O Mistério De Uma Lembrança
7 Capítulo 6 - Olhos De Se Fazer Apaixonar
PDV — Bella
Comecei a andar com Emma pelos corredores do shopping. Parei, sentando-me em um banco a puxando para meu colo.
– E então mocinha, — Afastei sua franja de seus olhos os fitando. -, para onde quer ir primeiro?
– Tô com fome mamãe – Sua pequena mão desceu para sua barriguinha coberta pelo casaco.
– Ok. Vamos comer primeiro e depois o parque.
– Então vamos mamãe! – Apertou minha mão me arrastando com toda a sua força.
– Mocinha por um acaso você sabe o caminho? – Parei cruzando os braços. Ela apontou rapidamente para a placa em cima de nossas cabeças.
– A paca tá dizendo mamãe – Ela não sabia ler nem uma frase, mas sua naturalidade ao falar me fez rir.
– Ah é mesmo?
– Mesmo, mesmo.
– E para qual direção devemos seguir? – Ela olhou novamente para cima e apontou para a frente.
– Para a fente mamãe – Dei uma checada e não é que ela acertou!
Andamos por mais alguns metros para enfim encontrarmos a praça de alimentação. Nem precisei olhar em volta para saber o que queria comer.
– Vem Emma – A impulsionei para andar.
– Pa onde?
– Vamos nos sentar em uma daquelas mesas bem ali – Apontei para frente do restaurante italiano.
– Ali tem lugar mamãe — Emma soltou minha mão e começou a correr pra lá.
– Emma! – Fui atrás dela um tanto desesperada. Lugares cheios me davam um certo medo de perdê-la de vista.
– Mamãe, aqui! – Acenou já se sentando.
– Emma você não deve sair correndo. Tem muita gente aqui.
– Decupa mamãe – Ela abaixou a cabeça como sempre ao fazer algo errado.
– Tudo bem. Eu só me preocupo com você meu amor – Emma é tudo para mim. A amo demais. Se não fosse ela já teria entrado em depressão.
Olhei para ela que estava com o queixo sobre a mesa e batendo os dedinhos repetidamente.
– Por que está assim Emma? A mamãe não está brava.
– Não é isso.
– Então o que é? Você já quer ir embora?
– Não! – Se endireitou rapidamente. – É que não queo come aqui.
– A senhorita quer comer o que então?
– Mamãe eu queo Mc Lanche Feliz – Ela e sua mania por esse hambúrguer, e tudo por causa do brinquedo.
– Tudo bem. Eu vou buscar. Mas por favor, NÃO SAIA DAQUI! – Dei um beijo em seus cabelos e sai.
Enfrentei uma fila enorme, mas consegui comprar.
– Pronto. Aqui está seu tão adorado Mc Lanche Feliz – Coloquei a bandeja na frente de Emma ajeitando tudo em volta para que ela não se sujasse.
Fiquei absorta em meu “mundinho” — conversei com o garçom pelo piloto automático, comi sem perceber e só voltei ao normal quando um homem parou ao meu lado. Seu cheiro me despertou.
– O sabor é do seu agrado? – Perguntou diretamente para Emma – Prazer Edward Cullen – Se virou estendendo sua mão educadamente.
– Ellie Black. E o prazer é meu – Sorri singelamente ao segurar sua mão. Senti um choque me afetar. Deve ser o frio novamente, mas me senti muito bem – Agradeço a gentileza senhor, mas não precisava – Ele foi realmente muito gentil com Emma sem nenhuma necessidade.
– Imagina. Foi apenas um agrado.
– Sente-se, por favor – Ofereci ao perceber que ele continuava em pé. Meu raciocínio estava lento.
– Se não for incomodar.
– De maneira nenhuma.
– Já que é assim – Colocou suas sacolas no chão e puxou uma cadeira ao lado de Emma e pude observá-lo perfeitamente – seus lindos olhos verdes esmeralda logo me atraíram. Seu nariz bem feito e boca levemente rosada me deram vontade de sentir a maciez e gosto. Seu maxilar bem definido dava a ele ar de... Poderoso. Sua pele era de um bronzeado fraco. E seu cabelo na cor que identifiquei como sendo bronze, era curto na nuca e rebelde em cima, o deixando ainda mais atraente. Continuei fitando-o discretamente e a sensação de já tê-lo visto me bateu.
“Deve ser um modelo muito famoso.” Conclui em pensamento. “Só pode ser!”
– Hummmm. Adoo bolo de choate – Emma me fez olhava e quase ri ao vê-la toda lambuzada pela cobertura.
Edward – como ele se identificou riu e o som divertido me encantou.
“Se concentre Ellie.”
– Emma querida o que a mamãe te ensinou? – Lembrei a tempo desse detalhe.
– Muito obigada.
– Eu fico feliz que tenha gostado – Sorriu e por pouco não suspirei. – Meu filho é louco por bolo de chocolate e imaginei se seria assim com todas as crianças. – Filho? Então ele tem esposa e que sem duvidas deve amar.
“Boba Ellie! Como pode sentir atração por um homem casado e que tem um filho ainda? Desista!”
Ajeitei-me tentando não parecer decepcionada.
“Decepcionada? Você nem o conhece!”
– Cadê ele? – Emma mais uma vez desviou minha atenção.
– Ele está com os avós dele na Califórnia.
– Então o senhor não é daqui de Seattle? – Resolvi perguntar. É... ele deve ser mesmo um modelo que está viajando a trabalho.
– Não. Nasci e cresci na Califórnia.
– A Califórnia é fascinante – “Como você”, pensei involuntariamente.
