O Mito das Guerras Santas - Primevas

27 Capítulo 27: O que Te Faz Humano


Notas iniciais
Anteriormente em O Mito das Guerras Santas - Primevas... Anathema venceu Indien usando seu congelamento supremo. Ágape informa a Athena que não poderia chegar a tempo em Argos, a deusa então designa Thithonos para a missão. Ao chegar o local Thithonos se depara com uma ilha morta. Um vilarejo inteiro morto. Ele se encontra então com Venom um Berseker.

O corpo do espectro estava completamente incinerado. A pele completamente carbonizada. A técnica da Área Mortal, se desfez e Thithonos podia respirar novamente.

— Eos, esse cara ele chegou muito perto de me vencer.

— Áres tem mesmo subordinados poderosos em seus exércitos.

Thithonos massegeava a garganta para amenizar a dor do sufocamento. Mas de repente uma risada sádica começou tímida. O espanto completo tomou o rosto de Thithonos que já deixava a cena da batalha para trás.

— Não pensou que acabou não é mesmo Rei Imortal?

O corpo carbonizado começava se regenerar. A pele antes chamuscada agora assumia seu tom cadavérico de antes, num tom de branco funesto. Os cabelos cinza escuro novamente tomavam forma. Os olhos amarelos em meio ao rosto que se regenerava e o sorriso sádico de Venom encaravam Thithonos.

— Como é possível ter resistido ao poder das minhas Chamas Azuis Infernais?

— É muito simples uma vez que elas tocaram meu corpo eu provei delas e usei a Yakei para aumentar o fator letal das suas chamas o que me possibilitou uma regeneração acelerada.

— Impossível! Além de diminuir a quantidade letal para os seus inimigos, pode aumentar a sua própria a fim de amenizar danos!

O berseker riu diante da expressão estática de Thithonos.

— Eu te disse que éramos inimigos perfeitos Thithonos de Câncer. Sabe Thithonos, eu não te contei, mas eu vim até este local ansioso por encontrar um cavaleiro poderoso, mas o destino me sorriu ao te trazer para cá. Você Thithonos assassinou meu irmão Larsir.

— Lar… Larsir de Kotetsu? Ele era seu irmão?

— Sim. E foi perfeito eu poder me vingar do Rei Imortal.

— Seu irmão dizimou vários vilarejos das minhas terras. Meu povo!

— Então que prevaleça a maior vingança!

O Berseker avançou com velocidade imensa. Thithonos sabia que seria perigoso o toque da lâmina da Yakei. Uma vez que ele estaria totalmente a mercê da Dose Mortal.

— Eu vou acabar com você! Concentração Mortal!

— Ondas do Inferno!

Os dois caíram desfalecidos.

Uma moça se levantava com dificuldade tinha os cabelos azuis e os olhos da mesma cor.

O que está acontecendo? Me lembro de estar fugindo de um homem estranho. Aquela veste vermelha como sangue… seus olhos insanos. Eu caí. É isso! Caí daquele rochedo quando pisei em falso. Ele deve ter acreditado que eu morri. Consigo ouvir o rio devo estar próxima das águas.

Ela caminhou um pouco e chegou ao córrego tomou água entre as mãos e lavou o rosto, bebeu um pouco. De repente ela sentiu uma sensação estranha.

O que é isso? Estou sentindo duas grandes quantidades de energia, consigo saber quase a distância exata delas. Mas o quê?! As duas se apagaram repentinamente…

Penélope! — uma voz chamou a garota — Penélope!

— Quem está ai?! Que chama por mim?!

Ela sentiu como se algo a atraísse para as cabeceiras do córrego.

A alma de Thithonos estava no Yomotsu. Ele se levantou; era deveras a primeira vez que parava para reparar o local.

Viu apenas um deserto estéril e sem vida. Algumas fogueiras espalhadas aqui e acolá. Ao olhar para um rochedo mais acima viu a fila de pessoas. Tinham um andar lento e ritmado, como se andassem sem rumo. Mas elas tinham um destino.

Thithonos se aproximou e viu que ao fim, ou no começo, da fila eles estavam à beira de um precipício. O primeiro mais próximo da ponta se jogou.

— Droga!

Thithonos tentou correr, mas era tarde demais.

— O que está acontecendo aqui?

Thithonos! — a voz ressonava da armadura para dentro de seu corpo. — Este é o Abismo que dá entrada para o Submundo. Daqui as almas caem para o inferno.

— Então porque elas caem, por que…

Não há escolha Thithonos. Esse é o destino de todas as almas mortas no mundo dos homens, caminhar pelo Yomotsu em direção ao Abismo das Almas. E nele cair para o inferno.

