Notas iniciais
Espero que gostem A música do capítulo é Little Wonders do Rob Thomas. https://www.youtube.com/watch?v=DCWXXuOv_So


God Talks to me. The world will have to burn. I don't question Him.

It's just...I have this pile of books I've been meaning to get to.

A Softer World — and tonight is a really good TV night
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"Psiu.."

"Que foi?"

"Isso não é jeito de me tratar"

"Perdão, vou tentar de novo. Ó grande e poderoso Daniel, Rei da Escócia e reinos adjacentes, portador dos mais belos olhos verdes, senhor do campo de lacrosse, a que devo a honra de vosso chamado?"

"Assim ficou muito melhor, me encontre na frente do terceiro andar na biblio. Tipo, agora"

"Pra que?"

"Tenho que te mostrar um negócio"

"Certo....."

Daniel Neverost está offline.

Levantei da cama e olhei no relógio, ainda era 18:25, o que significava que os alunos deviam estar em seus quartos, esperando a hora do jantar. Ren estava desenhando alguma coisa e Katherina também estava no computador.

Usando os laptops que estavam nos quartos, nós tínhamos acesso principalmente a sites escolares e alguns sites de vídeos. Todas as outras redes sociais, com exceção do Reevebook, eram bloqueadas e precisavam de senha para acessar. Segundo Danny, os professores eram os únicos que podiam usar os computadores particulares para acessar outros sites.

Os computadores da biblioteca não tinham sites bloqueados, mas eram sempre monitorados pelas irmãs, de modo que era difícil ter privacidade total. Abri a porta e coloquei a cabeça pra fora, nenhum inspetor a vista. Sai rapidamente do quarto e segui para a escada.

O único lugar que eu conhecia do andar dos meninos, era o corredor que levava para o segundo andar, de modo que fiquei vagando por ele, até que ouvi um movimento e uma porta abrindo.

–Charlie — Danny estava segurando uma porta e acenava para mim — venha até aqui.

Andei até o final do corredor lateral. Segundo meu senso de direção, se eu seguisse por mais alguns metros, daria na porta da biblioteca.

Danny usava uma camiseta cinza, com o brasão do colégio e uma calça jeans. O cabelo dele estava molhado e uma gota escorria pelo rosto dele. Resisti ao impulso de passar a mão e tirar ela.

–Ei, casal — Elyan corria em nossa direção, ele nos olhou com um olhar reprovador — vocês sabem que não podem ficar aqui.

Danny sorriu vitorioso e entregou à Elyan um papel, o inspetor passou os olhos por ele e assentiu.

–Certo — ele devolveu o papel — não demorem.

Elyan se afastou e Dan passou o braço pelos meus ombros, me guiando para o final do corredor.

–Onde estamos indo? — perguntei

–Para a biblioteca, tenho que pagar um favor e eu queria que você visse isso — ele empurrou a pesada porta de madeira.

A biblioteca do internato era gigantesca, eu poderia passar uma vida inteira e não ler todos os livros disponíveis, teria que viver uns 700 anos para realizar tal façanha.

A biblioteca tinha um buraco no meio, que permitia ver os andares inferiores e só contribuía para aumentar a sensação de um lugar colossal. Danny me guiou até a escada que levava para o quarto andar.

Estranhei esse fato, no último andar da biblioteca era a sala dos computadores, onde os alunos podiam acessar a internet. Além disso, tinha uma porta de madeira escura com detalhes dourados e foi pra lá que nós fomos.

Uma irmã levantou de um balcão escondido atrás de uma estante e se aproximou.

–Autorização? — a voz da mulher era rouca e baixa, como se fosse pouco usada. Danny estendeu à ela o mesmo papel que havia entregado ao Elyan — vocês vão precisar disso.

A freira guardou o papel em uma gaveta e nos estendeu uma chave elaborada e duas lanternas de acampamento. Dan pegou as três coisas como se fosse a coisa mais normal do mundo e fez um gesto para a misteriosa porta de madeira.

Andamos até ela e a freira colocou a chave na fechadura. Ouvi um clique, seguido de mais um e só então ela girou a chave. Estava preparada para tudo, exceto pelo que tinha na minha frente. Não havia nada.

Danny então ligou a lanterna e iluminou o ambiente. A freira assentiu e se afastou, encostando a porta quando saiu. Até onde o facho iluminava, eu via enorme estantes, com milhões de livros. Só pelo tamanho delas, podia ver que tinha o triplo de exemplares da parte normal da biblioteca. E isso era apenas o que eu podia ver.

Dan iluminou o caminho à frente, andando até uma mesa com cadeiras feitas de uma madeira quase tão antiga quanto a porta. Em cima da mesa, um livro antigo e empoeirado, com capa de couro e o titulo em dourado e alto-relevo: Acervo.

Danny abriu na primeira página e passou o dedo até achar uma coluna especifica. Ele seguiu a linha, sorriu satisfeito e fechou o livro com um baque.

