O Movimento Revolucionario
1 Benjamin
Notas iniciais
A dor veio primeiro,depois a ardência,e por fim,a agonizante sensação do sangue quente escorrendo pela sua pele.
Depois veio outra,e mais outra,e novamente. No total,foram trinta e três chibatadas. Eu não sei se isso foi uma humilhação envolvendo a idade que Cristo morreu, mas não ousei perguntar. Me deixaram totalmente nu,e apenas um crucifixo pendurando em um colar balançava em meu pescoço. Era o suficiente.
Retiraram-me do tronco, e me colocaram em uma maca de bruços. Jogaram algum liquido em cima da carne viva. Ardeu como o fogo do inferno. Lagrimas, estúpidas e covardes lágrimas escorreram em meu rosto. Mas eu senti que aquilo tinha que ser feito. Para chegar ao Paraíso, você precisa passar pelo Fogo da Provação.
Colocam faixas envolta no meu tronco, aonde o couro se encontrou com a carne. Me enfiaram em um macacão de moletom branco,e prenderam grilhões ( Mais apertados do que o necessário,por sinal ) em meus pulsos e calcanhares,e enfiaram um saco preto em minha cabeça, para eu não conseguir obter nenhuma informação daquele local.
Sem nenhuma gentileza ou dó,os dois guardas agarram-me pelos braços e me arrastaram. Nos trôpegos,fui acompanhando. Saímos da sala escura aonde eu recebi a chamada “Punição”, colocada em prática nos considerados “mal-feitores” pelo Governo.
Fui conduzido por corredores imensos. As vezes ouvia passos que não eram meus e nem dos gentis rapazes que me acompanhavam. Mas nenhuma parada e nem falatório. Apenas o caminho. Foram cerca de cinco minutos de caminhada,até a parada.
Ouvi o barulho de uma trava elétrica se destravando,e os dois guardas abrindo uma porta dupla. Outro corredor longo,e outra parada,desta vez,pouco tempo depois. Mais uma parada, mais um barulho de destravamento,e uma porta sendo empurrada novamente.
Um barulho imenso de pessoas tagarelando encheu os meus ouvidos. Quando entrei, todos se calaram,e os cavaleiros tiraram o capuz de minha cabeça.
Eu estava em uma sala imensa. Parecia um grande estádio de futebol. Havia arquibancadas de madeira,aonde pessoas se sentavam. Homens e mulheres de todos os tipos,tamanhões e etnias se encontravam lá. Soube do que se tratava na hora. O Julgamento.
Quando representantes mundiais de cada nação se reúnem em uma sala como aquela,é feito O Julgamento. Uma reunião para decidir qual era o destino da pessoa julgada. Só havia duas escolhas. Prisão Solitária ou Morte.
Me assustei. Todas as arquibancadas estavam cheias. No centro de tudo, havia um palco circular branco,com quatro grandes bolas de chumbo com pelo menos quinhentos quilos cada,calculei, com ganchos na parte de cima.
Fui levado,com a mesma gentileza de antes,para o centro da Sala. Senti os olhares desconfiados em minhas costas. Todos os presentes, não incluindo os guardas e eu, estavam com uma burca preta sobre o corpo.
Os guardas pegaram os dois grilhões em meus pulsos e prenderam um em cada bola,e fizeram a mesma coisa com os grilhões em meus pés. Fiquei preso, e aqueles olhares malignos me fitavam com voracidade.
De um outro corredor surgiu um homem. Era baixo,um pouco gordo e velho. Usava a mesma burca que os demais,porém,a dele tinha alguns detalhes em dourado. Ele se postou de costas para mim,e falou para os representantes:
— Digníssimos Senhores – Sua voz era rouca e fraca,mas firme – Estamos reunidos aqui hoje para o julgamento de Benjamin Anthony Stroke,acusado de matar cerca de quarenta e seis homens que prestavam trabalhos militares ao Governo,e iniciar uma revolução em massa contra os nossos dogmas, que tomou proporções inesperadas e desconfortáveis
O homem se virou para mim. Seu rosto era sério,e seus olhos eram azuis.
