Notas iniciais
Oi pessoal. Desculpa o atraso. Tentei postar ontem mas não tive tempo. Vou ficar postando todo domingo. E talvez vocês tenham alguma surpresa na quarta também. Divirtam-se!!

— Augusto, acorda! Vamos nos atrasar. – berrava alguém, enquanto o empurrava.

Augusto levantou disposto a expulsar quem quer que seja do quarto, porém só teve tempo de desviar de um roupão jogado em sua direção. Quando recuperou o equilíbrio, se deparou com uma Laura, já de uniforme, toda sorridente, sentada na poltrona que havia próximo a janela.

— Por que você fez isso? – Laura não se deixou abalar pela raiva na voz de Augusto – Por que, em nome de tudo que é mais sagrado, você me acordou às 06hrs30min da manhã? Sendo que o horário pra chegar à escola é às 10hrs.

— Pra você não se atrasar. – falou ela se dirigindo à porta. – Se arrume logo. Sua mochila já está lá embaixo! – gritou ela, agora já no corredor.

Várias vezes Augusto tentava lembrar se Laura durante a infância havia batido a cabeça em algum lugar ou levado alguma pancada. Porque com certeza ela não era normal. Resolveu obedecer. Não queria que Laura entrasse novamente em seu quarto.

O café da manhã foi o mais silencioso possível. Diana parecia ter esquecido o que o filho havia feito.

—Por favor meu filho estude, não se envolva em brigas e o mais importante não morra. – Disse Diana abraçando o filho. Sua voz tremeu levemente na última recomendação.

A seriedade com o qual ela falou deixou Augusto com vontade e rir. Como assim “não morra”?

***

Laura foi à viagem inteira calada. Augusto sabia como ela estava se sentindo. Estavam indo a um lugar onde não conheciam ninguém. Ele sempre soube que toda aquela animação que ela demonstrara antes era na verdade nervosismo e medo. Ele também senta isso, mas tinha que se manter forte para não deixa-la com ainda mais medo.

Toda sua teoria foi confirmada quando na porta da escola Laura abraçou o pai chorando. Pedindo pra voltar à Itália. Augusto achou melhor intervir antes que Marcelo gritasse com Laura ali mesmo. Ele lembrava que quando era criança o pai sempre gritava quando ele chorava por algo considerado “besteira”. Não queria que o mesmo acontecesse com a irmã, por isso a soltou dos braços do pai.

Enquanto ia abraçado à irmã para dentro da escola que mais parecia um castelo, o viu. Ele, Daniel BeloMonte. Como pode esquecer que a maioria dos seus ex-colegas provavelmente estudavam naquela escola?

Quando o olhar de Augusto cruzou com o de Daniel, ambos reviveram a cena da festa, onde o punho de Augusto acidentalmente acertou a boca de Daniel.

Laura percebeu que o irmão havia parado de andar, e quando olhou na mesma direção que ele, entendeu que já estava mais que na hora de saírem do pátio. Olhou para trás e viu que o pai já tinha ido embora, portanto se Augusto resolvesse brigar ela não teria como separar a briga.

Laura se pôs na frente do irmão e chamou seu nome, percebeu que a coisa realmente estava séria quando olhou para trás e viu os olhos de Daniel semicerrados, pegou novamente a mão de Augusto e o puxou pátio a fora.

A escola por dentro era ainda mais incrível, logo após as grandes portas de carvalho se encontrava um grande saguão de entrada, onde provavelmente deveriam acontecer as festas. Em cada lado do saguão havia uma escada, ambas levavam ao andar superior. Abaixo da plataforma superior que conectava as duas escadas havia uma porta dupla. E ao lado da base de cada escada tinha uma porta.

As portas eram de uma delicadeza imensa, seus detalhes pareciam terem sido esculpidos a mão, sua decoração parecia ser feito à base de ouro, ou qualquer outro metal igualmente belo. Do seu teto caia um lustre enorme, decorado com cristais em forma de gotas. Dava pra perceber que era algo antigo, porém isso parecia deixa-lo ainda mais incrível. O piso liso e encerado lembrava os caramelos comidos durante a infância. A luz que entrava pelas janelas era refletida no piso e no lustre, Augusto sentia como se tivesse entrado em uma máquina do tempo. Tudo naquele lugar lembra o início do século XIX.

Era uma sensação incrível.

Augusto passou tanto tempo observando o local, que só percebeu o quanto o saguão estava lotado, quando alguém pigarreou, recebendo a atenção de todos os presentes.

Só agora Augusto reparou no homem que estava em pé, parado no meio da plataforma. Pelas suas roupas parecia o diretor, ou alguém com um cargo igualmente importante. Seu terno preto feito sob medida, estava aberto, deixando a mostra uma camisa verde. A roupa parecia ter sido escolhida com cuidado, já que o verde combina com os seus olhos. Ele não parecia ter mais que trinta anos, seus cabelos eram tão pretos que Augusto duvidou se não tinham sido pintados.

