- Perguntou outro guarda.

Nick explicou a situação aos guardas e a estratégia de emergência caso algo desse tipo acontecesse, era o plano D. Mas parecia que os guardas não haviam sido notificados desse plano, e não compareceram a reunião. Ela teve de ser inteiramente explicada, cada detalhe e cada passo. Maxon havia ido a reunião, mas fingia que não. Enquanto isso, Mahina dava as informações a Jonatan e Sofie.

–É uma construção velha e enorme. Já devia estar lá quando se mudaram da última vez, pois é feita de concreto e tem portas de metal.- Disse ela

–Parece uma velha base... já houveram guerras nessa floresta a muitos anos, deve ter restado essa construção.- Falou Sofie

–Está a uma distância segura do conflito central?- Perguntou Jonatan, Mahina abanou a cabeça.

–Teremos que ser ainda mais cautelosos.- Falou

–Isso é mal, muito mal!- Disse Sofie

–Certo, agora escutem.- Todos viraram a atenção para Jonatan, ele disse algumas observações e pequenas mudanças no plano D original, logo eles estavam prontos.

O sinal foi dado, um tiro. Nada sutil, mas os guardas não queriam saber de sutilezas. Avançaram aos montes, e logo foram recebidos por grupos imensos de sulistas. Logo começou uma troca de tiros, a maioria se escondia atrás das casas e de pedras, se passou algum tempo antes das balas começarem a atingir-los. Logo, caiam muitos ao chão, mas os ainda vivos não desistiam de atirar. Guardas e rebeldes avançavam, como se ameaçassem tomar o acampamento, os sulistas atiravam como loucos, alguns de dentro de suas casas.

Esperado o tempo necessário, o grupo de busca avançou pelos corredores confusos do acampamento. Todos os sulistas foram atraídos pelo conflito principal, era só uma questão de tempo até perceberem que era uma distração. Eles tinham que ser rápidos, atentos e silenciosos, qualquer erro poderia chamar a atenção para eles. Passaram por muitas casas, com as armas de prontidão, desejando não terem de usá-las. Tiveram de desviar a rota mais de uma vez, pois apareciam guardas sulistas a todo segundo, atrasando ainda mais o resgate.

Maxon já havia liderado ataques e invasões na guerra da Nova Ásia, mas nunca participara de nenhum deles. Era a sua primeira vez segurando uma arma para auto defesa, e não na aula de tiro. Ele estava muito nervoso, naquele momento soube como um soldado se sentia quando era enviado para a guerra, e repensou mais de uma vez sobre a ideia de America sobre o recrutamento não ser obrigatório, estava decidido a aceitar isso assim que chegasse no castelo.

Outra coisa que ele iria repensar, mulheres entrando nos exércitos. Ele achava a ideia um pouco exagerada quando proposta, mas viu como as duas nortistas lutavam. Sempre que aparecia um guarda sulista, elas conseguiam se aproximar sem serem notadas e deixá-los inconsientes batendo as armas em suas cabeças. E uma delas era novata, disso ele sabia. Com certeza iria repensar essa ideia também.

Minutos depois, chegaram na construção, era como Mahina havia descrito. Grande, velha e cinza, feita de cimento. Não combinava com o estilo sulista, então devia ser de muitos anos, como Sofie disse. Haviam muitos guardas na porta, segurando suas armas e vasculhando os corredores de casas com os olhos. Era um local próximo a batalha, eles podiam ouvir os tiros e gritos com bastante clareza. Fora esperado mais alguns segundos até uma brecha ser vista.

–Agora- Disse Jonatan

Começaram a atirar, não para matar, só para incapacitar. Matar, se pudesse, seria evitado ao máximo por eles. Claro, eles revidaram, sulistas também não desistiam fácil. Se iniciou uma troca de tiros que pode ser confundida com a da batalha principal, assim não chamariam atenção. Conseguiram acertar a maior parte dos sulistas, mas eles também acertaram alguns guardas. Quando faltavam três, Maxon viu um deles pegar um pequeno rádio e começar a falar perto dele. Ele atirou no rádio e depois no joelho do guarda.