— Benjamin, trate-me como Vossa Excelência. Tenha consciência que toda e qualquer ofensa feita para comigo e para com os representantes nacionais irão ser punidos de forma severa. Esse Julgamento está sendo gravado e monitorado – Disse,me olhando com aqueles terríveis olhos azuis – Você admite ter feito as ações que falei anteriormente ?
Respirei fundo.
— Sim, Vossa Excelência – E seja feita a vontade de Deus.
Vi alguns olhares aterrorizados, a maioria de mulheres. Outros continuaram com a mesma expressão.
— E quais foram os motivos para os seus atos ?
Fechei os olhos,e rezei uma Ave Maria. Depois,falei:
— Nada me machuca mais do que ver irmãos machucando os outros,e foi isso que eu vi. Os seus Militares estavam estuprando em bando uma menina de quinze anos. Quinze Anos, Vossa Excelência. – Respirei fundo novamente – Eu matei aqueles homens sim,e depois matei outros. Os inocentes não podem ser punidos pelos pecados dos seus funcionários.
Apareciam agora mais alguns olhares horrorizados. Porém,o velho a minha frente continuou com a mesma expressão.
— Foi revelado pela autopsia que todos os tais morreram envenenados por Eclafix lintorgis, uma erva que agride severamente o coração e os rins,levando a pessoa a morte em algumas horas. Porém,ela só funciona se misturada com algum liquido. Como levou os Militares a ingerirem a Eclafix litorgis, e como obteve essa erva ?
As costas começaram a arder um pouco mais,e os músculos do meu tronco começaram a fica cansados por causa do peso dos grilhões.
— Ninguém vai desconfiar de um copo d’água oferecido por um bondoso Homem de Deus, Vossa Excelência. – Vi de relance uma mulher com o queixo caído – Na questão da obtenção da erva,eu gosto muito das plantas, e elas não tem culpa de seus efeitos ao ser humano. Consegui um vasinho dela com um comerciante do Sul. É muito fácil triturar e diluir uma folhinha na água.
O homem tossiu.
— Certo – O seu tom não demonstrava nenhum espanto ou repreensão – E ao se tratar do inicio da Rebelião. Como ela começou,e quais foram os seus motivos. E sobretudo, agora que o senhor foi preso,quem assumiu a liderança do movimento ?
Esperava por essa pergunta. Agora era a hora. Negar até a morte.
- Disso eu não tenho conhecimento algum,Vossa Excelência. – Tentei parecer o menos irônico possível,mas ninguém acreditou,a julgar pelas expressões que surgiram nas arquibancadas.
De repente,uma mulher se levantou. Loira,magra e uma maquiagem forte,mas que não conseguia esconder as rugas e as marcas da velhice no rosto.
— Torturem mais e matem esse homem. – Gritou em alto e bom som, com um sotaque europeu – Eu não ligo para quem manda naquele bando de macacos que acham que podem nos peitar em algo, mas esse bostinha matou quarenta e seis dos nossos funcionários, a maioria com mulheres e filhos. Esfole-o vivo e depois jogue a carcaça para os corvos.
O ódio fluiu dentro de mim. Algo que em toda a minha vida sacerdotal eu reprimi e não demonstrei. Mas ali eu não tinha nada a perder.
— Olha aqui,sua vadiazinha de merda – Gritei de volta. Os grilhões chacoalharam – Senta essa bunda gorda cheia de celulite nesse banco e fecha essa matraca. Deus que me perdoe,mas você comanda em um país essa horda de soldados que matam diariamente pessoas. Suas mãos tem inúmeras vezes mais sangue que as minhas, não se faça de inocente, sua vaca leprosa.
Todos ali se surpreenderam,e a mulher se envergonhou. Senti-me envergonhado, mas gostei da sensação que tive depois de dar o troco. Mas eu sabia que estava por vir.
