O Mito das Guerras Santas - Primevas
48 Capítulo 48: Batalha Espiritual
Notas iniciais
Deixando para trás Sraosha em embate com Aesma, seu irmão, Thithonos, Salem, Ixeon e Anathema seguiram em frente.
O caminho parecia engolir quem o seguisse com uma escuridão inquietante.
— Você sentiu isso? — perguntou mentalmente Salem que flutuava em posição de lótus ao lado de Thithonos.
— Sim. Parece que atravessamos o limite dimensional entre o Mundo dos Homens e Sparta.
— Fiquem atentos e não baixem a guarda! — alertou o virginiano ao grupo.
Passando pela escuridão, eles chegaram num espécie de salão circular. Onde haviam portas que acessavam caminhos diferentes.
— É como um labirinto.
— O inimigo quer que nos separemos, sabe que somos mais fortes unidos. — comentou Anathema.
— É uma ilusão… — disse Thithonos.
Eos se adiantou ao amado e passou flutuando como uma fada luminosa diante das portas que iam se desfazendo como ilusões que eram.
— Restaram apenas duas. — afirmou Ixeon.
— Nesse caso teremos de nos dividir, nosso objetivo é chegar o quanto antes ao Templo de Áres.
— Thithonos tem razão. — confirmou Salem — Ixeon e Anathema levem os cavaleiros de Bronze com vocês. Thithonos e eu iremos pela entrada oposta.
Os cavaleiros confirmaram e seguiram seus caminhos separados.
Thithonos e Salem adentraram um túnel absolutamente escuro, mas repentinamente uma claridade, uma luz tímida como se fosse uma luz negra os cercou. Imediatamente os cavaleiros estavam em alerta.
— Eu posso sentir…
Como um flash e um barulho agudo e estridente eles sentiram algo passar por eles.
— Que droga foi isso? — se perguntou o Rei Imortal.
— Alguém já nos esperava. Provavelmente neste túnel estreito se sente na vantagem com nossos movimentos limitados.
— Você tem razão.
— Cavaleiros são espertos…
— Essa voz…
— Vejo que nos reencontramos Rei de Drakala. Thithonos, o Rei Imortal.
Em contraste com a imensa beleza de Thithonos, as feições de Larsir eram de um homem comum, eles já haviam se enfrentado anteriormente na mesma ocasião em que Athena fez do rei um de seus cavaleiros de ouro. O embate não fora concluído, pois sem muito controle de seus poderes Thithonos apenas lançara o inimigo em um vinco dimensional avulso. Mas agora era diferente eles finalmente iriam se enfrentar.
— Vejo que tem companhia, Salem de Virgem, o Conjurador. Sabem eu não tenho muito tempo para brincadeiras então vou acabar com vocês sem muita cerimônia.
O berseker era muito rápido, quase como se pudesse se transportar pelo espaço. Porém sua espada apenas traspassou os cavaleiros de ouro, que se desfizeram no ar.
— Muito veloz Larsir de Kotetsu, muito além do que quando te vi lutar com Thithonos daquela primeira vez.
— Eu ainda não mostrei nada do meu poder…
O berseker atravessou a própria espada pelo peito. De certo calculara que atacar dois cavaleiros de ouro com seu poder atual era suicídio. Pelo menos foi o que pensou Salem.
Mas Thithonos que tinha uma visão mais aguçada do mundo espiritual percebeu que havia algo de diferente com a alma do Berseker de Kotetsu.
O que está acontecendo?
O que foi Thithonos? — perguntou Salem em pensamentos
Sua alma… não é como uma alma comum de um ser mortal. Há uma nuance negra, como se…
Antes que Thithonos completasse a frase, o sangue, que se espalhava como uma poça sob o corpo caído de Larsir, começou a se mover como se estivesse vivo. O corpo morto foi envolvido e absorvido por aquela manifestação grotesca.
Uma face em esqueleto surgiu, não havia músculo, carne ou pele recobrindo aquele crânio, apenas osso. O mesmo das mãos, o corpo era apenas uma substância viscosa que emitia um tom de escarlate pesado. Da parte frontal da cabeça emergiam dois chifres como que de pedra rubi.
— Que coisa é essa?!
— Os espíritos da Goetia me alertaram de que Áres estava fazendo experimentos com o cosmo divino do Ikhor com auxílio de Thanathos.
