O Misterioso Caso Da Mina De Diamantes
8 Um Presentinho Para A Detetive!
Notas iniciais
Eu acordei lá pelas... nove horas da manhã? Algo assim. Porém acordei subitamente, logo perdendo o fôlego. Alguma coisa havia pulado em cima de mim, bem na minha barriga, o que fez eu perder rapidamente o ar em meus pulmões. Eu não consegui gritar, apenas soltei ar sofregamente, arregalando os olhos e escancarando minha boca. Mas logo recuperei a consciência, ignorei seja lá o que foi aquilo que pulou em mim (já que não me atacou novamente, certamente era algo ou alguém passivo que apenas queria me acordar muito violentamente) e me acalmei. Respirei fundo, levei minha mão direita ao meu rosto e apertei a ponte de meu nariz para poder afastar o sono, dei um longo bocejo e tentei tirar o terrível gosto de minha boca (claro, em vão) e olhei para o ser que estava abraçado a mim e sorrindo. Era um garotinho, provavelmente o filho do senhor Arlovsky... Henrique? Não... Frederic?... Não lembrava. Apenas sorri e fiz cafuné nos cabelos dele e sorri de volta.
Ele era uma gracinha, dava vontade de apertar até os órgãos internos saírem pela boca dele e ver o sangue saindo pra depois mandar empalhar... Claro que não faria aquilo, mas dava vontade! Ele era bem baixinho(duh) em comparação a mim. Tinha olhos verdes bem claros, cabelos pretos encaracolados, dois cachos ficavam em frente a suas orelhas, fazendo-o ficar mais fofo ainda. Ele ainda estava de pijamas e agarrado à minha barriga.
– Bom dia moça! –Disse sorrindo para mim.
– Bom dia, belo garotinho. –Também sorri para ele. –Posso saber o nome desse menino fofo?
– Eu sou Yerik! Prazer moça! E o seu nome?
– Eu sou Yulia. É um prazer conhecer esse garotinho tão simpático.
– Você é muito bonita, moça! –Disse como se não fosse nada de mais dizer isso.
Corei um pouco e respondi.
– Por favor, tome cuidado com os elogios. –Disse apertando um pouco a bochecha esquerda dele.
Ele fez uma cara de desgosto, então logo que soltei sua bochecha ele a acariciou. Mas logo retornou ao seu aspecto sorridente.
– Tia Yulia, você tem que tomar o café da manhã, já é tarde!
– Oh, claro. –Disse levantando-o de meu colo e colocando-o no chão enquanto eu tentava sentar corretamente na cama.
Ele olhou pra mim e corou um pouco. Hum... por quê? (a sua roupa, sua doida! Você está praticamente pelada pra esse moleque! Bota vergonha na cara e coloca o lençol na frente! Você vai corromper a mente da peste!) Logo me lembrei e fiquei desconcertada, dei um pequeno gritinho e coloquei o lençol na frente do meu corpo.
– Hum... você não se importaria de sair do meu quarto e me esperar lá embaixo com seus pais por mim enquanto a tia Yuli se troca, não é?
Ele soltou um “uau!”. Eu me levantei com o lençol ainda na frente de meu corpo e o guiei para o corredor. Ele andou para fora do quarto de costas, ainda olhando para mim. Eu dei um sorriso desconcertado e fechei a porta um pouco rudemente na cara do menino que parecia hipnotizado.
Eu podia sentir aquele calor na minha cara. Enfiei meu rosto em minhas mãos me insultando de tudo quanto é coisa rude que via à minha mente. Depois de um minuto respirei fundo e pus-me a trocar minhas roupas.
Quando estava pronta, dirigi-me à porta, fui para o banheiro, joguei um pouco de água na boca, fiz um bochecho breve para tirar o gosto horrível da minha boca e desci as escadas. Ao chegar à sala de jantar estavam todos juntos. A mesa estava cheia de comes e bebes para um reforçado café da manhã.
– Bom-dia! -Disse sorrindo.