Um dos guardas já se aproximava,com a arma de choque nas mãos. Um aparelho parecido com uma maquina de cortar cabelo,porém,nas pontas passavam um fio de eletricidade. O guarda apertou a maquina no local aonde fica o rim. Gritei,enquanto todo o meu corpo sofria espamos.
Cai de joelhos. Com a mesma rapidez que me atacou, o guarda colocou a mão em minha axila esquerda e me puxou para cima. Fui obrigado a ficar de pé. Minhas pernas pareciam duas folhas de papel,e a dor era tanta que eu estava com vontade de vomitar.
— Ordem ! – Para um senhor,Vossa Excelência gritava em alto e bom som – Sra.Stckív, acalme-se. Poderá expressar suas opiniões na hora da votação. Padre Stroke, avise-lhe que qualquer desrespeito com qualquer integrante desse Julgamento seria punido com severidade, e se isso tornar a se repetir, voltará a ocorrer.
Olhei para baixo. O crucifixo pendia no meu pescoço. Seja justo comigo Senhor, por favor.
- Tem certeza que não tem nenhuma informação, por menor que seja,dessa rebelião ? – Se percebeu traços de ironia,Vossa Excelência não deixou perceber.
Balancei a cabeça, negando.
— Não me vem nada na cabeça agora,Vossa Excelência. – Minha voz deu um falsete no meio da frase, mas manti a mentira.
Novamente,o senhor tornou a perguntar.
— Nenhum boato ? – Seus olhos se estreitaram.
O lugar aonde a arma de choque encostou começou a arder terrivelmente. Agora a dor da chicotada nada mais parecia do que um leve incomodo. Porém,forcei-me a falar.
— Boatos vem e vão Vossa Excelência, no momento,estou dolorido demais para conseguir lembrar de algum.
Murmúrios se iniciaram, ruídos baixos demais para eu conseguir decifrar algo. Novamente, o Senhorzinho encheu os pulmões:
— Ordem ! – Quando ele gritou, os murmúrios cessaram. Ele virou-se para mim novamente – Então, feitas todas as perguntas que interessavam O Governo Mundial, declaro a Parte Interrogatória do Julgamento encerrada. Agora,iremos votar. Como todos bem sabem, o Sistema de Votos é falado em alto e bom som. Os Representantes não têm segredos entre si. Eu,como Juiz Sênior do Conselho Julgamental do Oeste, contarei,com auxilio de dois Funcionários da Alta Hierarquia Governamental, os votos. Lembrando que, há apenas três opções: “Morte”, “Prisão Perpétua” e “Prisão seguida de execução”, que são as opções padrões para aqueles que agridem O Governo de forma elevada.
Vossa Excelência se dirigiu a uma arquibancada,defronte a mim. Subiu por uma escada e sentou-se em um lugar mais elevado. Ao lado dele, havia dois homens,que estavam com um tipo de Smartphone em mãos. A suas burcas só se diferenciavam das dos demais por um pequeno detalhe em branco.
A arquibancada a minha direita se iniciou. Os Representantes Nacionais se levantavam e proferiam seus votos em alto e bom som,e os Funcionários computavam os votos nos aparelhos.
Quando o ultimo Representante falou, um homem negro,alto e forte, ambos os Funcionários da Alta Hierarquia Governamental mostraram a tela dos aparelhos para o Juiz,e ele meneou a cabeça positivamente. Logo após,levantou-se.
— O Julgamento então decide ! – Gritou novamente,não poupando a garganta – Benjamin Anthony Stroke, causador de crime gravíssimos para com o Eminentissimum ac Reverendissimum Ludicia, tem a sentença decretada em 9 Anos,11 meses e 30 dias,e ao completar dez anos preso, será executado a Modo Guilhotina. Declaro essa sentença de extrema oficialidade, tendo como provas as trinta e oito câmeras nessa sala e os Respeitosos Representantes Nacionais como Testemunhas.
Todos os Representantes assentiram nesse momento,e começaram a ir embora. Alguns olhares enojados me fitaram enquanto passavam pela minha frente. Alguns se distanciavam, achando que de algum modo eu ia adquirir algum poder, me livrar daqueles pesos malditos e ataca-los. Porém,assustei-me quando uma mulher se aproximou.
