O Mistério de Miwa
4 Capítulo 4 - O Verdadeiro Início
Notas iniciais
Doragon ajoelhou-se na frente do senhor Akihiko, enquanto este ordenou à Haname que fosse para seus aposentos. Então, após 5 longos minutos fitando o chão, Doragon resolve elevar o olhar e mirar os olhos de seu futuro assassino esperando encontrar ódio. Porém encontrou apenas o pesar de um pai que está sendo obrigado a tirar a vida do próprio filho.
— Doragon Masayoshi, o encarregado de proteger minha filha. Diga-me agora todo o ocorrido nesses últimos 3 dias — Olhou em volta, recebendo os diversos e diversificados olhares que recebia da plateia, relatou-lhe todo o seu treino e, quando contou-lhes sobre o ocorrido nas montanhas ao norte, viu a expressão mais obscura de seu senhorio retornar à sua face. Terminou seu relato e calou-se, fitando novamente o chão de madeira muito bem polido daquele aposento, enquanto esperava o maior sermão de sua vida — Então você deixou minha filha desprotegida, deixou-a ser sequestrada e ainda a deixou à beira da morte?
Doragon balança a cabeça, positivamente.
— Acho que tens consciência do que seus atos representam...
Percebendo a hesitação momentânea de seu senhorio, o pai de Doragon, Makoto, levanta-se e decreta por seu senhorio:
— Em nome do Feudo de Tomoyo, você, meu filho, Doragon Masayoshi, está sentenciado à pena de morte por decapitação em razão de traição contra a princesa e, consequentemente, contra toda a família real.
Doragon permaneceu fitando o chão, sem, aparentemente, exaltar nenhuma emoção. Ninguém notou que este chorava calado e gemia quase inaudivelmente o nome da princesa. Todo o Reino de Miwa foi acometido por profundo desespero quando souberam que o grande pequeno prodígio iria ser decapitado por traição, e todos quiseram ver. Portanto, foi montado um palanque do lado de fora da mansão feudal, de onde todos poderiam assistir a execução. A única não informada fora a princesa Haname, por ordem do senhor Akihiko, pois estava consciente de sua profunda ligação com o traidor. Porém, vendo todo o estardalhaço do lado de fora da casa, a princesa estreitou-se por uma antiga e secreta passagem conhecida apenas por ela e por seu samurai protetor, que levava aos fundos da casa. Lugar no qual havia uma escada que dava acesso ao telhado. E foi lá onde ela se ajeitou de qualquer jeito para bisbilhotar. Quando viu que seu amado estava ajoelhado no palanque e que seu pai se preparava para desembainhar a espada cerimonial e medir seu movimento para alcançar o pescoço do réu, entrou em pânico e, ao tentar descer correndo, tropeçou e iria cair do telhado na parte da frente da casa. Doragon havia previsto os movimentos antecedentes à queda, soltou-se, arrebentando as cordas que o amarravam e, com os pulsos feridos e sangrando, escorou a princesa com seu corpo, esta caiu em seus braços e foi posta em pé, com todo o cuidado. Após retornar seu olhar para a expressão ainda fria de Akihiko, Doragon beijou a mão de Haname, se atreveu a abraça-la e beijar sua bochecha na frente de todos, o que a fez corar. Logo após, ele se dirigiu ao palanque novamente e se pôs na posição de rendição da época: De joelhos e oferecendo o pescoço espichado. A princesa foi segurada pelas servas, enquanto assistia seu pai retirar a espada cerimonial da bainha e desferir o golpe mortal contra seu amado samurai. Teve-se como sonoplastia o grito desesperado da princesa e de outras crianças na plateia, que admiravam o samurai. O senhor feudal estava de costas para Doragon e mantendo seus olhos fechados, esperando ouvir o som de uma cabeça rolando pela madeira fria do palanque, porém nada alcançou seus canais auditivos. Abriu os olhos, espantado, e observou um pedaço de lâmina no chão do palanque ao seu lado. Um sentimento de angústia e desespero o invadiu, e Akihiko olhou para trás fitando o chão, procurando sem sucesso exasperadamente a cabeça da vítima...
Todos da plateia, dos mais jovens aos mais idosos, entoaram uma exclamação de surpresa quando perceberam o que realmente aconteceu: Doragon não moveu um músculo, mas o corte que deveria estar em sua nuca estava nas costas do senhor Akihiko. Doragon olhava para o chão a sua frente, sem desviar o olhar e com seu rosto envolto na escuridão dos primeiros raios do crepúsculo. Quando ergueu o olhar, tinha os olhos vermelho-sangue, marcas de sangue no rosto e uma cicatriz em forma de “X” apareceu em sua bochecha esquerda, porém sangrava como uma ferida recente. Doragon ergueu-se, gritando de ódio, penetrou o peito de seu carcereiro com as mãos nuas e arrancou-lhe o coração em um golpe rápido e absurdamente preciso. Tomou sua espada do morto, a ergueu para a plateia e começou sua aparentemente infinita carnificina. Decapitou e/ou esquartejou todas as pessoas que ali se encontravam, sem dó nem piedade. Lambia suas mãos e sua lâmina manchadas de sangue. Depois de terminada a carnificina, somente uma pessoa permaneceu viva e intacta: A princesa Haname. Esta, porém, não mais se encontrava na estrada nem nas proximidades. Doragon, após voltar a si, gritou seu nome, porém não houve resposta. Então começou a procura-la desesperadamente pelas pilhas de corpos mutilados. Seu pai, Makoto, arquejava ao lado do senhor Akihiko, tentando erguê-lo. Doragon correu, amassou suas ervas medicinais e, apesar dos protestos dos dois, cuidou dos ferimentos com tamanho esmero, boa vontade e preocupação. Senhor Akihiko mergulhou na inconsciência, porem estava fora de perigo, e Makoto estava bem consciente e já curado, pois havia sofrido apenas alguns arranhões. Este tomou o filho pelo braço e o levou até a casa secundária, Doragon achou que novamente seria executado e se deixou levar após poucos protestos cortados com uma simples frase: “Vou lhe mostrar quem és”. Andaram por um ramo da casa que Doragon jamais havia visto, passagens e corredores secretos também desconhecidos, até chegarem num porão que aparentava ser maior que a própria casa que, sobre ele, residia. Makoto mostrou a Doragon uma cela especial, contendo uma mulher completamente nua, toda manchada de sangue: A mãe de Doragon.
— Ma-Ma-Mamãe... — Ele conseguiu gaguejar, em meio a lágrimas. Foi ouvido pela mulher, que começou a chorar e a implorar que este não a visse assim, que fosse embora. Falando, chorando e implorando, ela surrava as paredes transparentes da cela com uma força e expressão de uma fera sedenta de sangue que deseja se libertar. Makoto olha para o filho, que rebate seu olhar com ódio crispando de tão evidente. — O QUE VOCÊ FEZ COM A MINHA MÃE?
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