“Eu não sei qual é a pior coisa, se tornar rainha ou o meu pai não aceitar como eu sou. Já estou cheia de seguir as ordens dele. Agora vou seguir o meu coração.”

25 de janeiro de 1724

–Melanie! Melanie! Acorde! Você está atrasada, ande logo e jogue esse corpo mole para fora de sua cama!

–Ta bom já estou me levantando.

–Ande logo, faça a sua higiene matinal para eu ajudar você a se vestir!

Essa é a Cornelius D’Leing, sim, um nome muito estranho para uma mulher, mas até que se encaixa adequadamente. Ela é robusta, meio que corpulenta, tem monocelha, duas verrugas na cara e tem dente separado.

Quando era pequena eu tinha medo dela, mas oque acho engraçado mesmo é a voz dela, mesmo ela tendo aquela física estranha, a voz dela é fina. Ela nunca foi legal comigo, na verdade, ela não é legal com ninguém.

–Já acabastes de se banhar?

–Estou quase a terminar-rindo-O meu corpete está sob á penteadeira-digo gritando para ela escutar.

–Ande logo, eu não quero que o seu pai corte-me a cabeça em público-disse ela retrucando.

Eu esqueci de contar para vocês sobre o meu pai, bem ele é o rei da Polônia, um destruidor de sonhos, ele quer que eu seje a menininha perfeita dele, mas eu não sou. Ele quer que eu me torne a rainha da Polônia, mas eu não quero.

Eu tenho 16 anos. Eu não quero governar um país até eu ter uma filha (o) ou até eu morrer, eu quero aproveitar a minha vida, como as camponesas são, mas isso nunca vai dar certo para mim.

–Ande, sente-se aqui-diz Cornelius puxando rapidamente a cadeira e penteando o meu cabelo rigidamente rápido que fazia a minha cabeça doer-Que cabelo horrível de se pentear, nem parece que você lavou ele, é tão duro que... — e nesse instante a escova quebra e eu começo a rir- Engole esse riso patético- diz ela rigidamente, ela acaba de pentear o meu cabelo, o prende em um coque e começa a colocar o corpete em mim-Dessa vez eu vou apertar mais.

Uma das piores coisas é usar corpete. Deixa-te elegante? Sim. Deixa-te apresentávelmente magra? Sim. É uma coisa para se usar o dia inteiro? Não. É confortável? Não. Você odeia corpete? Sim, no fundo do meu coração.

Depois de colocar o corpete, coloquei o restante de minhas vestes e me arrumei. Quando estava acabando de colocar os meus sapatos eu fui parada pela Cornelius.

–Antes de você ir, princesinha mimada. Aqui está a sua lista semanal de seus afazeres.

Olho para aquele rosto horrendo e deformadamente feio pegando o folheto e indo direto para a sala de jantar.

Entro na sala e vejo o meu queridinho pai, trabalhando sob a mesa enquanto as serviçais estão colocando o café da manhã na mesa. Sento-me e começo a me servir. Quando vou pegar uma fatia grande de bolo, a minha professora de Boas-Etiquetas aparece.

–Não queridinha não é assim que se deve cortar uma fatia de bolo, você deve cortar com elegância, você vai ser a futura rainha e uma futura rainha não come tanto-diz ela olhando para o meu prato com queijo, frutas e mais algumas fatias de bolo.

–Mas eu como e vou comer oque eu quiser, vadia.

–Melanie! Isso não é modo de uma rainha!

–Claro! Eu sou uma princesa-retruquei.

–Mas você vai ser uma rainha e enquanto eu estiver vivo, você vai obedecer as minhas ordens- disse o meu pai retrucando–Clare, me desculpe por isso- diz ele falando com a minha professora e então ele se virou para mim-Respeite a sua professora, eu não pago ela a toa como as outras, eu pago para você se tornar uma rainha esplêndida e não uma rainha maluca que não vai saber governar a Polônia. Clare continue com os seus ensinos, eu vou ir ao meu escritório, estou sem fome.

Então meu pai levantou, pegou a papelada dele e foi ao escritório.

[...]

Depois de ter feito todas as aulas, eu fui para a aula de jardinagem, que era a última. Eu achava interessante mexer na terra, eu podia esquecer esse mundo maluco aonde eu vivo e posso ser outra pessoa, mas infelizmente eu não posso ficar aqui cuidando das rosas para sempre.

Quando vou me levantar, sem querer eu esbarro em um rapaz, deixando cair a terra que ele levava. Ele deveria ter uns 20 anos.

–Desculpe-me, você está bem?

Olho para a minha roupa e vejo que minha vestimenta está coberta de terra e a dele também. Acho que fiquei alguns minutos olhando para ele. Ninguém iria resistir a esses olhos verde-mel, até eu não resisti.

–Ahn... Você escutou oque eu disse?

–Ah! Sim, me desculpe não te responder antes- ele me ajuda a levantar e assim que me levanto nos encaramos um ao outro-Desculpe-me pelas coisas que você estava levando.

–Hm... Deixe-me adivinhar, você é a Melanie, quer dizer... Princesa e futura rainha Melanie-ele se curva-Muito prazer em conhecê-la. Eu sou o seu professor de Jardinagem.