Ela era velha, isso era fato. Suas rugas, cabelo grisalho e pele flácida indicavam isso. Era negra, baixa,e possivelmente não pesava menos de 150 quilos. Suava ainda mais que o Juiz dentro da burca,e as pernas se mexiam com dificuldade. Nas mãos, tinha um colar. Seus olhos eram sérios, grandes jabuticabas negras.
— Eu sei que você leva a Cruz de Cristo no pescoço e no coração – A voz era grave, e tinha um sotaque estranho – Porém,peço que aceite o meu colar. Na tribo aonde eu nasci,representa que o Deus-Luz te guia por todos os caminhos escuros e turbulentos.
Abaixei a cabeça,dando sinal para ela colocar. Sendo católico ou não,sabia respeitar as outras religiões, e até participava de alguns atos. Senti o colar pesando em meu pescoço. Não sabia o que dizer,ou o que pensar,então apenas murmurei:
— Obrigado.
A mulher assentiu e se dirigiu para fora. Os dois Funcionários os seguiram. Então, restaram apenas eu, o Juiz Sênior do Conselho Julgamental do Oeste e os dois rapazes gentis que me arrastaram como se eu fosse um saco de batata até ali.
O Juiz me olhou bem nos olhos, depois por cima dos meus ombros,e fez um sinal. Tudo escureceu.
Os guardas tinha colocado o gorro negro na minha cabeça de novo. Depois disso, soltaram os grilhões de mim,e arrastaram-me novamente,dessa vez,para uma outra saída. Não ofereci resistência,e por isso, não fui algemado. Ouvia os passos de Vossa Excelência logo a frente,calmos e pesados. Foi quando alguém ele abriu uma porta,e os guardas me jogaram lá dentro.
Cai de boca no chão. Fiquei meio tonto,e enquanto levantava, Vossa Excelência falou:
— Vão o mais longe possível daqui. Se vê-los por perto em alguma das câmeras,mando capa-los e servirão como putas em alguma esquina, estão me entendendo ?
Não via nada,porém,ouvi o clique da porta e passos apressados se distanciando do outro lado da parede. Terminei de me levantar,e tirei o gorro.
Estava em uma grande sala. O chão era revestido de carpete,e as paredes ou eram ocupadas por grande prateleiras recheadas de livros ou por quadros. Na minha frente,havia uma grande mesa de carvalho,cheia de acessórios eletrônicos,cadernos e um pequeno computador. Uma grande poltrona se encontrava atrás da mesa,e atrás dela havia uma janela imensa. A paisagem estava ofuscada pela grossa neve que caia do lado de fora. O Recinto só estava quente por conta de um sistema de aquecimento.
O Juiz tirou a burca e a jogou no chão,depois, me encarou com aqueles olhos azuis hipnotizantes.
Depois disso,sorriu,correu,e me abraçou.
Suas mãos bateram nas minhas costas,e eu gemi de dor. Ele me soltou tão rápido quanto me abraçou.
— Desculpe Ben, Desculpe ! – Falou,balbuciando. Seus olhos escorriam lágrimas – Ó Céus, que bom que você está aqui !
Sorri,e pela segunda vez,me senti feliz em ver aquele rosto trigueiro. Esqueci de citar uma coisa. O Juiz Sênior do Conselho Julgamental do Oeste, Thomas McLeavy, era na verdade meu amigo de longa data,e quando a Rebelião explodiu contra o Governo,ele já era um grande funcionário do tal, por conta do seu pai, Edmund McLeavy, que já fora Presidente do Governo Mundial. Porém,nunca concordara com os seus dogmas, por isso aderiu ao nosso movimento e virou um grande infiltrado nas forças Governamentais.
— Que coisa foi aquela ? – Perguntei, rindo – “ Mando Capa-los e servirão como putas em alguma esquina ?”
Tom,como eu o chamava, gargalhou,porém baixo.
