“Se cada vez que eu fechasse os olhos e ganhasse um beijo seu, certamente eu os fecharia eternamente”.

26 de janeiro de 1724

Acordei de minha nobre cama escutando um chiado de chuva. Adorava o som da chuva e adorava o cheiro da chuva com a terra molhada.

O som me fazia querer ficar mais um tempinho na cama, mas eu tinha tarefas a fazer. Levanto-me e olho ao redor de meu aposento.

Vejo tudo no lugar, tudo certo, tudo arrumado, porém tinha um jarro de certo tamanho médio com uma rosa.

Vou até ele e percebo que ao lado tinha um papel escrito. Dizia:

“Melanie, minha querida e doce Melanie. Deixastes esse jarro contendo a rosa para você se lembrar de todas as palavras que eu disse a ti. Eu te amo.

Com amor, John Nicolas B.”

Instantaneamente lembrei-me de ontem. Da rosa, dos olhos dele, de tudo e eu não estava acreditando que Nicolas tinha deixado a rosa para mim e ainda ter colocado em um jarro. Eu não sabia como ele conseguiu entrar aqui, mas uma coisa eu sabia. Eu o amava.

Guardei a folha e fui fazer a minha higiene matinal. No meio do meu banho, Cornelius entra no quarto me apresando para sair e me vestir.

Fiz oque ela pediu. Escovando os meus cabelos e reclamando como sempre de como eram embaraçosos, mas nesse momento eu não estava ligando para os insultos de Cornelius.

Estava lembrando-me das últimas horas que estivera com Nicolas. Olhando para aqueles modestos olhos, aqueles lábios esbeltos e aquela face. Parecia algo impossível apaixonar-me por um plebeu, porém eu havia me apaixonado profundamente.

–Levante-se para eu colocar o corpete- disse Cornelius ranzinza- Acho incrível como você não consegue emagrecer, a cada dia engorda. Daqui a uma semana e senhorita estará mais gorda que eu-falastes ela puxando rigidamente o meu corpete.

–Não, você consegue engordar em minutos, então de acordo com a minha percepção, seria impossível eu chegar ao seu peso.

Cornelius ignoraste-me, porém ela puxava com mais força. Vesti a roupa que Cornelius me dera e calçando a sapatilha, Cornelius disse ranzinza novamente:

–Anda logo! Anda... Vai já para a mesa. Anda logo!- falastes-me apressando -Você é lerda demais- falou me empurrando diretamente para a porta.

Cornelius me expulsou do meu próprio quarto. Ouvindo de longe percebo que temos visitas. Descendo lentamente as escadas frias como o gelo, vi à mesa o meu pai sentado e dois convidados que eu nunca tinha visto em minha vida.

–Licença- disse chegando à mesa e sentando-me.

Olhei para os homens que estavam sentados na mesa. Um aparentava ter uns 26 anos, cabelos ruivos, vestimentas finas de cores frias e um olhar penetrante que podia cegar os olhos, porém ele não conseguiu fazer isso comigo. Ao lado do meu pai aparentava um senhor com feições um pouco iguais ao do homem. Ele deveria ser o pai dele, pois ele tinha o mesmo cabelo ruivo que o filho, porém com alguns fios brancos e usava roupas finas de cores quentes.

–Melanie, esse é o senhor John Del Sebastian-disse meu pai apresentando ao lado dele, fui até John e reverenciei majestosamente-E esse é o Michael Saint Del Sebastian-disse apontando para o jovem que estava sentado no outro lado da mesa me olhando com um olhar petrificante.

Quando eu estava me preparando para reverenciar ele, Michael me interrompe segurando a minha mão pronto para beija-la.

–Prazer — falei com desgosto tirando a minha mão antes dele beija-la deixando-o com a mão esticada. Na mesma hora ele ficou constrangido e se sentou a minha frente de onde estava sentada na mesa. Fiquei encarando-o e pensando se ele seria o meu futuro noivo com quem meu pai disse-me com quem eu iria me casar, mas como o meu pai ainda não sabe, meu coração pertence a outro. Pertence ao Nicolas.

Meu pai que tinha observado a cena constrangedora me lança um olhar petrificante e limpa a garganta tentando chamar a atenção dos convidados.

–Então senhores, como vocês perceberam, esta é a minha filha Melanie. Melanie, este é o teu pretendente, o Conde Michael e este é o seu futuro sogro, o senhor John.

Sorrio para os dois cavalheiros com antipatia. Não queria falar com eles, muito menos olhar para aqueles olhos castanho-claros. Só queria olhar para um único olho, o olho com que me apaixonei perdidamente.

[...]

Depois das vastas horas em que perdi ouvindo histórias e mais histórias do reino de John e de como vai sero meu futuro casamento com Michael, volto para o meu quarto tentando me livrar do que passei por hoje enquanto meu pai mostra o castelo para os dois.

Sento perto da janela e eu sinto o vento que passa por ela me deixando mais leve, porém ainda não conseguindo esquecer de hoje. Ainda não acredito que vou ter que me casar com Michael, ele não faz o meu tipo, nunca fez.

Fico pensando em como vou dizer isso a Nicolas quando distraidamente olho para baixo e vejo Nicolas sorrindo para mim e eu retribuo forçando um pouco...

–Espere ai em cima, vou subir até ai – diz ele.

–Como? – pergunto.

–Vou escalando, irei fazer isso pela segunda vez – ri com um sorriso travesso.

–Tudo bem, estou te esperando – digo afastando da janela e me vendo no espelho para ver se eu estava adequada para a sua visita. Vejo que eu não tinha limpado minha boca, corro ao banheiro para limpa-los e escuto passos no meu quarto. Saio do banheiro apressadamente.

–Oi – digo e ele me dá um beijo de cumprimento.

–Oi anjo, estava com saudades de você e vim te ver, tem nenhum problema né? – diz ele olhando para mim.

–Não nenhum – beijando-o novamente.

– Se cada vez que eu fechasse os olhos e ganhasse um beijo seu, certamente eu os fecharia eternamente – diz ele acariciando meu rosto.

Ouvindo esta linda frase, meu rosto começa a ficar quente. Acho que estou vermelha de vergonha. Meus palpites são confirmados quando Nicolas começa a rir, sinto depois ele beijar minha testa, meu nariz, meus olhos, minhas bochechas, meu queixo e minha boca.

Sinceramente, não tem como deixar esse homem...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.