O Mistério dos Shinigamis
3 Fim de um Caso... Início de outro
Notas iniciais
De qualquer jeito espero muito que gostem desse capítulo!
Todos se calaram ante a afirmação firme e forte de L. O detetive pacientemente explicou tudo que havia descoberto enquanto estava com Nia e, sem deixar-se incomodar com os sussurros surpresos ou as caretas que recebia, ele falou sobre a sua dedução final.
A lógica do detetive era perfeita e todos acreditavam plenamente nele. O pai de Raito deixou as lágrimas caírem abertamente ao saber a verdadeira identidade do filho, Matsuda abrira a boca incapaz de acreditar naquilo. Parecia que o único satisfeito com o resultado eram Annad, L, e ninguém podia vê-los, mas Watari, Mello, Near e Matt também estavam felizes com o término. Os adolescentes também se encontravam alegres com a oportunidade de ver o detetive em ação.
Nia fitava cada par de olhos com profunda alegria, L havia provado o quanto ela estava certa e eles errados. Sua raiva momentânea havia se dissipado tão rapidamente quanto tinha iniciado. O garoto, Raito, falava sem convicção que não era Kira e que tudo era um erro. E tentava se soltar das correntes alegando inocência. Sem perceber Matsuda acompanhou o pai do rapaz nas lágrimas ao ver a cena. Os policiais ainda estavam sem reação.
Sem ser dotada de grande paciência a garota esperou só alguns segundos para quebrar o ambiente de luto no ar, ela não sentia pena alguma do rapaz.
-Grande revelação, L. Agora o prendam por segurança e a Misa Amane também. Esse caso está encerrado, finalmente.
O pai de Raito não se conteve ante a indiferença da garota.
-É o meu filho, você não sente nada? Sei que ajudou no caso, mas agradeço se você puder se retirar. Este é um caso policial e civis não podem permanecer aqui.
-Aqui é propriedade do L e não pode me expulsar. – A garota cerrou os dentes impassível – E não, realmente não sinto nada pelo seu filho. Talvez nojo e repugnância, mas só isso.
O homem a olhou com raiva, mas teve que admitir mentalmente que a mulher estava certa, seu filho era um assassino. Ainda ouvindo os gritos desesperados do filho e atormentado pelo terror da notícia ele prendeu a Kira.
A partir dali, L deixou o caso nas mãos da polícia japonesa com a tarefa apenas de julgar e prender o garoto. Ele já havia feito a sua parte.
Finalmente dois dias se passaram e as implicações judiciais do caso Kira não estavam nas mãos deles, L podia se concentrar no caso de Annad.
Encontravam-se em uma sala bem decorada com quadros diversificados, um tapete felpudo branco e um jogo de sofás roxo. Na mesinha de centro estava apoiada a grande torta de morango com chantilly que L comia, ao seu lado estava um número incontável de barras de chocolate todas para Mello.
Annad com um short preto rasgado e uma blusa vermelha também velha e surrada vestia um sobretudo preto por cima de tudo, para terminar o visual típico da garota o tradicional chinelo de dedo vermelho. Após o desentendimento inicial com Mello eles haviam brigado muito e ambos com gênios fortes e imprevisíveis acabavam saindo com alguns hematomas e arranhões. Eles não admitiriam que haviam começado a considerar ao outro como um forte oponente e começavam a se tornar grandes amigos trocando olhares um tanto cúmplices e, as vezes, até risadas sonoras e divertidas.
Com Near a menina ficava louca, achava-o o ser mais fofo desse mundo e mimava-o dando-lhe vários quebra-cabeças e brinquedos. Ele achava a garota deselegante e indelicada com seu jeito um tanto bruto, mas gostava muito dela e do seu temperamento firme que o lembrava Mello. A mulher feroz considerava Near um bebê que não devia se expor ao perigo e o garoto albino, no fundo e sem demonstrar a ninguém, gostava de pela primeira vez ter uma alguém que se importe com si como uma mãe. Ele se sentia realmente querido e feliz com a garota mesmo que seus abraços o apertassem e deixassem sem ar em grande parte das vezes.
