O Mundo De Taylor
32 Era Pra Ser Romantico
Notas iniciais
" Vejo a casa do Marcus. Com sua simplicidade e seu jeito família que para mim, à alguns dias atrás, era tão fantástico e mágico. Entramos na casa e logo ouvimos risadas na cozinha. Ao chegar, nos deparamos com uma cena fofa, se não fosse constrangedora. Dona Daphne está com farinha na testa, no nariz, na bochecha e no queixo. As marcas seguem um padrão de dedo arrastado, então presumo que ela e o senhor Hollisnewton estavam brinacando de sujar um ao outro. Este por sua vez está impecavelmente limpo, ao ver os filhos limpa o dedo em um pano e diz:"
– Crianças! Que bom que vocês chegaram, eu e sua mãe já estavamos com saudades e ela está preparando um bolo que é dos de...
" E então ele para de falar tão alegremente ao me ver. Limpa a garganta, visivelmente desgostoso e fita o filho com certo olhar de repreendimento. "
– Taylor... há quanto tempo, não?
" Ele me pergunta ainda encarando o Marcus. Seu sorriso espontâneo e feliz se transforma em um polido e cordial. Um sorriso forçado."
– Muito tempo senhor.
" Ele desvia os olhos do filho para mim. Foca em meu olhos, e eu sinto um arrepio na nuca. Como quando você sente que tem alguém atrás de você. Mas não me deixo intimidar. Dou uma leve erguida no queixo e não desvio o olhar, pelo contrário, retribuo da mesma forma; frio, imparcial."
– É muito bom te ver Taylor.
" Interrompe dona Daphne entrando na frente do marido e me dando um abraço. Ela se afasta e passa a mão rapidamente pelo meu cabelo. Me dá um sorriso gentil e abraça os filhos."
–Estou fazendo um bolo de chocolate com nozes. O seu favorito Sam!
" Samantha sorri carinhosamente para a mãe."
– Que ótimo! Estou morta de fome. Gosta de bolo de chocolate Taylor?
– É claro.
" O senhor Hollisnewton pega a bolsa da Sam e sobe as escadas para coloca-la no quarto da filha, imagino. Ela e dona Daphne voltam a cozinhar e o Marcus pega na minha mão e me guia até as escadas. Entramos no seu quarto e ele fecha a porta (não antes da Elizabeth, a cachorra da Sam, entrar e subir na cama). Marcus se senta ao lado da cachorra e começa a afagar seus pelos. Ele olha pra frente e parece perdido em pensamentos."
– As vezes ele é tão... tão... odiavel.
" Ele murmura com a voz rouca e um pouco sórdida. Nem preciso perguntar pra saber a quem ele se refere. Me sento ao seu lado e coloco a cabeça no seu ombro. Eu sei o quão difícil problemas familiares podem ser. Me lembro do quanto eu sofria quando tia Clarie e eu não nos dávamos bem. Marcus deita de costas na cama e me puxa. Acabo ficando deitada ao seu lado. Fitamos o teto e nos afogamos no silencio do quarto."
– Você tinha problemas com os seus pais antes deles morrerem?
" Ele me pergunta com a voz em um tom mais normal, sorrio para o teto e digo em tom brincalhão:"
– Eles morreram quando eu era uma criança. Não tinha como implicarem com meus namorados.
" Ouço Marcus rir e viro o rosto pra encara-lo. Ele me olha e vejo nos seus olhos o porquê de eu ter me apaixonado por ele. Ele é um cara legal, tem um bom coração, é gentil... Mas algo nele não é mais tão magico como era antes. Acho que é porque hoje ele não é mais o único. Antes eu só tinha ele, porém hoje em dia eu tenho a tia Clarie, tenho a Toscana, tenho o Will. Fecho os olhos com o último pensamento, as vezes eu penso o que não devo...
Sinto Marcus se aproximar e me beijar. Abro os olhos e estranho o fato do beijo dele não fazer mais minhas pernas tremerem. Tento fechar os olhos novamente, para ver se sinto alguma coisa, se sinto algo que eu sentia antes. Mas nada. O beijo não é ruim, é bom. Muito bom, até. Contudo não é a mesma coisa de antes. Marcus põe a mão na minha cintura e começa a me puxar na sua direção. Rapidamente abro os olhos e percebo que tenho que tomar uma atitude antes que as coisas tomem um rumo sem volta. Me afasto do beijo e pulo da cama. Aliso minha blusa e olho para todos os cantos do quarto, menos para o Marcus."
– Aqui tem quarto de hospedes?
" Pergunto encarando a cachorra."
– Não. Mas você pode dormir aqui comigo.
" Olho pro teto."
– Será que a Sam se importa se eu dormir no quarto dela?
" Ele não me responde. O encaro e o vejo sentado na cama, com as sobrancelhas erguidas e os lábios inchados. Se a aparência dele está assim, imagina a minha."
– Taylor, tem algum problema?
" Me seguro para não gritar: "Tem! E é você tentando acabar com a minha pureza!"
– Marcus, vou ser sincera. Eu sou virgem. E não quero transar com você.
" Ele arqueia mais ainda a sobrancelha. Resolvo mentir."
– Não agora.
" Ele levanta da cama e pega na minha mão."
– Tay, sua bobinha... Não precisa encanar com essas coisas. Se você quer saber, eu também nunca fiquei com ninguém. E só vou ficar quando você disser que está pronta.
" Impressionantemente consigo assentir com a cabeça. Entretanto algo me diz que o que o Marcus acabou de dizer, vai acabar não acontecendo."
Fale com o autor