–Vamos — ele indicou, com a lanterna, o caminho — ah, você provavelmente está em choque.

Eu assenti, estupidamente, o fato daquele lugar estar dentro do castelo e ser mantido como um segredo de estado, me assustava.

–O que é aqui?

–O internato de St. Reevee's, na Escócia, Reino Unido, Europa, Terra.

–Talvez um pouco mais especifico.

–Quarto andar, biblioteca e Sessão Restrita.

–Sério? Esse é o nome do lugar?

–Sim, algum problema? É restrita, porque para entrar, você precisa da autorização de um professor e é apenas uma sessão. Se fosse um andar inteiro, talvez eles mudassem o nome — Danny passou a mão no queixo, como se considerasse a ideia — Andar Restrito não soa tão legal.

–De fato — iluminei o ambiente usando a minha lanterna, talvez pudesse guardar ela e usar para futuras aventuras ao Obelisco — o que estamos procurando?

–Aqui — Danny passou a lanterna por uma placa de madeira, com Filosofia escrito em dourado — tenho que pegar um livro para Seth.

–Seth? Moreno de olhos azuis? — Danny assentiu — super gostoso?

Ele sorriu, como se soubesse de um segredo.

–Esse mesmo — ele piscou — e eu também acho.

–Eu sabia. Ele é gay? Também? — desisti, não era possível — Andrew?

–Loiros de olhos verdes normalmente gostam de morenos de olhos azuis — ele falou, enigmaticamente.

–Adam?

–Apenas amigos.

–Peter?

Alguns segundos de silêncio, ele parecia concentrado.

–Achei — Danny estendeu a mão e pegou um livro de aspecto antigo — temos que entregar isso.

–Daniel, me responda, é o Peter?

–Vai ser difícil achar ele, deve estar com Simon — Danny passou por mim a passos largos, andando em direção à saída — são livros antigos que tem aqui, por isso os alunos não tem livre acesso.

Saímos e foi um alívio poder soltar a lanterna. Infelizmente, a freira ficou com ela, o que significa que nós teríamos que diminuir nossa média de lanternas quebradas. Descemos por dentro da biblioteca, usando as grandes e reluzentes escadas de madeira escura para chegar até o segundo andar e descendo as escadas do hall até o primeiro.

Passamos pelas portas laterais e seguimos até uma sala desconhecida. Danny bate duas vezes, para e depois outras três. Um homem que eu não conheço abre a porta. Ele tinha o cabelo castanho escuro, cortado em um corte militar e o rosto com feições duras, que contrastavam com os olhos azuis sorridentes.

–Daniel — ele exclamou e puxou meu amigo para um abraço — que bom te ver, venha perder no pôquer qualquer dia.

Danny sorriu e retribuiu o abraço. Um homem menor, com cabelos castanhos mais claros e rosto delicado apareceu.

–Jeff? O que? — então ele nos viu, parados na porta — ah, olá — ele estendeu a mão — Simon.

Demorou um tempo para perceber que ele falava comigo.

–Charlie — apertei a mão dele e ele sorriu, iluminando os olhos claros — desculpe.

–Enfim — a voz de Simon mudou para um tom de professor — conseguiu o livro?

Danny estendeu a mão, contendo um livro pequeno e com o titulo em uma língua que eu não conseguia ler. Simon pegou-o como se estivesse tocando em um rei. Seth apareceu de repente, saindo de uma porta lateral.

–Simm, é um livro — ele pegou o livro da mão de Simon e voltou para a sala, ouvi uma risada que julguei ser de Andrew.

–Eu convidaria vocês para entrar, porém estamos... hum.... — ele olhou em volta, procurando ajuda — corrigindo provas.

Danny sorriu e piscou para eles, se afastando. Os dois pareceram um pouco mais relaxados.

–O sinal vai bater, quer ir direto para o refeitório? — assim que ele terminou, o sinal tocou, indicando que o horário da janta havia começado.

Chegamos e não tinha ninguém, o que foi bom. Aproveitamos o fato de que éramos os primeiros e pegamos os melhores pedaços de pizza, vantagens da semana italiana.

Comemos em silêncio, não queria pressionar Danny à me contar de Peter ou qualquer eventual interesse romântico. Os alunos foram chegando e se sentando. Alguns minutos depois, Peter apareceu e Ren estava com ele. Eles se aproximaram da nossa mesa, com Peter sentando ao lado de Danny e pegando um pedaço de pizza do prato dele.

–Vou deixar os dois namorados em paz — me levantei da mesa, carregando a bandeja. Estava ensaiando aquele momento havia algum tempo.

Com Ren longe, era minha chance de conversar com Katherina sobre os acontecimentos estranhos em nossas vidas. Subo as escadas correndo, torcendo para encontrar Kat no quarto.