Todos responderam sorrindo também. A senhorita Anya pediu para que eu pegasse o meu lugar. Sentei-me ao lado do senhor Arlovsky, na mesma cadeira que eu sentei na noite anterior e procurei algo para comer e beber rapidamente. Escolhi um pão e um pouco de suco de laranja. Pus-me a degustar o alimento e dei uma espiada no que os outros comiam: Anya comia um misto frio e bebia algo que eu não faço a menor ideia do que era; Kevin... Yerik! Comia uma torrada com patê e bebia suco de laranja e; Leonid comia um pão e bebia café. Depois de uns dois minutos o senhor Arlovsky dirigiu-se a mim:
– Então, senhorita Yulia, você começará a investigação a que horas, mais ou menos?
– Um... –Engoli o pão e bebi o resto de meu suco. Logo respondi. –Depois de eu escovar os dentes. –Disse levantando-me e agradecendo à esposa dele pelo café da manhã e pedi licença para me retirar.
Subi as escadas, arrumei o quarto de hóspedes, dobrei aqueles malditos pijamas e fui ao banheiro... Hm, nenhuma escova de dente... Olhei dentro de algumas gavetas e encontrei uma. A pasta de dentes já estava encima da pia, portanto apenas a peguei, coloquei um pouco na escova e pus-me a fazer minha higiene dental. Quando terminei coloquei os objetos em seus devidos lugares. Desci as escadas novamente e procurei pelo senhor Arlovsky. Este estava na sala de estar, aguardando-me. Entrei no cômodo e chamei sua atenção pigarreando.
– Então... pronto para ver minhas incríveis habilidades em ação? –Perguntei enquanto fazia gestos heroicos e uma pose digna de uma conquistadora.
– Claro... –Disse ele, simplesmente, levantando e fazendo um gesto para eu acompanha-lo até a porta da frente.
Quando o senhor Arlovsky estava prestes a abrir a porta, alguém me chama.
– Tia Yulia! Tia Yulia! Espera um pouco, por favor! –Gritava o pequeno Yerik.
Me virei e agachei para ficar mais ou menos na altura do pequenino enquanto ele corria em minha direção. Ele estava com uma mochila e um uniforme escolar... que dia era hoje?... Sexta-feira? Sai e de meus devaneios rapidamente e simplesmente sorri e perguntei enquanto ele me alcançava:
– O que houve pequeno?
– Leve isto com você, é um presente meu! –Disse estendendo a mão para me mostrar um colar.
Olhei de volta para ele e notei que tinha alguém ao fundo. A mãe dele estava encostada na parede nos observando.
– Isto não é da sua mãe? –Perguntei, olhando para a mulher um pouco constrangida.
O menino olhou para trás e, então, de volta para mim. Ele negou com a cabeça. Sua mãe acrescentou:
– Ele pediu algo para dar a você. E eu também achei que devíamos fazê-lo, já que você vai dar nos ajudar. Considere-o como um agradecimento adiantado. Aceite, por favor. –Disse sorrindo e inclinando a cabeça.
Sorri e peguei o colar, afaguei a cabeça do garoto e fui abraçar a mãe dele.
– Muito obrigada, vocês são um doce!... Agora tenho que ir, tenho um mistério a resolver!
– Você é detetive?! –Perguntou o garoto, surpreso.
– Sim, eu sou! Não é incrível?
– Isso é totalmente legal! –Exclamou o garoto.
–Ah, eu tenho certeza disso! Mas depois nós conversamos sobre isso, tenho que trabalhar.
Logo após isso, me despedi de Yerik e Anta—Anya! E voltei ao caminho para fora da casa com o senhor Arlovsky, que também se despediu e, então, fechou a porta. Logo ele me deu uma chave. Eu a olhei e fitei-o, esperando que ele dissesse algo. Ele inclinava a cabeça para a chave, me encorajando. Eu não captei a mensagem e olhei com dúvida para ele. Ele me fitou em silêncio e, por fim, falou:
– ...A senhorita poderia abrir o portão para mim?
– A-ah! Claro! –Corei e me insultei mentalmente enquanto me dirigia ao portão e o abria.
