O Mundo Secreto De Ágatha.
27 Choques, leões e machucados da alma.
Notas iniciais
Quando Floyd pousou no chão eu senti que havia alguma coisa errada. Diogo ficou tenso e engasgou. Ele ficou palido e me encarou nervoso. Olhei pro cima do seu ombro, mas tudo que eu vi foi um leão negro deitado na porta.
– É uma fera perigosa? — Perguntei nervosa chegando um pouco mais perto dele. Nunca havia visto nada parecido. Tentei disfarçar o fato de que estava quase agarrada a ele tentando me esconder do bicho.
– Perfeitamente adestrado. — Falou Diogo nervoso.
– Então... — Falei voltando a me afastar. — Por que está tão nervoso?
– Agastar você tem que fazer exatamente o que eu estou dizendo tudo bem? — Encarei-o confusa. — exatamento o que eu disser Agastar! Sua vida pode estar em jogo.
– O-O... O que?
– Tem alguem lá dentro, muito perigoso. E que me odeia muito. Desça do Floyd entre pelos fundos e se esconda.
– Sou uma guerreira, sei muito bem como me defender!! — Falei levantando meu queixo.
– Agastar, agora! — Falou ele nervoso, insistente e suplicante. Senti que a coisa era seria.
– Não seria melhor me esconder na floresta então? — Dante sacudiu a cabaça vigorosamente.
– Ele te encontraria. — Disse indicando o leão negro deitado no chão. — Temos que descer ao mesmo tempo, então você tem que ir o mais rapido e silenciosamente possivel ate a porta dos fundos. Se esconda e aja o que houver não se mexa, não faça barulho e não tente me ajudar. Você vai esperar não importa o que aconteca e so vai embora quando estiver seguro promete?
– Diogo... — Ele colocou os dedos na minha boca e se virou preocupada. Passos se aproximavam. Dava para escutar um homem gritando o nome de Diogo.
– Agora Agastar, por favor. — Pediu desesperado. Não havia mais tempo. A porta se abriu. Escorregamos ao mesmo tempo. Corri para a lateral da casa enquanto Diogo procurava atrair o maximo de atenção possivel para si. Meu coração batia desesperado.
Andei o mais rapido possivel tentando fugir das folhas. Ouvi o leão se levantar e estava tão nervosa que nem conseguia prestar atenção nas vozes na entrada. Corri para a porta dos fundos e a abri devagar. Os dois ainda estavam na entrada. Corri para dentro da cozinha e entrei na despensa. Havia entrado não fazia nem dez segundos quando os dois voltaram. Eles não pareciam estar mais conversando. Na verdade basicamente o cara estava surrando Diogo e ele tentava retribuir em vão. Como em tão pouco tempo Diogo tinha ficado tão machucado. A velocidade do cara era assustadora. Diogo não tinha nem chance.
Ele apenas o arrastou ate o meio da sala e o largou no chão. Eu não conseguia ve-lo direito, só conseguia ver Diogo deitado no chão, ensaguentando. Nossos olhos se encontraram. Puxei a espada. Diogo me olhou em desespero, implorando silenciosamente. Eu tinha que fazer algo certo?
– Eu estava com saudades irmãozinho. — Disso o homem com deboche. Tapei minha boca chocada. Mas agora que ele havia falado os dois eram mesmo parecidos. Mas o segundo parecia mais velho, mais sombrio, mais... cruel. — Não podia perder nossa reuniãozinha anual, certo? Como você tem estado?
O irmão de Diogo nem o deixou responder, ele chutou as costelas de Diogo E enfiou a espada no chão ao lado do seu rosto. Diogo rastejava no chão tentando se levantar, mas ele estava tonto. O homem se agachou.
