O Mundo Proibido
2 Capítulo 2
“Eu não acredito em nada em que você diz em nada mesmo e nem em você”
Depois de termos saído da Macieira, voltamos ao jardim e continuamos a aprender sobre a jardinagem, cada utensílio servia para alguma coisa, da tesoura até o adubo.
–Para você cortar um arbusto com a mesma medida que o outro, você tem que ter uma dinâmica. Você tem que saber as medidas certas para fazer igual ao outro- disse Nicolas.
Ele demorou mais ou menos uns 30 minutos para cortar o arbusto igual ao outro. Às vezes a aula de jardinagem era fácil e às vezes difícil, dependendo do assunto, é claro.
Depois de a aula ter acabado, eu o ajudei a juntar os utensílios.
–É legal mexer no jardim, você gosta? –perguntou Nicolas.
–Sim, com certeza, eu gosto mais desta aula do que as outras. Essa você pode ficar ao ar livre, as outras não. Aqui tem um espaço enorme para sentir o sol, a brisa, respirar os cheiros dessas rosas e sentir a terra, agora... As outras aulas... Você não pode sentir a mesma coisa do que aqui.
–Verdade, quando você está entre quatro paredes você não pode sentir nada, você só sente o frio e provavelmente o cheiro de mofo.
–Eu odeio cheiro de mofo.
–Eu também. Meu pai dizia que era igual a um pum de rato.
–Eca, que nojo de sua parte de falar isso.
–Me desculpe, mas era verdade, bem... Ele falava isso, mas eu não tenho certeza se isso é verdade, acho melhor eu parar de falar nisso.
–Muito obrigada.
–De nada, Senhorita Melanie D’Laur.
–Você sabe o meu sobrenome?
–Só o primeiro, o restante do seu nome eu não lembro, sabe... É muito grande.
–É mesmo, juntando o meu nome e o sobrenome, tenho seis nomes.
–Uau, agora fiquei impressionado.
E depois de ter ajudado Nicolas a guardar as coisas, ele me acompanhou até a porta do castelo e quando eu entrei a primeira coisa que me aconteceu foi a Cornelius reclamar.
–Você não está vendo que está sujando o chão sua idiota!
–Você não tem o direito de se dirigir assim comigo.
–Você é que pensa sua peste! Agora suba e vá se lavar! Daqui a pouco o jantar vai ser servido.
Então eu bufo de tédio e começo a subir as escadas.
–Ande logo! O seu cheiro de suor está impregnado aqui. Ah! Que cheiro horroroso!
Subindo as escadas, passo pela porta do quarto de meu pai e escuto-o falando com alguém de importância no quarto. Fico perto da porta e tento escutar a conversa deles.
–... Temos que fazer isso o mais rápido possível. Nós estamos ficando com poucos recursos, nós precisamos rapidamente solucionar esse problema- disse o homem importante.
–Eu sei Eustáquio, eu sei.
–Você fala isso, mas a cada dia os nossos recursos acabam, precisamos resolver isso rápido, uma forma de dívidas para os camponeses, alguma coisa que dê para pagar novos recursos.
–Eu já sei oque pode resolver. Um casamento, isso iria resolver... -então o meu pai olha para a porta entreaberta e vai a minha direção.
Começo a correr rapidamente para o meu quarto para pensar que eu não estava lá vigiando, sento na minha cama, pego o primeiro livro que vejo em minha frente, abro em uma página aleatória e finjo que estou lendo.
No canto do meu olho vejo o meu pai abrindo bruscamente a porta de meu quarto. Ele se vira para mim com uma cara raivosa e começa a gritar comigo:
–Oque você estava fazendo?
–Eu? Estou acabando de ler esse capítulo e daqui a pouco irei me lavar.
–Pare de ser sonsa, você estava escutando atrás da porta!
–Então porque perguntou se você já sabia que estava fazendo isso?
