O Monstro.

3 Capítulo 3


Pov Yamashito Corey:

Eu o observei por um tempo, até que ele se levantou e disse:

_ Nossa! Eu até esqueci de perguntar... Qual é o seu nome? — disse ele, coçando os olhos, que eram prateados, ainda com o sorriso nos lábios.

_ Sou Corey. Digo, Yamashito Corey. E o seu? Lembrei que eu não perguntei. — falei, rindo.

_ Kyrenai. — disse, rindo também.

E então, a campainha tocou. Levei um susto e pulei no lugar. Já tinha até me esquecido da porta, me esquecido onde estava e que tinha faltado á aula. Olhei no relógio. Eram meio-dia agora. Suspirei quando a campainha tocou e fui atender, murmurando:

_ Se esconde! Se te verem, estamos perdidos. — murmurei e ele pareceu entender, procurando um lugar para se esconder.

Abri a porta e dei de cara com Joshua, que era meu primo de segundo grau. Sim, eu tinha parentes distantes... Mas Joshua agora era um monstro para mim! Eu o fitei, ele parecia bem normal, os cabelos curtos e ruivos, ondulados continuavam ali, parecidos com os meus, só que os dele eram mais claros, quase loiros. Os meus cabelos eram de um ruivo tão forte que pareciam até sangue. Ele estava com os mesmos olhos azuis (eu tenho olhos castanhos, o invejo um pouco nesse detalhe).

Em fim, ele estava normal, os dentes certinhos, tudo no seu devido lugar. O fitei, sem palavras.

_ Oi primo! — disse ele, sorrindo, alegre como sempre.

_ O que você faz aqui? — perguntei, rispidamente. Fui grosso, eu sei, mas como podia? Depois de ontem ele fazer aquilo?

_ Nossa, o que aconteceu para você estar assim? — perguntou, surpreso.

_ Depois de ontem você ainda pergunta? — soltei, bufando.

_ O que aconteceu? Eu nem estava aqui perto ontem! — exclamou, surpreso. E eu, mais surpreso ainda.

_ Então, vai me dizer que você não é um monstro! Me engana que eu gosto. — falei, ironicamente.

_ Corey-san, você está bem? — perguntou, olhando nos meus olhos.

_ Estou ótimo, e não foi graças a você, claro! E você pode me dizer, quem era aquele cara que me salvou? — perguntei, olhando para o céu, impaciente.

_ Corey-san, eu não sei do que você está falando. É sério. Eu não te vi ontem. Na verdade, eu estava com o tio Kibby-san. Se algum monstro usou a minha imagem, você tem que me falar! Eu não sou um monstro! — disse ele, me sacudindo pelos ombros.

Eu recuei um pouco, agora eu estava com medo do Joshua.

_ Pare de tentar me enganar e diga logo o que quer. — murmurei, vendo ele entrar e fechar a porta, tirando os sapatos.

_ Escuta, eu realmente não estou te enganando. É que eu vim aqui na cidade para comprar algumas coisas e resolvi te visitar. Faz um tempo que agente não se vê. E aí você me vem com essa? — disse ele, agarrando meus ombros e me prendendo contra a parede.

_ Me larga, Joshua. Eu não vou te deixar me enganar outra vez! — exclamei, tentando o empurrar, sem sucesso. — Se era só isso, por que você não vai embora? — perguntei, bufando.

_ Porque você acha que eu sou uma coisa que eu não sou! Eu não sou um monstro! Eu sou o seu primo! — exclamou ele, me sacudindo novamente. — Você ainda não entendeu isso? E agora eu quero é achar o monstro que usou a minha imagem e acabar com ele! Eu estou falando a verdade!

_ Eu não acredito mais na sua palavra. Sinto muito. Agora me largue. — falei, olhando o chão.

_ Corey-san! — exclamou ele, me olhando tristemente. — Como você quer que eu te prove que não sou um monstro? Eu te amo, primo!

Eu arregalei os olhos ao ouvir aquilo.

_ Agora que eu acho que você não é o Joshua mesmo, vai embora. — falei, ainda com os olhos arregalados.

_ Está bem, eu não te amo, mas acredita em mim! Eu não sou um monstro. Não sou! — exclamou ele.

_ Dá para você sair daqui? — perguntei, já assustado de novo.

