Abri os olhos, e senti o chão gelado atrás de mim. Meu corpo tremeu, enquanto eu me colocava de pé. O odor fétido entrava por minhas narinas, porém meus olhos somente viam a escuridão. Deslizei minhas mãos pela parede fria em busca de um interruptor e enquanto isso, minhas memórias vinham em flashes confusos.

Lembrei-me que entrei nessa loja, cumprimentei o dono que se encontrava atrás do balcão, tentando ignorar o cheiro insuportável de carne podre, e comecei a vasculhar os objetos da loja em busca de algo que me interessasse.

No meu bolso meu celular vibrou, minha mãe me ligava como era de costume nas ultimas semanas, graças a uma onda de desaparecimentos que aconteciam na cidade. Não atendi. Continuei fuçando as prateleiras até que achei uma luva de couro pela qual me interessei. Virei-me procurando o dono da loja que havia simplesmente desaparecido do balcão. Virei-me de volta para as luvas e me deparei com o homem ali parado segurando um enorme bastão.

Minha cabeça doía, agora na escuridão, me apoiava nas paredes para me manter de pé. Senti o interruptor, e liguei a luz. Soltei um grito histérico abafado pelas minhas mãos.

A luminosidade revelava um corpo congelado, que reconheci como o de Clara, uma das garotas que havia desaparecido nas ultimas semanas, cartazes com sua foto estavam pelos postes da cidade. Suas pernas tiveram a pele retirada e um dos pés estava sem os dedos. Respirava ofegante enquanto me virava procurando por uma saída.

Para minha surpresa o dono da loja se aproximava de mim com um avental branco manchado de sangue, e uma faca afiada. Gritei por socorro, enquanto lágrimas de desespero desciam pelo meu rosto.

Ele tapou minha boca com a mão suada. Sorriu enquanto aproximava a faca do meu pescoço.

– Só vai dor um pouquinho. Prometo.

Senti a faca perfurando meu pescoço, enquanto minha visão ficava turva. Ele me jogou no chão, e a última coisa que vi foi meu sangue escarlate escorrendo pelo chão branco.

Notas finais
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Você chegou ao fim do livro. Parabéns!