– Eu estava pensando, como eu poderia te castigar o tanto que você merece? Não bastava rouba-la de mim, você tinha que mata-la também não é? Você aproveitou? A morte dela? Foi devagar e dolorosa, assim como vai ser a sua... — O homem deu uma gargalhada arrepiante. — Tenho tantas coisas planejadas para você... Não vejo a hora. Mas você deveria reagir mais. Assim não tem muita graça sabe? Eu sei que você sabe que merece tudo isso... É por isso que você não reage, não é? — Dante não o encarava. Ele apenas levantou com dificuldade encanrando o chão. — Diga-me, quanndo ela estava morrendo, ela falou sobre mim? Ela falou sobre os meus beijos quentes? Ela falou sobre aquele dia no meu quarto? — Perguntou venenoso. Diogo investiu e deu-lhe um soco no queixo. seu irmão sorriu triunfante. — Bem melhor. — Ele gargalho novamente.
Andei até a porta da cozinha com a espada em mãos. Talvez se eu apenas desse um choque nele, ele ficaria desacordado. Coloquei o nivel de eletricidade no máximo. A arma zuniu baixinho. Comecei a suar frio. O homem se levatnou e começou a destruir os moveis ao redor. Ele sorria e gritava como se estivesse se divertindo. A mesinha com a gaveta que eu havia investigado se partiu em varios pedacinhos. Havia alguma coisinha espreitando pelos pedaços de madeira mas nenhum dos dois parecia te percebido.
– Espero que esteja preparado irmãozinho. Vamos nos divertir muito hoje. Você vai me pagar. — O homem levantou a espada com gosto e um sorriso louco e sadico no rosto. Corri e o acertei com a parte metalica na nuca. Ele tremeu com a intensidade do choque e desabou no chão desmaiado. Soltei o ar que eu estava prendendo e respirei ofegante. Soltei a espada no chão e corri para ajudar Dante, digo Diogo a se levantar. Seus olhos estavam mareados, assustados, culpados... Era dificil entender.
– Você ficou louca?! — Gritou ele para mim. — Eu te pedi, implorei... Porque você fez isso?!!
– Você queria que eu te deixasse para morrer?!
– Sim! — Respondeu ele com uma sinceridade e clareza assustadora. — Que droga Agastar!! Por que você nunca pode fazer o que eu peço?!
– Eu estava tentando ajudar! Eu me importo com você, seu idiota!
– Agora ele sabe que você existe, quando tempo você acha que ele vai levar pra te achar? Hein?! Pra te torturar, depois torturar e matar seus amigos na sua frente?? — Um arrepio subiu pela minha espinha. Me movimentei sem jeito.
– Eu não podia te deixar daquele jeito. — Falei com os olhos molhados e a visao meio embacada. Tentei me aproximar dele, tocar seu rosto machucado. Ele segurou minhas mãos e as enxotou. Meu coração doeu, mas não desiti. Me aproximei mais e tentei abraça-lo, beija-lo. Ele apenas me empurrou. — Pensei que você gostasse de mim. Pensei que me queria por perto desde o inicio... — Ele não falou nada, apenas amarrou as mãos e os pés do seu irmão. Segurei sua camisa e o puxei.
– PARE! SÓ... PARA! — Gritou ele me espantando. Diogo estava transtornado.
– Você ja parou pra pensar que era isso que eu queria? Que isso era exatamente o que eu queria?
– Você quer me dizer que ele estava falando a verdade? O tempo todo?
– Sim Agastar ele estava falando a verdade o tempo todo. — Cai sentada no sofá sem saber o que pensar. Olhei para o lado e encarei os destroços da mesinha de madeira. Diogo olhou e tentou me impedir de verificar o que era aquilo escondido nos escombros. Aquilo que estava escondido o tempo todo e eu tinha percebido desde o começo. Era um papel. Ele correu para me impedir mas eu fui mais rapida. Diogo colocou as mãos na cabeça e olhou para cima. Encarei o papel boquiaberta, confusa e acima de tudo furiosa.
– Quem é essa Diogo? Era dela que ele estava falando? — Perguntei com o coração martelando. Diogo olhava para o lado sem me encarar nem me responder. — RESPONDE!!
– Sim Agastar, é dela que ele estava falando.
– Quem era ela Diogo? Hein? Só me responde. — Falei com o sangue subindo à cabeça.
– Ela era minha noiva.
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