_ Como você pensa que o seu primo, o seu primo, é um monstro? — perguntou, me sacudindo novamente.

_ Já falei para me largar, não já falei? Eu vou chamar a polícia! — exclamei, mas ele não me soltou.

_ Por favor, dá para você me ouvir? — perguntou Joshua.

_ Não, você também parece que não me ouve! Vai embora, você ainda não entendeu que eu não te quero perto de mim! E me larga! — exclamei, mas nada aconteceu, ele só ficou me olhando.

_ Eu vou contar até três para você largar o Yamashito-dono. — ouvi uma voz vinda da sala, fazendo Joshua pular e olhar.

Kyrenai estava parado na sala, enrolando alguns fios do seu cabelo prateado, que batia nas costas, fitando Joshua.

_ Q-quem é ele? — perguntou Joshua, surpreso.

_ Um. — murmurou Kyrenai, mas Joshua não se moveu. — Dois.

_ Espera, quem é você? — perguntou Joshua, me soltando.

_ Não te interessa. Agora, vou contar até três para você sair dessa casa. — disse Kyrenai friamente.

_ Espera aí, o que é que está acontecendo? — perguntou Joshua, parecendo confuso.

_ O que está acontecendo é que você não é bem-vindo aqui. — falei.

_ Mas eu sou o seu primo! — exclamou Joshua.

_ Não é mais. — falei. — Agora é um monstro que tentou me devorar. Vá.

Joshua me fitava, boquiaberto.

_ Tipo, só por causa que alguma coisa aconteceu ontem e o monstro usou a minha forma, em um dia, e agora você me chama de monstro? — perguntou Joshua. — Eu não sou um monstro! Monstro são seres terríveis! Eu sou humano e com muito prazer! Admito que eu viajo bastante á procura de monstros para destruir, eu tenho uma arma própria para isso, mas eu sou seu primo, Corey-san! O seu único primo! — exclamou.

Eu não consegui deixar de sentir meus olhos se encherem de água, mas respirei fundo e disse:

_ Dá para você sair? De qualquer jeito, eu tenho que pensar.

_ Como assim pensar? Você vai acabar pensando coisas que não são verdade! Existem monstros que se passam por pessoas! Eu não sou um desses monstros! — exclamou Joshua, com desprezo. — E eu nunca vou ser um monstro! Como alguém pode me confundir com algo assim?

_ Joshua, eu não acho que ser um monstro é assim tão ruim. — resmunguei. — Nem todos os monstros são "coisas assim". — murmurei. Agora eu tinha certeza que era mesmo Joshua. Nenhum monstro falaria assim de si próprio.

_ Como não são? Eles só servem para matar, roubar, fazer as pessoas sofrerem, eles são nojentos e horríveis! Monstros são... Monstros! — exclamou, com bastante desprezo.

Vi que Kyrenai estava no sofá, com a cabeça baixa e alisando um pano. Eu não conseguia ver a sua expressão.

_ Pare com isso! Se todos os monstros fossem assim, o ser humano estaria constantemente em guerra com eles! É bom saber que a natureza criou alguma espécie para matar humanos! Já que nós mesmos estamos destruindo o mundo, faz sentido a natureza ter evoluido a esse ponto. É, monstros são uma evolução, e não seres horríveis. — falei, engolindo em seco.

_ Monstros são uma evolução? Tenha paciência! Monstros são sim seres horríveis, você não tem noção do que eu vi alguns deles fazerem! Eles gostam de fazer as pessoas sofrerem! Gostam de ver as pessoas caírem aos seus pés! E gostam de destruir a vida! Como algo assim pode ser algo bom? — perguntou Joshua. Eu o fitei. — Não existem monstros bons, pode desistir. A maior parte se finge de bonzinho para conseguir o seu sangue e o seu sofrimento. — disse Joshua. — Pode acreditar, eu conheço mais sobre isso do que você. Eu já acabei com muitos monstros, sou de uma sociedade secreta de caçadores que o governo criou. Eu acho os monstros e os destruo. Porque para eles, não há salvação.

Fiquei boquiaberto com as palavras de Joshua.

_ Isso não é verdade! Você não sabe de tudo, Joshua! — exclamei.

