O Mito das Guerras Santas - Primevas

11 Capítulo 11 - Número 13: O Curador


Notas iniciais
Anteriormente em O Mito das Guerras Santas Primevas Athena, mesmo com a intervenção de Perseu de Pégaso foi ferida gravemente. Kha e Ohm pensam em buscar o homem que pode salvar Athena, mas a medida é inviável, visto o grave estado da deusa. Niké intervém usando seus poderes, mas Athena desaparece sem deixar vestígios. Os cavaleiros de ouro lutam com os deuses filhos de Áres, mas Aesma intervém salvando seus generais. Os cavaleiros tem, agora o destino de Athena nas mãos...

Athena estava desaparecida, mas os cavaleiros sabiam que ela não estava morta.

— O que podemos fazer?

— Existe um modo… — Kha permanecia ao lado de Perseu, o cavaleiro de Pégaso.

— Do que está falando Kha?

— Este homem… ele tem sangue de Athena em seu corpo. Se conseguirmos trazê-lo de volta é bem possível que a ligação formada entre eles possa nos ajudar a encontrar Athena.

— E como vamos fazer isso? Provavelmente este cavaleiro está prestes a despencar para o Submundo pelo abismo do Yomotsu.

— Existe um ser que pode trazê-lo. Athena nos disse a certo tempo que um décimo terceiro cavaleiro de ouro seria trazido para integrar o grupo. Ele seria aquele que usaria a Armadura de Serpentários.

— Uma décima terceira armadura de ouro?! — Sraosha se espantou.

— Athena incumbiu a mim e ao meu irmão de recrutá-lo em Thule.

— Thule é mais a leste de Hiperbórea. — Armegin ponderou, ele conhecia o local afinal era das terras de Hiperbórea.

— Então eu e Ohm iremos.

— Eu vou com vocês! — disse o cavaleiro de Touro.

— Mas Armegin, não pode deixar o santuário numa situação dessas, você é um dos doze dourados.

— Eu conheço a rota mais curta para Thule. Além do mais os outros cavaleiros de ouro estão aqui.

— Kha e Ohm, Armegin irá com vocês, assim garantiram o retorno mais rápido ao grupo.

— Ágape, não desloque mais nenhum cavaleiro do Santuário, fora caso de necessidade. Não podemos nos dar ao luxo dos bersekers ataquem algum cavaleiro desprevenido.

— A vila dos Alquimistas foi oculta pelo jardim de rosas. E usei outra das minhas técnicas para criar uma névoa espessa em torno do local.

— Enoch, muito obrigado. Lemúria é de suma importância nesta guerra.

— Kha, o quão longe você pode nos transportar? — perguntou Armegin.

— Acredito que com ajuda de Ohm podemos chegar a Rig.

— É um avanço e tanto.

Tão logo se aprontaram os dois prateados e Armegin se uniam num círculo. Se concentrando, os irmãos lemurianos criaram um campo de energia e desapareceram no segundo seguinte.

Rig era uma cidade portuária (localizada mais ou menos no território onde hoje está a Suécia, sendo que as terras da Noruega eram submersas) banhada pelo Mar de Telúria (que hoje seria o Atlântico Norte).

A passagem dos cavaleiros teria de ser rápida. Tão logo chegaram, Armegin contatou um homem que lhes concedeu uma embarcação grande que levaria os cavaleiros até a Grande Ilha de Thule. O mar estava tranquilo, mas obviamente nada seria fácil demais.

Mesmo após o fim da Guerra Santa com Poseidon, monstros marinhos ainda se revoltavam com o domínio de Athena e utilizar os mares era perigoso para qualquer cavaleiro.

Armegin viu emergir um tentáculo gigante a estibordo. O cavaleiro segurou o membro com as mãos. Era imenso, provavelmente vindo de um cefalópode gigante.

Ohm que estava mais próximo percebeu que aquilo apenas era um membro e que o monstro era possivelmente muito maior estando submerso abaixo do navio. Ele então mergulhou. O Monstro era realmente imenso. O cavaleiro então concentrou o cosmo em seu punho.

— Vibração de Taça! — uma esfera de energia cortou o mar em direção à criatura marítima.

O monstro foi atingido em cheio e se afastou da embarcação. Ohm sabia que lutar ali com um monstro daquele porte era desvantagem mesmo para um cavaleiro poderoso. Então ele emergiu num salto, como um míssil, pousando no convés do barco.

Seus cabelos escuros estavam molhados, bem como sua roupa. Ohm era mais novo que Kha, tinha os cabelos curtos arrepiados. O corpo mais esguio e era mais baixo que o irmão também.

— Ohm, você está bem? — perguntou Kha ao irmão.

— Sim. — ele ofegava pela subida abrupta.

— É um dos monstros remanescentes de Poseidon.

— Não devemos nos deter com tal criatura. — afirmou Armegin.

— É gigante… se ele quiser destroçar este navio ele o fará, não conseguiremos avançar. Eu vou enfrenta-lo.

— Não! Ohm, eu sou o cavaleiro de ouro aqui, por isso eu irei.

