O Mundo Das Almas
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Vários dias tinham se passado, mas a impressão que eu tinha era que nada mudava.
Estava deitada na cama de dossel de David, aproveitando que ele não estava no quarto, aquele teto era algo realmente intrigante, com vários e vários números, parecia algo indecifrável.
_ Joana, David está te chamando para dar uma cavalgada. – Diz uma senhora, pelas suas vestes aparentava ser uma das serventes do castelo, se no nosso mundo existiam as hierarquias, classe social, no inferno com certeza era pior.
_ Você sabe o por quê? – Pergunto ainda contemplando os hieróglifos do teto.
_ Algo como reconhecer o seu reino.
_ Estou indo. – Respondo me levantando imediatamente e colocando as minhas sandálias de couro, a condição deu poder ficar no submundo era que eu teria que usar roupas totalmente fora de minha época, eu sempre tinha achado bonitas, mas nunca pensei que fosse tão desconfortável aquele corpete,a minha respiração começava a falhar.
Em alguns minutos chego ao local indicado, David estava me esperando em seu “cavalo demoníaco” por assim dizer, o triste daquele lugar era que sempre seria noite.
_ Pensei que não viesse mais. – Diz ele em seu tom frio, como sempre.
_ Essa era a minha intenção. – Respondo no mesmo tom e subindo em meu cavalo, que por mais que parecesse um esqueleto gigante, eu me dava muito bem com ele.
_ Pensei que veio correndo até aqui para ficar junto a mim. – Diz ele em um tom de ironia.
_ Essa era a ideia no início, mas acho que estou perdendo as esperanças.
_ E qual seria o motivo? – Pergunta ele enquanto começamos a cavalgar.
_ Frieza, falta de amor, compaixão, delicadeza, consciência, quer que eu continue?
_ Ok, já entendi. – Fala David rindo pela primeira vez em dias, e não era um sorriso como as que ele dava com Lúcifer, meio forçado ou frio, era um riso descontraído, um sorriso verdadeiro, que vinha da alma.
_ Quer saber como eu te conheci? – Pergunto sem nem pensar antes.
_ Você sabe que não irei me lembrar de nada, mas pode tentar. – Diz ele, sempre olhando para frente.
_ Eu estava esperando as minhas amigas, mas elas não apareciam, então resolvo comprar um sorvete, e como eu estava concentrada para que ele não caísse, acabo me esbarrando em você e todo o meu rosto fica cheio de sorvete.
Primeiro ele se vira e olha para mim espantado e depois começa a rir desesperadamente, era uma risada contagiante e logo começo a rir junto, ficamos assim durante vários minutos, até que eu não estava agüentando mais e peço para ele parar, o que acaba fazendo com muito custo.
_ Como é que eu posso ter me apaixonado por uma garota tão desastrada assim? – Diz ele ainda com os vestígios de sua gargalhada.
_ Como é que você sabe que se apaixonou por mim? – Pergunto ficando séria na mesma hora.
_ Eu... Eu não sei, veio em minha mente, acho melhor pararmos de falar sobre isso. – Diz ele mudando o seu tom de voz para o mais frio que existia. – É melhor voltarmos.
Damos meia volta e voltamos para o castelo.
A minha intuição estava certa, eu estava começando a despertar algo nele, o seu antigo “eu”.
Faltando uns 500 metros para chegar ao castelo começamos a ouvir urros, e um cheiro de podridão invadiu as minhas narinas.
_ O que está acontecendo? – Pergunto apertando mais os olhos para ver se conseguia enxergar alguma coisa.
_ Não sei, vamos até lá. – Diz ele.
Quando chegamos lá, o meu cavalo quase empinou para trás de tão terrível que era a cena, o portão de ferro estava aberto, e várias “pessoas” com foices, facas na mão, estavam gritando ao redor de alguém, me aproximo mais e vejo um homem todo amarrado e com dois soldados o segurando.
Alguns se afastavam para eu e David conseguirmos enxergar, e então que meu coração salta pela boca.
Era Louis, o pai de David, eu tinha perdido as esperanças que ele conseguisse chegar até aqui, mas parece que o tinha feito.
Ele olha em nossa direção e grita.
_ David, meu filho, eu estou aqui para te salvar.
Lúcifer que estava ao lado de Louis contemplando toda a cena também olha em nossa direção, algo brilha em seus olhos, um ódio tão imenso que se tornava quase palpável.
_ Eu lhe avisei que não era para me trair. – Sussurra, o barulho era tanto e estávamos tão longe um do outro que era como se ele tivesse feito com que sua voz fluísse até mim.
E então ele sumiu, naquele momento era se como tudo ao meu redor tivesse se desmoronado, ele iria acabar com tudo que era mais importante em minha vida, e eu não tinha culpa de nada.
A única saída que encontro é começar a gritar para David.
_ DAVID, VOCÊ TEM QUE ME AJUDAR, EU NÃO TIVE CULPA DE NADA, SALVE O SEU PAI QUE EU IREI ATRÁS DELE.
Sem esperar qualquer resposta vou ao lugar que eu tinha certeza que seria o primeiro que Lúcifer iria.
Correndo desesperadamente, chego em alguns minutos, a casa de Nora estava toda escura, sem fazer qualquer barulho entro e acendo a luz, Lúcifer estava parado olhando para todos, Nora que mesmo na mira de um demônio continuava a cuidar de Hiley e Ryan que estava na frente de todos, como um urso cuidando de sua cria.
_ Lúcifer, me escute, eu não tenho nada a ver com o fato dele estar aqui.
_ Você desperdiçou a sua chance, querida. – Responde com os olhos começando a ficar um vermelho sangue. – Agora quem irá pagar caro serão eles, começando por esse seu “anjinho” aí. – Diz apontando para Ryan que me olhava sem entender nada do que estava acontecendo, e ao mesmo tempo feliz por ter me visto depois de vários dias passado.
_ Chegou a sua hora de voltar para onde nunca devia ter saído. – Fala Lúcifer se aproximando de Ryan, e sem nem antes pensar me jogo a sua frente recebendo toda a carga que seria para ele.
A última coisa que vejo é uma lágrima caindo dos olhos de meu anjo.
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