_ Continue acreditando nisso, você vai acabar caindo em uma armadilha e, no final, vai entender que eu estou certo. — disse Joshua. — Agora, quem é aquele?

Ele agora fitava Kyrenai, que estava com a cabeça baixa, sem deixar que ele visse seu rosto. Eu engoli em seco.

_ Kyrenai-kun... — comecei e ele levantou uma das mãos, como se pedisse para que eu esperasse e foi, lentamente, para a cozinha, pegando um copo de água e respirando fundo, passando a mão no rosto.

_ Pronto! Eu sou Kyrenai, muito prazer! — disse ele, vindo na direção de Joshua. A cauda tinha desaparecido. Como ele fizera aquilo?

_ Prazer. E por que você está aqui? — perguntou Joshua.

_ Eu estou cuidando do seu primo, porque ele estava muito mal ontem e acabei ficando aqui até agora, porque ele ainda está assustado. — disse Kyrenai, sorrindo. Mas eu pude ver em seus olhos a tristeza e a raiva, que ele não demonstrava no rosto.

_ Você está bem? Quando estava sentado ali, não parecia muito bem. — disse Joshua, estreitando os olhos.

_ Ah, é só que eu tenho um ponto de vista diferente do seu. Nem todos os monstros querem acabar com os humanos e alguns deles, apesar de serem raros, até vivem como humanos, sabia? São só diferentes. É a minha opinião. — disse Kyrenai.

_ Hum, sua opinião, certo? E você já viu uma dessas raras excessões? — perguntou Joshua.

_ Sim. — disse Kyrenai.

_ Pois eu não. E enquanto eu acreditar que os monstros servem para nos fazer mal, o mundo será lindo. Enquanto houverem monstros a serem mortos, minha existência valerá alguma coisa. — disse Joshua, sorrindo abertamente para o outro.

Kyrenai ficou sério por um segundo, tão sério que eu cheguei a recuar com o olhar que ele lançava á Joshua. Mas logo sorriu e disse:

_ Tomara que algum dia você mude de opinião.

_ Eu não quero tanto que isso aconteça. — resmungou Joshua.

_ E isso prova que somos bastante diferentes um do outro! — disse Kyrenai, rindo. Mas eu conseguia ver que ele estava se esforçando para não dar um soco no meio da cara de Joshua.

_ Por que você está com esse olhar de raiva para mim? — perguntou Joshua, me fazendo parar de respirar com a surpresa.

_ Porque temos pontos de vistas bastante diferentes. Você não conhece todos os tipos de monstros que existem. — disse Kyrenai.

_ Nem você, provavelmente. Porque você não sobreviveria, se conhecesse, já que é humano. — disse Joshua.

_ Acho que um humano não sobreviveria mesmo. Mas qual é o pior tipo e o mais perigoso, que você conhece? — perguntou Kyrenai, estreitando os olhos.

_ Acho que empata entre meio dragões e aqueles esquisitos, cruéis, que ficam dentro dos lagos em busca de uma presa, parecendo até com piranhas, que ninguém consegue acabar com eles, porque são muitos, nem sei o nome deles. — resmungou Joshua, estremecendo.

_ Meio dragões? — perguntei, surpreso.

_ Sim, esse é o segundo pior tipo. Eles são rápidos, são cruéis, são sádicos, tem garras, são enormes na verdadeira forma, tem aquele olhar maligno, alguns deles tem aquela visão distorcida da realidade, tem aquela cauda que tem uma lâmina na ponta que tem um veneno mortal ... Sério, alguns transformam as pessoas em brinquedos, a ponto de algumas pessoas quererem se matar... E eles costumam a tomar formas humanas bastante surpreendentes... Sabe, qualquer pode ser um deles, seu vizinho, seu amigo... São muito inteligentes, normalmente... Tem paciência, muitos deles acreditam que ter calma é essencial... Nem conheço tudo que eles são capazes de fazer, será que tem algum que lê mentes? Cada um é diferente sabe... Nunca consegui matar um desses, são realmente bons no que fazem. — murmurou Joshua, tremendo.

_ Se quiser ver um meio dragão, me fala que eu te mostro... — resmungou Kyrenai, de um jeito que eu quase não ouvi. Ele parecia bastante incomodado com a situação.