Matt era o único que conseguia manter uma conversa estável com a garota sem que esta terminasse em socos e chutes (no caso de Mello) ou abraços sufocantes (no caso de Near). Ele achava incrível a garota não gostar de aparelhos eletrônicos e ela o convidou a passar uns tempos no campo sem tecnologia para ele aprender a “apreciar as coisas simples da vida e observar uma noite de verdade, sem estar corrompida pela poluição”, nas palavras da própria Annad. O garoto sempre sorridente aceitou o convite, assim que terminassem as investigações eles iriam marcar um dia para a visita.
Ela mantinha uma boa amizade com todos, até mesmo o relutante Mello, mas nada entre eles se comparava ao que existia entre ela e L. Com uma troca rápida de olhares eles já sabiam completamente o pensamento um do outro e os sorrisos constantes de L eram uma situação nova para todos ali, principalmente Watari que estava acostumado aos modos anti-sociais do detetive. Não era raro eles trocarem risadinhas sobre assuntos que os outros desconheciam ou então serem pegos conversando assuntos banais e infantis que o detetive antigamente dispensava com prazer.
Eram como dois adolescentes que se conheciam desde pequenos e, as vezes, davam a impressão de serem mais que amigos. Entretanto na vez que Mello comentou isso com Matt foi justamente à hora em que Annad estava passando atrás deles e acabou levando um belíssimo soco e uma resposta truncada e rápida dizendo que ele estava falando besteira, antes que o loiro pudesse entender o que acontecera já que fora pego de surpresa a menina desaparecera. Alguém que tivesse prestado atenção teria visto as bochechas dela quentes e vermelhas quando correu para o lado oposto, mas ninguém ali havia prestado a devida atenção naquele detalhe.
Naquele dia eles estavam reunidos com o propósito de por todos a par do caso e começar a investigar sobre aquele misterioso desaparecimento. Annad estava sentada do lado de L em um sofá de dois lugares, no sofá do lado oposto, de três lugares, se encontravam o ruivo, o loiro e o albino, respectivamente. Watari se localizava em pé servindo aos que não estavam acompanhando L na torta ou Mello nos chocolates, o mordomo oferecia sorvetes de baunilha.
A garota já se encontrava enjoada de tanto comer doces e mais doces, assim ela resolveu acompanhar o albino na recusa ao sorvete. L calmamente começou a explicar o caso.
O sumiço do shinigami, o fato deste ser parte da guarda do rei, a relação entre Fyn e Annad e o fato de outros shinigamis também não terem aparecido já que o detetive ainda estava vivo.
O caso era difícil, Mello parou por um momento de comer as suas barras compulsivamente, Near levou o dedo indicador aos cabelos brancos como neve e Matt perdeu uma vida no seu jogo, um acontecimento raro para o garoto.
Annad até poderia ter reparado nessas reações se não estivesse tentando conter a explosão de felicidade dentro de si, L havia pousado a mão vaga em cima da sua.
O detetive não havia percebido que estava com a mão sobre a da menina o gesto havia sido inconsciente, mas quando notou a forma pequena e quente da mão da menina abaixou da sua fez menção de tirar. Ele teria retirado se não estivesse tão boa a mão feminina passando confiança para ele, quando percebeu que a mulher não retirava ou repelia decidiu ficar mais um pouco, quem sabe ela também não havia percebido ainda.
Os adolescentes ainda absorviam e pensavam sobre o caso quando a menina virou a mão botando a palma para cima, o detetive achou que ela iria tirar e ficou surpreso quando percebeu que estava apenas se ajeitando. Antes que pudesse controlar seus movimentos estava apertando de modo delicado aquela mão pequena e desastrada. O sangue chegou a subir-lhes a cabeça e fizeram de tudo para controlar a cor vermelha que tomava conta de ambas as bochechas, tudo que conseguiram foi disfarçar muito mal e virar a cabeça escondendo um pouco as maças do rosto tornou-se uma solução muito mais útil.
O aperto seguro e silencioso dos dois ficou escondido pela sombra da perna retraída do detetive e passou despercebido aos indivíduos restantes da sala, enquanto para aqueles dois era a única que realmente importava.
Finalmente o silêncio da sala se quebrou por Mello:
-Mas como iremos investigar esse caso?
