Notas iniciais
Chegamos no fim da história... Bem, vamos deixar as despedidas para as Notas finais. Tenham uma boa leitura.

Era uma tarde de sábado bonita e ensolarada. Os passarinhos piavam do lado de fora, e pequenos raios de sol atravessaram a janela do sótão. Uma garota procurava desesperadamente por algo que havia perdido. O sótão era o lugar onde seu pai guardava tudo que era velho, mas que ele não tinha coragem de jogar fora. Ela tinha certeza de que ele havia jogado seu livro de filosofia em meio às caixas, achando que era um antigo livro seu. Já que tal era apaixonado por livros. Principalmente por livros velhos. Ele adorava dizer que quanto mais velho e desgastado for o livro, mais ele tem pra te ensinar. Mas era apenas uma das frases sem sentido dele.

A garota tinha belos cabelos castanhos. Eram tão cacheados quanto os da mãe, e também tinha os mesmos olhos que ela. Mas a menina era extremamente magra e alta, como o pai. Ela parecia uma cópia perfeita dos dois, ou quase isso. Em meio à bagunça, ela achou um bocado de coisas. Um livro antigo de Louisa Reid, que por sinal seu pai adorava, particularmente por ter sido o primeiro livro que ganhou da esposa, ainda adolescente, mas isso é outra história. Encontrou um casaco estranho, enfeitado com dentes. Aquilo era repugnante, a menina pegou com as pontas dos dedos e jogou longe. Encontrou também um belo vestido verde, juntamente com belas botas felpudas. Aquilo sim era bonito. Olhando bem para a roupa, a garota lembrou-se das fotos do baile de formatura de seus pais e percebeu que aquele era o vestido que sua mãe tinha usado. Uma bola de futebol furada e aos farrapos, o terno velho de seu pai, um álbum de fotos e uma grande folha de papel enrolada. Ela abriu apenas por curiosidade, e se deparou com diversas linhas coloridas brilhando. Era um mapa. E um ponto distante piscava com os dizeres: “Narem”.

Ela parou por um momento. Por anos escutou dos pais a história sobre um mundo mágico chamado Narem, um lugar grandioso e magnífico. E na história, era citado um mapa. Mas, era impossível. Seus pais disseram que era apenas um lugar fictício. Mas aquilo parecia tão real quanto o amor dos dois. Dobrou o mapa misterioso e guardou no bolso do casaco. Ficou tanto tempo ali que desistiu de procurar o livro, já estava de saco cheio de tanta poeira em seu rosto. Desceu as escadas e decidiu explorar. Decidiu que iria esclarecer esse mapa.

Chegou à trilha que brilhava mais intensamente no mapa, mas teve receio em prosseguir quando estava na floresta. E se ela se perdesse? Seus pais iam estrangulá-la. Acontece que uma filha daqueles dois jamais iria desistir de desvendar um bom mistério. O sol estava começando a descer no horizonte, devia se apressar. Acelerou o passo e logo chegou em uma pequena caverna cheia de pedras, as letrinhas do mapa agitaram-se como nunca. Mas acontece que não havia nada ali, nada além das pedras. Ela parou para raciocinar um pouco. Precisava lembrar da história, como que a menina chegou mesmo? Ela ouviu o conto, pela última vez, quando tinha uns dez anos. E já estava com quinze! Como iria lembrar-se? Mas as idéias surgiram aos poucos, e quando olhou para trás, um pequeno riacho corria. Era ali mesmo, a entrada para o tal lugar chamado Narem.

Disparou para tirar as pedras, a euforia tomando conta dela. Será que era verdade toda aquela história sobre um sábio duende de botas felpudas? Seria verdade que fadas não eram legais e sim muito piradas? E seria verdade também que uma bela rainha de cabelos azuis havia governado esse lugar? Sem tempo para mais perguntas, ela entrou pela pequena passagem. E lá estava ele. O Mundo de Narem. Os habitantes rondando para lá e para cá. Sereias dando saltos inacreditáveis em um grande lago, duendes fazendo botas em um grande Vale cheio de passarinhos. Centauros com seus arcos nas costas trajando casacos horríveis, mas até que tinham estilo. E em um declive, bem lá em cima, pequenos pontos de luz brilhavam cheios de vida. Uma musiquinha animada enchia os ares de alegria, e aí ela percebeu que alguns duendes tocavam instrumentos. Todos montados em unicórnios, levando ainda mais alegria para os moradores. O duende que comandava a música, parou no instante que avistou a garota ao longe. Os outros fizeram o mesmo. O duende pulou assustado de seu unicórnio e correu em sua direção. Ele tinha cabelos brancos misturados com castanhos. Usava um chapéu pontudo vermelho, igual suas botas. A menina pensou que se ele envelhecesse mais um pouco, iria parecer o papai Noel, só que um pouco menor.

Duendes acompanharam os passos de seu rei, sereias criaram forma humana e saíram do lago, fadas voaram em direção à entrada, centauros galoparam ansiosos e enfim, todos chegaram perto da estranha. Eles a olhavam com total estranheza, mas com um certo brilho no olhar.

– Oi – disse ela.

Ao invés de responderem a saudação, eles sussurravam entre si:

“É ela. É a menina bolinho.”

“Eu não acredito! É a menina bolinho.”

“O que será que ela veio fazer aqui?”

– Saudações, menina! – disse o duende vermelho. – Eu sou Sammy, o...