— Armegin, se acontecer alguma coisa, você é quem tem maiores chances de regressar com aquele homem para o santuário. Portanto eu derrotarei aquele monstro e seguirei em seguida.

Ohm saltou vestindo sua armadura prateada de Taça. Pousou sobre a água, caminhando como se estivesse em terra. Quando o barco do irmão e do cavaleiro de ouro se afastou. Ele elevou o cosmo a fim de chamar atenção da criatura, o que funcionou muito bem. Dois tentáculos imensos surgiram tentando esmagar o prateado.

Ele esticou os braços para impedir que os tentáculos o prensassem num apertão.

Droga… ele é mesmo muito poderoso.

Ele apertou a pegada e forçou para erguer o monstro. Com um esforço sobre humano ele tirou o monstro da água e o lançou no ar já concentrando o cosmo na palma da mão. Um ataque concentrado seria muito mais útil do que um ataque de destruição que poderia ser repelido pela pele viscosa. Ele fechou o punho com a energia e imprimiu a palma da mão na água marítima. Em resposta a área brilhou explodindo em disparos aquáticos que formavam linhas líquidas. Os disparos atravessaram o monstro perfurando-o completamente.

— Chuva Mortal…

Ohm procurou o cosmo do irmão através da psicoscinesia se conectou a Kha e conseguiu se transportar de volta ao barco.

— Ohn!

— Eu estou bem. Venci…

Porém o cavaleiro perdeu a consciência sendo amparado por Armegin.

— Acredito que ele vai precisar descansar. — Kha assentiu com a cabeça. Faltava um bom tempo para a embarcação chegar. Armegin tinha pressa, dificilmente Thithonos conseguiria impedir por muito tempo que a alma do cavaleiro de bronze despencasse para o Submundo.

Após dois dias e duas noites eles avistaram Thule. A ilha gigante era a verdadeira extensão das terras que hoje são a Irlanda sendo esta última apenas um resquício deixado pelas mudanças geográficas.

Tão logo lá chegaram se depararam com uma figura vestida com um manto branco um capuz sobre a cabeça. Era alto e imponente. Seu cosmo era avassalador.

— O que fazem em Thule, intrusos? — perguntou a figura misteriosa.

— Viemos à procura do homem que pode curar todos os males. Inclusive salvar da morte eminente.

— Vocês são…?

— Eu sou Armegin, o Touro Titã, Cavaleiro de Ouro de Touro.

— Eu sou Kha, de Lemúria Chefe dos Alquimistas, Cavaleiro de Prata de Altar.

— Eu sou Ohm, de Lemúria o que deu forma as armaduras, Cavaleiro de Prata de Taça.

— Guerreiros de Athena. Existe uma guerra entre ela e seu irmão… — a figura soltou o comentário no ar — porque querem falar com o Curandeiro?

— Estamos em uma situação delicada

— Para falar com o Curandeiro terão de se provarem dignos… e me enfrentar.

Armegin apertou os punhos e avançou sem pensar, não tinha tempo para conversa.

O homem deu um passo para o lado desviando do corpanzil do dourado, deu-lhe um golpe na nuca com a lateral da mão em riste. O dourado virou os olhos exibindo apenas a parte branca, regurgitou sangue e caiu de cara na areia. O sangue se espalhando numa poça.

— Maldito! O que você fez? — Kha fez menção em se mover, mas ele sentiu o poder do inimigo.

Quem diabos é este homem que derrubou Armegin sem sequer oscilar o cosmo?

— Vocês não acreditam mesmo que meros cavaleiros da patente de prata possam me vencer, uma vez que matei um cavaleiro de patente superior a de vocês.

— Quem é você? Diga! — Ohm estava furioso.

— Já disse que tem de se provar merecedores de qualquer coisa que eu possa oferecer. Mas já percebi que não são.

Os dois avançaram com velocidade, mas aos olhos do inimigo eles eram lentos como tartarugas. Ele girou o corpo e num movimento inenarrável os lançou ao alto girando.

Os dois guerreiros caíram de costas no chão. O inimigo ainda estava de pé, as vestes intactas, não estavam nem mesmo sujas.

Os dois não viram outra saída queimaram seu cosmo ao máximo chegaram ao limite do sétimo sentido. Quando estavam prestes a desferir seus golpes mais poderosos eles sentiram o cosmo do homem se agigantar. Pungente, intenso, quase divino.

— Co… como…

— Que cosmo é esse?

O homem se abaixou, tocou Armegin. O sangue parou de jorrar. Os pulmões do cavaleiro se encheram de ar.

— Eu sou o Curandeiro. Sou quem Athena incumbiu vocês de buscar. Eu sou Lúcifer.

Notas finais
OHM DE TAÇA Ohm foi um dos primeiro cavaleiros de prata a ser escolhido por Athena, sendo um dos alquimistas que criou as armaduras. Foi Ohm que deu forma a todas as armaduras conforme as constelações, utilizando para isso o pó de estrelas. Obs: A imagem ilustrativa deste capítulo é de autoria de Marco Albiero e foi retirada do photbucket: http://i641.photobucket.com/albums/uu136/julius_2006/Fanarts/Albiero/Saint-Copa.jpg