Assim que o último caiu no chão, três dos guardas do castelo, que não foram atingidos, foram até o prédio para verificar se haviam mais alguns escondidos. Enquanto isso, os outros ajudavam os feridos como possível. Jonatan tirava as balas com uma faca que sempre carregava e guardava como munição extra, os outros tentavam estancar o sangramento. Assim que os guardas do castelo avisaram que estava tudo limpo, o resto se levantou.

–Levem os feridos, vamos prosseguir.- Disse Jonatan

–Não, as ordens são para não deixar vocês sozinhos.- Disse o soldado, Aspen Leger

–Agora você vai ouvir as ordens?- Disse Jonatan lembrando do garoto que tentara salvar, que fora morto por esse mesmo guarda

–Não precisam nos deixar completamente. Quatro de vocês podem nos vigiar muito bem.- Disse Nick

–Certo. Os dois, levem os feridos, rápido.- Ordenou Aspen, os outros o obedeceram.

–Iremos lá dentro, vocês vigiam.- Disse Maxon, ainda disfançando a voz

–Que parte de “estamos seguindo ordens” você não entendeu?- Reclamou

–Vou repetir- Disse Maxon, agora fazendo contato visual e usando sua voz normal –Iremos lá dentro, vocês vigiam.

–M-ma...- Gaguejou, ele percebeu que era o príncipe.

–O local não tem janelas, não vão escapar. Eu vou estar com eles, e estou armado. Um dos sulistas chamou reforços, estamos perdendo tempo aqui. Então faça o que eu estou mandando.- Disse ele com um tom tão sério e ameaçador que era assustador para quem o conhecia.

–Sim, maje...- Disse ele

–Não conte a ninguém- Acrescentou e entrou no prédio com os nortistas.

Andaram por alguns segundos e foram recebidos por mais guardas sulistas.

POV America

Assim que Melly chegou, nós a abraçamos, ela não parcia estar traumatizada como eu achei. Ela logo notou a falta de Silena, e dissemos que pouco antes de ela chegar, a levaram. Melly surtou, correu até a porta e começou a bater e gritar, eu e Ananda tentamos acalmá-la mas não funcionou.

–VOCÊS DISSERAM QUE NÃO IAM TOCAR NELAS! ERA O TRATO! VOLTEM AQUI, TRAGAM-NA DE VOLTA!- Gritava.

Melly passou um bom tempo atacando a porta, dando murros e chutes até se acalmar, mas ainda estava morrendo de raiva. Passou um tempo até eu e Ananda decidirmos que ela já estava calma o suficiente para falar. Tentamos conversar, mas ela não respondia, ficava murmurando consigo mesma. Óbvio que escolhemos a hora errada pra falar, ela ainda estava com raiva, e parecia prestes a levantar e começar a socar a porta de novo. Ela já ia fazer isso quando ouvimos um tiro.

–O que foi isso?- Perguntei

Gritos.

–Acho que é o resgate...- Disse Ananda

Mais tiros. Muitos.

–Está parecendo mais um massacre!- Comentei

Estavam próximos, muito próximos. Ouvimos passos do outro lado da porta, corriam rápido e alguns pararam nela. O barulho do tiroteio começou a aumentar, até parecer que estava ao nosso lado. Só conseguia imaginar os guardas vindo e nos resgatando, nos levando para a segurança do palácio, onde tudo terminaria. Então eu veria Maxon.

Maxon... eu estava com tantas saudades, principalmente do nosso banco no jardim, das nossas conversas, do nosso sinal secreto, dos nossos passeios... sim, era disso que eu sentia mais falta. Não era de nada daquele castelo, nem mesmo a comida. Eu só queria que Maxon estivesse do meu lado, só queria um de seus abraços e olhar nos seus olhos castanhos... só precisava disso para sorrir. A única coisa que impediam os guardas eras os sulistas e suas armas. “Os guardas!”