O senhor Arlovsky retirou o carro e me esperou fechar o portão e entrar no carro. Logo devolvi as chaves e Leonid guiou o carro para a mina. Durante toda a viagem ficamos quietos enquanto uma única música se repetia na rádio... uau, que rádio boa!
...
Chegamos à mina em cerca de quinze minutos. Saímos do carro e entramos na mina assim que o senhor Arlovsky abriu o portão para a mesma. Ao redor da mina inteira havia vários guardas... E, admito, eles eram sexys. Até pisquei pra um, e o mesmo corou um pouco (que fofo!). Fiz careta para outro e este ficou sério, mas notei que ele tentou sorrir. Acenei para outro e este apenas balançou a cabeça, cumprimentando de volta.
Andamos mais um pouco e começamos a descer. Notei que agora tudo estava iluminado e havia um elevador improvisado lá, também. Claro, não o usaríamos porque eu precisava investigar cada parte de cada andar da mina.
– Eu providenciei as luzes para que tenha melhor visão. –Leonid explicou.
– Obrigada! Agora tudo ficará bem melhor. –Sorri.
– Imagina... –Ele deu um sorriso discreto e me guiou para dentro.
Observei tudo lá. Entrei em qualquer cavidade que havia lá. Claro, não sem antes dar uma inspecionada rápida para ver se não havia nenhum animal ou inseto que pudesse me atacar. Preciso ver apenas uma vez para aprender, não faço pirraça e não me considero sortuda para que eu vá as cegas fazer algo. Descemos muito mesmo. Uns 20 ou 30 metros abaixo do nível da cidade e, admito as luzes não ajudavam muito. De qualquer modo tudo parecia escuro. Era como se as paredes de terra da mina sugassem a luz, ou até mesmo a luz era sugada para dentro do buraco. Como estava meio receosa, tentei começar uma conversa, para me sentir mais segura.
– Você poderia me dizer onde acha que a explosão ocorreu?
– Hum... Acho que bem no fundo. Arriscando em uma das camadas do meio da mina...
–Certo. Vamos para lá então.
Descemos mais ainda. Cerca de mais dez metros. Parecia que a mina não tinha fim. Eu olhei para o centro da mina. Parecia menos próximo do que quando eu havia olhado lá de cima. Olhei para a esquerda, para o senhor Arlovsky. Ele parecia mal, perturbado...
– Você... está bem, senhor Arlovsky? –Perguntei preocupada.
– Uh? Ah... nada. Eu só acho que dormi mal... só isso. –Disse. Depois deu uma risada.
Sabia que ele estava fingindo. Mas deixei isto de lado e continuei andando.
Após alguns minutos apenas observando tudo ouvi algo. Alguém estava correndo atrás de nós. Eu tenho uma ótima audição, portanto notei antes que Leonid. Virei para ver quem era. O senhor Arlovsky seguiu meu gesto assim que me notou fazendo-o. Era o senhor Yektov, ele estava suando.
Esperamos ele chegar e retomar o fôlego. Esperamos pacientemente até que ele pudesse falar.
– Perdoem-me por ter chegado atrasado! M-minha filha passou mal e eu tive que levá-la ao médico. Eu a deixei lá com a minha irmã. –Disse ele.
– Oh... tudo bem. –Respondemos juntos.
Leonid olhou no relógio e disse:
– Já é meio dia e não encontramos nada. Acho melhor voltarmos para a superfície para comermos algo. –Disse ele.
Eu ia fazer nota de que, sim, eu havia encontrado algumas coisas. Porém não mexi nestas por motivos que não explicarei agora. Além do mais, minha barriga estava literalmente roncando de fome. Ugh... eu devia ter tomado um café da manhã reforçado...
Uma heroína da Pátria Mãe sempre tem que estar um passo à frente de seus atos, consciente do que ocorrerá, pronta para enfrentar o que quer que venha para atrapalhar. Esta frase pode não fazer muito sentido agora... Mas, no final... (heh) você me entenderá.
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