Notas iniciais
Gente desculpa, estou meio que com um bloqueio criativo esses dias e não consegui escrever muito nesse capitulo, mas prometo que no próximo eu tento colocar mais coisas ok? Aproveitem esse trechinho e desculpa mais uma vez.

Após fechar a gaveta bruscamente, com o coração ainda acelerado e o nariz ainda reclamando da poeira levantada, tentei ficar em pé. Minhas costelas protestaram veementemente lançando pontadas lancinantes de dor em meu peito. Mordi meus lábios para sufocar os gemidos de dor que ameaçaram escapar e me forcei a continuar levantando. Arfei de dor com uma pontada particularmente fina e prolongada, mas tentei ignora-la. Eu já estava suando frio. Manquei de mal jeito até bem próximo à porta, usando a parede rustica e pedregosa de apoio. Não que ajudasse muito, mas era um bom apoio moral.

‒ Diogo? Você está bem? ‒ Perguntei me escorando na parede e secando minha testa molhada de suor. ‒ O que foi esse barulho?

‒ Estou bem... ‒ Respondeu simplesmente gritando do outro lado da porta grossa e acabada. Após um instante de silêncio ele abriu a porta de supetão e me encarou zangado. ‒ O que você está fazendo aqui de pé? ‒ Perguntou ele furioso. Estiquei o pescoço para olhar dentro do quarto. Suspeitei da origem do barulho ao ver o quarto extremamente destruído e bagunçado, com coisas jogadas pelo chão e cobertos de pedaços de vidros. Ele bateu a porta com força e lembrei que havia feito uma pergunta.

‒ Eu só fiquei assustada. ‒ Ele suspirou passando os dedos pelo cabelo desgrenhado.

‒ Me desculpe, não quis te assustar. Eu só... só... ‒ Dei de ombros e o encarei. ‒ Vem, eu te levo de volta para o sofá. ‒ Ele passou sua mão pelas minhas costas com cuidado e me suspendeu em seus braços. Diogo me deitou no sofá e fez menção de tirar minha armadura. Segurei sua mão rapidamente.

‒ O que você acha que está fazendo? ‒ Perguntei irritada.

‒ Calma, eu vou só dar uma olhada nas suas costelas.

‒ Certo, costelas... ‒ Falei olhando-o desconfiada e meio nervosa. Ele desafivelou minha armadura e a retirou pousando-a no chão.

‒ Cuidado pra não ralar, foi muito cara. ‒ Eu estava apenas com uma fina camisa de pano praticamente transparente e ao perceber isso pensei ter visto Diogo corar.

‒ Com licença. ‒ Dante... Eu quis dizer Diogo! Diogo! (Lapsos, lapsos). Ele levantou a blusa devagar até a altura da gaze que eu usava para cobrir meus seios. Diogo respirou fundo, tocando no hematoma roxo no meio das minhas costelas esquerdas. Sua respiração fazia cocegas na minha pele e seu toque gelado me dava calafrios. ‒ Isso vai doer um pouco. ‒ Confessou ele. ‒ Tenho que colocar o osso no lugar e ontem não tivemos muita privacidade.

‒ Me dê alguma coisa pra morder. ‒ Pedi.

‒ Não tenho nada aqui agora. ‒ Disse olhando ao redor. ‒ Me desculpe... Só se quiser morder meu braço. ‒ Disse rindo. Neguei com a cabeça.

‒ Só vá logo com isso. ‒ Pedi fechando os olhos.

‒ Certo, no três ok?

‒ Ok.

‒ 1. ‒ Diogo pressionou o hematoma para baixo de uma vez com certa força e um crack insuportável. Arfei de dor e arqueei o corpo pra cima tentando conter um grito de dor.

‒ Pensei que era no três! ‒ Gritei irritada.

‒ Mudei de ideia. ‒ Ele gargalhou. ‒ Fique ai, não se mexa! Eu volto já.

Diogo pegou um pequeno pote em cima da estante e o encarou quase pesaroso por alguns instantes, então subitamente ele colocou um pouco de água e saiu da cabana. Algum tempo depois voltou com o pote cheio de uma gosma verde e de cheiro desagradavelmente forte e o colocou em um frasco. Então colocou mais um pouco de água e saiu sem dizer nada. Apenas se dirigiu à mim quando voltou com uma nova gosma, dessa vez meio azulada e sem o cheiro desagradável.

