Depois do incêndio, Dylan e Tyler ficaram no limite. A casa parcialmente destruída, a multa, os prejuízos — tudo drenava o pouco dinheiro que ainda tinham. Se quisessem continuar o verão ali, precisavam de uma solução rápida.

Foi quando encontraram o anúncio.

Um pet-shop da região precisava de dois rapazes para limpar e cuidar do lugar durante a ausência da dona, que viajaria por algumas semanas. Sem muitas perguntas, eles se ofereceram.

O trabalho começava às nove da noite.

Para tornar as horas mais leves, levaram algumas bebidas. Conversavam enquanto limpavam, riam de coisas bobas, tentavam fingir que a vida não estava tão quebrada quanto realmente estava. Mas, para Dylan, aquela noite era diferente.

Era um momento a sós com Tyler.

Ele esperava por isso havia tempo demais. Sempre reparara nos olhos castanho-claros de Tyler, no jeito distraído, no sorriso fácil. Antes da morte de Logan, os dois já haviam se envolvido — algo rápido, mal resolvido, nunca assumido. Um desejo que ficou guardado, mal digerido.

Pouco depois da meia-noite, Dylan percebeu o cansaço de Tyler. Ajudou-o a deitar, cobriu-o com cuidado e ficou ali por alguns segundos a mais do que deveria, perguntando a si mesmo quando aquilo tinha deixado de ser só atração.

E como tinha virado algo tão confuso.

No dia seguinte, Tyler acordou com o sol refletindo no lago. Dylan estava sentado na borda, quieto, deixando o calor bater no rosto. Tyler se aproximou e sentou ao seu lado.

— E aí, Dylan.

— Oi, Tyler — respondeu, fingindo indiferença.

— O que foi? Você tá estranho.

Dylan suspirou.

— Nada… só um pouco de paixão. Confusão. E outras coisas misturadas.

Tyler ficou em silêncio por um instante.

— E o motivo sou eu? — perguntou direto. — Eu sei que você gosta de mim.

— Ahn? Do que você tá falando? — Dylan desviou o olhar.

— A Rosemary me contou tudo. Disse que você planejou esse momento. Então vamos acabar logo com isso — Tyler disse, se aproximando. — Vem aqui.

Antes que Dylan pudesse reagir, Tyler o beijou.

Por um segundo, tudo explodiu dentro dele. O mundo pareceu simples demais. Mas Tyler se afastou rápido, com um sorriso curto.

— Satisfeito?

Dylan respirou fundo.

— Não sei nem o que dizer. Estamos quites. E não… não tô apaixonado por você. Só precisava realizar um desejo. Meu coração já tá em outro lugar.

— Ok… — Tyler respondeu, sem insistir.

O verão passou rápido depois disso.

Intenso, quente, cheio de silêncios não ditos.

Quando chegou o inverno, Dylan e Tyler voltaram para suas casas, cada um com sua família, tentando fingir que aquele verão tinha sido apenas mais um.

Mas sabiam que algumas coisas não queimam, não se apagam e não ficam no passado tão fácil assim.