O Mundo de Narem
16 Finalmente o fim
Notas iniciais

– Como se sente?
– Estou bem – respondeu.
– Tem certeza?
– Miguel... Eu estou bem.
Sofia ergueu-se devagar, não sentia dor alguma. Mas estava completamente atordoada. Encarou o duende Aaron e lhe deu um sorriso fraco.
– Obrigada.
– Não é necessário agradecer. Vamos voltar para o lago, temos algumas fadas para aniquilar. Ah, ia esquecendo – ele encarou os dois. – Se contarem isso pra alguém, eu vou colar a boca de vocês com a cola que eu uso nas botas que confecciono!
Aaron seguiu correndo para o lago, deixando os dois para trás.
– Eu fui salva por um louco.
– Ele é um louco legal – afirmou Miguel.
– Vamos para o lago! Talvez a Lydia tenha aparecido.
E avançaram para o lago. Não haviam muitas diferenças desde que chegaram, todos os seres continuavam lutando com fervor. Mas, ao que parecia, mais fadas tinham sido mortas. Os seres de Narem começaram a levar vantagens sobre elas. Talvez a experiência, finalmente, tenha falado mais alto. As fadas estavam começando a ser encurraladas, estavam prestes a desistir.
– Parem! Parem!
Era a voz da líder das fadas, a mais temida por todos. Aquela que era capaz de tudo apenas para conquistar o trono de Narem, até mesmo assassinar a própria irmã estava em seus planos. Todos abaixaram suas armas para escutá-la. Quando a avistaram, tiveram uma grande surpresa.
Naomi estava em condições lamentáveis. Suas belas vestes brancas estavam manchadas de um líquido azul claro, era o sangue dos seres místicos. Seus cabelos, antes tão macios e bonitos, estavam emaranhados. Seus braços, pernas, o seu rosto... em todo lugar se podia ver um novo corte. Mas essa não era a pior visão dos seres de Narem. Algumas fadas traziam em seus braços, uma bela sereia de cabelos azuis. Que se encontrava em situações semelhantes à irmã. A diferença era que Lydia estava morta.
– Como todos podem ver, eu venci! Eu derrotei sua rainha, povo de Narem! Rendam-se a mim, e eu pouparei suas vidas – disse ela triunfante.
Mas nenhum ser ergueu-se frente à rainha. Nenhum duende desejou lhe fazer uma bota, nenhum centauro concordou que ela merecia um casaco, nenhuma sereia a aceitaria em seu lago, e nenhum unicórnio a deixaria acariciar a sua cabeça. Nenhum ser de Narem moveu um músculo sequer, preferiam morrer a servir alguém como Naomi.
– Acha mesmo que tem chances contra mim, querida irmã? Eu irei lhe destruir – avisou Naomi.
– Você jamais conseguirá!
As belas irmãs lutavam em um local distante de Narem, encontravam-se totalmente sozinhas. Estavam em um belo campo de flores que mudavam de cor, bem na beira de um precipício. Á esquerda da luta, passarinhos acompanhavam a cena em cima de uma grande árvore.
Já estavam se enfrentando a muito tempo, as duas eram fortes oponentes. Era um corte aqui, e outro acolá. As maldições que lançavam uma na outra, eram extremamente perigosas, que matariam facilmente um ser mais fraco e com menos habilidade. Naomi era a que investia mais vezes, procurava a todo custo acertar a irmã. Lydia era a que mais se defendia, procurando mudar o rumo da situação:
– Pare com isso, Naomi! Chega de lutas. Não foi isso que nossa mãe desejou para nós, não foi isso que ela nos pediu para fazer.
– Não vou cair nessa sua conversa! Sei que irá me matar quando tiver a menor chance – berrou.
– Eu jamais faria isso irmã... Porque eu amo você.
Por um momento, elas pararam de duelar. As luzes azuis e brancas, que tomavam conta do local, se apagaram por completo. As irmãs se encaravam, mas sem um pingo de ódio no olhar. Os olhos da líder das fadas estavam brilhantes, parecia que iria chorar a qualquer momento.
– Vamos começar novamente. Dessa vez, sem brigas, sem guerra. Podemos voltar a observar as flores na primavera, podemos realizar o desejo de nossa mãe. Podemos ser verdadeiras irmãs de novo. Eu amo você, minha irmã... Eu amo você tanto quanto amo Narem!
O coração de Naomi palpitava, pedia para que ela aceitasse a proposta. Mas a sua mente, pedia que atacasse de surpresa, que tomasse Narem para si. Lydia decidiu aproximar-se, com cautela, da irmã. Olharam-se nos olhos, Lydia segurando os ombros de Naomi. Foi quando a apertou em um abraço. Fazia um bom tempo que não se abraçavam daquela forma, fazia séculos...
Mas a visão de sua infância, trouxe Naomi de volta para o que desejava. Era a querida do seu pai, mas ele morreu cedo. A mãe sempre preferira Lydia, sempre lhe dera mais atenção. E assim, Naomi cresceu no esquecimento.
Empurrou Lydia no chão, e lançou nela a maldição mais forte que conhecia. A maldição que se tornou fatal para a bela sereia.
– Está bem. Se não querem se render, sinto muito em lhes informar que todos você serão aniquilados.
– Venha tentar nos matar – disse Sammy.
Naomi soltou uma gargalhada.
– Acham mesmo que têm chances contra mim? Eu derrotei a rainha de vocês, é meu direito ficar com o trono.
– Terá que passar por mim primeiro – disse o pequeno duende de botas felpudas.
As fadas fizeram um movimento de ataque, mas Naomi as impediu. Estava muito ferida, mas queria lutar com Sammy pessoalmente.
– Será uma honra destruí-lo – disse ela.
Jorros de luz vermelha e branca tomaram conta do centro de Narem, todos observavam a disputa. No primeiro ataque de Naomi, Sammy foi lançado para longe. Todos pensavam que ele havia morrido, mas o que os duendes tinham de mais especial era a sua força e determinação. Ele ergueu-se novamente, e voltou para o combate.
– Você é um duende forte. Tem certeza que não deseja se aliar a mim? – perguntou pela segunda vez.
– Eu nunca irei me juntar a você. Sua nojenta!
Aquilo apenas atiçou ainda mais a raiva da fada. Ela jogou uma nova maldição, mas dessa vez, Sammy estava preparado, e conjurou um escudo enorme à sua frente. Um escudo vermelho e brilhante, que logo se transformou em uma maldição de ataque. Pois foi se deslocando, devagar, para o lado de Naomi. Recuando a luz branca que vinha das mãos da fada líder. Os olhos de Naomi arregalaram-se, estava impressionada com a força que aquela pequeno duende tinha. A luz foi chegando mais perto, até que tomou conta de Naomi por completo. Sammy havia matado aquela que fora inimiga de Narem por dois séculos.
As fadas desistiram, renderam-se à Sammy e à sua superioridade. Finalmente, depois de muito tempo, os seres de Narem conquistaram a vitória na guerra. Mas, infelizmente, não conseguiram salvar a sua rainha.
Fale com o autor