— Bom dia! Sou diretor Carlos Tavares. – Sua voz deixava claro que ele era alguém que Augusto não gostaria de ver irritado. – Bem vindos para os novos alunos, e boa volta às aulas para os antigos. Espero que tenham aproveitado as férias o máximo possível. Quero agradecer aos alunos que no passado deixaram a nossa escola sem um grão de areia, e aviso desde já que sempre haverá uma teia de aranha precisando de cuidados, só esperando o próximo sortudo que pegar uma detenção. Alunos novos acompanhem os professores Pedro e Lúcia, eles mostraram os seus quartos. Houve algumas mudanças em relação à divisão de quartos. Ano passado utilizamos como critério a idade, esse ano a ordem alfabética foi levada em conta. Outros avisos estão no mural de cada sala de estar. Alunos antigos aproveitem o dia livre. Bom dia a todos!

Assim que o diretor se retirou, os alunos começaram a se dispersar. Por cima do barulho da multidão Augusto pôde ouvir os professores chamando os novos alunos.

***

Não houve aula pelo resto do dia, esse tempo foi destinado a para que os alunos conhecessem a escola.

A escola era enorme por dentro, Augusto nunca tinha visto tantas portas em sua vida. À medida que passavam, o professor Pedro ia dizendo a quais salas pertenciam àquelas portas.

— Sala de música... Laboratório de Química... Laboratório de Biologia, Biblioteca...

— Professor, aqui não tem sala de artes? – A maioria dos alunos olharam para trás, querendo saber quem tinha falado.

Os olhos de Augusto pousaram sobre um menino baixinho, de cabelos e olhos castanhos, apesar de seu tamanho tinha braços fortes, daqueles que indicavam que a pessoa fazia serviço braçal, ele tinha a pele branca, parecia que não tomava Sol há anos.

— Qual o seu nome? – o professor perguntou olhando de maneira interrogativa para o menino.

— Arthur, professor! – disso o garoto de cabeça baixa. Sua voz não passava de um sussurro, suas bochechas estavam coradas, como se tivesse envergonhado do que falou.

— Tem sobrenome? – perguntou novamente o professor, dessa vez com certa impaciência na voz. Arthur afirmou. – Posso saber qual?

— Ro-Rocha, professor! – se antes ele estava corado, agora estava branco, totalmente pálido, suas mãos tremiam nervosamente.

— Você é família da aluna Alana Rocha do terceiro ano?

— Sim! – mesmo que o professor aparentasse estar mais calmo, Arthur não parecia nada relaxado. – Ela é minha irmã.

—Certo. E respondendo a sua pergunta: sim, nós temos uma sala de artes. Porém ela fica no andar de baixo. — o sorriso de Arthur foi visível pra todos – A Biblioteca do segundo ano fica nesse andar também. Á propósito, tem alguém aqui tem não irá cursar o primeiro ano? – disse ele parando de repente, fazendo com que um menino esbarrasse nele.

Todos olharam uns para os outros, e por fim todos os olhares pararam sobre Augusto, com certeza a sua altura e o seu físico lhe denunciaram.

Augusto deu um passo à frente.

— Sim. – respondeu ele.

— Qual o seu nome?

— Augusto Drumontt, professor.

— Filho do dono das Indústrias de Mineração Drumontt?

“Essa pergunta não poderia ter sido feita em um momento melhor.” Pensou Augusto com sarcasmo. Ele confirmou apenas com um aceno de cabeça e viu pares de olhos arregalarem-se.

Ele pensou que não passaria por aquele tipo de situação já que todos sabiam que Marcelo Drumontt tinha um filho que costumava o acompanhar nos eventos, mas é claro que ele não percebeu que isso não acontecia há anos, mesmo passando todas as férias no Brasil ele raramente saia na companhia do pai, o avó sempre tinha alguma estória legal para contar.

— Sim, senhor.

— Você irá cursar o terceiro ano?

”Droga! Agora todo mundo vai saber que fui reprovado!”, pensou em desespero.

— Não senhor. Farei o segundo. – Augusto preferiu olhar para os pés enquanto falava, pois tinha certeza que seu rosto estava corado.

O professor pareceu levemente surpreso, com certeza ele percebeu que Augusto estava um ano atrasado. Porém, para alívio de Augusto, ele simplesmente seguiu com a conversa.

— Você tem uma irmã, certo? – Perguntou o professor Pedro enquanto retomava a caminhada. Augusto que estava ao seu lado confirmou com um gesto de cabeça.

O professor parecia ter perdido o interesse na conversa, pois mais nada perguntou.

Depois de quase dez minutos de caminhada, e muitas entradas em corredores, o professor parou ao pé de uma escada. Estava claro que aquilo era um sinal que o caminho continuava por ali.