Aspen! E se ele estivesse ali? E se ele se ferisse, ou já estivesse ferido? Ou morto? Sim, eu já havia feito minha escolha, mas ainda não havia contado a ele ou Maxon, e eu ainda me importava com ele. Ele não podia morrer, não podia. A família dele, eu os adorava, eles sofreriam muito se isso acontecesse. Eles não mereciam que ele morresse, ele não merecia morrer, ele tinha que viver.

Melly e Ananda correram até a janelinha, não sei se as duas iam conseguir enxergar alguma coisa, era pequena demais. Um calafrio percorreu minha espinha. Elas eram rebeldes, inimigas do reino! Se os guardas as pegassem, iriam para a cadeia e iam ser mortas. Eles não podiam achá-las, mas o único modo de saírmos dalí era se abrissem a porta. Não, elas não podiam ser mortas, talvez eu pudesse convencer Maxon a perdoá-las o suficiente para poupar suas vidas.

Os tiros agora vinham do corredor. Longe, mas perto o suficiente para sabermos que era dentro daquele lugar. A medida que se aproximavam, nos afastamos da porta. Se alguém a abrisse, poderia ser amigo ou inimigo, ninguém queria arriscar. Melly se pôs do lado da porta em uma posição que eu já conhecia, quem quer que entrasse iria receber um golpe. Esperamos, esperamos, até que os tiros pararam e ouvimos passos e sussurros, pessoas se aproximavam.

Ouvimos elas pararem perto da porta, mas não entendíamos o que diziam. A porta foi aberta, e, como eu disse, Melly deu um golpe no primeiro a entrar, e este caiu no chão. Ao olhar melhor, ele estava usando uniforme de soldado do palácio, mas seu rosto não era de nenhum deles, mas era do castelo. Era de Maxon.

–Jonatan!- Disse Melly muito surpresa

Ela caiu de joelhos e abraçou o pescoço do namorado, não deixando ele se levantar. Ele deu algum jeito de abraçar ela de volta, mesmo quase deitado no chão. Eu e Ananda respiramos aliviadas, mas algo mexia na minha cabeça... o que ele estava fazendo com um uniforme de guarda do castelo?

–O que está fazendo aqui? Que roupas são essas? Eu vi os guardas lá fora, onde estão?- Perguntou ela sem afrouxar o abraço

–O que ELE está fazendo aqui?- Perguntou Ananda

Desviei o olhar para a porta e todo o ar escapou de meus pulmões. Assim que aqueles olhos castanhos me encararam, meu coração explodiu em felicidade e meu cérebro em confusão. Ignorei tudo o que ele dizia, não queria saber do meu cérebro imbecil. Maxon estava ali, na minha frente, usando um uniforme de soldado sujo e um penteado que deixava ele completamente irreconhecivel, mas não para mim. A única coisa que eu queria fazer era abraçá-lo, para ver se não era um sonho.

Foi o que eu fiz, corri até ele e o abracei com todas as minhas forças. Ele fez o mesmo, me apertando tão forte que eu mal respirava direito. Senti meus olhos cheios de lágrimas, ele fugira de toda a proteção do castelo para me salvar, se intrometera na luta com os rebeldes para me salvar. Não, não era um sonho. Mas se fosse, eu não queria acordar nunca.

–America!- Disse ele enquanto me abraçava –Você está viva! Está viva! Está bem? Diga que está bem! Eles não tocaram em você, tocaram?

–Eu estou bem. Estou bem.- Era só o que eu dizia. Foi aí que as perguntas encheram meu cérebro.

