O Mistério dos Shinigamis
5 O Vazio
Notas iniciais
Boa Leitura.
Uma dor intensa. Logo depois um vazio profundo, sem sentido. No início era escuro e ela não sabia por quanto tempo ficara vagando por aquele vazio sem sentido, na verdade ela não percebera que estava vagando, ela não pensava.
A dor já sumira, agora não havia resquício algum de que um dia a vida reinará naquela alma. Se havia algo em volta, ela também não percebeu.
O tempo não passava, ou passava? Era indiferente, nada importava para ela. Nada? Havia algo, ou melhor, alguém que a fazia querer parar de vagar. Devia ser alguém importante para tirar uma alma do transe, a maioria permanecia assim pela eternidade, porém a maioria eram pessoas normais que não haviam vivido. Aquela alma era diferente, ela vivera intensamente, ela havia sido feliz e encontrado alguém importante e forte o suficiente para conseguir fazê-la pensar.
Aos poucos os pensamentos se formavam e quem ela havia sido era uma pergunta difícil... Ela não lembrava, na verdade , de quase nada, apenas de uma letra... L. O que a havia tirado daquele transe eterno havia sido uma pessoa de nome L.
L... L... “Quem haverá de ter sido esse L?” Ela pensava. Aos poucos uma forma fosca fora se tornando visível em sua mente confusa, apenas os olhos. Intensos, negros... Selvagens. Os olhos pelos quais se apaixonara perdidamente.
A partir dali ela se lembrou, L havia sido seu amor, aquele pelo qual morrera. Ela não se arrependia de ter morrido.
Porém havia uma missão. Ela precisava fazer alguma coisa, só não se lembrava o que era. Ela se perdeu no negro daqueles olhos e sentiu seu coração bater, mas... Ela não possuía coração. Ela era só uma alma.
L voltou a sua mente, ele era a resposta. Por ele era acordara, por ele morrera, o amara.
Finalmente se lembrou da sua vida, do Caso Kira, do Mistério do Shinigami. Do seu beijo. Se possuísse corpo teria estremecido, o beijo fora bom... muito bom. Ela o amava, ou melhor, ela ainda o ama.
Precisava encontrar o Rei dos Shinigamis, tornar-se shinigami e descobrir o fim do caso.
Olhou a sua volta, de início não viu nada, enrugava a testa e comprimia os olhos (pelo menos ela possuía a sensação de estar fazendo isso, já que não havia um corpo para si) para tentar enxergar melhor, mas era tudo um imenso vazio negro. Ela pôs-se a pensar então, era uma alma... Então ela simplesmente parou de tentar ver algo e começou a tentar sentir algo.
Esse era o truque, não existe ouvir, pensar, tocar, ver, cheirar ou viver. Só um verbo que rege uma alma, o sentir. Ela tomara conta de sua própria existência porque sentia um amor muito grande, porque sentia que ainda possuía uma missão.
Só sentir.
Então ela sentiu as almas que passavam por ali, por aqui ou até mesmo por ela, já que não possuía matéria, ou seja, não ocupava espaço.
Com concentração ela procurou sentir algo que não fossem aquelas almas vazias e perdidas no nada, nem no céu, nem no inferno. Havia uma coisa, um tanto indefinida, trêmula, porém firme. Era uma presença mais forte, ou melhor, eram três presenças mais fortes.
Quando se aproximou, sem entender como, a mulher consegui distinguir qual era qual. Uma era um representante do céu, outra era um representante do inferno e no meio das duas havia um shinigami.
A comunicação entre elas não podia ser entendida por Annad que apenas olhava-as surpresa. Até que sem mais ou menos ela pensou:
-Podem me ajudar?
Os três perceberam a sua presença e se assustaram: as almas do vazio não acordavam. As almas do Vazio não sentiam e tampouco tinham a força necessária para conseguir realizar comunicação com qualquer um dos três.
-Quem é você? O que faz aqui? – Aquele que representava o céu perguntou.
-Eu sou Annad, vim da Terra. Eu quero me tornar uma shinigami.
O shinigami que estava no centro olhou para ela perplexo.
-Sabe o que os shinigamis fazem?
-Sei. São deuses da morte, preciso me tornar um. Preciso falar com o seu Rei, há muitas mortes ocorrendo na Terra que provavelmente são obras de muitos shinigamis trabalhando em conjunto. Preciso pedir que pare.
Os representantes do céu e do inferno se assustaram. Havia quatro reinos espirituais, o Céu ao qual reinava um Deus soberano que na Terra as pessoas louvavam com diferentes nomes.
O Inferno que quem comandava também possuía diversos nomes diferentes e que colocava medo em muitas pessoas.
O Mundo dos shinigamis que levavam as pessoas para o céu ou inferno e podiam matá-las para conseguir uma maior expectativa de vida.
E por último havia o Vazio, não havia um rei, ditador, imperador, comandante ou alguém que mandasse naquilo porque como o próprio nome já diz era o nada completo. Ninguém sabia ao certo a extensão do Vazio, ninguém entendia ao certo porque aquilo existia, era um local destinado aos usuários e vítimas do Death Note, apenas isso.