-Não há testemunhas e faltam muitas explicações, só poderíamos tirar teorias incertas e diferenciadas. – Near terminou o pensamento do loiro.
-Só sabemos que ele desapareceu no dia 2 de julho, há 12 dias. Outros shinigamis também desapareceram, não sabemos quando. – Matt repassou os fatos que eles sabiam.
Os adolescentes trocaram olhares pensativos sem tirar conclusão alguma daquilo, poderíamos tirar infinitos motivos sobre o porquê de eles terem desaparecidos.
L com um dedo da mão livre nos lábios – o que fez Annad achá-lo ainda mais lindo e fofo – estava absorto em pensamentos, chegando a mesma conclusão que os garotos.
Não havia fatos o suficiente para se deduzir coisa alguma. Não havia ninguém a quem pudessem investigar. Não havia suspeitos. Não havia pistas. Não havia nada.
-Não podemos deduzir nada disso. – L disse por fim, mas ele era persistente e não se deu por vencido. – Mas podemos investigar as teorias.
-Podem ser feitas uma quantidade infinita de teorias, podemos passar o resto da vida investigando e não chegar a resultado nenhum. – Near verbalizou aquilo que passava na cabeça de todos.
-Eu sei, mas é nossa única opção.
Com um aceno de cabeça o loiro concordou, percebendo essa reação Matt aceitou também. Near pensou que aquilo poderia ser loucura e ponderou mais uma vez suas opções e, por último, também ele fez um gesto quase imperceptível com a cabeça concordando com tudo.
-Podemos começar checando os dados da mortalidade e natalidade em todos os países. E também os dados de morte por ataque cardíaco.
Os garotos assentiram e foram aos computadores trabalhar, se dividiram para realizar as pesquisas em um silêncio que representava a determinação e a eficiência do trio. Annad não havia entendido o motivo de pesquisar as taxas de todos os países e quando todos se retiraram e sobrou apenas ela e L resolveu perguntar.
-Porque fazer isso? Dará trabalho e não vejo motivo aparente.
-Porque assim descobriremos se houve alguma mudança perceptível no número de nascimentos e de mortes em toda a sociedade. Shinigamis lidam com a morte, se eles continuam desapareceram ou continuam por aí igual a antes não haverá mudança. Mas caso eles estejam atuando em quantidade poderemos ver e será perceptível, principalmente, se a taxa de óbitos por ataques cardíacos aumentarem. É uma medida que eliminará algumas possíveis teorias futuras.
-Entendo. Você acha que elas teram um aumento drástico?
-É possível, a chance é de pelo menos 10%.
A garota estava pensativa, nos últimos dias estava tão entretida com L que não estava dando a atenção necessária ao problema. Sentia falta do shinigami ele era um amigo fiel e engraçado, lembrava com graça dos seus modos brutos e um tanto antiquados.
Havia tomado um susto quando há anos atrás havia se deparado com a criatura. Ele era pelo menos uns 10 centímetros mais alto que ela e tinha a pele esverdeada, com exceção aos dedos que continham manchas de um marrom bem escuro. O abdômen magro, quase esquelético, era coberto pela camisa justa e branca, usava bermudas também brancas. Os cabelos lisos eram da cor do chocolate e caiam até os ombros onde terminavam em uma onda que no sol ficava azulada. Para completar os olhos castanhos e os lábios finos figuravam no rosto quase humano do shinigami.
Ela realmente gostava dele. A menina se sentiu mal por ter dado pouca atenção ao seu desaparecimento do amigo desde a chegada de L e acabou soltando a mão do detetive. L achando aquilo uma recusa subiu a mão para cima sentindo-se mal.
Ambos sentiram falta da quente alegria que o outro lhes proporcionava a partir do carinhoso toque.
Quando voltaram a se encarar as palavras faltaram e quando o dom da fala voltou a conceder-lhes a capacidade de proferir palavras eles não puderam falar nada, pois Mello invadia a sala agitado e com os olhos arregalados. Atrás dele Matt entrava tão surpreso ou até mais que o loiro e depois vinha Near indiferente, como sempre.
-O que houve? – A menina perguntou exaltada.