Abro a porta lentamente, o barulho da água batendo no chão indica que Katherina está tomando banho. Me certifico de trancar a porta, não queria ninguém entrando de surpresa.

Sento na cama e pego um livro, a água ainda corre e eu realmente esperava não ter que bater na porta e tirar Kat à força. Felizmente, alguns segundos depois, ouço o chuveiro ser desligado e o barulho de passos.

Katherina sai do banheiro usando um pijama preto com estrelas pratas e douradas. Ela olha para mim, a expressão dela não transmite nada, apesar de nós duas estarmos certas de que tem alguma coisa acontecendo. Kat anda até o frigobar e pequena uma garrafa de água, ela toma alguns goles e coloca em cima do baú.

–Eu acho que nós precisamos conversar — ela pega um livro que estava na escrivaninha e sobe do beliche — Katherina?

–Hum? — ela abre o livro em uma página aparentemente aleatória — o que você quer?

O descaso dela me irrita, ela não parece ter percebido quão séria é a nossa situação, com Thomas ameaçando nosso segredo, toda essa nossa viagem pelo mundo dos sonhos, ficou muito mais perigosa. Olho para o livro que ela está lendo e me concentro, estico o braço e depois fecho a mão, girando o pulso para cima. O livro escapa dos dedos de Katherina e voa em direção à parede.

–Tenho sua atenção? — ela desce do beliche, sentando na cama desocupada — ótimo, acho que tem alguma coisa muito errada.

–Também tenho essa impressão — ela olha para mim, os olhos verdes se focam nos meus e sinto uma leve pontada de dor.

–Não se atreva — a garrafa que estava no baú levantou voo e caiu ao lado de Katherina, foi o bastante para tirar a concentração dela e a dor desapareceu como se nunca estivesse estado lá — sem poderes mágicos, sem dor ou coisas voando.

Ela concordou com a cabeça e relaxou, parecia pensar em alguma coisa.

–Você acha que foi o Obelisco — ela me pergunta, parece confusa.

–Provavelmente sim — olho ao redor — qual será o da Ren?

–Ela deve controlar as plantas.

–Lábios venenosos — Katherina dá um pequeno sorriso — eles foram escolhidos ao acaso?

Os ombros de Kat se tencionam e os olhos se arregalam. Eu estava pensando nessa teoria havia um tempo, talvez os poderes tivessem algo a ver com nossos pensamentos.

–Não sei, não consigo pensar em nada — o lábio dela treme, posso ver que ela está escondendo alguma coisa.

Passamos alguns minutos perdidas em nossos pensamentos, Katherina não parece muito a fim de um papo, mas eu preciso falar com alguém que me entenda.

–Então, dor e telecinese, não é nada mal — ela olha para mim — podia ser pior.

–O que faremos a respeito de Ren?

–Vamos esperar, prestar mais atenção e ver se ela manifesta alguma coisa — levanto os braços ao lado do meu corpo, com as mão abertas e a palma virada para cima, as coisas no quarto começam a tremer — o meu é meio difícil não perceber.

Abaixo os braços e o movimento para, eu havia aprendido a canalizar o poder para a minha mão, parecia funcionar melhor e era muito mais heroico. Magneto também faz esse negócio da mão, talvez devesse se tornar minha marca registrada.

–Mas o seu... — eu dou de ombros — eu tenho crises de enxaqueca, mas aquela dor foi muito forte.

Katherina sorriu, orgulhosa.

–Eu faço o meu melhor — ela piscou para mim e deitou na cama — acho que teremos que esperar e ver.

Nesse momento, a porta faz um barulho e as dobradiças rangem. Ren entra no quarto e sorri.

–Olá — ela sobe no beliche agilmente, sem usar as escadas — boa noite.

Katherina volta para a cama dela e não fala mais comigo, não me restam muitas opções a não ser ir dormir. Me cubro e lentamente sinto o sono me arrastar.

Uma mulher. Papéis empilhados.Muitos deles. Milhões. "Você sabe o que fazer". Primavera.

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Acordo assustada, não ouço o despertador e o quarto está claro demais para qualquer horário antes das seis da manhã. Olho o relógio da parede. Ele indica onze da manhã.

Levanto da cama em um pulo, tentando me lembrar se havia perdido algo importante. Não vinha nada em minha mente, o que significava que eu havia sido poupada de um dia com o Sirén. Me arrumo um pouco apressada, tinha dez minutos para chegar na última aula.

Desço as escadas em direção ao primeiro andar. Me surpreende que ninguém me parou, as vezes os inspetores eram eficientes, porém outras eles eram completamente inúteis. Cheguei no hall e estava no meio do caminho quando as portas principais se abrem com um rangido e o jardineiro, Nick Espinoza, entra correndo.

Ele estava vermelho e com pedaços de grama ao lado do corpo, como se estivesse correndo e tivesse caído

–Chamem uma ambulância — ele grita — é uma emergência

Notas finais
~Nymeria Espero que tenham gostado