Quando ele me disse nem acreditei, porque todos os professores que o meu pai contrata são mulheres e raramente ele contrata homens e quando ele contrata, a maioria deles tem em média mais de 50 anos.

–Prazer, Senhor?

–Ah, não me chame de senhor, pode me chamar de John Nicolas Beckinghan, mas seria melhor você me chamar de Nicolas-diz ele brincando-O nome John Nicolas Beckinghan é um nome muito formal. Eu não gosto de coisas formais, eu gosto das coisas simples e ditas. O formal requer tudo de você, mas o simples dá o direito de você ser você mesmo.

–Interessante Senhor... Que dizer... Nicolas-falo finalmente escolhendo um nome apropriado para chama-lo-Então... Por onde começamos?

–Bem... Eu acho melhor você trocar de roupa, vai ser impossível você mexer com a terra usando esse tipo de roupa. Eu te espero aqui.

[...]

–Voltei-digo vestida com uma blusa de manga média que vai até o cotovelo, uma calça marrom e botas.

–Nossa você está encantadoramente diferente, gostei-disse ele, depois foi até uma mesa que tinha no local e ficou procurando alguma coisa na caixa de jardinagem-Não acredito.

–Oque foi?

–Esqueci-me de comprar o adubo, se importa de ir comigo?

–Claro, eu posso ir com você.

–Muito bom assim você irá conhecer o certo e o errado de se comprar adubos e essas coisas de jardim. Eu já volto vou pegar algumas coisas.

Enquanto ele vai pegar algumas coisas, eu vejo pela primeira vez como ele está vestido. Usando uma blusa branca que vai até o pulso, uma calça marrom-clara, botas de couro que eu achei engraçado, pois eu estava vestindo quase igual a ele e o cabelo dele... Um castanho-claro grosso e liso de dar inveja a qualquer garoto. Ele era uma perfeição só. Um rapaz robusto e belo que poderia fazer as garotas do reino todo babar por ele.

–Está pronta?

–Ah... Sim, vamos?

–Vamos.

[...]

Depois de comprarmos o adubo e outras coisas, paramos em uma grande árvore ao lado do castelo que dava de frente para um belo riacho e nos sentamos. O cabelo dele no sol era lindo assim como os olhos dele, aquele verde-mel...

–Então me fale sobre você-diz ele me interrompendo em meus desvaneios-Oque você faz para se divertir?

–Eu não posso me divertir. “Uma futura rainha não pode se divertir, ela tem que cumprir as suas obrigações como uma rainha e não como uma louca”-digo imitando o meu pai.

–Então é assim que ele fala?-diz ele rindo até se cansar-Então a sua vida é só estudar, comer, estudar, estudar e dormir?

–É mais ou menos isso. Quando um professor falta eu posso fazer oque eu quiser.

–Interessante... -ele se levanta e pega uma maçã da árvore-Quer?

–Sim-pego a maçã e lavo-a no riacho.

–Com quem você vai se casar?

–Como disse?

–Eu perguntei quem é o seu pretendente, o sortudo, o garanhão que vai casar com você, para se tornar uma rainha você tem que se casar, então... Quem é?

–Você sabe que eu não sei? Eu não sei mesmo-digo com raiva do meu pai-Eu odeio o meu pai.

–Calma não fique assim Bela Prince...

–Não ficar assim? É impossível não ficar assim. Eu não sei qual é a pior coisa, se tornar rainha ou o meu pai não aceitar como eu sou. Já estou cheia de seguir as ordens dele. Agora vou seguir o meu coração.

–Seguir o seu... Coração? Como eu vou seguir o meu agora?

–É, mas depende como você vai seguir o seu.

–Olha eu não sei se você vai gostar do que eu vou fazer, mas é porque... Eu não aguento mais, tá legal?-nessa hora ele já estava de pé e com certeza com raiva de alguma coisa-Eu te convidei para comprar comigo e estamos aqui de baixo dessa Macieira porque eu sinto uma coisa por você. Entende?

Fiz que sim com a cabeça.

–Que bom, então eu irei dizer com todas as palavras, EU TE AMO.

Levantei-me e fiquei parada na frente dele esperando uma reação dele. Olhando profundamente nos olhos dele e aquela boca... Um desenho perfeito e sensível.

–Mas... Mas eu não sei se acho isso certo, ficar apaixonado por uma princesa. Um plebeu como eu... Eu não sei se isso é certo.

–Pra mim é certo, se você sente algo por mim e eu sinto algo por você, devemos compartilhar isso um com o outro.

–Entendo... Então você não vai se importar por isso.

Quando ele acabou de falar ele me beijou, não era só um beijo sincero e sim um beijo apaixonado. Eu nunca tinha beijado alguém, mas o beijo dele era interessante. Sua língua acariciava a minha de uma forma modesta e impactante. Foi o meu melhor beijo da minha vida e também o primeiro.

Eu acreditava que não ia acabar, parecia um lindo infinito, mas infelizmente tudo que é bom dura pouco.

–Hm... O seu cabelo... –disse ele afastando um fio de cabelo.

–Desculpe e desculpe também por não beijar bem.

–Não, essa última desculpa eu vou ter que recusar, você beija bem- e sem nenhuma pausa para eu falar ele me beija outra vez.

O beijo dele era muito bom, um beijo que ninguém se espera. Mas infelizmente eu tinha que seguir a minha realidade.