_ Bem... — murmurei, sem conseguir tirar os olhos de Kyrenai. Eles gostavam de fazer das pessoas brinquedos? Será que era isso que Kyrenai queria de mim?

_ O que foi? — perguntou Joshua.

_ Nada não... — murmurei e Kyrenai deu um sorrisinho falso para mim.

_ Que olhar acusador é esse que você está lançando para o albino, Corey-kun? — perguntou Joshua, olhando para Kyrenai. — E você pode mesmo me mostrar um meio dragão?

Kyrenai me fitou, buscando ajuda.

_ Foi você que falou, não tenho culpa. — murmurei, levantando os braços.

_ Mas foi você que perguntou o porque de ele achar os meio dragões perigosos. — resmungou Kyrenai.

_ E foi você que perguntou que monstro ele achava mais perigoso, eu só fui curioso. — murmurei.

_ A curiosidade matou o gato, sabia? — perguntou, olhando para a parede.

_ Ah, não foi minha culpa, pode parar com isso! — exclamei, batendo o pé.

_ Claro que foi! Você... — começou Kyrenai e foi interrompido:

_ Eu estou boiando na conversa. — resmungou Joshua. — Vai me mostrar o meio dragão?

_ Eu... Você vai sair correndo de medo? — perguntou Kyrenai.

_ Não, vou tentar matá-lo! — disse Joshua.

_ Ah... — murmurou Kyrenai, com sorriso sem graça. — Então deixa para lá...

_ Você não pode mudar o seu jeito com um monstro se quer? Que eu nem considero como monstro? — perguntei, com raiva.

_ Não vou deixar ele me enganar. — disse Joshua.

_ Se fosse para nos enganar, ele já estaria fazendo isso a muito tempo! — exclamei, batendo a mão no rosto.

_ Não confie em monstros, não entendeu esse meu aviso? — perguntou Joshua.

_ Ele é meu único amigo. — falei, fitando Joshua.

Meu primo estava sem palavras agora.

_ Ele é seu único amigo? — perguntou Kyrenai, sorrindo.

Abaixei a cabeça, corando.

_ É... — murmurei.

_ Idem. — disse Kyrenai.

Eu o fitei, confuso. Ele apenas olhou para a parede, rindo baixinho.

_ Agora eu estou mais perdido do que cego em tiroteio. O que vocês... Será que... Enganando há muito tempo... — murmurou Joshua, fitando Kyrenai.

_ Ah, pode parar! Ele nem tem a cauda, está vendo? — perguntei.

_ Eles se disfarçam. — disse Joshua, olhando acusadoramente para Kyrenai, que deu um riso forçado.

_ Claro que não é o que você está pensando... — murmurou Kyrenai, recuando um pouco.

_ E por acaso você lê a minha mente? — perguntou Joshua.

_ Escuta, ele nem está aqui... Ah, eu não sou um bom mentiroso! Fala para ele Corey-dono. — murmurou Kyrenai.

Eu arregalei os olhos quando ele me chamou daquele jeito.

_ Escuta, Kyrenai-kun... — murmurei e ele me fitou.

_ Você chamou mesmo ele de dono? — perguntou Joshua e eu bati a mão na testa.

_ Meu primo é o senhor detalhista, cada detalhe ele observa. — falei.

_ E não posso te chamar de dono? Eu já pedi para você contar a verdade. — disse Kyrenai e eu o fitei.

_ Sério? — perguntei. — Como é que eu vou contar isso? — perguntei, surpreso.

Kyrenai suspirou e foi para trás da bancada da cozinha, se abaixando.

_ É um, é dois... — murmurou Kyrenai e do nada ele apareceu na frente de Joshua, com a cauda aparecendo.

Joshua até soltou um grito de surpresa, recuando para a porta.

_ Então, você é mesmo... — murmurou Joshua, analisando Kyrenai.

_ Sim. E não sei o que você acha de assustador em mim. — resmungou Kyrenai, fazendo que não com a cabeça.

E então, Joshua apontou uma arma para Kyrenai, que arregalou os olhos. Mas antes de qualquer coisa, Kyrenai o tinha jogado no sofá, a arma agora estava no chão.

_ Talvez seja a sua rapidez. — resmunguei e Kyrenai caiu na gargalhada.

