O Mito das Guerras Santas - Primevas

38 Capítulo 38: Feras de Ouro e de Prata


Notas iniciais
Éris continua sua investida em busca de vingança contra Athena. As incertezas de Ixeon são postas a prova por Anfilogias, que questiona os sentimentos do cavaleiro sobre sua batalha com seu melhor amigo Atos de Scylla, Marina de Poseidon. Quando começa a duvidar da verdadeira natureza do seu poder Ixeon se vê diante da consciência da Armadura de Capricórnio e da Excalibur, que lhe fora dada por Athena. Agora Canaã enfrenta seu desafio...

A atmosfera negra se estendia sobre a casa de Capricórnio. Em contrapartida o brilho dourado formava um farol ao pé do santuário.

— Eles estão usando suas técnicas mais poderosas… — Sraosha observava da casa de Gêmeos. Seus olhos frios, os cabelos brancos ao vento. — De qualquer forma nós cavaleiros não temos ordem de sair de nossas casas. Acredito no poder de Ixeon e Melkabah.

Enquanto isso em algum lugar entre o Santuário e a Lemúria a equipe liderada por Enoch prosseguia. Ryuma colocou Penélope em suas costas carregando a Amazona desacordada.

Eles ainda estavam desinformados sobre os fatos que se desenrolavam no santuário, de forma que não tinham se quer noção que o problema da Amazona de Andrômeda estava ligado com Éris.

— Algum sinal de melhora Ryuma?

— Nada Senhor Enoch.

— Não precisa me chamar de senhor, eu não sou tão mais velho que vocês como é o caso dos outros Cavaleiros de Athena que a acompanham desde o embate com Poseidon há 140 anos.

— Como os cavaleiros sobreviveram tanto tempo, Enoch? — pergutou Krest.

— Bom eu sou de uma geração recente de Lemurianos, mas meu pai que é bem mais velho me disse que quando a Guerra com Poseidon findou a terra estava muito destruída. Faltava pouco para a extinção total da raça humana. Athena então pediu aos cavaleiros que tomassem do seu sangue, o Ikhor, que o poder deles talvez fosse possível sobreviver para que eles ajudassem o restante da humanidade e os cavaleiros que ainda viriam.

Ikhon… o sangue dos deuses… Athena me entregou seu sangue para que pudesse ser usado para banhar sua armadura. — pensou consigo Perseu e seguida perguntou a Enoch:

— Porque Athena tinha medo que os Cavaleiros de Ouro não sobrevivessem?

— Por que o Sangue dos Deuses, o Ikhor, não é um sangue normal. Ele tem uma coloração diferente azulada e isso denota o imenso poder que ele detém. O Ikhor que os cavaleiros tomaram de Athena, deu a eles uma juventude prolongada, muitos deles tem hoje mais de 150 anos. Mas no caminho oposto disso eles poderiam ter morrido. O Ikhor é um veneno para qualquer ser humano normal, no entanto, eles decidiram se arriscar pelo bem da humanidade e para lutar ao lado de Athena.

— Eles tomaram o Ikhor sem saber se morreriam ou não? — perguntou Ryuma.

— Sim. Às vezes ser um cavaleiro de Athena está além de ser um defensor da Justiça e da Paz. Tem haver com sacrifícios com colocar o bem maior acima da sua própria vida. E foi isso que eles fizeram não uma, nem duas vezes nessas 7 gerações, mas sempre desde que suas armaduras os escolheram. E é por isso que eu me sinto honrado em ser o escolhido pela Armadura de Ouro de Peixes. E se necessário for darei a minha vida pela confiança que Athena e esta armadura depositaram em mim.

As palavras de Enoch fizeram os cavaleiros entenderem o peso de ser um guerreiro ao lado de Athena.

Canaã o cavaleiro de Leão, era tido como impulsivo, porém justo e solidário. O motivo de Canaã ter procurado Athena era salvar seu povo da maldição de Apollo. Até que a própria Deusa mostrou ao cavaleiro que ele poderia ser a salvação de seu povo.

O poder de solidificar a luz.