— Thanathos, o Deus dos Mortos?
— Sim. Pelo que entendi todas as fúrias receberam um selo que é quebrado imediatamente após a morte do Berseker que a veste, o sangue dele reage ao poder do Selo e do corpo dele nasce uma criatura, meio mortal, meio divina, que Thanathos chamou de Queres, a Morte em Batalha.
— Que tipo de monstruosidade Áres pretende liberar?!
— Vejo que seus espíritos da Goetia lhe informaram muito bem, Salem de Virgem. — que lhes falava era o próprio Thanatos. — Pois bem se eles me pouparam de lhes informar os planos de Áres eu apenas lhes apresentarei, Akhlys, a Névoa da Morte.
Assim como a imagem de Thanathos surgiu ela desapareceu.
— Névoa…
— da Morte…
A risada do monstro era grave como um estrondo e sua voz seguia o mesmo padrão…
— Apodreçam seus vermes! Consumação Mortal!
Uma névoa densa que variava entre o púrpura intenso e o escarlate mais obscuro avançou em direção aos cavaleiros.
— Kham!
A barreira impenetrável de virgem se formou envolvendo os cavaleiros num domo de cosmo energia.
— Se vocês não sabem, tudo abaixo dos deuses foi criado para ter um tempo limite de existência, mesmo o cosmo. E suas técnicas!
O invólucro formado por Salem de Virgem começou a se deteriorar pela névoa do ataque de Akhlys.
— É como se a minha técnica estivesse deteriorando…
— Condiz bem com o que ele representa.
Eos… não temos escolha…— disse Salem na mente da deusa.
Naquele instante Eos percebeu a intenção de Salem e tentou impedi-lo, mas já era tarde demais. Um brilho intenso cegou a todos, quando a luz diminuiu. Salem estava lá. Thithonos percebeu a diferença de poder entre o clone astral e o verdadeiro Salem. Um cosmo avassalador realmente condizente com o que seria o cosmo de um deus.
Salem descruzou as pernas da posição de lótus e nesse instante afastou a névoa deteriorante.
Um simples movimento…! Ele simplesmente descruzou as pernas.
— Eos tire Thithonos daqui… essa batalha já acabou. — um sorriso leve e sereno pairou no rosto do Virginiano.
— Salem não!
Eos tomou Thithonos pela mão e se arrebataram pelo espaço-tempo.
— Sabe Akhlys, existe algo capaz de superar a morte e transcender o que os deuses impuseram aos mortais, a condição finita da matéria. Esse algo é o Espírito. O espírito não pode ser destruído nem mesmo pela morte. — enquanto falava Salem dava passos lentos e calmos em direção ao algoz. — E por isso eu decidi abandonar a matéria…
— Isso… isso não pode ser possível para um humano.
— Sim isso é para aqueles que foram iluminados. O oitavo sentido. Assim como Enoch em seus últimos momentos eu o conheço.
— Arayashiki… eu… eu vou acabar com você maldito cavaleiro! Deterioração Suprema!
Uma nova onda de névoa avançou contra Salem. Ele rebateu a primeira com um dos antebraços. A segunda com o punho fechado. Girou o corpo arremessando a segunda investida para o lado oposto.
— Uma vez que eu não estou mais encarnado, eu não sou mortal, porque meu espírito não é mais mortal.
Estava próximo demais Akhlys nada poderia fazer, mas ele era imortal, nenhuma ataque de cavaleiro poderia feri-lo se auto-destruiria antes de tocá-lo realmente.
Mas Salem sabia disso. Ele apenas arremeteu o punho pela boca do crânio. Abriu a mão dentro da boca do monstro e liberou a Névoa da Morte.
— O maior poder que detinha todo esse tempo, nunca foi poder invocar os espíritos da Goetia. Os 72 espíritos nada mais são que versões da minha alma. Eu sou a Goetia. Eu sou os 72 espíritos. Abandonar a matéria com o Oitavo Sentido sempre foi o meu verdadeiro poder.
O monstro começou a se debater e se deteriorar de dentro da para fora.
— Maldito você usou meu poder contra mim!
É uma pena eu não poder retornar a matéria, uma vez que me desliguei dela. Seria uma honra poder usar uma das Armas de Libra…

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