_ Eu nem sou tão rápido assim. — resmungou. — Eu só pego uma carona com a luz, é tão surreal assim? — perguntou, me olhando.

_ É sim. — falei, assentindo com a cabeça e rindo. — Até eu tenho medo disso.

_ Ah, você tem medo de mim? — perguntou Kyrenai, se aproximando. — Não me diga! — disse ironicamente.

Eu recuei um pouco, olhando meus pés.

_ O que aconteceu? — perguntei.

_ Simples, um cara, seu primo especialmente, tentou me matar! — disse Kyrenai, parecendo indignado. — Nada demais! Apenas isso! — disse ironicamente.

_ E quando você está indignado, você usa muito a ironia? — perguntei, com um pouco de medo dele.

_ Eu não estou só indignado, eu estou morrendo de raiva, como é que um cara pode ser tão ignorante... — resmungou, pondo as mãos no rosto e respirando fundo.

_ Calma. — murmurei.

_ Estou tentando ter calma, mas você não tem noção de há quanto tempo eu não como nada e juntando toda a minha fome com a minha raiva, dá uma bela porção de descontrole, sabia? — perguntou, andando até Joshua.

Ele tremia, tentando alcançar a arma.

_ Joshua, para com isso seu idiota! — exclamei e Kyrenai o puxou pelos cabelos, jogando ele contra a parede, fazendo ele bater fortemente contra ela e gemer de dor.

_ Kyrenai-kun, se acalma. — resmunguei.

_ Já tentei me acalmar, mas é impossível sabe? — disse ele e eu fui para a sua frente.

_ Calma. — falei, com as mãos para cima.

_ Joga essa arma pela janela pelo amor de deus. — disse Kyrenai, caindo no sofá.

_ Está bem. murmurei, pegando a arma.

_ Não, Corey-san! — exclamou Joshua. — Esse é o único jeito da gente vencer!

_ Que vencer, Joshua! — exclamei, jogando a arma pela janela. — Você não entendeu que o Kyrenai-kun não quer nos machucar?

_ Dá para parar de chamar ele de -kun? Ele com certeza em bem mais inteligente do que nós dois juntos e só está armando um plano para comer a gente de café da manhã! — exclamou Joshua.

_ Joshua, vai embora. — ouvi a voz de Kyrenai, tão ameaçadora que eu mesmo recuei.

_ Por que? Para você matar o meu primo? — perguntou Joshua e Kyrenai apareceu bem na sua frente, pondo as mãos nos braços de Joshua e levando a cauda até seu pescoço.

_ Simplesmente para eu não matar você. — disse Kyrenai, o jogando até a porta e pondo a mão na cabeça.

_ Isso, vou pegar a arma. — sussurrou Joshua, pegando a maçaneta da porta. Mas eu a abri antes dele, corri até o jardim e peguei a arma, jogando ela pela janela.

Joshua me fitou, surpreso.

_ Ande, vá embora. — resmunguei, entrando em casa e o empurrando para fora.

_ Mas Corey-kun... — começou Joshua e Kyrenai apareceu do meu lado, me jogando longe.

_ Ou você vai embora agora, ou eu vou te matar. Escolha. — disse Kyrenai e Joshua se encolheu, saindo. Kyrenai bateu a porta e a trancou. — Ninguém entra agora! — exclamou, se sentando no chão e pondo a cabeça entre as pernas, respirando com dificuldade.

Eu olhei a arma no chão, a peguei e a guardei, me sentando no sofá e observando enquanto Kyrenai tentava se acalmar.

_ Ele é um idiota mesmo, calma. — murmurei.

_ O problema é que eu estou realmente precisando de matar alguém. Estou com fome e meu estômago só aceita carne humana. Eu vou atrás do seu primo? — refletiu ele.

_ Kyrenai-san, não faça isso. — murmurei. Mas ele tinha que comer carne humana para viver... Engoli em seco. Está bem, o que eu fazia agora? — Por que você não procura alguém que não quer mais viver? Alguém que está sozinho no mundo? — perguntei.

_ Eu procurei e achei você. — resmungou, me olhando e lambendo os lábios.

_ Opa, parou, eu não quero virar comida. — falei.

_ Então, deixa que eu me viro. — resmungou, abrindo a porta e saindo.