-A taxa de mortalidade, em 12 dias, se elevou em mais de 40% em países desenvolvidos, em países em crescimento o aumento ficou em torno dos 50% e nos países mais pobres a taxa subiu para quase 80%. – Mello respondeu sobressaltado.
-É um aumento absurdo. – A garota disse o pensamento de todos.
-E a taxa de natalidade? – L perguntou indiferente.
-Está dentro da normalidade. – Foi Matt quem respondeu.
Tirando L e Near que mantinham a posse indiferente todos na sala estavam sobressaltados e surpresos. Por último Near falou:
-E a taxa de óbitos por ataque cardíacos aumentou também, porém não tanto quanto a de mortalidade. Independente dos países a média mundial foi um aumento de 45%. Ainda é um dado assustadoramente alto para 12 dias.
A garota dos fios dourados deixou-se cair novamente no sofá ao lado de L, procurou a mão alva do detetive sobre o sofá entretanto não a achou. Contentou-se com o seu próprio calor.
-O que isso significa L? – A garota perguntou, ela pensara em algumas hipóteses, mas achava que o detetive era melhor nisso do que ela.
-Que os shinigamis estão sendo obrigados a trabalhar. E que a supervisão desse trabalho é muito rigorosa.
Near e Mello haviam tirado a mesma conclusão, mas Matt e Annad olhavam para o detetive desentendidos. Se compadecendo da ignorância dos dois L resolveu explicar melhor.
-O aumento de mortes foi maior em países subdesenvolvidos, mas um shinigami comum não pensaria em matar mais em um lugar que seria mais difícil que percebessem. Ele simplesmente mataria quem ele visse primeiro. Isso teve o propósito de encobrir o tamanho da catástrofe que está para acontecer. Além disso, a maioria dos shinigamis não se daria ao trabalho de escolher uma determinada morte para as pessoas, mas mesmo assim o aumento de óbitos por ataque cardíaco foi bem menor que o aumento de mortes geral. – L parou e respirou um pouco. – Os shinigamis foram instruídos a matar o menos possível por ataque cardíaco, mas alguns ainda o fazem por preguiça. Tanto que mesmo assim o aumento foi considerável.
Os olhos castanhos de Annad, normalmente decididos e mortais, estavam brilhando de admiração. A dedução havia sido incrível e todos na sala perceberam que ela não estava acostumada ao L como investigador e que ela não tinha em mente o quão bom ele era nisso.
A mulher sentiu uma onda de satisfação tomar-lhe conta do corpo, havia feito a melhor decisão quando escolhera L como seu detetive.
-Mas quem estaria organizando os shinigamis? E, mas importante, por quê?
-Boa pergunta Matt. É isso que devemos descobrir para conseguirmos trazer o shinigami, Fyn, de volta.
-Como iremos descobrir isso?
-Com a lógica. A minha teoria é que alguém quer que o reino shinigami saia da lama e colocou os shinigamis para trabalhar. Mas quem se importaria com o reino shinigami? Somente o seu rei. Acho que ele começou a se importar com o seu reino. – Respondeu L.
-E quando isso irá acabar? Em alguns meses irão perceber esse aumento exorbitante nessas taxas e a humanidade entrará em colapso. Além disso, quando os shinigamis voltaram a Terra?
-Calma Nia. – Disse Matt. – O importante é que você já sabe que o Fyn está bem. O real caso agora é como deter o rei, fortalecendo o seu reino ele matará a todos os humanos em pouco tempo.
-Isso não acontecerá. – Near e Mello falaram juntos e com convicção. Eles cruzaram um olhar e Near deixou que Mello fala-se. – Ele fez de tudo para evitar que nós humanos percebêssemos, provavelmente isso acabará em algumas semanas ou até menos, quando o reino já estiver forte. E depois ele precisará apenas fazer a manutenção com algumas mortes que não farão grande diferença no contexto mundial. Minha única dúvida é porque querer fortalecer o reino?
Os olhos se viraram para L pedindo uma explicação, mas o detetive não a tinha e foi sincero.
-Eu também tenho essa dúvida. Para respondermos a essas questões precisamos ter contato com algum shinigami. Não há mais pistas aqui na Terra.
Notas finais
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*Promoção por tempo indeterminado*
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