Notas iniciais
Boa leitura!

Tem dito por aí – Uma ávida moçada:

Quanta hipocrisia ser tolher nossas paixões;

Perfeito diz tratá-las, sentirmos e adorá-las,

Tornar ao primitivo, sujeitar-nos à vazão.

Condenando a juventude, balbuciam comodistas

E no campo das mudanças, faz-se guerra insultuosa;

Uns reclamam liberdade, sem talhar a própria língua,

Tal que os outros nada ouvem, e arreliam o grito jovem.

Muito agride e pouca pensa, os androides na batalha,

Esputando injuriamento, sem ouvir alegações

Que não sejam as suas próprias, com ira replicadas

Onde o orgulho é certamente, seus coletes e brasões.

Culpa toda tem o amor, entre os homens difundida

Como coisa indefinida, mas se tenta esclarecer:

Foi desfeita a nós chegada, fez-se bela adormecida,

E de leito um mau desejo, que no instante a corrompeu.

Falo pois, da nossa carne, nos abusos de tocar

Sem pudor uma outra carne, qual deseja ter desnudo

Abraçado ao corpo próprio, qual se possa aproveitar:

De um amor que vela morto — n'alma o centro mais profundo.

E no prazer em que devia, um amor recôndito expressar

Seus carinhos sem vergonha, o torpor de se encontrar:

Do seu júbilo que é próprio, pois se deixa apropriar

E entre homens e mulheres, tão ingênuos faz pensar:

Que o amor, feito matéria, está no corpo a fluir,

Que no sexo ascende, e não se deixa apagar!

Nada entendem do espírito, que é perfeito e sutil,

Tal o amor que dele emana, sem razões de atrofiar!

(Que não seja a coisa insana, que no corpo sim se explana,

E assim nos deixa enganar):

Como um poeta de alma franca, qual o amor me faz mover,

Digo a todos que se amam, quão possível pode ser:

Amar poder de amor imenso, amado aquele que lhe deu

Amor que vibra na alma dua, tal o amor que é dele e teu.

Notas finais
Obrigado pela leitura!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!