‒ O que é isso? ‒ Perguntei.

‒ Isso é para as suas costelas. Vai ajudar com a dor. ‒ Disse espalhando a gosma gelada em cima do hematoma. Minha pele começou a arder um pouco e depois ficou meio dormente. Diogo enrolou uma grossa tira de gaze ao redor do meu corpo e recolocou minha armadura. ‒ Pode relaxar um pouco agora, vou terminar de ajeitar as coisas pra viagem.

Fechei os olhos aproveitando o frescor da cabana e o alivio que o remédio lentamente me dava. Cochilei por um tempo enquanto Dante, digo, Diogo andava de um lado para o outro murmurando algo, que em meu estado de sonolência não pude decifrar. Senti meu corpo ser suspenso no ar e logo depois colocado em uma superfície áspera e quente. Esfreguei os olhos e observei Diogo arrumando Floyd e conversando com ele. Quando percebeu que eu o encarava, sorriu sem jeito e desviou o olhar. Eu estava em uma espécie de plataforma, quadrado sei lá, amarrado em cima das costas do dragão.

‒ Segura firme. ‒ Ordenou subindo no pescoço do Dragão.

‒ Vai com calma ok? Meu estomago agradece. ‒ Falei me agarrando à borda do quadrado em que eu estava. Diogo gargalhou e o Dragão começou a voar subindo de maneira íngreme demais pro meu gosto. ‒ Ai Deus.

Floyd subiu por um tempo que para mim pareceu uma eternidade até estar alto o suficiente para alternar entre voar e planar. O que significa alto pra caramba. Eu tentei seriamente não olhar para baixo, mas não consegui resistir. E minha teoria estava certa. Estávamos voando muito muito muito alto.

‒ Você pode voar um pouco mais baixo? Diogo me olhou de soslaio e sorriu. Eu provavelmente estava parecendo aqueles gatos de desenho animado quando não querem entrar em algum lugar e se fixam em algum lugar com suas garras. Ou aqueles gatos que levam um susto e vão parar no teto.

‒ Diga por favor.

‒ Por favor.

‒ Por favorzinho. ‒ Não espera ai. Ele já estava abusando da minha boa vontade e desespero.

‒ Desce logo essa porcaria!

‒ Olha, assim você vai ofender o Floyd. ‒ O dragão como se respondesse ao seu nome meneou a cabeça e bufou.

‒ Droga Diogo, dá pra descer logo?

‒ Porque Agastar? Você está com medo por acaso?

‒ Quer saber? Esquece! ‒ Ele apenas riu. Cruzei os braços e encarei a copa das árvores. Esperei que ele dissesse mais alguma coisa, mas ele apenas desceu alguns metros. Eu já estava quase dormindo quando sua voz me alcançou.

‒ Agastar você está vendo um caixote de madeira à sua esquerda? ‒ Despertei de um quase cochilo.

‒ O que? ‒ Perguntei esfregando os olhos.

‒ Um caixote de madeira do seu lado? Está vendo? ‒ Olhei para o lado.

‒ Sim estou vendo.

‒ Abra. ‒ Ele esperou pelo barulho da madeira rangendo e continuou. ‒ Você está vendo um pote com um liquido verde?

‒ Você chama isso de liquido? Eu chamo de gosma! ‒ Falei pegando o pote que ele havia pego anteriormente.

‒ Beba.

‒ O que?! ‒ Perguntei irritada. ‒ Eu não vou beber isso!

‒ Agastar é remédio você tem que tomar. ‒ Falou calmamente. ‒ Vai cicatrizar mais rápido.

‒ Tenho que beber tudo?

‒ Não, só um longo gole já basta. ‒ Falou me olhando por cima do ombro.

‒ Oh Deus... ‒ Tampei o nariz e tomei um longo gole. Tampei meus lábios para não cuspir tudo de volta ou vomitar e me forcei a engolir aquela gosma horrenda. Se o cheiro já era forte e insuportável o gosto... Procurei longamente por uma garrafa de água, porém não a encontrei. Diogo permaneceu em silêncio e olhando para frente. Guardei tudo de volta no caixote e voltei a me reencostar na sela. Pouco tempo depois eu adormeci.

Notas finais
E ai o que acharam? Ficaram com gostinho de quero mais? kkkk Brincadeira. E o mais importante... O que será que vai acontecer nessa viagem hein? Espero que estejam com saudade da Agastar!