O Mundo de Pocema

8 Capítulo 8: Reencontro.


— Nossa, o mercado está muito cheio hoje! — Talita estava cheia de sacolas.

— Será que compramos tudo? — Lokita perguntou.

— Aham. Tô doida para comer torta de maçã! — Pocema disse saltitando e balançando sua sacolinha.

— Que multidão é aquela? — Talita tentava apontar, mas as sacolas peadas não deixavam.

— Ingressos! — Um palhaço gritou, saindo da multidão.

Pocema se virou e pegou as mãos das irmãs bailarinas e pulando.

— Vamos! Eu quero ir ao circo, por favor!

— Sei não... — Lokita.

— Por que não? — Talita — Comeremos as tortas depois.

— Ta bem, tá bem. Isso pode animar a Pocema. — Lokita se sentiu como uma heroína.

— Não se preocupe comigo. Estou 99% melhor! Só vem uma tontura de vez em quando.

Compraram os ingressos e foram para casa, esperar dar a hora.

— Vamos, meninas! — Pocema deu um pulo.

— Calma que ainda temos que parar para comprar pipoca! — Talita.

Quando elas chegaram, não havia ninguém entrando e nem saindo, então decidiram entrar.

O circo estava vazio por completo, Pocema estava torcendo para que não fosse um show de horror! Mas, olhando para o palco direito, havia uma malabarista e uma bailarina socorrendo um mágico.

— Ei, quem são vocês? — Disse a bailarina que se levantou e deu uma corridinha até elas.

Ela era bem magra. Suas vestes eram brancas como seu cabelo curto e cacheado, com um pouco de rosa nos cachos. Seus olhos eram azuis bem clarinhos. Ela corria na ponta dos pés e, com esse movimento, fazia um barulho de sininhos.

— Oi, sou Porcelana, posso ajudá-las?

— Oi, sou Pocema. Talita e Lokita. Viemos para assistir a apresentação.

— Acho que elas não encontraram a Lola Blue. — Disse a malabarista lá do palco.

— Quem? — Lokita.

— A organizadora do circo, a patroa. — Porcelana.

De repente, chega uma garota de rabo-de-cavalo azul.

— O quê?! — O elástico do seu cabelo se rompe e as madeixas são aumentadas como a cauda de um pavão. — Ele ainda tá mal?! Eu tive que dizer ao público que daqui a uma hora e meia já estaríamos prontos! — Quando ela terminou de falar, seu cabelo baixou o volume e ela o amarrou com outro elástico.

— Pocema pode ser a mágica! — Talita.

— Quê? Não! Eu sou tímida!

— Um pouco de adrenalina saudável faz bem. — Disse Lokita concordando com suas palavras.

— Talita, que ideia é essa?! — Pocema a levou em um canto.

Talita, com a cara bem sem vergonha disse:

— Os circos não são para rir? — Ela comeu uma pipoca.

— Tá, mas quem tem talentos circenses é você!

— Mas eu quero assistir o espetáculo!

Elas voltaram para a Lokita.

— Lola Blue, isso é loucura! Não é melhor cancelar? — Disse Porcelana.

O elástico arrebentou novamente.

— Entendi, entendi! — Disse Porcelana evitando sua bronca.

— Sophie, leve o mágico para o hospital. — Porcelana, leve a Pocema para preencher a ficha!

— Tchau, meninas! — Disse Pocema já com saudades.

— Não se preocupe! — Talita.

— Estaremos sempre juntas! — Lokita.

Porcelana entrou na sala.

— Já preencheu?

— Já. — Cadê a Lola Blue?

— Deve estar na sua cabana. Deixe isso na mesinha aí e vamos comer.

Pocema e Porcelana foram para a parte de trás do circo almoçar com os outros. Era tanto trailer que podia brincar de esconde-esconde.

Porcelana sentou do lado da Pocema com uma laranja e disse:

— Metade para cada uma, que tal?

— Sim, claro. Obrigada.

Ela cortou e deu a metade.

