O Monstro
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Notas iniciais
Boa leitura! :D
Todos na sala se calaram. John podia sentir vários olhares irritados, mas por enquanto só conseguia focar no de seu parabatai, que parecia inteiramente agradecido. O garoto desviou os olhos para as outras pessoas, analisando rapidamente suas expressões. Estavam todos no cômodo, e a maioria estava irritada com a decisão, através da confusão.
-Mestiço. Tá. Agora você vem com isso, também? — Era Taylor, uma das Caçadoras de Sombras mais velhas que morava no Instituto. Em alguns meses, ela iria embora para Idris, o lar dos Nelphilins, pelo o que John escutou falar. A garota sempre teve uma queda por ele e deixou isso bem claro. Agora, estava revidando com todas as forças desde que havia encontrado Mary. — E me diga, Boss, você, que sempre foi desconfiado de tudo pode confiar nela?
O garoto olhou rapidamente para Mary, sem conseguir se conter. A garota parecia muito interessada na sua Marca de clarevidência, queimada no verso de sua mão direita. Se não a conhecesse, podia dizer que nem havia escutado o que Taylor havia dito, mas seus olhos, agora escuros, entregavam o jogo.
-Eu vi – ele respondeu, voltando seu olhar para ela. — Eu vi tudo. E o assunto do mestiço foi sobre uma profecia que recebi.
-Numa guerra embarcas, sem final feliz — murmurou Mary, sem expressão e ainda olhando para sua mão. — Onde há monstros, eis demônios, / levas dois povos à raiz. / Num golpe desesperado voltarás da Morte, / mas o preço do mestiço não há fim.
Um silêncio profundo atingiu a sala. John percebeu que, em discussões, a garota sempre fazia todos se calarem. Os versos da profecia entraram em sua mente como lâminas, fazendo-o se encolher todo e encostar no encosto do divã. Sentiu o afago de Mary em seu braço, mas o toque não queimou como antes. Era como se o garoto estivesse hospedado nesse corpo, mas outra pessoa o controlava. Mesmo com os olhos fechados, sentia olhares de consolo em si. Nelphilins não eram pessoas que sentiam pena. Mas, pelo jeito, ele era mais importante ali do que pensava.
-Bem, isso pode ser muito bem uma armação – disse Taylor, cruzando os braços e franzindo a testa. John se imaginou com as próprias mãos estrangulando a garota. Como ela dava raiva! Ninguém iria perceber sua falta, ninguém se importaria. Seria uma bela visão daquele rosto implorando por ajuda, mas sem ninguém para escutar, e...
Uma sensação gelada tomou conta de seu corpo. Olhando para os lados, com os olhos arregalados, percebeu que estava de pé, e Mary estava na sua frente, com um braço dobrado, tentando impedir que avançasse, e o outro esticado, com a mão tocando sua têmpora direita. Ela afastou a mão, e algo negro, como pequenas fitas leves, entrelaçadas em si mesmas, parecendo submersas em água, saiu. Toda a sensação de raiva fora para longe do corpo de John, onde somente residiu o frio.
Agarota fechou a mão com força, e um chiado agudo saiu, e com ele o cheiro de lixo podre.
-O... o que foi isso? — Perguntou Nick, com os olhos arregalados. Todos no ambiente estavam com a mesma expressão de espanto, exceto Mary. Seu rosto era indecifrável.
-Uma possessão – a garota respondeu, olhando nos olhos âmbares de John, como se pudesse extrair toda a verdade deles.
-Ele passou por um ritual, logo que nasceu. Esse ritual deveria impedir esse tipo de coisa – Grissom disse, escolhendo com cuidado as palavras. Ele parecia anos mais velho, e seu cabelo grisalho em nada ajudava.
Mary olhou pelo ombro para ele, franzindo o cenho.
-Posses... Não! — Exclamou, empurrando John para se sentar novamente no divã. O garoto não havia percebido até aquele momento que estava andando em direção à Taylor quando fora “possuído”. — Não é essa possessão. Algo invadistes sua mente, causando-lhe maus pensamentos. De raiva. Isto levaria-o a fazer alguma insanidade.
Jordan, o mais novo no Instituto, colocou a mão na boca para tentar reprimir uma risada. A garota olhou imediatamente para ele, mas com uma expressão de confusão.
-Mas por quê isso nunca aconteceu antes? — Percy perguntou, olhando para seus próprios pés.
A garota abriu aquele sorriso de gelar a nuca. John engoliu em seco. Realmente odiava quando ela fazia isso. Quase tanto como a aura das sombras que rodeava ela. As garotas que ele gostava não podiam vir sem nada sinistro?
-Pois ele é o mestiço. E, como o escolhido, têm mais importância. E, com isso, nossos inimigos fazem mais para controla-lo. Como passou por esse ritual de não-possessão, ou sei lá como vocês chamam... Ele não ganha nenhuma vontade maligna, mas sim segue as que ele próprio criou.
John prendeu a respiração. Estava com raiva de Taylor, se não fosse por Mary, iria estrangulá-la de verdade. Mas ninguém mais percebeu o seu nervosismo.
-Como você sabe de tudo isso? — Uma voz mal sussurrada cortou o silêncio.
-Pois eu sinto isso.
-Como? — Taylor estava insuportável. Mas, lembrando do aviso da outra garota, tentou deixar somente imagens pacíficas em sua mente. Isso era horrível.
-Eu sou a filha de Hades. Caso você ainda não saiba, tenho poderes sobrenaturais. Para vocês, mortais, ele é considerado um deus do mal. E o Mundo Inferior o Inferno. Mas, apesar de toda essa ideia que conseguiu abalar o reino do pai, é nosso dever saber o que há de errado com as pessoas deste lado. E nós não pedimos nada em troca. Então, iria agradecer se você calasse sua boca e cooperasse para não destruir o mundo. Ou, caso não queira fazer isso, talvez seja você que está do lado deles.
John teve que se segurar como nunca para não dar uma risada. O que achou uma imensa ironia, com uma guerra começando. Mas mesmo assim, Mary sabia como calar alguém, como ser uma líder. Nesse momento, se orgulhou mais que tudo nesse mundo por ter uma namorada tão durona.
Antes que alguém pudesse fazer uma coisa, ouviu-se algo estranho. Ou melhor, não se ouviu nada. Um silêncio sepulcral ocorreu na imensa Nova Iorque. O que nunca se dava. Se virando e olhando pela janela, ou tentando olhar por ela, não viu nenhum sinal de movimento. Era como se...
-Eles sumiram... Os mudanos sumiram – murmurou John.
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