O Mundo de Paeveter
1 Capítulo 1
Olho para o chão e me lembro de minha antiga casa agora reduzida a um pequeno entulho chamuscado. A guerra sempre foi temida por todos nós até mesmo pelo rei Rokin, o grande vilão desse mundo. Agora não sobrou nada além das colinas do Sul onde vive a rainha Denah, o rei Silvius, seus soldados e súditos e o monte Even onde mora o rei Rokin e seus temidos soldados, mas nem todos estavam devidamente preparados, as partes mais carentes foram completamente destruídas. Ninguém previu o que aconteceu: grandes bilos voadores preencheram todo o céu e logo depois vimos pequenas faíscas seguindo até as nuvens explodirem em pequenos pedacinhos tomando todo o vale, destruindo qualquer habitante e casa que estivessem a sua frente. Apenas eu e minha irmã sobrevivemos, não sei como explicar o que ocorreu. No primeiro estrondo cai desacordado e não vi o que aconteceu logo em seguida. Todos mortos, todos reduzidos a pó; agora sendo levados pelo vento. Penso que tenho que ser forte o bastante e proteger minha irmã de todos os perigos nesse mundo. Ando entre as casas que agora são escombros, de mãos dadas a Sara que chora descontroladamente, tento acalmá-la, mas todas as minhas tentativas falharam. Enxugo suas lágrimas em minha camisa e pego um doce do meu bolso e lhe entrego tentando assim acalmá-la. Continuo andando pensando em minha família que nos deu alimento, moradia, carinho e nos acolheu penso nos momentos felizes e infelizes que tivemos ao longo desses anos. Lágrimas começam a preencher meus olhos, mas tento ser forte não posso ceder aqui, não neste exato momento. Observo de longe as chamas subindo aos céus levando toda a vida com ela. Sem um teto para nos proteger, um lugar para chamar de seu e uma cama aconchegante para ter belos sonhos. Sinto Sara apertar minha mão e sussurrar:
-Olhe!
Ela aponta para o que sobrou da grande estátua da rainha Denah, não restou nada além da base e vários pedaços esparramados no chão. Não era nada de muito importante, mas era um símbolo de segurança para nós. Ninguém sabe por que o rei destruiu todos os locais mais vulneráveis. Observo os cabelos negros de minha irmã voando contra a brisa quente em uma noite sem estrelas. Olho para a grande floresta que rodeia a aldeia e que servia de fonte de alimento. Admiro as copas das árvores balançarem ao alto. Penso: o único lugar onde podemos ficar é a floresta, pois possui arvores alta que nos protege e ajuda em nossa ocultação. Andamos até a cerca que nos separa dos animais e a escalamos até o topo pulando para o outro lado tentando não fazer barulho. Procurei uma árvore com galhos grossos e firmes, para agüentar o peso de nossos corpos. Levanto Sara e ela agarra no primeiro galho que vê em sua frente e tenta subi-lo. Auxilio-a na escalada, pois nunca subiu em uma árvore, sua vida era resumida em livros; sempre que entrava em seu quarto estava repleto de pilhas de livros amontoados no seu criado-mudo ou em sua escrivaninha. Chegando lá encima observo a paisagem: Um campo que um dia foi povoado agora cheio de crateras deixado pelas bombas, casas destruídas, fumaça subindo aos céus e vidas perdidas. Penso novamente em minha mãe e meu pai sempre trabalhando muito para pagar os impostos cobrados pelo Rei Rokin e para nos alimentar e raramente comprar livros a Sara. Olho para ela e me lembro de minha tia, tinha os mesmos olhos castanhos, cabelos pretos, lábios finos e largos e sua paixão por livros. Percebo que o sol esta nascendo no horizonte e sua luz banha o vale com seu brilho natural. Percebo que ficamos a maior parte da noite desacordados, pois os bilos voadores chegaram antes das luzes de todo o reino apagar. Desço da árvore devagar para não chamar a atenção de qualquer animal que esteja por perto. Enquanto desço Sara agarra meu braço e pergunta:
-Aonde vai?
-Irei procurar algum instrumento que possa ser usado para caçar.
- Não vá muito longe! – diz ela em um tom preocupado.
- Não irei, marcarei o caminho com pedras assim se houver qualquer problema siga elas.
-Tome cuidado com os animais selvagens!
- Serei cuidadoso – Me lembro do saco de balas que comprei no bazar – Pegue este saco de balas terá ele se qualquer imprevisto acontecer.
Começo a andar pela floresta tentando não perder a cerca de vista, marco o caminho com pedras como prometi a Sara. Procuro grandes ou pedaços de madeira onde eu possa moldá-los até ficar com uma ponta similar a de uma flecha. Não acho absolutamente nada além de um ninho de escorpiões e uma enorme colméia. Escuto um chiado ao longe continuo andando e a cada passo o som fica cada vez mais alto logo percebo que é um rio e começo a correr o mais rápido que posso esquecendo as pedras. Olho para a água cristalina e azul que corre o rio e fico fascinado, pois na época em que eu e meu pai caçávamos nunca vimos ele. Vejo criaturas correndo pelo rio e logo penso: Peixes! Posso pega-los ao invés de me arriscar tentando caçar. Enrolo minhas calças até os joelhos e entro no rio. Reparo água passar por minhas pernas sentindo a força da correnteza vejo as pequenas criaturas passando ao meu lado e tento pega-los, mas todas as tentativas foram em vão, eles são muito rápidos e escorregadios. Vejo uma das árvores se movimentar como se alguém estivesse a balançando logo em seguida aparece um garoto alto, cabelos encaracolados, olhos fundos e forte. E diz para mim:
-Acho que você não tem muita agilidade para pescaria.
Ele se aproxima do rio e pega um peixe com bastante rapidez e morde ele no local onde se localiza as brânquias. Meu estomago embrulha e tenho uma ligeira vontade de vomitar. Ele estende a mão para me cumprimentar e diz:
- Muito prazer, meu nome é Peter e aquela – ele aponta para a árvore de onde pulou e percebo uma silhueta entre as folhas – é Veronica. Pegue esse peixe você precisa mais do que a gente.
Escuto um grito agudo vindo de longe, Sara penso, deixo Peter falando sozinho e corro o mais rápido que posso seguindo minha trilha. Quando chego não noto nenhuma diferença desde que sai, mas ao contornar a árvore percebo que há uma cobra embaixo. Ela percebe minha presença e me observa com seus olhos desafiadores. Ela da o bote eu me esquivo, mas não foi o suficiente. Sinto um ardor no meu braço esquerdo seguro-o com força. A dor é tão forte que desmaio.
Acordo ao lado do rio em cima da mesma árvore em que Peter pulou quando o conheci. Procuro por Sarah tento me levantar, mas a dor no meu braço é tão forte que me faz senti-la por todo o corpo. Meu braço estava coberto por folhas e logo ao me levantar todas caem e vejo a picada. Com meu conhecimento sobre cobras
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