— Então é isso? É assim que tudo acaba?

Não. Lá chegando elas serão julgadas pelos juízes de Hades e condenadas de acordo com seus pecados.

— Mais sofrimento? Não basta elas terem morrido de forma tão violenta e sofrido tanto e agora não tem mais direito de descansar?

Assim são as coisas, Rei Imortal; Cavaleiro de Câncer.

— E eu… eu nunca passarei por isso… graças a Eos, eu fui abençoado com a imortalidade. Eu nunca irei morrer. Nunca caminharei pelo Yomotsu e cairei para o sofrimento. Por quê? Por quê? Por quê?

Thithonos gritava como se toda a dor das almas que pulavam para o vazio atravessasse seu corpo.

— Eu não sou especial, nem melhor que ninguém! Eu não tenho o direito de ser diferente deles!

Ele estava de joelhos e socava o chão enquanto as lágrimas molhavam seus punhos.

— Thithonos!

A voz fez sessar o surto.

— A… Athena!

— Thithonos, quando te encontrei, eu sabia exatamente a quem buscava. Lembra-se do que te disse quando pisamos no santuário?

Thithonos, mesmo sendo imortal, você ainda é humano. Você não se permitiu esquecer-se disso. O fato de você saber que está num caminho estreito com a sua imortalidade o faz manter sua ligação aos homens. Mas definitivamente não foi por isso que eu escolhi você, Rei, o maior motivo de você não se esquecer que é um homem, é porque carrega consigo o coração de todo aquele povo.”

— Athena eu…

— Você me provou neste momento, Thithonos, que eu estava certa. Sua agonia e o fato de indignar-se ao ver o destino dos mortos, somente me prova que você é o Cavaleiro de Câncer. Use a benção que lhe foi dada para abençoar a todos, seu povo não é mais somente os nascidos em Thuatha, todas as pessoas da terra agora precisam de Thithonos de Câncer!

O berseker se levantou.

— Por pouco não fui pego pela técnica dele…

Eos estava sobre o corpo de Thithonos, a agonia a dominava por completo. De repente ela ouviu um som…

O cosmo explodiu de forma violenta e pujante.

— O quê? — o berseker sentiu o puro medo percorrer seu corpo.

— Você pensou mesmo que poderia me matar? Eu sou Thithonos, o Rei Imortal! Mas mais do que isso eu sou Thithonos o Cavaleiro de Câncer, guardião da paz e da justiça. Eu não posso mudar o fim deles, mas posso dar-lhes mais tempo para serem felizes! — Thithonos olhava para os corpos caídos.

Ágape se aproximava da Ilha de Argos.

— Este cosmo… é de Thithonos com certeza! Rápido Ryuma!

Eles aceleraram ainda mais.

— Sinta a fúria do meu poder! Marcha dos Espíritos!

De repente um portal imenso se abriu atrás de Thíthonos, era negro como se fosse a entrada do vazio. Uma luz azul muito tímida começou a emanar em meio ao negrume. A luz aumentou drasticamente e junto dela estavam as almas de todos os mortos do vilarejo.

— O que… o que é isso?

— Tenham sua vingança, se são mesmo obrigados a cair no inferno, irão vingados…

Os espíritos se converteram em energia enquanto avançavam contra o Berseker. Cravando dentes, agarrando com as mãos eles formaram um amontoado que começou a ser sugado pelo buraco.

— Não! Não! O que estão fazendo malditos! Me soltem! Me soltem!

A carne sendo rasgada, a dor de ser puxado vivo para o Yomotsu, foi tudo que o Berseker sentiu. O portal se fechou.

— Que técnica aterrorizante… — Ryuma comentou enquanto se aproximava ao lá de Ágape.

— Vejo que passaram muitas dificuldades aqui.

— E você não demorou tanto quanto disse. — comentou Thithonos.

— Mais do que deveria. — Ágape olhou os corpos em volta.

— Não se sinta culpado, temos a chance de impedir que outros tenham o mesmo destino.

— Precisamos encontrar a Armadura de Andrômeda.

Eos, Thithonos, Ágape e Ryuma foram em busca da armadura.

Penélope… finalmente

A garota estava diante de uma armadura em tom vivo de rosa acorrentada a um rochedo.

Notas finais
HIRASAKA NO YOMOTSU A Entrada do Mundo dos Mortos, onde as almas caminham para se perder no Abismo das Almas. O Yomotsu é uma terra infértil, nada vivo habita esse lugar. O cavaleiro de Câncer ativa essa técnica separando a alma do corpo vivo e enviando-a ao Yomotsu. Aqui o cavaleiro de Câncer ganha um poder extra das almas desencarnadas que ele pode usar como combustível para suas técnicas.