“Maxon está aqui? O que ele está fazendo? Ele não devia estar perto desse lugar! Os guardas não deixariam! Como foi que ele veio? Por que os nortistas estão aqui? Onde estão os guardas? Por que os rebeldes não estão ligando para o fato de que o príncipe está bem ao lado deles? O que está acontecendo?” Quando eu ia fazer essas perguntas, um dos rebeldes ficou estressadíssimo. Eu não o conhecia, só o vira algumas vezes.

–Onde ela está? ONDE?- Gritou, devia estar falando de Silena. Melly se levantou e consegui sair do abraço de Maxon.

–A levaram, a pouco tempo. Ainda devem estar aqui, o lado que eles foram foi o oposto a porta...- Mal Ananda terminou de falar e ele saiu correndo corredor adentro.

–Espere!- Gritei indo atrás dele junto com os outros.

–Nick, espere! Vamos todos juntos!- Gritou Jonatan, mas o tal de Nick não parecia escutar

Saiu correndo pelo corredor, arrombando portas que eu nem sabia que existiam. Ao olhar de relance para dentro de algumas, fiquei mais pertubada do que se tivesse visto armas. Haviam camas, alguns só haviam lençóis, e todos com manchas de sangue. Podia imaginar a origem daquelas manchas, e minha preocupação com Silena aumentou muito! No quinto e último quarto, Nick arrombou a porta com tanta força que achei que iria se soltar da parede.

Uma pessoa saiu de lá muito rápido, se jogou contra Nick derrubando-o no chão e correu. Mahi a parou, era Silena. Ela notou que éramos nós, e notou Nick no chão, ele já se sentara mas ela praticamente pulou em cima dele, o derrubando de novo. Olhei para dentro do quarto e vi o homem que a levara deitado no chão, desmaiado. Não me surpreendi, ela não tinha cara de que deixaria alguém fazer qualquer coisa com ela.

–Abraços depois, ainda temos que sair daqui vivos.- Disse Sofie.

–Andem, eles pediram reforços à quase 10 minutos. Já devem ter percebido o que queríamos.

Segurei a mão de Maxon, não queria me distanciar dele outra vez. Corremos dali o mais rápido que conseguíamos, os guardas estavam na saída, Aspen. Assim que o vi, fiquei feliz que estava bem, e vi pelo seu olhar que ele estava aliviado que eu estava viva. Bem mais que aliviado, parecia prestes a pular, me abraçar e gritar, mas manteve a compostura. Assim que os guardas viram que estávamos bem, corremos pelos corredores bagunçados de casas para saímos de lá.

Os guardas e nortistas atiravam nos sulistas enquanto corríamos, só paramos algumas vezes quando os grupos que apareciam eram grandes. Dois dos guardas e Mahi foram atingidos, Sofie levou uma bala de raspão no pulso. Melly e Ananda tomaram suas posições como atiradoras, eu, Silena e Sofie ajudamos os feridos. Silena e Sofie ficaram com o guarda que fora atingido nas costelas, eu fiquei com Mahi, que levara um tiro perto do tornozelo. O outro guarda levara um no ombro, não precisava de ajuda para andar.

Por muito pouco, conseguimos sair daquele lugar. Depois de nos distanciarmos alguns metros, Jonatan imitou o som de um pássaro que eu nunca ouvi antes, devia ser algum tipo de sinal de que estávamos bem. Eu não diria bem, tínhamos quatro feridos e não sabíamos se estávamos sendo seguidos. Cavalos apareceram do nada, talvez o assobio fosse para eles virem, montamos, ajudando os feridos, claro. Andamos por um tempo que pareceu ser a eternidade, fazendo todos os tipos de desvios e curvas, passando por milhares de arbustos, até que chegamos em um refúgio minúsculo e os feridos do grupo foram atendidos.

Notas finais
Quem é que queria que acabasse assim? Quem é que quer continuação? Acho que a maioria quer a segunda opção, porque a America ainda não contou pra ninguém sobre a escolha dela. Como será que vão reagir? Eu to deixando vocês ainda mais curiosos né? Então tchau, até o próximo capítulo.