Notas iniciais
"Os miseráveis não têm outro remédio a não ser a esperança." — William Shakespeare

O barulho de água caindo fortemente me despertou e fez com que as lembranças corressem pela minha mente, cada flash feliz e doloroso da minha curta vida de criança. A lembrança de mamãe e papai nos levando a AN Citie de Pray, que ficava onde um dia foi a fronteira entre Estados Unidos e Canadá e na escala de segurança era a 15ª em segurança, mas mesmo assim mamãe sempre nos alertava para ter cuidado. A intenção da viagem era ver as Cataratas do Niagará. A cidade tinha enormes barreiras de um material cristalino. Eu nunca tinha visto nada igual, a cidade era limpa , tranquila, bastante clara e arborizada, nada comparada a escuridão tempestuosa e as arvores mortas da terra de ninguém que moravamos. Por alguma razão que eu não sabia, mamãe e papai evitaram entrar pela abertura principal e vigiada da cidade...


—Despertou? — a voz era rouca e controlada. Tentei abrir meus olhos, mas parecia que estavam grudados com uma super cola. Forcei mais uma vez e abri aos poucos, uma imagem embaçada surgindo logo acima de mim, não tinha luz suficiente para ajudar também. O lugar que eu estava deitada era duro e algo me cobria ligeiramente.


— Quem-m é vo-cêê? — minha voz saiu arrastada, a garganta estava seca. Grunhi com o esforço. Olhei ao redor a procura da minha irmã e entrei em desespero. Onde ela estava ?


— Sua irmã está bem, está colhendo lenha pra acender o fogo. — O rosto embaçado foi ficando mais nítido e então notei que era um rosto de uma garota um pouco mais velha que eu. Ela tinha cabelos loiros quase brancos, olhos de um azul meio violeta e a pele era pálida, mas estava tão suja quanto eu e minha irmã. Seus lábios eram uma linha reta e severa e tinha uma grande cicatriz rosada que começava debaixo do olho esquerdo até a bochecha, pelo o que parecia essa cicatriz era recente.


— A propósito, meu nome é Freya, tenho quatorze anos. Salvei vocês na floresta, apesar da sua irmã ter me batido com bastante força quando a encontrei. Seja bem vinda a minha humilde casa . — A encarei por instante processando e ligando os fatos, então o grito de dor naquela hora foi dela... Novamente escutei o barulho de água caindo fortemente.


— Estamo-os pe-erto de uma queda de água-a? — a voz não ajudava, pigarreei para melhorar.


— Sim, uma cachoeira de quinze metros, essa cabana fica bem próxima dela. — escutei passos e vi minha irmãzinha com alguns galhos nos braços sorrir para mim.


— Aiko-nee..- ela jogou os galhos no chão e correu na minha direção. Estiquei meus braços machucados e a abracei. Estava tudo bem por agora. Tudo bem, fechei meus olhos. Minha irmã apertou meus ombros e chorou. — Pensei que iria me deixar. — a apertei e logo depois soluçamos juntas. Abri os olhos e notei Freya nos observando.


— Família é algo bom. — ela comentava distraidamente e parecendo meio desconfortável. — Fico feliz por vocês, é um laço bonito.


— Agradeço por nos ajudar... de verdade.


— Não precisa agradecer. Fiz algo que esperava que fizessem comigo, sei como é esperar pela morte. — Freya tocou sua cicatriz como se lembrasse de algo. — Sintam-se em casa.. — ela olhou ao redor — Não tenho muito a oferecer apesar de tudo.


— A próposito que lugar é este? Estamos próximas a AN Cities?


Naomi me encarou seriamente e depois olhou para Freya.


— Aiko-nee, estamos próximas a Kamagasaki. — pisquei assustada. Kamagasaki em Osaka? Era um pouco distante de Yoru no Kawa, talvez um 30 km. E era um lugar bem violento, já que Osaka estava em 147º no ranking de segurança. Talvez corríamos mais perigos na cidade do que na perdida e infértil Yoru no Kawa. Mamãe tinha nos dito para nunca ir em Kamagasaki e aqui estávamos nós... a pequenos passos de distância.

Então tudo estava começando a funcionar. Se eu não estivesse enganada, mamãe disse para não irmos, mas também nos falou de um antigo amigo seu que morava lá. Uma das poucas pessoas em que, segundo ela, poderia confiar. O problema era que ele tinha um péssimo gosto sobre lugares para morar e para jogos. Talvez esse homem soubesse de algo... talvez nos ajudasse pelo menos a entender porque nossos pais foram mortos.


Naomi pareceu captar algo em meu olhar e logo perguntou. — O amigo da mamãe ? Seth Uchida?


— Sim- confirmei, captar ideias uma da outra era algo tão natural quanto respirar para nós — Freya, você poderia nos ajudar mais uma vez?


— Se vocês me ajudarem em troca, é óbvio. — ela parecia planejar algo, seu rosto estava sério. Estava vestida com uma calça e uma blusa preta imunda. Tão magra que seus ossos eram percebidos na roupa escura.


Minha irmã sentou-se e me ajudou a sentar também. Nós parecíamos crianças quase mortas. — Vai nos contar o que é? — perguntei a Freya e ela me encarou, seus olhos azuis violetas diziam que não.

— Fechado ou não? — foi o que ela disse.

—Fechado. — Afinal, não tínhamos qualquer outra escolha.

Notas finais
Boa leitura, espero que gostem! Ah, deixem sua opinião também ;3 - Bjos, da Autora
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.