– Adoro viver lá.
– E de qual lugar o senhor é?
– De São Francisco.
– Ótimo lugar para se morar.
– Com toda a certeza.
– Então o senhor está aqui a passeio?
– Não exatamente. Vim a trabalho. Sou Engenheiro Civil e uma empresa importante daqui me contratou. – Engenheiro Civil? Então... De onde o conheço?
– Ah que legal! Seattle está crescendo cada vez mais e precisa muito de profissionais como você. – Me foquei em nossa breve conversa.
– Isso é verdade. Mas e a senhorita trabalha com o que? – Apertei os lábios numa linha reta e o encarei. Teria que falar. – Eu infelizmente não trabalho.
– E pela sua expressão você gostaria, não é?
– Muito!
– Então por que não vai e faz o que quer?
– Não é tão simples assim.
– Mamãe teminei — Emma mostrou o prato vazio.
– Ótimo querida – Acariciei seu pulso. – Agora vamos?
– Vamos no paque mamãe?
– Claro! – Me curvei para pegar a carteira, mas Edward me impediu.
– Eu pago!
– Não é necessário.
– Eu insisto.
– O senhor está sendo muito gentil e não precisa.
– Eu só quero conversar mais. Esse é meu preço.
– Conversar? – Ele estava brincando, não é?
– Exato – Assentiu. – Preciso de companhia. Sinto-me sozinho – Então por que ele não liga para a esposa?
– Se for assim pode vir conosco – Aceitei pela sua expressão.
– Ótimo! Eu quero sim.
Depois que saímos da praça de alimentação, fomos finalmente até o parque. O espaço tinha vários brinquedos para todos os gostos. E o que não faltava eram crianças pulando, gritando e correndo. Emma foi se juntar a elas enquanto eu e Edward ficamos sentados no espaço reservado para os pais.
– Ela tem quantos anos? – Puxou conversa.
– 2 anos e cinco meses.
– E já é inteligente desse jeito?
– Ela está adiantada.
– Bastante.
– E o seu filho, tem que idade?
– O Thomas já está com 3 anos e meio.
– Já é um rapazinho então? – Sorri. Gostaria de vê-lo. Aposto que se parece e muito com o pai. – E adoro o nome Thomas – Se tivesse um filho o chamaria assim.
– E todo cheio de atitudes – Deu um largo sorriso mostrando seus dentes perfeitos.
– Emma está ficando assim também.
– É... Eles crescem muito rápido! – Suspirou. – Mas me fale um pouco mais sobre a senhorita – Pediu e tive que aceitar.
– O que o senhor gostaria exatamente de saber.
– Acho que o senhor não precisa ser mais usado, não acha? Pode me chamar apenas de Edward.
– Tem razão – Sorri timidamente.
– Agora sim – Me encarou. – Quero saber se você é daqui de Seattle mesmo, porque a senhorita tem um “Q” de Californiana.
– Eu? – Assentiu. – Que nada. Sou de Ohio.
– Ohio? – Ele pareceu surpreso.
– Sim. Nasci lá. Depois fui para Dakota e por fim aqui.
– Seus pais gostam de se mudar, não? – Achou graça, porem eu não vi nenhuma.
– O que aconteceu? Falei algo que não deveria, é isso?
– Não foi tão mal assim, é só que... – Ia falar sobre meus pais quando meu celular começou a tocar. Tive que pedir licença para atender. Ele continuou lá e quando virava seus olhos verdes me fitavam sem parar.
– Alô? – Fui apressada e nem olhei para o visor.
– Oi amor – Por que não imaginei que seria o Jacob?
– Oi.
– Onde você está?
– No shopping com a Emma.
– Vocês vão demorar muito?
– Eu falei para a Margareth que não teria hora para voltar.
– Ela me avisou e não gostei nada...
– Jacob eu só...
– Eu não terminei de falar – Me interrompeu ríspido. – Você sabe muito bem que eu odeio chegar em casa e não encontrar a “minha” mulher e filha.
– Sinto muito, mas eu quis trazer Emma para passear. Que mal tem nisso?
– Que mal tem nisso? – Explodiu. – O mau é eu ter que ficar sozinho com a empregada. Que bela companhia essa hein?!
– Jacob já estamos indo embora.
– E não demorem mais. Não quero ter que esperar muito.
– E não irá – Bufei revirando os olhos. – Até logo.
– Até – Seu tom de voz voltou ao normal. – Te amo – Nem me dei ao trabalho de responder.
Guardei o celular na bolsa novamente e voltei até onde Edward estava. Me aproximei a tempo de ouvi-lo murmurar um:
– Mais que droga!
– Algum problema?
– É... – Me encarou e suas bochechas se tingiram de um leve rosa. – Não foi nada.
– Desculpa a demora. Era o meu marido e preciso ir.
– Humm – Sua expressão ficou rígida de repente.
– Sinto muito. Eu estava me divertindo. – E apreciando muito sua beleza.
– Eu também. Agora vou voltar para o hotel.
– Quem sabe não podemos terminar nossa conversa outro dia.
– Eu adoraria – O canto de seus lábios se ergueu formando o sorriso torto mais sexy que vi na vida.
Respirei fundo e me ajeitei pronta para ir. – Então... Até mais...
– Até – Puxou minha mão beijando-a demoradamente. Me senti arrepiar e tive que me distanciar.
Quando já estava dentro do carro me dirigindo para casa me lembrei.
– Não pode ser! – Sussurrei abismada.
Aquele homem.
Aqueles olhos.
Edward... Ele é o “homem misterioso”!
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