O Mito das Guerras Santas - Primevas

56 Capítulo 56: O Herdeiro do Gelo


Notas iniciais
Anteriormente em O Mito das Guerras Santas - Primevas: Unindo suas forças Melkabah e Ixeon, através do sacrifício do Capricorniano vencem Deimons o Deus da Calamidade. Agora Anathema e Canaã vão continuar seu embate com Phobos o Deus do Medo.

O cosmo de Deimons se apagou completamente. Como um baque surdo, Phobos sentiu a morte do irmão mais novo.

No centro de Sparta, Lúcifer e Éther sentiram a extinção do monstruoso cosmo do filho de Áres, mas ainda assim permaneceram ocultos apenas observando Athena, aguardando o momento certo de salvar sua deusa.

— Malditos!

O grito do Deus da Guerra ecoou como uma onda maciça se espalhando pela dimensão. Usando de toda sua força ele fincou a lança no chão espalhando uma onda que corroeu o solo com veios de uma cosmo-energia carmim.

— Você vai pagar Athena!

— Ir… irmão… — estava fraca, pálida, apenas seu cosmo envolvia seu corpo mantendo-a viva — Você causou tudo isso…

— Está me culpando Athena?! — o tom de Áres era cheio de ódio e fúria.

— Meu dever é proteger a terra. Assim como o dos meus cavaleiros. Você é um mal, um câncer para o Olimpo.

— Eu… — o punho do deus se fechou indo em direção ao peito da irmã, mas ele se deteve a poucos centímetros de trespassar a carne e alcançar seu coração — Não… eu farei você sofrer, farei você sofrer ainda mais quero que você veja a morte de cada um dos seus cavaleiros, os seus preciosos Santos. Enquanto isso continuarei drenando seu sangue divino.

O sangue da deusa escorria das feridas nas palmas de sua mão em veios vermelhos, bem como gotejava ao solo das mesmas feridas em seus pés. Seu cabelo púrpura dançava ao vento cortante que deixava ainda mais repugnante a atmosfera pútrida do centro de Sparta.

Canaã ainda estava caído, de joelhos, o tronco levemente largado para trás. A cabeça tombada sem sustentação, os olhos opacos e vazios.

— É como se ele estivesse numa espécie de transe.

— A Terror Carmesin é a arma mais temida do Olimpo, mais até do que a Calamitat de meu irmão. Ainda que o poder dessa arma não cause nenhum dano físico, pode destruir completamente a mente do meu inimigo. Trazendo à tona os seus maiores pesadelos. Os medos mais absolutos que afligem sua existência.

— Uma ilusão…

— Não cavaleiro, se engana, o terror desta espada é real. Cada célula cerebral de seu amigo está nesse momento sendo estimulada a sentir, responder e espalhar as sensações mais tenebrosas. Cada neurônio emitindo estímulos para que o corpo do cavaleiro de Leão sinta a pior sensação possível.

— Então é isso…

— O próximo será você… qual o seu maior medo Cavaleiro de Aquário, o Mago Sem Olhos?

— Eu não tenho medos Phobos. E eu irei salvar meu companheiro.

— Vejamos…

Nesse momento Phobos ergueu o braço com a mão formando uma pegada, como se segurasse algo invisível e surgiu em seguida o corpo desvanecido de Krest de Cisne. O cavaleiro a quem Anathema havia salvo, recrutado e estava mentorando.

— Maldito… deixe o cavaleiro de bronze fora disso!

— Ele é um cavaleiro, tão cavaleiro quanto você… também está nessa guerra…

— Mas sua luta é comigo deus!

— Minha luta é com qualquer um que se oponha aos planos de meu pai.

Nesse momento Phobos sentiu uma sensação estranha e quando se voltou para o cavaleiro de bronze viu suas mãos tentando desfazer a pegada do deus em seu pescoço. No entanto o cosmo frio do cavaleiro criara uma película gélida que imobilizara o antebraço do filho de Áres.

Anathema nesse instante conjurou um círculo mágico do qual emergiu uma formação pontiaguda de gelo que desceu em direção ao braço que sustentava Krest, libertando o cavaleiro.

— Obrigado senhor Anathema.

— Temos de acabar com isso não sabemos até quando Canaã irá resistir ao que está passando.

Porém nesse instante Phobos se multiplicou criando mais dois clones de si mesmo. Poderosos como o original eles avançaram com sua velocidade divina alterando os pontos de ataque. As espadas, no entanto, se depararam com uma proteção na qual resvalaram.