–Não seje ridícula, garota — fala ele me chacoalhando e deixando o livro cair no chão — Você não tem permissão para ficar escutando atrás da porta!
–Mas eu percebi que iam falar sobre mim, não é?- pergunto com um tom de raiva.
–Isso não é assunto para você se intrometer, isso é assunto meu e do reino!
–Não é assunto meu? Como assim não é assunto meu?- pergunto já com raiva fervendo nos meus olhos.
–Você não tem direito a nada! Eu estou sob sua guarda e eu estou fazendo oque é melhor!
–As coisas eram melhores quando a mamãe ainda existia!
–Mas ela não está mais aqui! Eu estou cuidando de você agora e é assim que você vai viver sob o meu teto.
–Então eu vou fugir- digo desafiando-o.
–Você não pode semana que vem você vai se casar com o Conde Michael N’Rose Del Sebastian.
–Não. Eu não posso acreditar. Você não vai fazer isso.
–Mas pode acreditar. Você já tem idade o suficiente para se casar.
–Não! Eu não acredito em nada em que você diz em nada mesmo e nem em você.
Depois de dizer isso saio correndo para o jardim real com as minhas lágrimas jorrando em minha veste suja. Já estava de noite e estava ficando frio. Eu não acreditava que o meu pai, o rei da Polônia poderia fazer isso comigo.
Ele não me entende mesmo. Ele não entende as minhas escolhas e meu futuro. Tem horas que dá vontade de não ser uma parte desse mundo. Eu imaginaria como a Polônia, o reino seria se eu não tivesse nascido. Acho que seria a melhor coisa.
Procuro alguma coisa que possa me matar e não encontro. O Nicolas deve ter guardado. Então penso em me jogar da torre mais alta do castelo. Subo as escadas ainda chorando e esbarro em alguém, mas continuo a correr, tento correr mais rápido, mas a velocidade que já estou correndo é o possível que posso correr passo nos quartos dos hóspedes, dos serviçais e no quarto de bagunça.
Piso no último degrau que dá direto a visão da torre grande. Subo no parapeito olho para o chão. A altura era grande o bastante para quebrar todos os ossos do meu corpo. Eu ia morrer rapidamente, sentir a última vez o vento bater no meu rosto e me sentir leve. Quando eu vou me jogar, alguém segura a minha mão, que me faz dar um sobressalto, mas a mão que me segurava era forte o bastante para me mover para dentro da torre.
Movo a minha cabeça para ver o rosto daquele que me segurou entre a vida e a morte, mas não consigo ver o rosto dele. Então quando ele me deita no chão eu consigo ver o rosto dele no luar daquela noite, era o Nicolas.
–Que diabos você estava querendo fazer?- pergunta ele respirando ofegante. Eu era tão pesada assim?
–Você não viu? Estava pronta para me matar.
–Você está louca ou oque? Comeu algo estragado ou fumou uma ervinha?
–Não, nenhum dessas alternativas, eu queria me matar simples assim.
–Você sabe como é difícil correr essas escadas até aqui? Se você não estivesse me esbarrado você já estaria mortinha da silva.
–Então foi você que esbarrei?
–Claro!
–Me desculpe.
–Só não te desculpo por tentar se matar- diz ele ainda ofegante.
De repente começo a chorar, eu não pude aguentar aquela adrenalina. Eu estava fazendo isso porque estava com a cabeça quente. Eu fiz aquilo porque não tinha outra alternativa. Eu não queria me casar semana que vem.
–Não, não fique assim. Diz-me o porquê disso tudo. Oque houve?- diz ele me abraçando para me sentir confortável.
–Se-ma-n-a que-vem v-vou me c-casar- digo aos soluços e ensopando a vestimenta de Nicolas.
–Oque? Como pôde... Espera... Foi o seu pai né?
Afirmo com a cabeça.
–Que horrível. Não vou deixar que aconteça com você.
E foi assim que tive um bom plano. Um plano que iria custar a minha vida e a vida de Nicolas.
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