— Essas paredes tem ouvidos,e bocas fofoqueiras também. Tenho que assegurar que ninguém nos ouça –Ele falou,sorrindo. – Você não sabe o trabalho que deu para trazer você até aqui,e molhar a mão de um ou outro para fazer que você tivesse a Prisão Perpétua. Porém, não foi o suficiente. Agora, temos dez anos para salva-lo,e temo que o Governo seja forte o suficiente para resistir esses dez anos.
Andei com dificuldade,e sentei no sofá que ficava defronte a mesa, tomando cuidado para não encostar minhas costas.
— Antes de me entregar,botei G.G no comando. Confio que ele vá conseguir vencer essa guerra,com a ajuda de Lena e Kaila. – Falei, estralando os dedos das mãos.
Tom olhou para mim de forma horrorizada.
— G.G ? Ele tem vinte e cinco anos, é apenas uma criança – Ele se jogou na Poltrona, e me olhou como se eu fosse um trouxa – Lena é menor ainda,e a Kaila só tem nove anos, Ben. Você quer levar o Movimento Revolucionário para a merda ?
Dignei-me a sorrir.
— Você não sabe os motivos, Tom – A ardência na costa e nos rins começava a me afligir um pouco mais – G.G é um rapaz com o senso estratégico muito aguçado. Isso é de grande ajuda para manter os integrantes do movimento unidos. Lena é uma das pessoas que tem o psicológico mais forte que eu já vi. Ela também tem uma rede de informantes, dentro e fora do Governo, que passam todas as informações necessárias para ela. Lena é uma vidente, mas usa pessoas ao invés de magia e espiritualidade.
Tom respirou fundo, e me olhou, com um pouco menos de raiva.
— E Kaila – Continuei,sorrindo – Aquela menina é a inteligência em carne e osso. Cristo Amado, depois que expliquei as regras do xadrez para ela,nunca mais ganhei dela. Isso ocorre com todos os jogos de tabuleiro e lógica. Um dia eu dei um cubo mágico embaralhado para ela, expliquei o objetivo daquilo,e ela resolveu em 60 segundos. 60 segundos, Tom !
Agora eu via na expressão do Tom,que ele começava a compreender.
— Kaila talvez seja a base de G.G, Lena e de todo o Movimento Revolucionário, por mais que não saiba disso. Acredito que a sua inteligência vai destruir essa sociedade, e me tirar da prisão. Esses três irmãos, juntos, formam uma combinação totalmente diferente, e totalmente brilhante. Eu confio neles como Jesus confiou em Pedro. Nem que demore 9 anos,11 meses e 29 dias,eles vão me tirar de lá,eu creio.
Tom olhou para o teto,e estralou o pescoço. Se não fosse a aparência, Tom não pareceria nem de longe um velho.
— Bem,que assim seja então. – Enquanto falava, ele olhou no seu celular o horário – Daqui a dois minutos eles vem pegar você. O colar que Zaire te deu é importantíssimo.
Olhei para o meu pescoço,e vi o colar que a senhora negra me deu. Olhei para Tom com dúvida.
— Apresente ao guarda loiro de olhos verdes, e você poderá ser, de certa forma, atualizado sobre tudo o que ocorre. Apenas mostre o colar. – Tom falou. Depois,abriu uma gaveta e pegou algo lá dentro. Quando sua mão se tornou visível novamente, puxava uma algema.
Percebi o que ele ia fazer, e ofereci minhas mãos juntas. Ele as fechou com a algema,e me olhou nos olhos.
— Você vai ser transportado para a Prisão de Segurança Máxima G-1. Tem uns caras bem barra pesada lá,então, tente não ser espancado. Lembre-se do colar, o guarda loiro de olhos verdes,lembre-se !
Quando Tom terminou de falar,bateram na porta. Com calma, ele foi até lá e a abriu. Dois guardas,desta vez diferentes, entraram na sala. Me pegaram pelos braços e me arrastaram novamente. Olhei pela ultima vez para Tom e seus olhos azuis,antes do saco preto me cobrir a visão novamente.
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