Um a um eles subiram a escada, sem nem saber o que os esperava lá em cima. Quando Augusto chegou ao final da escada, descobriu porque todos que subiram antes dele passaram alguns segundos parados no topo. Não era outro corredor que os espera, como ele pensou, era algo mais parecido com uma sala, ou seria uma biblioteca?

Estantes, sofás, mesas e cadeiras dividiam o espaço. As estantes lotadas de livros; as cadeiras estavam dispostas ao redor das mesas, seis no total, Augusto contou. Na parede oposta as estantes uma enorme lareira de pedra estava apagada – pelo calor que fazia no Brasil a lareira só devia ser utilizada nos meses de inverno, Augusto supôs -, ao redor desta, sofás e poltronas estavam posicionados.

Toda a decoração era em tons neutros, lembrando a Augusto os castelos antigos que ele visitou enquanto esteve na Itália.

Alguns alunos que estavam na sala, saíram assim que viram o grupo chegar. Uns saíram da sala utilizando a escada pela qual Augusto chegara, outros entraram em uma porta, que ficava do lado oposta a escada.

Augusto não conseguiu ver o que havia depois da porta, suas tentativas foram interrompidas pela voz do professor Pedro, que parecia dá algum tipo de instrução aos alunos.

— ... cada quarto é ocupado por dois alunos, seus nomes estão escritos nas suas respectivas portas, assim como o número da sua série. A divisão de quarto foi feita de maneira alfabética, por isso não é permitido troca de quarto. Vocês têm quinze minutos para achar seus quartos, suas malas já foram mandadas para lá. Sejam rápidos, em cinco minutos estou partindo, não irei esperar ninguém para dá os avisos que faltam.

Por estar distraído, Augusto perdeu o início das instruções, então como não sabia como começar, resolveu seguir o resto do grupo. Eles estavam entrando na mesma porta pela qual Augusto viu alguns alunos entrarem antes.

Após a porta se encontrava mais um corredor, de onde várias outras portas surgiam, uma de cada lado. Assim como o professor falou, em cada porta havia os nomes dos alunos ocupantes do respectivo quarto, e a séria que eles cursavam. Ele viu todo o grupo começar a entrar nas primeiras portas, onde um grande “1” estava escrito.

“Se os quartos dos alunos do primeiro ano estão no início do corredor, os quartos dos alunos do segundo ano devem estar no meio do corredor.” E seguindo esse pensamento ele foi caminhando em direção à metade do corredor.

Através das portas não dava pra saber que tamanho era os quartos, mas levando em consideração que todo aquele andar perecia ser a ala masculina, os quartos não deviam ser tão pequenos.

Foi só quando uma porta se abriu e os alunos que estavam dentro saíram, foi que Augusto percebeu que estava começando a se atrasar teria que ser rápido, o olhar mais detalhado que estava planejando teria que ficar pra depois. Seguiu andando, e por sorte, ou por seu nome começar com a primeira letra do alfabeto, sua porta era uma das duas primeiras com o número dois – pra ser mais específico a do lado direito. Mal olhou o nome que estava abaixo do seu, teria outra oportunidade para conhecer o seu colega de quarto, no momento, ele só iria entrar no quarto, escolher sua cama, e chegar à sala de estar o mais rápido possível.

O quarto possuía duas camas, uma bem abaixo da janela, na parede oposta a porta; e a outra encostada a parede da porta, no lado direito, de forma que as duas camas ficavam uma de frente pra outra. Na parede da direta outra porta se encontrava, Augusto imaginou que ali deveria ser o banheiro. Já na parede do lado esquerdo dois guarda-roupas ocupavam o lugar. Augusto percebeu que sua mala estava no meio do quarto, como nenhuma das camas parecia já ter dono, ele escolheu a próxima da janela. Logo quando chegou o jardim da escola lhe chamou a atenção, era extremamente parecido com o da sua casa, o jardim era o lugar que mais lhe trazia paz, depois é claro do seu quarto. E foi por esse motivo que escolheu a cama próxima da janela, a vista que se tinha dos jardins, o convenceu.

Não tinha tempo pra olhar detalhadamente cada quanto do quarto, tinha sair dali praticamente voando, se não quisesse chegar muito atrasado à sala de estar. Deu meia volta e fechou a porta do quarto. Para o seu alívio alguns alunos ainda estavam saindo dos quartos, ele não devia estar tão atrasado como pensou. Para infelicidade de Augusto não era só os alunos do primeiro ano que estavam no corredor. Daniel BeloMonte vinha caminhando na direção de Augusto acompanhado de outros dois garotos, todos com as malas nas mãos.

Mas Augusto não tinha tempo pra se preocupar com Daniel, o professor Pedro estava esperando por ele na sala de estar, e ele tinha que chegar lá o mais rápido possível.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Qualquer erro é só avisar. Até o próximo! Beijos!!!!