— Hum... — Pocema resmungou após chupar a sua laranja.

— A laranja está ruim? — Porcelana perguntou.

— Ah não, está ótima! Como as laranjas devem ser! — Não era a mesma coisa quando tomava no canudo.

Quando a Pocema terminou, ela se levantou e foi procurar a cabana da Lola Blue.

Após achá-la, Pocy ficou espiando.

Lola Blue tinha o cabelo azul como os olhos também. Suas vestes eram cinza quente; blusa com botões, saia, sapatos cinzas e luvas sem cobrir os dedos com um pompom azul em cada uma. E, quase sempre, com uma prancheta.

Lola Blue tirou seu elástico do cabelo e Pocema deu um berro gigante!

— Pocema?

— Desculpa, eu pensei que...

— Não se preocupe, eu só ia escovar o meu cabelo. — Ela ria.

— Ah, certo... foi mal. Bem, eu queria agradecê-la.

— Que nada! Suas amigas me disseram que você está doente, então não se esforce muito. É bom ter um pouco de adrenalina, treina o cérebro.- Apontou para a sua cabeça.

— Uhum, tem razão, Lola!

— Agora vai para o seu camarim se trocar.

Uma moça estava a maquiando. O nariz da Pocema coçava à beça.

— Prontinho! Quer dar uma olhada?

— Aham! — Suas pernas balançavam inquietamente.

— Aqui está. — Mostrou um espelho de mão para ela. O que era estranho porque a penteadeira estava atrás dela.

— Eu estou tão bonitinha!

— Cinco minutos! — Sophia entrou e logo saiu.

— Estou tão nervosa! Onde estão a Lokita e a Talita?

— Suas roupas acabaram de chegar! — Disse a maquiadora com as roupas nas mãos e fechando a porta com o pé.

— Uma roupa de mágico e uma cartola, mas onde estão as cartas, o coelho sei lá?!

— Garanto que não vai precisar.- Deu uma piscadinha.

O público estava ansioso, os adultos conversavam normalmente enquanto as crianças pulavam de ansiedade.

E o espetáculo acabou de começar, e a gritaria também! Lola Blue apareceu na escuridão do palco em sua volta.

— Olá público! — Tirou um coelho da cartola.

As crianças pulavam como loucas. Os pais têm que dar uma maneirada nos doces, hein?

Logo o palco inteiro ficou iluminado e invadido por palhaço, bailarinas, malabaristas, equilibristas e muito mais.

Depois a Pocema entrou a caráter e com o olhar confiante.

— Meu público, quem quer mágica?!!!!!

O "EU" ecoava de todo o canto.

A cada truque o público ia à loucura! Estava tudo indo bem, até um aplaudir de pé.

— Você? —Quando Pocema viu o "roubador de beijos", sua raiva começou a crescer e chegava até tremer.

Lola Blue foi correndo até ela disse:

— Fique calma, você está doente, lembra?

Pocema pegou no rabo-de-cavalo da Lola e a jogou para longe.

— AQUELE IDIOTA!

— Saiam todos! AGORA! — Porcelana temia o pior.

O garoto saiu e ela foi atrás dele. Pocema deu um pulo, impulsionando para trás.

Com elegância, tirou de sua manga uma trilha de paninhos coloridos para jogar nele, mas sem sucesso.

Mas Pocema tinha uma carta na manga! Ela pegou sua cartola e retirou um martelo gigante e deu outro pulo.

Ele estava na sua mira, mesmo com a multidão.

Mas, por acidente, Porcelana acaba parando em sua mira perfeita.

— PORCELANA!!! — Ela voou para longe.

As pessoas se dissiparam ao redor da Pocema e o clima ficou de tristeza e raiva.

O clima ficou em um nublado extremo e com chuva, com um cabideiro na sua frente.

— Desculpe, meninas,— disse tirando suas roupas de mágico e pondo no cabideiro. — Melhor eu ser eu mesma.

E chorou, cabisbaixa.