Por um momento, Sammy esqueceu que era rei, na verdade isso acontecia sempre. Após lembrar-se, continuou:

– Sou Sammy, o rei de Narem. Seja bem-vinda. E vocês parem de sussurrar “menina bolinho”. Por favor!

Todos se dispersaram, e deixaram os dois sozinhos para que Sammy a mostrasse o lugar.

– Por que me chamam assim? Eu nem sou gorda pra ser um bolo!

– Deixe pra lá. Meus amigos têm mania de dar nomes estranhos para os nossos convidados. Vamos, eu te levo para conhecer o nosso lar.

– Não vai nem perguntar meu nome?

– Eu não preciso saber seu nome. Você a Elisa não, é? Você é a filha de Sofia e de Miguel, meus caros e eternos amigos. Eu vi você quando ainda era uma criança, bem pequenininha, que parecia até um bolinho. Daí o nome! – respondeu sorrindo.

– Ah... Então, tá bom!

Circularam por todo o lugar, visitando todos os seres. Uma árvore com folhas azuis chamou a atenção de Elisa. Enquanto se aproximavam, Sammy contou a história da árvore.

– Ela foi erguida em homenagem à nossa última rainha. Ela adorava azul... – havia tristeza em sua voz.

Quando chegaram no tronco da árvore, havia uma foto pregada ali. Era a foto do casamento de Sofia e Miguel, ou melhor, a outra foto do casamento. Elisa nunca tinha visto aquela. Sua mãe estava deslumbrante em seu vestido branco, seu pai com um sorriso nervoso ao seu lado, mas, ainda assim, estava lindo também. Os seres de Narem estavam ao seu redor, todos com um sorriso do tamanho do lago das sereias. Os avós dela estavam ali também, infelizmente não saíram bem na foto. Pois quando ela foi tirada, eles olhavam para os seres de Narem com os olhos arregalados.

– Desde que você nasceu, eles não puderam mais nos visitar. Sabe, compromissos de humanos...

– Eu sinto muito, Sammy.

– Não precisa. O fato de você estar aqui já é mais do que esperávamos.

– Você quer ver eles? – perguntou ansiosa.

– Quem?

– Os meus pais! Eu posso trazer eles aqui! E ainda hoje!

– Você pode mesmo?

Sem responder, Elisa correu para a entrada de Narem e foi em disparada para casa. O sol já estava quase se pondo. Abriu o mapa ansiosa, e seguiu às linhas até em casa, o mais rápido que podia. Abriu nervosamente as portas de sua casa. Chamou pelos pais, e logo eles apareceram.

– O que houve, filha? – perguntou o pai.

– Venham comigo! Venham, venham! – disse puxando eles.

– Para onde? – indagou sua mãe.

– Vamos fazer uma visitinha à Narem.

**

– Como você está diferente, Sammy.

– Vocês também estão, parecem velhos – disse.

Sammy, Sofia e Miguel conversavam a sós enquanto Elisa explorava o lugar com os outros seres.

– Ela pareceu gostar daqui – disse Sofia.

– Digam que ela pode voltar quando quiser.

– Desculpe por ter ficado tanto tempo fora. De verdade.

– O importante é que nos vimos de novo, e isso é esplêndido – disse Sammy sorrindo.

– Já está tarde, Sammy. Ficamos aqui por horas, devemos ir para casa – avisou Miguel.

– Vocês prometem que virão novamente?

Os dois concordaram, apanharam Elisa e seguiram para casa. No caminho, um pequeno monte chamou a atenção dos pais de Elisa. Eles subiram e observaram as estrelas atentamente. Elisa apenas observava os dois.

– Foi aqui que a gente se beijou pela primeira vez, lembra? – perguntou Sofia.

– Claro que lembro. Eu te peguei e te girei no ar assim.

Ele repetiu o gesto. Mas logo largou a mulher no chão.

– Me desculpe, querida. Mas eu não sou mais nenhum adolescente.

Os dois riram, e Elisa conseguiu se intrometer.

– Olhem, eu sei que tudo isso é muito fofo e tal. O primeiro beijo de vocês... Mas, pelo amor de deus! Isso é brega!

– Quando você estiver apaixonada, irá entender – disse a mãe.

– O que não vai ser tão cedo, só pra constar – avisou o pai.

– Vamos para casa – chamou a menina.

A família seguiu para o seu lar. Pensando no dia seguinte, quando retornariam mais uma vez à Narem. E assim, a história sobre um mundo mágico cheio de vida e encantos, foi passada de geração em geração.

Notas finais
Pois é... Chegamos ao fim. Queria agradecer a todos que me acompanharam nessa jornada. Agradeço à Skinny e à Aislyn Scath pelas lindas recomendações. E agradeço aos comentários de: Garota Apaixonada que sempre me divertiu, a Bullet Elf, ao The Begin que meu deu grandes conselhos. E Carol que sempre me motivou a continuar. A Letícia PS, que foi incrível em seus comentários. E ao masterjoca10 que deixou comentários enormes e lindos! Haha E a todos os outros que me acompanharam até aqui. Vcs são os melhores!! Entrem para o grupo da fic no facebook, para que possamos manter contato e leiam os avisos de lá, pois são importantes! Aqui o link: https://www.facebook.com/groups/1451010088502512/ Mais uma vez, agradeço imensamente a todos vcs. Eu os amo como amo à Narem! Queria pedir aos "fantasmas" que deixassem um último comentário, pois eu faço questão de me despedir formalmente de cada um de vcs. Um enorme beijo, nos vemos por aí. Até!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!