Havia também a própria Terra, mas ela não é considerada um reino espiritual. Na verdade, ninguém nunca se preocupou em encaixar a Terra em algum local, apesar de serem os humanos e suas almas os que fazem com que os quatro reinos existam.
Todos sabiam que o Mundo Shinigami era o mais fraco e decaído dos reinos, embora no passado houvesse sido grande e poderoso.
-Talvez devêssemos apenas pô-la para dormir novamente. – Comentou o representante do inferno indiferente.
-Uma alma que acorda do Vazio deve ser muito forte e ter motivações de grandiosa importância. Vou levá-la até meu mestre. — Decidiu o shinigami.
-Eu acho que devemos fazê-la voltar ao seu sono eterno também. – Comentou o representante do céu. – Como você mesmo disse uma alma humana não possuí tal poder e capacidade, é perigoso deixá-la acordada. Devemos colocá-la de volta na indiferença do Vazio para que vague pela eternidade, assim não terá como haver demais problemas.
Sempre haviam três existências no Vazio que representavam os três outros reinos e qualquer problema que surgisse era resolvido por votação, embora até aquele dia nada houvesse acontecido naquele lugar.
Como eram dois contra um o shinigami se deu por vencido, Annad que não entendia o que os três falavam entre si apenas observava-os discutir. Ela só podia entender quando falavam diretamente com ela, pois assim não usavam aquela língua estranha.
Ela os fitava confusa quando eles se viraram para ela com a decisão já tomada. Estavam prestes a devolvê-la ao Vazio quando uma forma poderosa aparece determinada com uma grandiosa espada que brilhava com uma áurea negra, dourada e prata.
Era grande e o shinigami que surgira a empunhava com destreza e habilidade. Possuía grandes olhos castanhos e exalava força e poder.
-Essa espada pode matar qualquer coisa seja do céu, inferno ou até mesmo um próprio shinigami. Não mexam na alma se não querem encontrar o seu fim.
Os três pararam surpresos, aquela arma poderosa jamais saíra dos confins do Universo onde a guardavam desde a criação do próprio. Como um shinigami podia tê-la? Usada para a própria explosão, o Big Bang, era uma arma invencível.
A menina correu abrupta e tentou abraçar o shinigami alto e forte que aparecera para salvá-la enquanto gritava contente:
-Fyn, que bom te ver. Estava preocupada e com tanta saudade.
-O Rei ficou impressionado com você e aceitou te ver Annad, eu a escolto até lá. E você três, — Ele disse virando-se feroz para os três amedrontados. – não se metam em assuntos do próprio Rei dos Shinigamis com Deus e o Diabo.
Fyn olhou para a menina e estalando os dedos deu-lhe um corpo.
Era um corpo de uma mulher humana, não possuía vestes e os cabelos eram negros e longos caiam até a cintura, cacheados. A pele era alva e os olhos prateados, os lábios grossos e vermelhos como uma maça. Annad mal se reconheceu naquele corpo.
Fyn a puxou para seus braços e carregando-a com demasiado carinho enquanto voava para longe ele explicava.
-Lembra-se de toda a sua vida?
-Lembro.
-Saiba que se envolveu em um grave problema, o Rei quer fortalecer seu reino e Deus e o Diabo permitiram isso, embora queiram que seja controlado para que não haja possibilidade de um ataque. Há uma grande briga sobre o quanto o reino shinigami deve crescer, por eu ser o mais forte da guarda real dos reis fui designado para sua guarda pessoal. Seja cuidadosa, eu não a deixarei sozinha.
-Obrigada, Fyn.
-Porque fez isso? Não devia ter se metido nesse caos, porque se matou? Não devia ter feito isso, agora não poderei te ver mais.
-Eu me apaixonei Fyn, ele é lindo, inteligente... Meu amor. Como eu o amo, foi por ele, Fyn.
-Valeu à pena?
-Valeu.
-Se você acha que valeu a pena eu só posso concordar contigo. Pois faria o mesmo por ti.
Então Fyn chegou rapidamente onde estava o Rei dos Shinigamis, ele voara apenas para ter tempo de falar sozinho com a menina.
Eles chegaram a um reino que não estava mais velho, feio e empoeirado. Algumas árvores já floresciam dando frutos verdes, negros e azuis marinho.
“Não dá para exigir que o Reino dos Deuses da Morte seja belo, florido e gracioso só isso já é realmente surpreendente.” Pensou Annad.
Pela terra batida não passavam mais insetos e agora o negro e a morte dividiam seu espaço com cores escuras que mesmo sombrias deixavam o lugar até mesmo aceitável.
A poeira não vigorava e ao longe shinigamis concentrados trabalhando podiam ser vistos.
Na frente da menina um trono de áurea negra chamativa se exibia imponente e grandioso. Sentado nele o Rei dos Shinigamis sorria macabro.
Annad olhou para o lado e viu Fyn em um longa reverência, ela o copiou.
O Rei andou até ela pegou sua mão e a beijou.
-É um prazer vê-la. Observo-te daqui, és realmente impressionante.
Fale com o autor