A história do Cavaleiro de Capricórnio e do Cavaleiro de Leão parecia entrelaçada. Ixeon aprendera a dominar as trevas e conjurar seu poder até mesmo de outras dimensões. Por outro lado Canaã havia sido agraciado com poder de manipular a luz. A origem dos dois era praticamente a mesma, uma vez que as terras de Kuna e Yamí se misturavam e o que delimitava o território Yamí era apenas a completa escuridão deixada por Apollo.

— Cavaleiro de Leão, se poupe de tentar batalhar comigo, você está apenas gastando mais e mais do seu poder em vão.

— Não pense que eu vou me render!

O cavaleiro de Leão novamente avançou.

— Sinta a fúria da fera de ouro, Chamado do Rei das Feras!

Os olhos se formaram em meio a penumbra em torno do cavaleiro de Leão. Avançaram como feixes de luz rápidos demais para serem vistos e para que uma reação fosse tomada por Athé.

As garras queimavam o corpo da Dríade, porque eram trovões conjurados em forma de feras pelo cavaleiro.

O corpo da Dríade caiu aparentemente sem vida.

— Eu disse que não seria tão fácil me fazer desistir.

Ele deu as costas. Mas seu corpo parou quando ouviu uma risada tímida se insinuando, ela tomou corpo e tom mais alto.

— Você achou mesmo que me venceria com uma técnica desta? Você me diverte Cavaleiro de Leão. Sempre imprudente.

Arriscou-se em meio a todos os continentes e terras do planeta unicamente para achar quem se opusesse a Apollo.

Ela se levantou. O corpo começava a se recuperar.

— Você por algum momento pesou que pudesse morrer e seu povo estaria novamente desamparado contra os seres malignos de Yamí?

Naquele instante Canaã percebeu que deixara seu povo sem pensar muito no que poderia ser consequência daquela atitude. Ele só pensou em buscar salvação, sem imaginar que poderia ele mesmo se perder e extinguir o único fio de esperança de sua gente.

— Você… — ele sussurrou — você não tem esse direito!

Ele socou a parede ao se lado que se estilhaçou num rombo côncavo.

— Eu fiz tudo que fiz pelo meu povo, por aquelas pessoas, minha vida não significaria nada sem aquela luta!

— Sua imprudência poderia ter causado um desespero ainda maior no povo de Kuna e Yamí.

— Eu não vou permitir que crie tal moléstia no coração de um homem tão nobre como Canaã de Leão, o Punho de Athena.

— Você quem é?

— Eu? Meu nome é Julian de Tigre Branco, cavaleiro de Prata e Guerreiro Imperial de Sussano’o

— Guerreiro… Imperial?

Enoch continuava a contar aos cavaleiros de bronze.

— Cada cavaleiro de ouro tem em seu coração um sacrifício que fez pelo bem maior. Anathema perdeu seus olhos. Ixeon se isolou na escuridão. Ashura se recluiu em si mesmo, sendo fechado a todos a sua volta. Selkh abdicou da morte, viu todos que amava morrer. Ágape abdicou de suas riquezas. Canaã abdicou da própria vida por seu povo. Thithonos abdicou de seu amor e de seu reino. Sraosha abdicou de seu sofrimento e posteriormente do seu laço de irmão. Armegin abdicou de seu orgulho pelo seu povo e Melkabah foi talvez o maior sacrifício.

— Como assim, Enoch?

— Melkabah o cavaleiro de Áries?

— Sim. Melkabah abdicou da maior dádiva que os seres conscientes têm… Melkabah abdicou de sentir.

— Sentir?

Na casa de Leão Julian se junta ao embate entre Canaã e Athé agora chamando sua armadura de Tigre Branco.

— Porque há outro cavaleiro nesta casa?

— Athena me salvou a vida, não somente de morrer, mas também me salvou da perdição. Devo isso a ela e a Canaã e por isso estou aqui.

Ele não tem nenhuma insensatez em seu coração. Está seguro de suas ações e disposto a cada uma delas.

— Canaã! Vamos acabar com isso juntos!

Ambos os cavaleiros elevaram seus cosmos. O Leão dourado diante do Tigre Branco.

— Tigres Brancos Gêmeos!

— Trovão dos Reis das Feras!

Notas finais
Na imagem arte conceitual original de Canaã primeiro cavaleiro de Leão. Concepção de Spaceweaver, créditos ao artista.