Lá estava eu, sentada naquela pedra olhando os vastos campos gramados sem conseguir compreender o que realmente havia acontecido, por mais que tentasse não consegui acreditar que meu pai tinha realmente morrido. Eu tentei ignorar a verdade e fingir que estava bem, mas não podia, afinal parecia que somente eu conseguia enxergar que meu pai não morreu em um acidente de trabalho, não poderia ser um acidente.

_Lanna, você não vai entrar para ouvir o que o Sr. Amarante tem a dizer sobre seu pai? — Disse Sam, minha melhor amiga colocando a mão em meu ombro, logo atrás vinha Nick, eles eram meus melhores amigos, e talvez os únicos que eu tinha.

Desde crianças sempre ficávamos juntos, nos metíamos em confusão o tempo todo, mas nossos pais sempre davam um jeito de nos salvar. Samanta era um menina magra de cabelos castanhos claros e olhos escuros, sempre foi minha "voz da razão", a inteligente sabe tudo que me protege e ajuda o tempo todo. Nícolas tinha a pele muito clara e olhos verdes, magro e não muito alto, cabelos castanhos e um dom fora do comum de me tirar do sério, era rápido, forte e com ótimos reflexos, mas o que sobra em preparo físico falta em inteligência.

_Não quero saber o que esse velho tem a dizer, ele está mentindo, está fingindo que foi um acidente, vocês dois sabem que não foi, como uma barra de ferro vai cair de ponta acidentalmente em cima de alguém? Eu vou provar que foi assassinato e esfregar na cara daquele velho idiota. — O Sr. Amarante era o dono da fábrica de carvão em que meu pai trabalhava.

_Calma Lanna, eu sei que você está triste e com raiva, mas você precisa ficar fria, sua mãe precisa do seu apoio. — Disse Sam.

_A Sam tem razão, e se você quiser descobrir quem foi que matou seu pai você vai precisar manter a calma e investigar o local do crime. — Disse Nick com um olhar desafiador.

_Não coloque ideias na cabeça dela, você sabe que vamos acabar metidos em confusão! — Disse Sam.

_Nick tem razão, preciso saber quem fez isso com o meu pai, pois tenho certeza que não foi um acidente e não vou descansar até descobrir a verdade.

Fomos até a fábrica, era uma antiga prisão que teve grande parte das celas destruídas para a construção dos fornos de queima de carvão. Um lugar enorme, escuro, feito de pedras e iluminado apenas por alguns lampiões. Os trabalhadores da fábrica ficavam o dia inteiro no local para cuidar dos fornos de queima do carvão e dormiam dentro das celas que sobraram da antiga prisão.Foi em uma dessas celas que meu pai foi morto, meu pai ficava duas semana por mês na fábrica, dormia e comia lá, no fim do turno voltava pra casa com o pouco dinheiro que recebia.

Quando entrei na fábrica logo vi um grupo de pessoas aglomeradas ao lado dos depósitos de carvão que também eram celas. O Sr. Amarante estava em cima de uma cadeira discursando para as pessoas que ali estavam, trabalhadores da fábrica, policiais, amigos de meu pai e minha mãe. Ela parecia muito abalada, eu queria tanto cuidar dela mas não podia, precisava provar que meu pai havia sido assassinado, precisava fazer isso por ele.

Quando me aproximei do grupo vi sobre a mesa a ficha policial referente a morte do meu pai e algumas anotações dos policiais que diziam: "morte acidental na cela 45 da fábrica de carvão".

_Sam, Nick, vejam isso — Mostrei a eles a ficha e as anotações — Meu pai ficava na cela 39, ele sempre dormiu na mesma cela, dizia que era o número da sorte dele.

_Ele pode ter trocado de cela, sei lá, os policiais não iriam errar o número da cela em que encontraram o corpo. — Disse Nick.

_Duvido muito, mas vamos até lá.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.