Escudos dourados atrelados a correntes que, por sua vez, se ligavam aos punhos de Ágape o Cavaleiro de Libra.

— Mais um dos insetos dourados de Athena! Maldição!

— Não pensou que eu deixaria meus companheiros de batalha, não é mesmo, Phobos…

O cavaleiro puxou as correntes recolhendo os escudos que protegiam Anathema e Canaã.
— Os escudos… Ágape…

Nesse momento Ágape lançou para as mãos de Anathema a Barra Dupla de Ouro.

A arma se encaixou na mão do cavaleiro, mas não somente fisicamente.

“Ágape as armas de Libra não são apenas armas comuns. Além de possui o poder destrutivo que pode ser até mesmo superior ao de uma armadura comum, elas vão se moldar ao cosmo de quem você as entregar, e isso claro, inclui ao seu como seu mestre e portador original. Essas armas só devem ser usado em casos extremos, para salvar e/ou proteger vidas, para enfrentar um inimigo perverso que ameace a terra acima de suas habilidades físicas e dos outros cavaleiros. Estou entregando tal poder para você, armas que poderiam destruir até mesmo estrelas e galáxias, pois você é sem dúvidas o homem mais justo sobre a face da terra.”

As palavras de Athena ressonaram na memória de Ágape, nesse momento ele empunhou o Escudo Dourado ante ao seu corpo de forma que sua fronte estava completamente protegida.

Ambos os cavaleiros avançaram cada um de seu ponto de partida, investindo violentamente contra o Deus do Medo.

— Malditos acham mesmo que poderão me vencer apenas com números?

O deus podia ver os movimentos deles, pois obviamente tinha uma velocidade superior. Ele desviou da investida inicial de Anathema e girando o corpo parou a ofensiva com o escudo feita por Ágape. Ele bradou a espada que foi rebatida novamente pelo escudo da armadura de ouro.

Anathema saltou por cima do adversário e enquanto girava o corpo para criar uma curva ascendente ele novamente lançou o nunchaku que atingiu o braço de Phobos que bradava a espada contra o escudo.

— Maldito… sinta o meu poder… — o cosmo dele aumentou gradativamente espalhando uma sensação de terror sem precedentes. Manto do Terror!

Uma energia escura se espalhou em forma de cúpula, mas repentinamente a expansão parou.

— O… o que está acontecendo? Meu ataque está sendo repelido?!

— Eu nunca permitiria que você machucasse meus amigos…

— Como… como é possível? Você não deveria estar de pé, muito menos enfrentando tal ímpeto de poder!

— Phobos, eu sou Canaã de Leão! Eu sou o Leão Dourado! Eu jamais cairia ante aos meus medos e agora eu vou derrubar você!

O cavaleiro avançou com grande velocidade, uma velocidade tamanha que surpreendeu Phobos que o perdeu de vista momentaneamente…

O punho do cavaleiro surgiu como se tivesse se teleportado e colidiu com o rosto do deus o arremessando para longe.

Nesse momento Anathema lançou novamente a arma de Libra que se prendeu ao braço de Phobos, porém o que o Mago sem olhos não esperava era que Phobos poderia revidar mesmo sofrendo pelo baque do punho mais poderoso dos 12 cavaleiros de ouro. Phobos fez força tracionando a corrente da Barra dupla para si e consequentemente Anathema. Quando o corpo arremetido do cavaleiro se aproximou o golpe foi certeiro e preciso. Ele segurou-o pelo queixo e pelo topo da cabeça quebrando o pescoço do cavaleiro.

— Mestre! — o terror tomou conta da voz de Krest embargada em lágrimas.

O corpo do cavaleiro tombou caindo de joelhos e tombou para frente sem vida.

O Santo de Cisne sentiu como se um vazio completo tomasse seu peito. A sensação de impotência ante a morte de seu mestre e para além a sensação ainda mais intensa de não ter conseguido salvá-lo quando o mesmo já o fizera por ele. Krest sentiu a dor da perda, sentiu seu maior medo se concretizando diante de seus olhos…

O grito veio junto com uma explosão de cosmo tão poderosa que todo o lugar se resfriou num instante.

— Ei, Krest se acalme… — a voz era tranquila com um tom de serenidade.

— Mest… Mestre Anathema… como isso é possível?

— Isso não importa agora… Krest eu escolhi você para ser o meu herdeiro. E só você pode auxiliar Canaã e Ágape nessa luta, eu acredito que o seu poder seja tão grande quanto de um cavaleiro de Ouro…

Notas finais
No próximo capítulo: Capítulo 57: Krest de Aquário